Em primeiro lugar, peço desculpa de antemão aos leitores e explico para os que já se acostumaram com os meus textos que essa não será uma resenha comum. Até porque as circunstâncias que a envolvem não são nada comuns devido aos acontecimentos de domingo à noite na Arena HSBC. Domingo,
27-03-2011 Tendo isso tudo em mente, nada poderia dar errado, correto? Ledo engano. Chegamos ao local do show por volta de 18h30m e logo ficamos abismados com a fila que tinha mais de 1km e apenas dois seguranças “orientando” o público. Pouco após as 19h, os portões foram abertos e a entrada era feita de maneira extremamente lenta. Logo após isso, consegui descobrir onde era a entrada da imprensa e me encaminhei para o local. Quanto mais eu andava, mais ficava abismado com o tamanho e a desorganização da fila. Passando o parque aquático Maria Lenk, a fila deixava de formar uma linha reta e passava a formar um caracol extremamente confuso. Detalhe: vários funcionários da HSBC Arena estavam presentes no local nesse momento e pouquíssimos eram os que tentavam organizar a fila e ajudar a orientar ao público.
Cheguei ao meu local de destino, me apresentei, retirei o meu ingresso, adentrei na arena e, após algumas informações desencontradas sobre local o qual os profissionais de imprensa poderiam ficar, entrei na pista vip e fiquei abismado com o que vi. Poucos minutos antes do horário previsto para o começo do show do Shadowside, exatamente SEIS pessoas se encontravam na pista vip (que de vip não tinha nada, já que ocupava quase dois terços do espaço destinado ao público na quadra), e mais algumas outras espalhadas pelos outros setores da arena. A impressão é de que, juntos, não somavam mais de 300 pessoas. Outro fato que vale destacar é que logo quando cheguei, dei de cara com o empresário do Iron Maiden, Rod Smallwood, bastante agitado e andando de um lado para outro, em claro descontento. Logo após vi alguns roadies da banda bastante nervosos e orientando funcionários da casa a fazerem reparos de última hora. A essa altura do campeonato, já havia passado da hora dos paulistas do Shadowside subirem ao palco. Naquele momento me passou pela cabeça que, aquilo provavelmente, não iria terminar bem. Shadowside Há exatos cinco anos atrás, tive o meu primeiro contato com o Shadowside ao presenciar e resenhar o show de abertura que a banda fez para o Helloween. Já naquela oportunidade fiquei impressionado com a qualidade da banda. E posso dizer, extremamente feliz de ver que a banda não se acomodou com o sucesso. Continuou trabalhando forte, fazendo várias excursões para fora do país e hoje se consolidou como um dos grandes nomes do metal nacional. Durante seus pouco mais de 30 minutos sob o palco, o Shadowside levantou a galera com músicas como Red Storm e In the Night que contaram com boa participação do público, além de três ótimas novas músicas que estarão no novo álbum intitulado Inner Monster Out a ser lançado em junho de 2011: I'm Your Mind, Disrupted Reality e Gag Order. A se lamentar somente o fato de poucas pessoas terem tido a chance de já estar dentro da arena para assistir o show. Quer dizer, poucas pessoas com relação à multidão que estava do lado de fora tentando entrar. Aliás, lamentações sobre não ter conseguido assistir o show dos paulistas foi o que mais ouvi na saída da Arena no domingo. Espero que retornem em breve ao Rio de Janeiro. Set
List: Iron
Maiden Cerca de 40 minutos após o fim do show do Shadowside, o clássico do UFO Doctor Doctor dá a senha de que o momento que todos esperavam finalmente estava para começar. Ao final de Doctor Doctor e durante a intro de Satellite 15... The Final Frontier o fim quase trágico para uma tragédia anunciada. Ao verem a banda já em cima do palco, muitos que ainda estavam tentando entrar, correram na direção do palco no intuito de não perder o início do show. Resultado: grande tumulto no lado direito do palco, barreira no chão e um Bruce Dickinson extremamente preocupado, pedindo calma, parando de cantar e observando o desenrolar da confusão. A banda ainda manteve o instrumental rolando até o fim da canção, quando Bruce se dirigiu ao público, pediu calma e para que todos dessem um passo para trás para que não houvesse uma tragédia maior. Pouco tempo após isso, o vocalista falou ao público mais uma vez, disse que não tinha condições de continuar o show daquela maneira e pediu alguns minutos para que os funcionários da casa junto a equipe da banda tentassem consertar a barreira. Uma vez que estivesse tudo em ordem, ele prometeu que a banda retornaria ao palco e continuaria o show.
