ESTÁDIO
DO MORUMBI, SÃO PAULO - SP
Review por André Luiz - Edição por André Luiz
Fotos por M. Rossi (Time For Fun)
O
ano era 1984, o quinteto formado por David Bryan (K), Tico Torres (D),
Alec Jonh Such (B), Richie Sambora (G) e Jon Bon Jovi (V) lançou um
álbum auto-intitulado Bon Jovi, alcançaram boa repercussão em especial
com o hit da época, Runaway, porém mesmo com 7800º Fahrenheit (temperatura
interna de um vulcão em erupção) lançado no ano seguinte, o sucesso
de forma meteórica viria apenas com o petardo de 1986, Slippery When
Weet, o qual emplacou nas paradas norte-americanas músicas lembradas
até hoje como Livin' On A Prayer, You Give Love A Bad Name, Wanted Dead
Or Alive, e mesmo Never Say Goodbye a qual encabeçou trilha sonora de
novela global no Brasil à época. Mr. Bongiovi e cia. emplacariam na
sequência álbuns como New Jersey e Keep The Faith, até chegar 2005 com
a despedida de Alec John Such dos line ups impressos em encartes da
banda, a iniciar do disco These Days o qual marcou o início de uma fase
de flertes com pop do conjunto que seguiu lançamentos do final dos anos
90 até 2009, ano no qual seu último trabalho resgatou uma veia mais
hard rock do início de carreira do Bon Jovi, nos arrementendo inclusive
a levadas de blues, ganhando uma forma ao vivo (com o incremento das
presenças do baixista Hugh McDonald e do guitar Bobby Bandiera) que
nos faz entender porque tours desta banda norte-americana estão ano-a-ano
entre as de maior faturamento mundialmente falando. A tour latina passou
por países como México, Peru, Argentina, e aterrissou no Brasil em duas
cidades, São Paulo (alvo desta matéria em especial) em 06/10 para um
público superior à 60mil pessoas e dois dias depois na capital carioca.
|
|
CLIQUE
AQUI E CONFIRA ÁLBUM
COMPLETO DO BON JOVI EM SÃO PAULO
Os
arredores do Morumbi estavam tomados por fans, predominantemente
mulheres, pessoas as quais adentravam ao estádio enquanto os
integrantes do Bon Jovi concediam entrevista coletiva no Salão
Nobre do Morumbi ao início da noite. Os cerca de 20 minutos
no qual a banda permanceu no local mesclaram perguntas sobre
a apresentação dos músicos horas depois com indagações a respeito
do novo álbum, além de outras um tanto quanto suplérfuas como
se alguma mulher brasileira fizera pedido de teste de DNA aos
músicos ou se Jon sentia dores por uma queda que sofrera em
um show passado (?). De relevante, questionamento a respeito
do bom relacionamento e importância do produtor no trabalho
dos últimos três albuns (o melhor possível segundo Jon), a constante
inspiração musical a qual faz os músicos permanecerem juntos
na estrada e compondo material novo, além do relato sobre as
situações de momento influirem nas letras escritas pelos compositores
em questão.
Já no interior do Morumbi, o público adentrava ao local em grande
número, porém viria a lota-lo apenas em meados do início da
apresentação principal da noite, não apenas pelo trânsito na
região e por muitos terem trabalhado até o final da tarde, mas
também por um anúncio realizado algumas semanas antes da data
aguardada: a abertura da noite por conta da banda Fresno. O
conjunto brasileiro em seu set curto optou por músicas próprias,
focadas no estilo que alguns desconhecedores musicais ousam
chamar de novo rock nacional, mas que a maioria presente (diria
que 90-95% dentre os quais o repórter que vos dirigi a palavra)
chamam de música emo com cunho midíatico. Resultado: vaias,
dedos em riste, entre outras manifestações contrárias.
