PRAÇA
DA APOTEOSE, RIO DE JANEIRO - RJ
Review por Rodrigo Gonçalves - Edição por André Luiz Fotos por M. Rossi (Time For Fun) Um dos maiores nomes do Hard Rock em todos os tempos, os americanos do Bon Jovi liderados pelo vocalista cujo sobrenome nomeia a banda desembarcaram no Rio de Janeiro para encerrar a breve passagem pelo país. Se em São Paulo a banda fez um dos melhores shows de sua história, o mesmo não pode ser dito sobre a apresentação em terras cariocas..
Foi assim que, às 21h25m, cinco minutos antes do horário previsto para o início da apresentação, algo poucas vezes presenciado por este que vos escreve, o palco foi todo acesso, uma breve introdução começou a rolar nos quatro telões espalhados pelo palco e um a um os músicos foram entrando para dar início a apresentação, o último a aparecer foi aquele que, a aquela altura, tornara-se claro seria a estrela da noite, Jon Bon Jovi, para delírio dos presentes (ou deveria dizer das presentes?). Engraçado é que durante a execução das duas primeiras músicas Lost Highway e We Weren’t Born To Folow, muitas pessoas ainda estavam chegando a Praça da Apoteose, alguns correndo alucinadamente após passar pela última barreira de funcionários antes de chegarem à pista. Parece que estavam adivinhando o que estava por vir. "Shot through the heart and you're to blame / Darling, you give love a bad name!", estas simples palavras foram responsáveis por fazer um barulho ensurdecedor e arrancar sorrisos de satisfação de toda a banda. Seguiram com Born To Be My Baby e após Superman Tonight, Jon falou aos cariocas pela primeira vez perguntando se ainda tinham gás e pedindo para aumentar a empolgação. Dito e feito, Just Older e Runaway tiveram boa participação do público e serviram como uma espécie de preparação para as duas músicas que estavam por vir, It’s My Life e Bad Medcine. A primeira, um dos maiores, talvez até o maior sucesso da banda desde o Keep The Faith, teve o retorno do famoso “coral” carioca no auxílio a banda. “Bad Medcine” além de servir para emocionar e embalar os casais, também encerrou de maneira brilhante a primeira hora de apresentação. Na seqüência, Jon passou o microfone para o seu grande amigo Richie Sambora demonstrar em Homebound Train que além de toda a sua habilidade no comando das seis cordas, possui uma excelente voz. What You Got, novo single do disco de Greates Hits lançado em agosto último passou quase despercebido, principalmente quando os primeiros acordes de “Allways” ecoaram no tradicional reduto do samba. Duas coisas me impressionaram bastante durante a execução dessa música, primeiro foi o barulho feito pelos cariocas que cantaram até mesmo as partes instrumentais; o segundo o alcance vocal de Jon. Aos 48 anos de idade, mais de 25 de estrada e ainda conseguir cantar desse jeito não é para qualquer um. O engraçado foi que um emocionou ao outro. Muitos foram às lágrimas ao ouvir uma das mais belas baladas da história do Hard Rock e o músico se emocionou com a recepção calorosa por parte do público.
Durante Happy Now, Thorn In My Side e Someday I’ll Be Saturday Night a empolgação do público deu uma diminuída, Love’s The Only Rule do novo álbum abriu caminho para Keep The Faith, faixa título do álbum lançado em 1992 e um dos grandes sucessos da banda, sendo responsável por trazer a empolgação do público de volta e também por encerrar a segunda parte do show, antes da volta para o bis. No retorno ao palco, Jon fala com o público pela última vez e diz se lembrar de estar naquele mesmo palco há 20 anos atrás, durante a primeira apresentação do Bon Jovi na cidade, no extinto festival Howllywood Rock e anuncia a bela balada Wanted Dead Or Alive. O legal é que desta vez o coro formado pelos cariocas foi tão bonito, que Jon até desistiu de cantar e deixou os fãs assumirem o seu lugar. Living On a Prayer levou o público à loucura e These Days encerrou o show de forma repentina, deixando os fãs sem entender bem o que aconteceu e com gostinho de quero mais por conta dos vários sucessos que deixaram de ser apresentados aos cariocas. Com relação ao show na capital Paulista, os cariocas perderam seis músicas. Normalmente, perder seis faixas entre um show e outro no mesmo país em é ruim em qualquer circunstância. Só que o agravante, é que no caso do show do Rio de Janeiro, foram deixados de lado clássicos como Bed of Roses, I’ll Be There For You, Blaze of Glory e outras preferidas do público. Aliás, ainda sobre o assunto set list, tivemos dez músicas diferentes no show do Rio de Janeiro para São Paulo. De acordo com os músicos, suas apresentações não seguem um roteiro definido e a qualidade e longevidade do show depende muito mais da empolgação e participação dos fãs do que de qualquer outra coisa. E foi exatamente aí que a coisa desandou. Se em São Paulo a banda tocou por quase 3 horas e voltaram para o bis quatro vezes, no Rio de Janeiro a notória falta de sintonia por parte do público e banda, fez com que os americanos encerassem apresentação com “apenas” duas horas e dez minutos. Ficou claro que o show que foi muito bom poderia ter sido ainda melhor. Uma pena, pois os fãs cariocas que esperaram por tanto tempo mereciam um show no mínimo igual ao que rolou na capital paulista.
Apesar dos pesares, o saldo da noite foi positivo. Os fãs de rock cariocas que escolheram estar na Apoteose na noite de sexta feira (a Dave Matthews Band tocou na cidade simultaneamente), puderam presenciar uma apresentação que se não foi brilhante, foi extremamente competente e brindou os fãs com um set list muito bem escolhido, representando todas as fases da carreira da banda e que só pecou mesmo pela ausência de grandes hits que todos queriam ouvir. Sempre haverão reclamações sobre a falta desta ou daquela música, mas no geral foi bom demais para quem até pouco tempo achava que esse show não passaria pelo Rio de Janeiro. Fica a lição para as duas partes: o público o qual poderia ter se esforçado um pouco mais durante os temas não tão populares, e a banda que poderia ter demonstrado pelo menos a mesma vontade da apresentação em São Paulo. Quem sabe desta maneira todos sairão felizes da próxima vez... SET LIST
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