ABERTURA: CAVALERA CONSPIRACY
ESTÁDIO DO MORUMBI, SÃO PAULO - SP

Review por André Luiz - Edição por André Luiz
Fotos por John McMurtrie (Iron Maiden) e André Luiz (metalrevolution.net)

Escrever a respeito da banda formada nos idos dos anos 70 por Steve Harris, pessoalmente falando trata-se de um passeio ao túnel do tempo, relembrar meu início no heavy após um ano de hard rock, e justamente por se tratar da primeira banda na qual me interessei, não apenas pela fama no Brasil, mas também por indicação de mais experientes. Está fora a quinta cobertura do Metal Revolution em apresentações do Iron Maiden no país, e com toda essa bagagem posso dizer a respeito das mudanças tanto com relação ao público presente nos shows da donzela de ferro quanto dos próprios integrantes em si e a sonoridade exibida no intervalo de uma década, desde a estabilização da formação com o retorno de Bruce Dickinson e a inserção de três guitarristas na line up. E qual banda pode se dar ao luxo de em meio a clássicos indispensáveis, privilegiar a execução de faixas mais recentes em 50% do set list como o Maiden? A resposta do público, superior a 50mil pessoas presentes no Estádio do Morumbi, fala por si só...

Cavalera Conspiracy - por André Luiz (metalrevolution.net)

Max nos vocais e guitarra, Igor na bateria, Marc Rizzo (Soulfly) nas guitarras e Johnny Chow no baixo, esta fora a formação com a qual os irmãos Cavalera em sua primeira passagem pela capital paulista se apresentaram, executando um repertório mesclando faixas próprias dos dois trabalhos de estúdio do Cavalera Conspiracy e verdadeiros hinos da trajetória do Sepultura, banda a qual ajudaram a construir o nome. Iniciaram com Warlord, seguidas pelas bem recebidas do público Inflikted e Killing Inside. Após algumas palavras, Max anuncia Torture, sequenciada por Thrasher, Sanctuary e Terrorize. Os primeiros clássicos do Sepultura executados na noite foram Refuse/Resist e Territory. O público iniciou gritos de 'Maiden, Maiden' durante as performances das rápidas Washing Away e Doom Of All Fire, para logo após o CC encerrar a primeira parte do show com mais uma da maior banda de metal da história do Brasil, Troops Of Doom. No encore, simplesmente Roots Bloody Roots, a mais bem recebida pelo público durante toda apresentação.
Um longo intervalo sucedeu, até a execução nos PA's do cover para 'Doctor Doctor' do UFO, um prenuncio do início da performance da donzela de ferro. Luzes apagadas, os telões exibem um longo vídeo para Satellite 15... (diferente do vídeo-clipe oficial), ao seu final Steve Harris (B), Dave Murray (G), Adrian Smith (G), Bruce Dickinson (V), Nicko McBrain (D) e Janick Gers (G) adentram ao palco executando The Final Frontier, para alvoroço geral no Estádio do Morumbi. A faixa seguinte também pertence ao último álbum de estúdio do Maiden, El Dorado, outra muito bem recebida pelos presentes. "Esperamos seis semanas desde o início da turnê mundial para finalmente estarmos aqui" proferiu Bruce Dickinson em seu primeiro discurso, para euforismo dos presentes. Fazendo uso do sarcasmo britânico que lhe é peculiar, o vocal disse que manteria o público acordado a noite toda mesmo sabendo que iriamos à missa na manhã seguinte, e eis que em meio a risos gerais, anuncia o primeiro clássico da noite, Two Minutes To Midnight.


Iron Maiden - por John McMurtrie (Iron Maiden)
Iron Maiden - por John McMurtrie (Iron Maiden)

A chegada ao Morumbi fora tranquila na medida do possível, a considerar as condições corriqueiras do local como um ponto único para entrada/saída da região e falta de estacionamento (alguns locais ofereciam vagas ao absurdo preço único de R$100). Presenciar pela primeira vez Max e Igor executando faixas clássicas on stage me arremeteu a conclusão de que pela primeira vez pude conferir ao vivo a essência do verdadeiro Sepultura... Embora boa parte do público não tenha compreendido a importância da performance de abertura da noite, a presença de dois nomes tão importantes juntos após anos pela primeira vez na capital paulista, posso afirmar que o Cavalera Conspiracy cumpriu seu papel. Destaque para o excelente Marc Rizzo, o qual se trata da alma das faixas próprias da banda. O momento cômico ficara para o break tradicional ao fim de 'Roots...', na qual Max tentou puxar um coro de 'Ole Ole Ole Ole Cava-lera' e recebera como resposta o complemento de 'Maiden, Maiden'. E falando nos britânicos, enquanto a banda 'brasileira' se apresentava, os músicos participavam de uma descontraída interação com a imprensa e alguns convidados nos bastidores do show, como optei por presenciar o CC... Aliás, a Mondo Entretenimento caprichou no quesito organização, tanto nas pistas como segurança, atendimento médico e pontos de alimentação bem distribuídos, sem esquecer a área especialmente preparada a nós que trabalhavamos no Morumbi, a sala de imprensa.