|
Passado
o momento tormenta, o público iniciara movimentos de 'olas' na arquibancada,
enquanto nas pistas especial e normal os presentes se aglomeravam cada
vez mais junto ao palco/grade. As músicas executadas nos PA's ao fundo
cessaram, luzes apagadas, um vídeo de introdução é iniciado, aos primeiros
acordes de guitarra e batidas do 'hit man' em sua bateria os músicos
adentram ao som da quinta faixa do álbum New Jersey de 1988, "Blood
On Blood". Fans histéricas, música bradada em alto e bom som, momento
de alvoroço em especial no refrão o qual simplesmente gruda na mente
mesmo daqueles que não conheciam o petardo executado, destacando o solo
de Mr. Sambora e a batida frenética de Tico Torres. Na sequência o recente
hit "We Weren't Born To Follow", faixa executada com exaustão
nas rádios brasileiras, momento o qual precedeu uma situação de apreciação
por parte de Jon ao público eufórico e uma dobradinha que levou literalmente
o Morumbi abaixo: considerado um dos hinos da banda norte-americana,
do Slippery When Weet de 1986, "You Give Love a Bad Name"
incendiou os presentes os quais a bradaram em uníssono, já o 'two three
four' iniciado por Jon fez os presentes pularem a som de "Born
To Be My Baby", segunda faixa do New Jersey apresentada durante
a noite.
|
Dentre
os comentários mais ácidos relacionados a noite, diria que duas
situações tiraram na minha visão o brilho o qual a banda Bon Jovi
traria posteriormente com sua apresentação. A primeira, logicamente,
anunciada tantas semanas antes do show, a abertura por conta do
Fresno, a qual me arremete as aberturas desastrosas dos shows
do Guns N' Roses e Aerosmith também na capital paulistana. Se
o grupo com estilo nada parecido com o da banda principal sempre
recordará que abriu uma apresentação do Bon Jovi, os fans presentes
por outro lado nunca esquecerão de quanto se manisfetaram contra
a mesma. Acaba se tornando uma situação cômica a reação de alguns...
Bom, já o segundo momento refere-se a algo o qual bato na tecla
há tempos, relacionado ao preparo de certos 'jornalistas' que
envergonham com a capacidade de questionar de maneira tão lamentável
quando possuem a possibilidade de participar de uma entrevista
coletiva. Vejam bem, não faço essa afirmação em especial por pessoalmente
o Bon Jovi ter marcado meu início no meio rock and roll nos idos
dos anos 90, a primeira banda a qual colecionei discografia, que
me fez pesquisar biografias de integrantes, enfim, que me iniciou
nesse rumo musical no qual encaminhei minha vida... Me refiro
a uma visão geral, tidos 'profissionais' PRINCIPALMENTE DE MÍDIAS
TELEVISIVAS E IMPRESSAS que não conhecendo entrevistados, indagam-os
com questões suplérfuas, sem conteúdo, estampam que não fizeram
uma pesquisa de campo antes de direcionar ao microfone uma pergunta
condizente com a importância da figura diante de si. Sinceramente,
de início almejava montar matéria com a coletiva mas desisti...
Além das perguntas citadas no corpo da matéria, houve um momento
pastelão exibido na televisão aberta no qual a repórter pergunta
à Jon o que fazia ele se inspirar após tantos anos de carreira
na frente de um palco, porém o bom humor escrachado do frontman
responde por si: 'e como não me excitaria noite após noite com
60 mil mulheres na pista gritando meu nome? Se você estivesse
no meio eu faria isso duas vezes mais (pausa para nova pergunta
de um repórter e Jon continua colocando sua mão no rosto) não,
não, você não, deixe ela falar, só tenho ouvidos para ela' (arrancando
risos gerais no Salão Nobre do Morumbi). Enfim, dialogando posteriomente
com outras pessoas presentes no local (digamos que repórter com
mais entendimento da matéria), o sentimento era o mesmo com relação
aos questionamentos feitos na coletiva. Por essas e outras a imprensa
acaba sendo taxada por boa parte dos músicos estrangeiros. |
O
início mesclando clássicos e faixas mais recentes prosseguiu com "Lost
Highway" incitando os presentes, "Superman Tonight" (quantas
das presentes não gostariam de ser aquela tatuagem com o símbolo do
super homem no braço de Jon?) e o primeiro petardo do Keep The Faith
de 1992 executado, "In These Arms", destaque ao solo marcante
de Richie e a interpretação do frontman a qual levou fans presentes
as lágrimas, grande momento! O estilo mais recente da banda flertando
com o pop rock reapareceu em "Captain Crash & The Beauty Queen
From Mars", a qual precedeu um bom momento o qual fora "When
We Were Beautiful" (faixa apresentada nos sets do México e Peru,
porém não executada na Argentina) e o primeiro clássico da carreira
dos norte-americanos anunciados pelos teclados precisos de David Bryan,
do longínquo álbum auto-intitulado de 1984, simplesmente "Runaway",
em mais um momento mágico para os fãs de longa data da banda. "We
Got It Going On" fora outra novidade com recepção das melhores
pelos presentes, já a faixa do Crush que marcou o retorno da banda após
alguns lançamentos em carreira solo de seus integrantes, "It's
My Life", tivera recepção de gala por parte dos presentes, sendo
cantada em uníssono no Estádio do Morumbi. "Bad Medicine"
fora literalmente dividida em partes à Jack The Ripper, intercalada
por "Pretty Woman" de Roy Orbison com Bobby Bandiera dividindo
os vocais, e "Shout" de Isley Brothers, para alvoroço dos
presentes, sem esquecer logicamente do tradicional retorno estilo 'one
more time' com o pegajoso refrão 'Bad, Bad Medicine' bradado por todos.
