EVERGREY
ABERTURA: TEMPESTT, BITTENCOURT PROJECT, EMPURIOS
CARIOCA CLUB, SÃO PAULO - SP

Review por Clayton Franco - Edição por André Luiz
Fotos por Renata Petreli (metalrevolution.net)

Domingo, dia de não fazer nada e ficar com a família. Certo? Errado, meus caros!!! Essa máxima não se aplica para aqueles que curtem o “bom e velho heavy metal” e desejavam ansiosamente ver a única apresentação da banda sueca Evergrey no Brasil. Mas calma ai, eu disse “bom e velho”? De velho não possuem nada. Evergrey é uma banda relativamente nova, tendo surgido em 1996 na cidade de Gotemburgo. Praticando um som que posso definir como uma mistura de melódico com progressivo, lançaram seu debut (The Dark Discovery) em 1998, de lá para cá a banda teve várias mudanças em sua formação que ajudaram a moldar seu estilo musical e angariar fãs em todos os cantos do mundo. Com pelo menos 12 anos de estrada, e oito CDs lançados, sempre me perguntei por que esta banda raramente deu as caras em nosso país (que me recorde, vieram apenas em 2005, realizando shows em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte). Infelizmente muitos produtores preferem apostar em bandas clássicas (com anos e anos de estrada) ou em bandas novatas (com um som pseudo-gótico mais voltado aos adolescentes), deixando algumas boas bandas de fora de nosso circuito. Indo na contra mão disso tudo, devo dizer que foi uma grata surpresa quando a Free Pass anunciou este único show em nosso país, realizado no Carioca Club em São Paulo, e mais do que trazer uma excelente banda, resolveram fazer um pequeno festival tendo além de Evergrey, a participação dos paulistanos do “Tempestt”, “Bittencourt Project” (projeto paralelo do guitarrista do Angra) e como convidado especial a banda carioca “Empurios”.

Evergrey - por Renata Petrelli (metalrevolution.net)

Inicialmente, devo pedir desculpas aos meus leitores, por não poder comentar sobre as bandas “Empurios” e “Bittencourt Project”. Infelizmente com a soma de fatores de morar no interior de SP, com acidente na Rodovia Pres. Dutra, uma viagem que demoraria 2 horas me custou quase 6 para chegar ao local do show e me fizeram perder estas duas bandas. Confesso que desconheço a primeira banda, e gostaria muito de ter presenciado seu show, pois pelo que pude conversar com os presentes, seu som agradou a muitos. Pesquisando um pouco sobre a banda vim saber que, em suas palavras, praticam um som que “é uma mistura de dark metal com a agressividade do thrash metal e a complexidade do rock/metal progressivo”. Poxa seria muito interessante ter visto esta apresentação. Cheguei ao local, no finalzinho do “Bittencourt Project”. Já havia tido a oportunidade de vê-los antes, e como sempre é um show muito profissional. Divulgando seu primeiro cd solo, Rafael nos apresentou algumas faixas do debut “Brainworms I”. Esta é a primeira incursão deste grande guitarrista nacional, como vocalista em um cd. Não faz feio. Tendo em sua banda a companhia do baixista Felipe Andreoli, que também toca no Angra, encerrou sua participação com uma música da própria. Confesso que de toda a apresentação o que me surpreendeu foi este final, pois contrariando a expectativa de todos, ao anunciar uma faixa de sua banda principal não tocou as manjadas “Carry On” ou “Nova Era”. Ao contrário, apostou em uma música do último cd de estúdio “Aurora Consurgens”, tendo encerrado o show com “Out Of This World”.

