HELLOWEEN &
STRATOVARIUS
CREDICARD HALL , SÃO PAULO - SP
Review por July Lorencini - Edição por André Luiz
Fotos por Ricardo Matsukawa (Terra)

Na noite de sexta-feira, dia 06 de maio, dois dos maiores nomes do heavy metal melódico subiram ao palco do Credicard Hall juntas em uma noite memorável para os fãs do estilo, Helloween (divulgando álbum “7 Sinners” de 2010) ao lado do Stratovarius (o qual no mesmo ano lançou o disco Elysium).

Helloween - por Ricardo Matsukawa (Terra)

Pontualmente às 22h, o Stratovarius sobe ao palco com Matias Kuppiainen (guitarra), Lauri Porra (baixo), Timo Kotipelto (vocal), Jörg Micheal (bateria) e Jens Johansson (teclado), executando “Infernal Maze”. Kotipelto como sempre, surge no palco correndo e já direcionando seu olhar e gestos para a platéia, demonstrando seu carisma e dinamismo. Em seguida sem nenhuma pausa para conversas, tocam o que em minha opinião trata-se de uma das melhores composições recentes da banda, “EagleHeart”, do Elements Part 1 (2003). Kotipelto corre de um lado ao outro do palco e em muitos momentos deixa para que o público cante o refrão, recebendo resposta da platéia prontamente. Seguem “Phoenix” e outro grande clássico da banda, “The Kiss Of Judas”, a qual através de sua breve introdução, fizera a platéia notar do que se tratava, já erguendo os braços para acompanhar Kotipelto e sua trupe. Entre brincadeiras, caras e bocas surge “Winter Skies” do Polaris (2009) e mais uma do Elysium, “Under Flaming”Skies”, muito bem recebida pelos fãs. Até soarem os primeiros acordes de “Paradise”, imediamente reconhecidos, e dando seqüência com mais dois clássicos, “Darkest Hours” e “Speed Of Light”.

Após uma pequena pausa, na qual Kotipelto aproveitou para conversar com público, mencionando dentre outras coisas o quanto estava feliz pela volta do Jörg aos palcos, após o baterista se recuperar de um tratamento contra o câncer, (muito bem, diga-se de passagem, tento em vista que o solo feito por Jörg, demonstrando estar em perfeita forma). Ouve-se a introdução de “Hunting High And Low”, mais uma vez o Stratovarius é seguido a plenos pulmões pelos presentes e Kotipelto tem quase sua voz encoberta pelo público que cantava cada trecho com o vocalista. Para encerrar, após um breve solo de piano de Jens Johansson temos “Black Diamond”, rápida e melódica cantada em uníssono.

Em uma apresentação mesclada por clássicos e novas de Elysium, o Stratovarius fez uma ótima performance dentro do que o pouco tempo destinado a bandas de abertura permite fazer. Para quem está habituado a vê-los como banda principal, algumas faixas ficaram de fora passando a sensação de que algo faltou. Carismáticos e extremamente eficientes, os finlandeses demonstraram porque são um dos grandes nomes quando o assunto é power metal. Não há como negar que Kotipelto faz exatamente o que se espera de um grande frontman, além de ter um dos melhores e diferenciados timbres e por isso é ovacionado a todo o momento. Já a irreverência de Jörg Micheal sempre ganha seu espaço divertindo a todos, porém mesmo os novatos Lauri Porra (o qual embarcou na brincadeira já sabendo do significado de seu sobrenome em português, incitando a cantarem o refrão “Mas que Porra!”, arrancando risos de todos) e Matias Kuppiainen não fazem com que sintamos falta de Timo Tolkki, ao menos musicalmente falando, situação a qual não se aplica aos fãs mais assíduos...

Set List:
Infernal Maze / Eagleheart / Phoenix / The Kiss Of Judas / Winter Skies / Under Flaming Skies / Paradise / Darkest Hours / Speed of Light / Hunting High and Low / Black Diamond

Stratovarius - por Ricardo Matsukawa (Terra)

Depois de alguns minutos se passarem, às 23h45m as luzes do Credicard Hall voltam a se apagar e chega então o momento mais aguardado da noite. Em poucos segundos, adentram ao palco Andi Deris (vocal), Sascha Gerstner (guitarra), Michael Weikath (guitarra), Markus Grosskopf (baixo) e Dani Loble (bateria) para mais uma apresentação no país, daquela que se tratava da sétima passagem da banda pelo país (segundo o próprio Andi, a quarta somente no Credicard Hall). Para começar, “Are You Metal?” que apesar de nova fez com que todos cantassem juntos, regado a braços erguidos do público acompanhando Andi e cia.; logo em seguida, sem muito tempo para conversas, um dos maiores clássicos do Helloween, “Eagle Fly Free”, não é preciso mencionar que a recepção dos fãs foi ainda maior do que para a anterior.