|
A produção
do evento literalmente fora um show a parte: a recepção a imprensa
fora impecável, organização do acesso a banheiros químicos e
alimentos sem maiores problemas, mesmo em meio a 60mil pessoas,
considero o ponto estratégia o diferencial nesse caso. Embora
não concorde com a escolha da banda de abertura da noite e grande
parte do público brasileiro questione valores de ingressos para
shows no Brasil, a estrutura apresentada e principalmente o
show em especial valeram cada centavo investido. Foram três
horas de duração na qual até o guitar Bobby Bandiera teve seu
momento destaque enquanto dividia os vocais com Jon em Pretty
Woman. David Bryan intercala seus teclados interagindo com o
público; já Tico 'The Hitman' Torres demonstrou energia durante
tantas horas atrás de sua bateria; bom, no final diria que se
Jon faz tanto sucesso musicalmente falando, deve muito disso
à Richie Sambora, o qual não apenas auxilia em composições como
dá uma pegada toda pessoal nas músicas da banda, seja com solos
primorosos, backing vocals muito bem colocados ou riffs na medida
certa, diria que ao lado de Tico Torres ele dá o peso que transforma
o som do Bon Jovi em hard rock, e não em uma banda pop rock
qualquer. Jon, ah, além do carisma e incitação constante ao
público on stage mesmo após atingir seus 50 anos, ele possue
uma harmonia essencial para migrar do melódico de canções românticas
à outras mais alegres/agitadas. A duração do show em São Paulo
equivaleu-se ao de Buenos Aires porém o set list além da alteração
de posições das músicas contou com duas mudanças sentidas pelos
saudosistas de Mr. Bongiovi e cia.: Raise Your Hands (uma de
minhas favoritas do Slippery com destaque para riffs/solos de
tirar o fôlego) e Dry County (do Keep The Faith, conforme vídeo
disponível no Youtube na terra dos hermanos, contou com solo
maravilhoso) deram lugar em São Paulo à When We Were Beautiful
e Who Says You Can't Go Home. Mas um momento em especial os
argentinos não tiveram: o parabéns à você destinado à Tico Torres
após alguns localizados na área vip levantarem um 'happy birthday
Tico' por escrito ao baterista. Destaques no set: início com
Blood Onb Blood, dobradinha Bad Name/Born To Be My Baby, In
These Arms (lembrando-me de minha namorada a qual dormia em
casa rss), Always em uníssono, Blase Of Glory, It's My Life,
Runaway, Keep The Faith (me recorda um vídeo antigo no qual
Jon comenta sobre a escolha da capa com as mãos dos músicos
sobrepostas após uma sessão longa de fotos), These Days, Wanted
Dead Or ALive, o ápice Livin' On A Prayer... Impossível escolher
apenas um, optaria por todo o show!
