CITIBANK
HALL,
RIO DE JANEIRO - RJ
Review por Rodrigo Gonçalves & Rafael Gonçalves - Edição por André
Luiz
Fotos por Rodrigo Gonçalves (metalrevolution.net)
Após
um adiamento e muita polêmica com relação ao set list, o Queensrÿche
finalmente desembarcou na cidade maravilhosa para dar início a uma série
de quatro shows que a banda faria em território nacional. Essa polêmica
sobre o set list se deu ao fato de na ocasião do anúncio do show inicialmente
marcado para Março, os produtores diziam que esse seria o show do DVD
"Mindcrime At The Moore", ou seja, a banda executaria os dois
Operations Mindcrimes na íntegra e ainda alguns hits. Só que desde o
fim ano passado a banda vem fazendo um show diferente, que eles chamam
de "hits and rarities" que é calcado em alguns dos maiores
hits da banda e outras músicas que ele não costumam tocar. O problema
é que essa dúvida sobre o set list, aliada a baixa divulgação e ao fato
de o show ter sido um dia após o Whitesnake, contribuiu e muito para
o decepcionante público de mais ou menos 800 pessoas que estiveram presentes
à casa de shows na fria noite de quinta-feira.

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Vamos deixar os
comentários sobre público e as polêmicas um pouco de lado e
passemos a falar do show. Às 22hs, cerca de meia hora após o
horário marcado para o início da apresentação, as luzes se apagam
de maneira abrupta, uma breve Intro é ouvida e antes que eu
conseguisse me posicionar na área destinada aos fotógrafos percebo
que os cinco músicos já estão em cima do palco, fato que surpreendeu
muita gente, pois tudo aconteceu muito rápido. As músicas são
tocadas sem intervalos, sem pausas para conversa e temas como
Screaming In Digital, Hostage e
The Hands (essas duas últimas as únicas do
Operation Mindcrime II) não deixam os fãs nem respirar. Antes
de Bridge, Geoff critica as pessoas que nunca
assumem responsabilidades pelos seus atos e estão sempre culpando
outros pelos percalços de suas vidas. The Killing Words
e Another Rainy Night Whitout You seguem
e o vocalista continua dando seu show particular até que antes
de Gonna Get Close To You, durante uma conversa
com o público ele brinca dizendo que já não agüenta mais ficar
sem a gente e que sabia que estava sendo vigiado.
O show prossegue com a empolgante Walk In The Shadows
e antes de executarem o cover para o clássico Neon
Knights (Black Sabbath, que foi gravado para o disco
de covers que a banda lançou ano passado), o vocalista diz que
o legal da música é que todos podem se relacionar de algum modo.
Ainda diz também que nos primórdios da banda, em 1981, eles
costumavam se reunir em cafés e comentar sobre quais bandas
os inspirava e que uma das maiores inspirações era o Black Sabbath
e que por isso foi uma grande honra para eles ter a oportunidade
de gravar esse cover. Um fato engraçado de notar é que uma parte
do público agitou mais durante a execução desse cover do que
durante músicas como Screaming In Digital que é com certeza
uma das melhores da banda e uma que eles não costumam tocar
com freqüência. Muita gente parece não ter percebido a importância
da oportunidade que tiveram, de presenciar o espetáculo demonstrado
naquela noite. Lembra sobre o que eu comentei há poucas frases
atrás sobre o vocalista ter dito que o grande barato da música
é que todos podem achar algo com o que se relacionar? Pois é,
antes de Last Time In Paris, durante mais um
de seus discursos Geoff fala sobre a importância das palavras,
do impacto que elas podem causar e que um dia elas ainda mudarão
o mundo. Engraçado que essa foi uma fala que ficou na minha
cabeça. E isso me lembrou as palavras de um fã indignado com
o pouco público. "É muito pouco público para uma banda
como essa!", disse o tal fã. Não preciso nem dizer que
logo me lembrei do que Geoff falou e dei razão ao vocalista.
