DREAM
THEATER
ABERTURA: BIGELF CITIBANK HALL, RIO DE JANEIRO - RJ Review por Rodrigo Gonçalves - Edição por André Luiz Fotos por André Smirnoff (metalrevolution.net) Desde a tour do disco Octavarium lançado em 2005, o Dream Theater tem se apresentado no país toda vez que lança material de estúdio novo. Lançado em 23 de Junho de 2009, Silver Clouds & Black Linings alcançou sucesso imediato perante critica e público, ao contrário do seu antecessor, o criticado Systematic Chaos. Em Dezembro de 2009 a banda anunciou em seu site oficial datas em quatro cidades para aquela que seria a sua quinta passagem pelo país. E o Rio de Janeiro foi à última parada da banda no Brasil.
Os Californianos do Bigelf ficaram encarregados de iniciar os trabalhos e aquecer o público. Apesar de estarem na ativa desde 1991, os músicos só gravaram três discos de estúdio até hoje. Talvez seja por isso que tenha optado por basear o seu show em seu último lançamento de estúdio, Cheat The Gallows de 2008 tendo dedicado quase 50% de seu repertório a execução de musicas desse disco como The Evil of Rock & Roll, Hydra e Money, It’s Pure Evil e encerraram a sua participação com a ótima Money Machine, faixa título do primeiro disco da banda, lançado em 2000. Devo confessar que até antes de Mike Portnoy ter anunciado que tinha escolhido o Bigelf para abrir os shows da tour pela América Latina, eu pouco tinha ouvido falar sobre essa banda. E a julgar pela receptividade do público, parece que não fui o único. Talvez a banda tenha sido prejudicada pelo fato de grande parte das pessoas ainda estarem tentando entrar nas dependências do Citibank Hall no momento em que estavam em cima do palco, mas fato é que sua mistura de metal progressivo com rock progressivo, calcada em grandes nomes dos dois estilos não funcionou e só fez aumentar a ansiedade do público. 1-The Evil of Rock &
Roll
Cerca de 35 minutos após o horário marcado e tendo sido precedido pelo som da dupla Francesa Pipo & Elo que rolava no sistema de som da casa (ato Francês que faz releituras das musicas do Dream Theater em versões acústicas. Descubra mais sobre eles em http://www.myspace.com/pipoelo), eis que finalmente as luzes se apagam e os músicos entram no palco levantando o público ao som de A Nightmare To Remember que tem aberto todos os shows da nova tour e foi a primeira das três do disco novo que seriam executadas naquela noite. Sem perder tempo, a banda emenda na seqüência as ótimas The Mirror e Lie, do clássico Awake de 1994. Antes de executar A Rite of Passage, James LaBrie faz uma breve pausa no show para cumprimentar o público, dizer que aquela era a última noite deles no Brasil e por isso a banda precisava se despedir em grande estilo de seus fãs brasileiros. A Rite of Passage, a segunda faixa do novo álbum a ser tocada naquela noite foi seguida por um belo, porém breve solo de teclado do excelente tecladista Jordan Rudess. Sacrificed Sons foi à representante do disco Octavarium (lançamento que serviu para retomada da história da banda com seus fãs brasileiros) na noite. Interessante foi observar como as músicas e imagens no telão feitas no dia dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 se complementavam. Solitary Shell foi à única representante do ótimo Six Degrees of Inner Turbulence. A seguir, os dois momentos mais surpreendentes da noite e que com certeza nem o mais esperançoso dos fãs poderia ter previsto, dois clássicos executados na íntegra de maneira surpreendente: In The Name of God do disco Train of Thought e Take The Time de 1992. Detalhe curioso é que, durante Take The Time, os músicos prestaram uma breve homenagem a uma de suas maiores influências, os canadenses do Rush ao tocar trechos das músicas Anthem e Xanadu. Fecharam a noite com a sensacional The Count Of Tuscany, um épico de quase 20 minutos de duração que, infelizmente, passaram num piscar de olhos. Odeio me repetir e o leitor mais atento pode notar que já falei algo parecido no review que fiz do show de 2005, mas nesse caso é inevitável. Chega a ser covardia apontar algum destaque individual em um show de uma banda como o Dream Theater, com músicos tão competentes, mas diante do que foi presenciado por todos aqueles que compareceram ao show deste sábado, não consigo deixar de conceder essa honra ao baterista Mike Portnoy. Mike, que se envolveu em uma polêmica com os fãs chilenos ao postar em sua conta no twitter comentários um tanto quanto ríspidos acerca de seus sentimentos em estar em um país recém assolado por um dos piores terremotos da história, fato que o levou a pedir desculpas publicamente pela má escolha de palavras, parecia ter deixado a polêmica de lado e deu um show de simpatia além de desfilar a sua já habitual habilidade com as baquetas. Em um determinado momento da apresentação, talvez já cansado de passar tanto tempo sentado, Mike resolveu se levantar e tocar em qualquer coisa que visse pela sua frente em cima do palco. E o mais impressionante de tudo é que o cara não perdeu o tempo em momento algum.
Não sou o dono da verdade e tampouco tenho a intenção de ser, mas, após o que presenciei na agradável noite deste sábado no Citibank Hall, afirmo sem medo de errar que esse foi o melhor show que o Dream Theater fez no Rio de Janeiro. Nos últimos cinco anos fomos agraciados com três passagens da banda pelo país e vale à pena notar e mencionar as melhorias que o sucesso comercial alcançado por aqui proporcionou a este show. Se em 2005 não trouxeram qualquer tipo de adereço de palco e tocaram com vários equipamentos alugados, este ano, além de um enorme pano de fundo com a arte do novo disco, trouxeram ainda um telão estrategicamente posicionado atrás da bateria que serviu como um complemento visual para as músicas que eram apresentadas. Fatos como esses contribuíram bastante para que o espetáculo fosse tão bom. Quando James La Brie disse antes de A Rite of Passage que por ser a última noite no Brasil a banda deveria se despedir em grande estilo, ele não estava de brincadeira. Durante o show (exatos 120 minutos contados no relógio, nunca vi nada parecido), os músicos presentearam os fãs com um repertório muito bem escolhido, que abrangeu momentos importantes de sua carreira, mesclando clássicos, músicas do novo disco, o ótimo Silver Clouds & Black Linings, e ainda achou espaço para surpreender com clássicos do quilate de Take The Time, In The Name of God e Lie. Todos puderam ir para casa com um enorme sorriso no rosto e a satisfação de saber que a banda fez valer cada centavo investido no ingresso. Pelo lado do Dream Theater fica a felicidade em ver uma banda tão boa, vivendo o seu melhor momento profissional e tocando cada vez melhor. Set List:
|