Conhecendo o Iron Maiden, logo temi pelo pior e disse ao meu amigo: “É, cara, melhor ir me preparando para ir embora, pois eles não voltarão a tocar de jeito nenhum”. Dito e feito, após quase meia hora de interrupção, o vocalista retornou ao palco acompanhado de uma funcionária da produtora do show e pediu para que ela traduzisse as suas palavras. O vocalista se desculpou e disse que não a barreira estava completamente quebrada, não tinha como consertá-la em pouco tempo de modo que a deixasse apta para que o show continuasse. No dado, momento uma sonora vaia foi ouvida na Arena HSBC e deu para ver que Bruce estava tão transtornado com o acontecido quanto o resto dos fãs. A solução apresentada pelo cantor e pela produtora foi adiar o show para a noite seguinte, o que, claro, gerou mais vaias ainda. Bruce mais uma vez pediu desculpas e a compreensão de todos, e disse que era só guardarem o canhoto do ingresso para ter acesso normalmente na segunda feira. Por fim, pediu ainda que os fãs não descontassem a frustração tentando destruir a arena. Fora alguns imbecis, todos compreenderam o recado do vocalista e foram embora para casa de maneira tranqüila e ordenada. Segunda
Feira, 28-03-2011 Iron
Maiden Diz que a próxima música seria sobre estar em turnê, no avião e ir a lugares fantásticos como o Rio de Janeiro e anuncia a balada Coming Home. Dance of Death nos levou de volta ao pior momento da banda na década passada, o do disco homônimo lançado em 2004 e foi recebida com certa indiferença por parte do público. The Trooper trouxe a empolgação de volta à apresentação após um início focado em temais mais lentos e complexos. Durante essa música tivemos alguns problemas no som, como uma falha no microfone de Bruce Dickinson, o que rendeu uma olhada fulminante e uma sonora bronca em algum membro da equipe técnica. The Wickerman levantou o público mais uma vez. Antes de Blood Brothers, Bruce Dickinson se dirige aos presentes pela última vez, fala das tragédias naturais ocorridas no Japão e traça um paralelo com os problemas vividos pelos cariocas na noite anterior, dizendo que nós tivemos sorte de ter tido show, os japoneses perderam tudo. Foi um tiro certeiro naqueles que, a aquela altura, ainda insistiam em reclamar. When The Wild Wind Blows, o épico de 11 minutos do último trabalho de estúdio, foi recebido com certa frieza por parte do público. E também serviu para encerrar a primeira parte do show, mais calcada nos trabalhos gravados pela banda desde o retorno de Bruce Dickinson e Adrian Smith a banda, em 1999.
Daí para frente o que se viu foi uma sucessão de clássicos que já tem cadeira cativa em shows do sexteto britânico. Se por um lado as seis músicas finais do show não trouxeram nenhuma novidade aos cariocas, pelo menos causaram bastante empolgação e fizeram o público cantá-las do começo ao fim. Em The Evil That Men Do, um Eddie gigantesco entrou no palco e fez a alegria de todos, principalmente do guitarrista Janick Gers. Fear Of The Dark e, principalmente, Iron Maiden que contou com a participação de um enorme Eddie surgindo atrás da bateria de Nicko (surpresa para os Sul Americanos, já que ele só deveria ficar pronto a tempo da tour européia), fecharam a apresentação de maneira sensacional antes da volta para o bis. No retorno ao palco, The Number Of The Beast, Hallowed Be Thy Name e Running Free encerraram de maneira brilhante mais uma memorável apresentação do Iron Maiden em terras cariocas. Eu poderia terminar a minha resenha citando as inúmeras histórias que ouvi durante o segundo dia de pessoas que gastaram milhares de reais e não puderam ficar para o show de segunda-feira, ou mesmo de um amigo que dirigiu horas a fio de Minas Gerais até o Rio de Janeiro em ambos os dias. Poderia até mesmo citar o fato de ter presenciado esse amigo com lágrimas nos olhos ao perceber que todo o esforço havia sido em vão, após Bruce dar a notícia de que não poderiam continuar o show de domingo. Mas não farei isso, já abordei o tema o suficiente durante a resenha. Pelo contrário, prefiro celebrar os grandes momentos de mais uma apresentação histórica do Iron Maiden no Rio de Janeiro, talvez a mais importante de suas oito apresentações em diversos palcos da cidade maravilhosa, e ficar com a lembrança de uma banda que ama de verdade os seus fãs, algo que pode ser comprovado nos pequenos gestos, como os presentes enviados pelos músicos a um rapaz deficiente antes da apresentação de domingo. Pode parecer pouco para muitos, mas são atitudes como essas que fazem o Iron Maiden ser tão adorado nos quatro cantos do mundo. A lembrança mais forte que carregarei desse show é o sorriso estampado no rosto do meu querido pai após o grande show de segunda-feira, poder dividir um momento desses com ele valeu todo o esforço durante os dois dias de show. Set
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