A apresentação segue com um solo de Sascha Gerstner (sinceramente não entendi muito bem porque de um solo tão cedo, ou até mesmo se era esse necessário, mas ele assim o fez, simples e sem grande destaque). Na volta dos integrantes, “Steel Tormentor” do The Time Of Rhe Oath” (1996) reconhecida rapidamente pelos presentes, e as novas “Where The Sinners Go” e “World Of Fantasy” do 7 Sinners (2010), demonstrando a boa aceitação dos fãs pelas novas faixas incluídas no recente set list da banda. Após o solo de Dani Loble que mesmo curto conseguiu empolgar o público, executam um clássico da banda, “I’m Alive” do Keeper Of The Seven Keys Part I de 1987 (confesso que mesmo eu como grande defensora de Andi frente aos vocais do Helloween, especificamente neste momento senti falta de Kiske... Não que a mesma tenha tido uma má interpretação por Andi, mas tenho de admitir que senti), seguida por “You Stupid Mankind”.

Andi e Sasha em dueto executaram “Forever And One (Neverland)” e já com a volta dos demais integrantes, prosseguem com “A Handful Of Pain”, do disco Better than Raw (1998), um dos meus favoritos do Helloween (não que eu espere que isso seja compartilhado outras pessoas...). Engraçado mencionar o quão Michael Weikath me surpreendeu nesta apresentação, eu que esperava por um guitarrista marrento e mal humorado vejo ali a alguns passos de mim um outro lado, Michael brincando e correspondendo aos pedidos dos fãs mais próximos (em especial a inúmeras meninas ali bem perto que gritavam pelo seu nome) a todo o momento, ora se aproximando do público e abaixando, ora fazendo caras e bocas, e tudo isso sem deixar de fazer seu charme de bad boy. Considerando o show por completo, ele acaba por ficar mais de canto, apenas vindo à frente para alguns solos em conjunto, mas de certa forma uma das figuras mais características do Helloween não passa em branco.

Helloween - por Ricardo Matsukawa (Terra)

E para nenhum grande fã poder se queixar de falta de clássicos em seu mais recente set, o medley de “The Keeper Of The Seven Keys”, “The King for A 1000 Years” e “Halloween”, atendeu muito bem a estes. Chega o momento de “I Want Out”, outra da qual gosto muito, executada muito bem pelos integrantes. Ao final, abrem uma pausa para que Andi converse mais com a platéia, dentre esses momentos inclui brincadeiras com o baterista Dani Loble e até mesmo o quanto sabe a respeito da atual tour e quantas vezes já passou pelo Brasil.

Na volta para o bis, “Ride the Sky”, a clássica “Future World” e nesse momento já avisto ao lado os sortudos “doctors” (fãs escolhidos pela produção do show para fazerem uma participação em “Dr. Stein”) os quais subiram ao palco com a banda na última música da noite, todos devidamente trajados, nervosos esperando o momento certo de subir. Quando começa “Dr. Stein”, lá estão eles a postos até que Markus Grosskopf dá o sinal de ok com cabeça e todos vêm ao palco, cada um logicamente já procura e fica ao lado do seu Helloween favorito e isso é extremamente válido no caso das meninas escolhidas! O Helloween encerra mais um show em meio a uma grande festa, num palco bem agitado com os músicos interagindo diretamente, presenciamos até mesmo Micheal deixar uma menina tocar sua guitarra ao mesmo tempo em que o guitarrista olhava para a platéia e esboçava algo como quem aprova o desempenho da moça frente ao instrumento.

Brincadeiras a parte, o Helloween soube mais uma vez inovar em set list e mesmo assim trazer um show repleto de clássicos, muito bem recebido pelos fãs. Com uma excelente presença de palco e plena segurança de como fazer um grande show, a noite desta sexta-feira não podia ser diferente. A casa não estava completamente cheia, ainda sim havia um número grande de pessoas os quais puderam não somente conferir o porquê do Helloween ser uma das bandas mais influentes do Heavy Metal (prova disso a enorme quantidade de “novos” fãs que a banda trouxe ao Credicard Hall), como essa segunda geração do metal melódico, o Stratovarius.

Set List:
Are You Metal? / Eagle Fly Free / Steel Tormentor / Where The Sinners Go / World Of Fantasy / I’m Alive / You Stupid Mankind / Forever And Ove (Neverland) / A Handful Of Pain / Medley Keeper Of the Seven Keys-The King for a 1000 Years-Halloween / I Want Out / Ride The Sky / Future World / Dr. Stein

IMAGENS DA NOITE
Stratovarius - por Ricardo Matsukawa (Terra)
Helloween - por Ricardo Matsukawa (Terra)Helloween - por Ricardo Matsukawa (Terra)
Stratovarius - por Ricardo Matsukawa (Terra)Helloween - por Ricardo Matsukawa (Terra)