Após a última faixa, o que se viu foi um desfile de clássicos
no Citibank Hall capaz de colocar um sorriso enorme na boca
de cada um dos fãs presente ao show naquela noite. Sem dó nem
piedade com esse pobre repórter que vos dirige a palavra, a
banda despeja as maravilhosas Breaking The Silence,
Anybody Listening, Jet City Woman (que
contou com uma dedicação especial aos cariocas), Eyes
Of A Stranger, Lady Wore Black (tocada
de maneira diferente, numa releitura que diminuiu o andamento
da música. Brilhante!) e Empire. Ainda voltariam
ao palco pra jogar de vez a pá de cal no público com os mega
clássicos Take Hold of The Flame e Silent
Lucidity. Falando brevemente sobre o set list, senti
falta de algumas músicas como Queen of The Reich e I Don’t Belive
In Love., mas no geral não tenho do que reclamar, somente trocaria
a ordem das duas últimas músicas já que não acho que Silent
Lucidity seja a faixa ideal para fechar um show. E sim preparar
o clima para o fechamento do mesmo.
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| Toda
a banda foi muito bem, o som que beirava a perfeição e o público
ajudaram bastante a tornar o espetáculo tão bom, mas em termos
individuais, é impossível não destacar o vocalista Geoff Tate.
Aos 47 anos de idade o que esse cara cantou foi um absurdo! Vale
a pena citar a forma como o frontman interage com o público, como
ele consegue dominar as atenções sem precisar correr de um lado
para o outro, sem ser espalhafatoso. Seus discursos entre as músicas
pareciam mais uma palestra, todo mundo parava para ouví-lo atentamente.
Geoff Tate é um artista no verdadeiro sentido da palavra. Nesses
meus quatro anos cobrindo shows para este site, a banda que mais
me impressionou em termos de profissionalismo foi o Slayer. Isso
até o show desta quinta-feira. Penso que deve ser muito difícil
para uma banda com 27 anos de carreira, que gravou discos do porte
de um Operation Mindcrime e Empire, subir ao palco de uma casa
de shows com capacidade para quase 10 mil pessoas e encontrar
menos de 10% dessa capacidade presentes no recinto. Pensa que
isso diminuiu a empolgação do quinteto ou a qualidade do espetáculo
de alguma maneira? De forma alguma! Nessa fria noite de oito de
maio, presenciei a maior integração fã/banda que já vi em toda
a minha vida. Parece que a banda compreendeu que ali se encontravam
seus verdadeiros fãs e fez de tudo para lhes dar o melhor show
que poderiam fazer. Uma entrega total por parte dos músicos e
algo emocionante ver o respeito que uma banda nessa altura da
carreira tem com seus fãs. A banda conseguiu tirar o melhor proveito
possível de uma situação nada agradável e fez um show memorável,
um dos melhores que essa cidade viu nos últimos anos. Quem deixou
de ir por esse não ser o show do DVD, perdeu um show histórico,
algo que dificilmente se repetirá aqui no Brasil. Aliás, fui para
casa com a impressão de que essa foi a terceira e última vez que
a banda tocou no RJ...
Comentários
do Público: Sobre o show do Rio... Perfeito! Foi ótimo
ver um apanhado de praticamente boa parte da discografia da banda!
EP, RAGE FOR ORDER, OPERATION: MINDCRIME I e II, EMPIRE, PROMISSED
LAND... O repertório que essa lendária banda trouxe ao Cittibank
Hall foi algo incrível principalmente para aqueles que são apaixonados
pelo trabalho feito por Mr. Geoff Tate e Cia. Mesmo executando
somente duas músicas do tão aclamado Operation:Mindcrime, as seis
faixas do disco Empire fizeram com certeza os fãs se voltarem
há alguns anos atrás e reviverem a tour desse excelente album.
Mais algumas músicas do álbum Rage For Order e com certeza o pequeno
público presente foi levado a acreditar que 11 anos sem ver a
banda realmente foi muito tempo! Outro ponto muito positivo da
apresentação foi a releitura de "The Lady Wore Black"
demonstrando um alto grau de maturidade dessa banda que completa
27 anos e que demonstra muito profissionalismo em suas apresentações!!!
Parabéns pela apresentação vocês são muito, mas muito maiores
do que a produtora que os trouxe para o Brasil!!!! - Arony
Martins |
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IMAGENS
DO SHOW |
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AGRADECIMENTOS
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Assessoria Imprensa Citibank Hall na
pessoa de Paula Machado, pelo profissionalismo
(e em dado momento compreensão) demonstrado junto a Equipe Metal Revolution
-
Arony Martins pelo comentário que enriquece esta
matéria
- Rodrigo & Rafael Gonçalves
pelo trabalho na parte gráfica/escrita desta matéria |

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