Uma pequena pausa para troca de palco, e era a vez da banda “Tempestt”. Esta é a primeira vez que poderia ver um show ao vivo desta banda que vem conquistando á cada dia mais espaço no cenário metal nacional. Para aqueles que não estão familiarizados com a banda, basta dizer que foram os músicos de apoio de “Jeff Scott Soto” em suas tours pelo Brasil. Formada por BJ (V), Leo Mancini (G), Gabriel Triani (D) e Paulo Soza (B), trazem na bagagem o cd “Bring 'Em On”, lançado em 2007. Vindos de três bem sucedidas tours pela Europa (nos anos de 2007, 2008 e 2009) se mostraram bem maduros sob o palco com completo domínio de seus fãs, que participaram em cada música. Abrem o show com a mesma faixa que dá nome ao seu cd, “BRING ‘EM ON” e sem deixar a agitação entre os presentes cair, emendam com “LOSE CONTROL”, uma das mais pesadas de seu repertório. Uma pequena pausa para agradecer a presença de todos, anunciam que sua próxima canção seria “SINCRONICITY II”. Vendo a ótima receptividade do público, tocam “NO ONE”, onde aparecem alguns problemas na regulagem de som da guitarra. Isso não abala nem um pouco a banda, surgindo brincadeiras no palco entre guitarrista e vocalista, sobre o guitarrista estar querendo aparecer demais no palco com isso. São em momentos assim que podemos sentir a sintonia da banda, pois mesmo com o pequeno problema técnico podemos notar que todos os integrantes estavam felizes no palco e se divertindo. Problema solucionado, o show prossegue com “IN MY DREANS IT YOU”, sendo que ao final há um drum solo do novo integrante da Tempestt. Gabriel Triani demonstrou toda sua garra e técnica, dono de uma batida forte fez um solo rápido e vigoroso! A banda toda retorna ao palco para a execução de “TOO HIGH”, uma das músicas mais longas e complexas do seu cd levantando gritos dos presentes. No finalzinho desta, era chegado o momento de Leo Mancini em seu momento solo. Assisti-lo tocar faz entender porque acompanhou Jeff Scott Soto em seus shows no Brasil, pois possui uma brilhante técnica na guitarra com uma velocidade impressionante, não deixando nada a dever para Malmsteen! Faz um longo solo, alternando momentos rápidos com outros mais lentos, inclusive inserindo algumas partes de solos de canções do “Shaman” (para quem não sabe, Leo é o guitarrista desta banda de Ricardo Confessori). A banda retorna ao palco para executarem um cover de uma banda amada por 11 entre cada 10 headbangers: “THE EVIL THAT MEN DO” do Iron Maiden. Meus amigos, o que se viu nesse momento foi algo emocionante, com todos os presentes cantando juntos com a banda, sendo que em muitos momentos a voz do público sobrepujava a do vocalista devido a grande interação entre banda e público. O show já se encaminhava para o final, e encerram a participação com “INSANITY DESIRE”, que ganha um pequeno solo de baixo sendo executada no meio da música. Parecia que seu show já havia se findado, mas devido à grande receptividade dos presentes, ainda voltam para executar a maravilhosa “DONT STOP BELIEVIN”.

Fim do show do Tempestt, enquanto há uma pausa para troca de equipamentos no palco, a ansiedade entre os presentes aumenta devido à espera para ver a banda principal da noite. Após uma pequena introdução nos PA’s, eis que o vocalista Tom Englund e sua banda entram no palco detonando com “WATCHING THE SKIES”. Esta primeira música já nos dava uma idéia de como seria o show, pois invés de abrirem com alguma canção de divulgação de seu ultimo CD “Torn” (lançado em 2008), resolveram abrir o show com um clássico das antigas resgatado do seu terceiro disco. Confirmando que o show seria clássico atrás de clássico, emendam com “MORE THAN EVER”. Como fã de Stratovarius, não pude deixar de reparar no novo baixista do Evergrey, o finlandês Jari Kainulainen. Com uma presença de palco marcante, ele demonstra estar familiarizado com o público brasileiro graças às suas vindas com sua antiga banda, o modo como toca, adaptou-se perfeitamente ao som do Evergrey.

