BLAZE BAYLEY
ABERTURA: SEPTERRA & HOLY CROSS

CIRCO VOADOR
, RIO DE JANEIRO - RJ
Review por Rodrigo Gonçalves - Edição por André Luiz
Fotos por Rodrigo Gonçalves (metalrevolution.net)

Se você perguntar a qualquer fã do Iron Maiden por que o dia 19 de Janeiro representa tanto para eles, a maioria lembrará o histórico show no Rock in Rio 3, tanto faz se estavam lá ou se assistiram pela televisão. A partir de 2009, os fãs que compareceram ao Circo Voador nessa quente noite de verão terão mais um motivo para dizer que no dia 19 de Janeiro aconteceu algo histórico. O vocalista Blaze Bayley retornou a cidade maravilhosa e fez um show absurdamente bom para quase 500 entusiasmados e barulhentos fãs em uma quente noite de segunda-feira. Antes de qualquer coisa, uma pergunta: por que show em véspera de feriado no Circo Voador é sinônimo de atrasos gigantescos? Cheguei ao Circo por volta de 9hs da noite e pude ouvir a primeira banda ainda fazendo sua passagem de som, o detalhe é que os portões deveriam ter sido abertos às 21h. Nisso os portões só foram abertos com mais de uma hora de atraso e a primeira banda subiu ao palco lá pelas 21h50m. Só para o leitor ter uma idéia, nesse horário já era para Blaze Bayley estar no palco há um bom tempo, pelo menos era o que dizia no ingresso.

Blaze Bayley - por Rodrigo Gonçalves (metalrevolution.net)Blaze Bayley - por Rodrigo Gonçalves (metalrevolution.net)Blaze Bayley - por Rodrigo Gonçalves (metalrevolution.net)

As 21h50m tivemos o inicio da apresentação da primeira banda de abertura da noite, os cariocas do Holy Cross que fizeram um show morno, acredito que por conta da inexperiência, o qual não conseguiu empolgar as poucas pessoas que já se encontravam dentro do Circo Voador no momento que subiram no palco. É bem verdade que foram bastante prejudicados pela péssima qualidade do som, durante a apresentação pouco conseguia se ouvir as guitarras e a voz do vocalista Aloysio Ventura que se esforçava bastante pra suprir a altura absurda do baixo. Apesar dos problemas, a banda demonstrou potencial durante seu curto tempo de show e nas poucas musicas autorais que tocou. Com certeza gostaria de vê-los novamente em melhores condições.
A turma do apoio trabalhou bem e pouco tempo depois os caras do Septerra já estavam em cima do palco fazendo um início de show arrasador, com bem mais gente prestigiando o show na pista do Circo Voador. Aliás, a banda parece já ter conquistado um público próprio visto que muita gente conhecia e cantava junto as músicas. Seu show foi melhor tecnicamente que o do Holy Cross, os músicos pareciam bem mais experientes, destaque para o guitarrista Marcio Santos e para o vocalista Filippe ZK dono de uma voz potente. Embora tenham demonstrado bem mais que o Holy Cross, o Septerra também sofreu com o som precário, o que acabou causando certo desinteresse pelo seu show e a pista foi esvaziando, mesmo com um repertório calcado em covers de Iced Earth (Melancholy), Bruce Dickinson (The One You Love To Hate) e Iron Maiden (Flight of Icarus). Definitivamente, uma surpresa agradabilíssima.
Imediatamente a saída do pessoal do Septerra do palco, os roadies de Blaze Bayley assumiram o controle da situação e em tempo recorde estavam com tudo preparado para o início da apresentação. Foi só o tempo de eu fazer minhas últimas anotações e achar uma boa posição na frente do palco para fazer as fotos que o show já estava pronto para começar. Por volta da 1h, Blaze entrou no palco detonando a maravilhosa The Man Who Would Not Die, do novo disco. Já que entrei no assunto set list, segue uma constatação: esse provavelmente foi o melhor set list escolhido por um artista nos mais de 65 shows que eu já presenciei, praticamente irrepreensível, abrangendo as mais importantes fases de sua carreira e dando ênfase tanto para seus dois últimos discos solos, como para os seus anos frente ao Iron Maiden, mas não esquecendo dos primeiros discos de sua carreira solo, Silicon Messiah e Tenth Dimension que foram os lançamentos que o trouxeram de volta a cena. Quando eu digo praticamente irrepreensível, falo do fato de ter sentido muita falta de duas músicas, Ten Sencods e Tenth Dimension, mas nada que prejudicasse um show em que tive a oportunidade de ouvir ao vivo clássicos do Iron Maiden como Sign of The Cross, The Clasmen, Lord of The Flies, Futureal (numa versão bem peculiar de sua banda, segundo palavras do próprio Blaze Bayley) e também outras que nunca pensei que fosse ter a oportunidade de ouvir ao vivo, como Virus e Edge of Darkness.


