SYMPHONY X
ABERTURA: MIND FLOW
VIA FUNCHAL, SÃO PAULO - SP
Review por Thaigo Rahal - Edição por André Luiz
Fotos por Renata Petrelli & Thiago Rahal (metalrevolution.net)

Sete anos se passaram desde a última passagem do Symphony X pelo Brasil, mais precisamente no ano 2000, em virtude da turnê de divulgação do álbum “V: The New Mythology Suíte”. Russel Allen e Michael Romeo, respectivamente vocalista e guitarrista, ressaltaram em diversas entrevistas que aquela passagem foi um dos melhores momentos pelo qual a banda já havia passado, pois segundo os mesmos, os fãs daqui eram muito “loucos” e cantavam todas as canções intensamente. Somando isso ao fato de a banda estar a um tempo sem lançar um disco inédito, quatro anos para ser mais exato, agora prestes a lançar seu novo disco “Paradise Lost” a ansiedade do público e da banda se tornou latente e intensa em toda a turnê latino-americana. Aliás, vale lembrar que em quase toda a turnê brasileira o Symphony X contou com o suporte do Mind Flow como banda de abertura, passando pelas cidades de Porto Alegre, Belo Horizonte e Manaus, além é claro de São Paulo.

Symphony X - por Renata Petrelli (metalrevolution.net)Symphony X - por Thiago Rahal (metalrevolution.net)
Cheguei à Via Funchal por volta de 19h30m e percebi uma pequena movimentação do lado de fora da casa de espetáculos, o que fez com que ficasse temeroso para com o público total, mas que com o decorrer do tempo foi ficando maior e enchendo a casa, não lotando é verdade, mas colocando um público bastante razoável pelo nível e qualidade da banda. Retirei minha credencial e segui esperançoso pela banda de abertura, a qual conheço desde seu primeiro lançamento, Just the Two of Us... Me and Them.
Por volta de 21h, com um palco bastante curioso - onde se via letreiros com frases relacionadas à banda - e muito bem montado, os paulistanos do Mind Flow adentraram ao recinto e já mandaram ver com Crossing The Enemie´s Line, música de abertura do novo e aclamado disco Mind Over Body. Áliás, essa canção ao vivo se tornou mais pesada do que a versão de estúdio fazendo com que os presentes literalmente batessem cabeça. Um comentário bastante recorrente pelo público em geral era a incrível semelhança da banda com o Dream Theater, inclusive na formação dos lugares em que cada um ficava no palco, fato esse que não atrapalhou em nada na minha opinião. Upload-Spirit, também do novo disco veio em seguida e se mostrou muito boa ao vivo, apesar de que o som estava mais alto do que o normal fazendo com que uma das caixas de som literalmente estourasse ao final da apresentação do Mind Flow, mas nada que tire o mérito da banda em todo o evento.
Invisible Messages, uma bela balada do primeiro disco veio em seguida e acalmou um pouco os ânimos do público em geral, que voltou com The Logic Behind Heads and Tails e da excelente versão de Perry Mason de Ozzy Osbourne, sem dúvida a canção que mais animou a todos ali presentes, pelo simples fato de ser um cover. Hellbitat, a melhor do Mind Over Body na minha opinião, mostrou toda a qualidade musical e técnicas apresentadas pelo Mind Flow de forma clara e limpas. Meeting Her Eyes, a música mais conhecida da banda e uma das melhores e diretas do Mind Flow fechou a apresentação com chave de ouro, mostrando toda a competência e qualidade que os paulistanos sempre propuseram aos seus fãs e ouvintes.
Logo após, Russell Allen (vocal), Michael Romeo (Guitarra), Michael Pinnella (teclado), Mike Lepond (baixo) e Jason Rullo (bateria), sem enrolação e com um palco discreto somente com o pano de fundo mostrando o logotipo da banda começaram mandando ver com Of Sins And Shadows, do clássico e aclamado The Divine Wings Of Tragedy de 1997. A banda estava bastante coesa e entrosada, além de mais pesada do que o normal, o que ela já vinha nos mostrando principalmente nos discos de estúdio Odyssey e Paradise Lost. Domination, do novo álbum, veio em seguida e foi cantada em uníssono pelo público apesar de a bolacha ainda não ter sido lançada na época, há males que vem para o bem (mp3 e Internet). Inferno (Unleash the Fire) do disco Odyssey, na minha opinião a canção mais pesada da história do Symphony X e que tem um dos melhores riffs de Michael Romeo com uma mistura de Pantera com Dream Theater e orquestrações bem características da banda, se mostrou muito boa e animou ao extremo toda a platéia.
O som estava alto demais assim como no show do Mind Flow, o que pra mim não ficou tão ruim, mas que muitas pessoas reclamaram após o fim do espetáculo. Evolution e Communion and the Oracle do disco V: The New Mythology Suíte de 2000, mostraram o quão grandioso é esse álbum, cheio de orquestrações e passagens quebradas a banda mostrou mais uma vez porque é um fenômeno do metal mundial.