IMAGENS DO PÚBLICO
Iron Maiden - por John McMurtrie (Iron Maiden)
Cavalera Conspiracy - por André Luiz (metalrevolution.net)Iron Maiden - por André Luiz (metalrevolution.net)
Iron Maiden - por André Luiz (metalrevolution.net)Iron Maiden - por André Luiz (metalrevolution.net)

Iron Maiden - por John McMurtrie (Iron Maiden)

Mais duas faixas recentes foram executadas, primeiramente The Talisman e depois Coming Home. Gritos do público de 'Ole Ole Ole Ole Maiden, Maiden' fazem Bruce sentar no palco e apreciar a recepção do Morumbi, seguira um curto discurso e a execução do petardo que 'dá nome' ao álbum de 2003, Dance Of Death, com aula de interpretação de Mr. Dickinson. O pano de fundo indica o clássico o qual viria na sequência, The Trooper, com direito ao vocal empunhando a bandeira britânica e trajando farda da guarda bretã. Logo após executaram o single que marca o retorno do frontman ao Maiden após quase uma década fora da line up, The Wicker Man, fora aclamado pelos presentes.
Bruce afirmou que o Iron fora obrigado a cancelar os shows duas semanas atrás no Japão devido a recente tragédia niponica (tsunami), dedicou a canção seguinte não apenas aos orientais mas também 'aos amigos do Maiden no Egito, Síria e Líbia. Não importando a cor, raça ou religião, se você é fã do Maiden, é parte da família. Somos todos irmãos de sangue', anunciando a execução emocionante de Blood Brothers, do álbum Brave New World. De forma arrastada devido sua grande duração, a banda executou When The Wild Wind Blows, para retornar apenas com clássicos ao set list. Iniciando pela empolgante The Evil That Men Do contando com a primeira aparição de Eddie no show, passeando pelo palco e tocando guitarra. Seguiu o unissono geral com Fear Of The Dark e encerrando a primeira parte da performance, a faixa que dá nome ao primeiro álbum e a própria donzela de ferro, Iron Maiden, com um imenso Eddie surgindo atrás da bateria de Nicko.
Escuridão no Morumbi, e para o bis simplesmente The Number Of The Beast, ovacionada pelo público, detalhe para a presença da figura do que seria uma espécie de deus egípcio ao fundo. Um verdadeiro hino segue, Hallowed Be Thy Name, e para encerrar, Running Free do álbum TNOTB, com apresentação dos integrantes e despedida aos mais de 50mil presentes no estádio.


Iron Maiden - por John McMurtrie (Iron Maiden)

A apresentação da donzela de ferro fora anunciada com a execução nos PA's de Doctor Doctor do UFO, mas sinceramente, a longa duração do vídeo inicial aumentou a ansiedade do público, para não citar os gritos de 'começa logo' vindos de muitos... The Final Frontier é uma boa faixa, mas pessoalmente acho que a abertura ficaria melhor com El Dorado devido sua velocidade, TFF possue um ritmo mais cadenciado o qual não combina com a sequência de pulos tradicionais de Bruce Dickinson. Entre as faixas executadas, acredito que When The Wild Wind Blows poderia ser substituida por dois clássicos, ou caso fosse manter as faixas novas, um The Reincarnation Of Benjamin Breeg ou Rainmaker. Blood Brothers composta por Steve Harris em homenagem ao seu falecido pai recebera um grau interpretativo e emocional fantástico ao vivo após o oferecimento de Dickinson à japoneses, líbios, sírios e egípcios. Mas fora durante os grandes clássicos incrementados pelas aparições de Eddie que o público delirava... Impressiona o entrosamento entre o trio de guitars Murray-Smith-Gers, assim como a presença marcante de Nicko na bateria e Harris no seu baixo o qual protagoniza o andamento das músicas da donzela de ferro. Encerrando a noite especial para maidenmaníacos paulistas, Bruce Dickinson não apenas apresentou os integrantes, usufruindo do humor irônico que lhe é corriqueiro, como também interagiu com o público incitando-o a bradar em alto e bom som o nome da derradeira e dançante faixa da noite, Running Free, encerramento o qual ilustra o clima do show: alto astral.


IMAGENS DO PÚBLICO
Iron Maiden - por John McMurtrie (Iron Maiden)
Iron Maiden - por André Luiz (metalrevolution.net)Iron Maiden - por André Luiz (metalrevolution.net)
Iron Maiden - por André Luiz (metalrevolution.net)Iron Maiden - por André Luiz (metalrevolution.net)

AGRADECIMENTOS
- Mondo Entretenimento pela produção do evento e tratamento com equipe Metal Revolution, em especial a Denise Catto
- Midiorama pelo contato para credenciamento e envio de press release
- Tanta gente que encontrei/conheci por lá, vamos com a lista: Leandro, Flávio Hopp, pessoal da Ego Club, amigo de site do interior de Minas, bombeiro da épocas da antiga Ocean, além das pessoas com quem conversei mas para variar, não gravei nome (rs)