Blaze Bayley - por Rodrigo Gonçalves (metalrevolution.net)
Quem pensa que foram apenas as músicas do Iron Maiden que fizeram sucesso junto ao público carioca está redondamente enganado. Embora tenham sido bastante criticados sob a alegação de que os dois últimos discos não têm a qualidade dos dois primeiros, o que é algo completamente discutível, a porção do show que contou com músicas da carreira solo do cantor foi bastante calcada em Blood And Belief e The Man That Would Not Die. Temas como a faixa-título do novo álbum a qual fora incumbida de abrir o show de maneira brilhante, ganham outra dimensão quando tocadas ao vivo, ainda mais com a participação do público cantando cada estrofe. Temas como Leap Of Faith, Alive, Blackmailer, Voices From The Past, Samurai, Robot, Smile Back At Death, todas do último lançamento, mais a maravilhosa Alive do disco Blood and Belief levaram os cariocas à loucura. Some isso as que já se tornaram clássicas como Identity, The Brave, The Launch, Stare at The Sun e Born As A Stranger do Silicon Messiah e Kill and Destroy e Leap Of Faith, todas do disco Tenth Dimension, uma boa contribuição para um dos repertórios mais espetaculares que já tive a oportunidade de ver uma banda tocar em uma apresentação ao vivo. Ao fim do show podia se notar no rosto do frontman um misto de satisfação, cansaço e sensação de dever cumprido, no último show de uma extensa tour brasileira que começou no dia 8 de Janeiro e passou por 11 cidades. Uma tour muito dura e que exigiu bastante do musico inglês, de 45 anos, que mostrou que está em grande forma. Sua voz não falhou uma vez sequer durante as mais de duas horas de show e tampouco a sua empolgação caiu durante a apresentação. Vimos um Blaze que se não falou muito, foi bastante simpático e comunicativo quando o fez. E também bem mais a vontade no palco que em sua época de Iron Maiden (sua presença melhorou consideravelmente) e com uma vontade incrível de fazer o melhor show possível para os fãs que compareceram ao Circo Voador. Acho que nunca em toda a minha vida vi uma apresentação tão espontânea e honesta. Foi emocionante assistir o vocalista dando tudo de si em cima do palco, fazendo um esforço absurdo para dar aos fãs o melhor show possível e mais emocionante ainda foi a reação dos fãs que compreenderam o esforço de Blaze e também deram tudo de si, agitando por mais de duas horas e fazendo dessa mais uma noite inesquecível para os fãs do bom e velho heavy metal no coração da cidade maravilhosa. Esse giro pelo Brasil, ainda que não tenha sido um sucesso absoluto de público e não tendo rendido muito dinheiro para o músico (citando as palavras do próprio), foi de extrema importância pois ajudou a restabelecer seu nome no cenário nacional, manteve a banda em atividade e ainda ajuda o vocalista a superar tudo que tem acontecido de ruim em sua vida nos últimos anos, principalmente após o falecimento de sua esposa e empresária em Setembro de 2008. Agora é torcer para que o músico cumpra a promessa e retorne para mais shows em 2010 e que não se repita esse hiato de quase sete anos sem apresentações no país.

IMAGENS DO SHOW
Blaze Bayley - por Rodrigo Gonçalves (metalrevolution.net)
Septerra - por Rodrigo Gonçalves (metalrevolution.net)Blaze Bayley - por Rodrigo Gonçalves (metalrevolution.net)Blaze Bayley - por Rodrigo Gonçalves (metalrevolution.net) Holly Cross - por Rodrigo Gonçalves (metalrevolution.net)Blaze Bayley - por Rodrigo Gonçalves (metalrevolution.net)Blaze Bayley - por Rodrigo Gonçalves (metalrevolution.net)

AGRADECIMENTOS
- Assessoria de Imprensa Circo Voador pelo tratamento junto a Equipe Metal Revolution
- Bruno Prado pelo contato junto a assessoria
- Rodrigo Gonçalves primeiramente pela persistência, e finalizando, bom trabalho gráfico/escrito nesta matéria