|
Jon apresenta
seu parceiro de décadas (como se precisasse faze-lo...) Richie Sambora
aos presentes, o qual assume o microfone enquanto Jon deixa o palco,
e comandada pelo vocal/guitar executam "Lay Your Hands On Me",
mais um petardo do álbum de 1988, incitando o levantar das mãos pelo
público. Jon retorna e com ele o romantismo escrito em especial para
o lançamento da coletânea Cross Roads entre os álbuns 1992 e 1995, bradado
em uníssono pelos presentes até por se tratar de uma das músicas mais
conhecidas do Bon Jovi, "Always", com um solo espetacular
de Mr. Sambora. O momento priorizava clássicos e como o repertório da
banda possui um cardápio vasto de petardos... "Blaze Of Glory"
(presente na trilha sonora do filme Jovens Demais para Morrer) manteve
o público na mão com uma mescla de música empolgante, interpretação
de palco e execução da faixa de forma primorosa. O tom romântico voltara
com os acordes iniciais vindos de Richie Sambora do quinto clássico
do New Jersey executado na noite, "I'll Be There For You",
na qual Jon instigou o público seja na intereptação do refrão ou esticando
o coro 'ooo' ao final. Seguiu "Have A Nice Day" e a capa do
álbum respectivo ilustrada no telão (destaque para o refrão empolgante),
a animada terceira faixa do álbum de 1992 "I'll Sleep When I'm
Dead", além de duas mais recentes da banda, "Work For The
Working Man" (outra não executada em Buenos Aires mas presente
em Lima e Cidade do México) ilustrada no telão por homens trabalhando
e "Who Says You Can't Go Home", para encerrar a primeira parte
da apresentação com um clássico que deu nome ao álbum lançado em 1992,
"Keep The Faith", mais
um momento empolgante com solo de bateria extendido, Jon empunhando
tradicional 'chocalho' da dada época ritmando a música, e MR. Tico com
sua performance cheia de energia na bateria.
Como
anunciado pela banda na coletiva de imprensa
que precedera o evento, o show duraria o quanto o público
fizesse valer... No retorno dos músicos, a faixa título do
álbum de 1995, "These Days", agradou fans que se
empolgaram com a interpretação de Jon no vocal. Logo após,
Richie solicita sua guitarra dupla e um dos momentos mais
clássicos de apresentações do Bon Jovi on stage segue: o petardo
"Wanted Dead Or Alive" de 1986, no qual o público
sobrepunha sua voz a de Jon, minutos mágicos da noite o qual
o repórter em questão aguardava anos para presenciar, desde
os duetos de Jon e Richie, o solo de guitarra maravilhoso,
à nostalgia proporcionada no ambiente... "Someday I'll
Be Saturday Night", outra escrita especialmente para
a coletânea Cross Roads, seguiu a apresentação colocando sorisso
no rosto dos fans enquanto Jon empunhava seu violão, já depois
disso... Teclado, baixo, bateria, riff característico, público
pulando, simplesmente "Livin On A Prayer", fazendo
eclodir no Estádio no Morumbi um momento o qual posso considerar
o ápice entre todos os picos de melhores da noite. Brados
vindo de todas direções, seja pista, cadeiras ou arquibancada,
músicos empolgados mesmo passadas mais de duas horas e meia
onstage, o fim da execução deste clássico de 1986 levou a
banda ao ápice da apresentação, e após serem ovacionados e
agradecerem ao público, simplesmente os integrantes da banda
se reuniram no palco e optaram por presentear a todos com
mais uma faixa para coroar a noite, a escolhida em questão,
"Bed Of Roses" do álbum Keep The Faith de 1992.
Enquanto os olhos de Jon brilhavam ao interpretar tal música
e os 60 mil presentes acompanhavam o petardo de 18 anos atrás,
fomos presenteados com o último solo empolgante da noite proporcionado
por Richie Sambora, até o momento no qual o frontman se despede
do público e deixa o palco, acompanhado na sequência pelos
demais integrantes. Para quem aguardou tanto tempo por uma
nova apresentação do Bon Jovi no Brasil, acredito que 3h de
show superou as expectativas!
|
|
| |
AGRADECIMENTOS
- Time For Fun pela produção
do evento, em especial aos membros da Assessoria de
Imprensa Comunique-se Juliana Siqueira e
Ricardo Zonta pelo contato para credenciamento
e tratamento a nossa equipe não apenas nesse mas em todos os
eventos de 2010
- companheiros de imprensa 'realmente de conteúdo' (não meros
jornalistas/fotógrafos de ocasião como parte dos presentes)
Costábile Jr, Flávio Hopp,
pessoal da Revista Comando Rock, além do rapaz
de um portal de Minas Gerais cujo nome não recordo no momento
- M. Rossi pela disponibilização posterior
das imagens oficiais da noite
- Monica Nassif 'senhora Metal Revolution' pelo
auxílio na edição da matéria |
 |
|