Evergrey - por Renata Petrelli (metalrevolution.net)

O show continua e temos a execução de “SHE SPEAKS TO THE DEAD” e “AS I LIE BLEEDING”. Uma pequena pausa no show, Tom agradece a presença de todos, dizendo o quanto esta sendo maravilhoso estar em nosso país novamente. Perguntando se todos querem mais, tendo como resposta o grito altíssimo de seus fãs, anuncia “OBEDIENCE” e logo após “SOAKED”, a primeira música do seu último disco, cantada por todos os presentes, demonstrando a grande receptividade que este trabalho de estúdio teve no Brasil. Ainda focando seus últimos trabalhos foram tocadas a dobradinha “STILL IN THE WATER” e “MONDAY MORNING APOCALYPSE”, ambas as músicas do penúltimo trabalho de estúdio lançado em 2006.

O show continua, e a próxima canção talvez seja uma das que mais levantaram seus fãs: “MASTERPLAN”, faixa de abertura do álbum “In Search Of Truth” (2001), foi um dos pontos mais altos da apresentação, cantada em uníssono, letra por letra dessa maravilhosa canção. Assistindo a participação do público, novamente a banda agradece a presença de todos e pedem para agitarem ainda mais. Executam “BLINDED” e “END OF YOUR DAYS”, para logo em seguida termos uma grande surpresa no set list. Já fazia um bom tempo que “NOSFERATU” não dava as caras nos shows do Evergrey, sendo que considero esta a melhor canção do álbum “Solitude, Dominance, Tragedy” (1999), posso dizer que sua inclusão fez valer todo o show para os fãs mais antigos. O show já chegava ao seu momento derradeiro e logo após “WORDS MEAN NOTHING”, seguida por uma de suas músicas mais bonitas: “I´M SORRY”. Finalzinho do show e última faixa do set list, foi exatamente nela que a banda preparou algumas surpresas para seu público. Jonas Ekdahl entrega as baquetas para Henrik Danhage e assume seu posto na guitarra improvisando parte da música. Aproveitando este momento de descontração no placo, o tecladista Rikard Zander avisa a todos sobre o aniversário de Tom S. Englund, fazendo com que todos cantem um animado e agitado “Happy Birthday To You” para celebrar os 36 anos do vocalista.

Fim do show? De maneira nenhuma! Com todo o público pedindo a volta da banda, alguns poucos minutos depois, os músicos retornam para a execução do Encore que contou com “WHEN THE WALLS GO DOWN” e “RECREATION DAY”. Para aqueles que achavam que ainda faltava alguma coisa, temos “BROKEN WINGS”, que antecedeu a execução do petardo “TOUCH OF BLESSING”. Que maneira maravilhosa de encerrar o show, já que esta é uma das melhores canções do grupo (e que também conta com um excelente videoclipe). Agora sim, com a sensação de dever cumprido, todos os músicos se reúnem ao centro do palco para se despedirem do público. Para alguns felizardos, ainda haveria um Meet & Greet na sequência, embora a casa não estivesse lotada, muitas pessoas compareceram ao show, mostrando o sucesso do “Metal Prog Party II”. A festa prometida pela Free Pass foi cumprida, pois este festival brindou a todos os presentes com ótimos shows, bandas de renome do cenário nacional e internacional, estrutura de som e iluminação digna de serem lembradas... Agora é aguardar a próxima edição torcendo para que este evento cresça cada vez mais.

Agradeço a todos que me acompanharam nesta resenha. Peço a gentileza de comentá-la em nossa comunidade no Orkut. É com a participação de nossos leitores que almejamos cada vez mais melhorar nossas matérias para vocês! Um abraço e até a próxima.
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AGRADECIMENTOS
- A Free Pass Entretenimento pelo profissionalismo com o qual sempre atendem a equipe do Metal Revolution. Não posso deixar de mandar um abraço para Ricardo “Rick” Dallal, representante da Free Pass pelo grande presente que me deu neste show. Demonstrando todo o carinho pela equipe do site, e sabendo que para eu completar meus autógrafos do Stratovarius só me faltava o do Jari Kainulainen, fez questão de me apresentá-lo para que mais este sonho se realizasse. Muito obrigado meu caro amigo!!!
- A Heloisa Vidal assessora de imprensa por toda simpatia com a qual sempre nos atende.
- Gostaria de por último, mandar um abraço para Ricardo Pacheco, grande amigo carioca que veio prestigiar este show em SP.