Symphony X - por Renata Petrelli (metalrevolution.net)

Symphony X - por Renata Petrelli (metalrevolution.net)Symphony X - por Renata Petrelli (metalrevolution.net)

Smoke and Mirrors
, um clássico da banda e do prog metal mundial se mostrou bastante excitante e cativante ao vivo, fazendo com que todos cantassem e participassem de maneira intensa em toda a canção, além de Russel Allen brincar com Michael Romeo tapando seus olhos durante um dos solos mais complicados da música, e não é que o mesmo solou esta parte perfeitamente?
Set the World on Fire (The Lie of Lies), mais uma do novo álbum veio em seguida e mostrou o quão pesado e direto o Symphony X está soando ultimamente. The Serpent’s Kiss, outra do novo disco e sem duvida uma das mais cativantes já feitas pela banda e que me remete ao hard rock em certos momentos principalmente pelo riff inspiradíssimo de Michael Romeo mostrou que o som atual dos americanos não tem limites e se adequa perfeitamente a qualquer estilo. King of Terrors, outra canção pesadíssima do Odyssey e uma das mais conhecidas do disco, também foi cantada em uníssono pelo público e fez com que os presentes batessem cabeça com toda à vontade. Sea Of Lies, que antes de ser iniciada contou com um pequeno duelo de Michael Romeo e Mike Lepond, pois serviu de introdução para Lepond e seu baixo começarem mais uma música do excelente The Divine Wings Of Tragedy, e assim terminar a primeira parte do espetáculo que apesar de ter um set curto, se mostrou intenso e inspirado em todos os momentos.
Aos gritos de Symphony X, a banda volta ao palco e toca na minha opinião a melhor canção já composta pela banda. The Odyssey, um petardo de vinte e quatro minutos que mais parecem cinco minutos, de tão cativante que é. Dividida em sete partes, essa canção que mais parece trilha sonora de um filme clássico e que poderia ser utilizada até em aberturas e temas de jornais de televisão de tão bombástica que é se mostrou perfeita para fechar o show. Começando com uma orquestração perfeita e seguindo com peso característico a música ganha climas e passagens quebradas em todos os momentos, introduzindo então para uma parte lenta onde Russel Allen despeja todo seu feeling e emoção na canção em si. Michael Romeo como de costume nos permite escutar uma variedade imensa de riffs e criatividades realmente inspiradas em toda a canção.
Ao final da canção a banda agradece a presença de todos e garantiu uma volta mais rápida em solo brasileiro. Saldo final: bandas e públicos agradecidos pela oportunidade de se tocar em São Paulo e na Via Funchal, múúsicos inspirados e canções de muita qualidade apresentadas além de uma platéia totalmente insana e bastante animada. Fica aqui a memória e o apelo aos produtores brasileiros para que mais noites como essas se repitam.

Symphony X - por Renata Petrelli (metalrevolution.net)
AGRADECIMENTOS
- Assessoria de Imprensa Via Funchal em nome de Miriam Martinez, que há tempos trata-nos da forma mais cordial possível
- Top Link Music pela produção do evento
- Thiago Rahal
e Renata Petrelli pela cobertura do evento