PAUL DIANNO
ABERTURA:
KVORK
BLACKMORE ROCK BAR, SÃO PAULO -
SP
Review por Eduardo “Jack The Ripper” Custódio - Edição por André
Luiz
Fotos por Eduardo Custódio (metalrevolution.net)
Sábado
a noite, geralmente um dia de curtir uma balada, uma cerveja com os
amigos e um bom Rock N Roll, é, isto seria normal se fosse um sábado
qualquer, mas esta se tratava da noite de um encontro com uma das maiores
lendas do Heavy Metal mundial, Paul Di Anno, a primeira e lendária voz
do Iron Maiden. A casa estava preparadíssima para o evento, sem mesas
na parte inferior do palco como de costume, e com o local repleto de
maidenmaníacos (o que era de se esperar, obviamente). O clima na casa
estava ótimo, animado, com muitas caras conhecidas (a mim), já que a
banda de abertura era integralmente composta por músicos da baixada
santista, minha terra natal.
  
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Pouco
após as 23 hrs, já podíamos ver a movimentação em cima do palco
e os integrantes da banda Kvork sendo eles: Rodrigo BV (V), Yves
Martins (G), Raphael Mattos (G), Edu Simões (B), Luciana Campos
(K) e Fernando Faustino (D). Após os acertos, começa o show e
o que se vê é uma ótima banda, com ótimos músicos. Destaques para
Rodrigo BV com uma voz muito bem encaixada na temática da banda
e com uma influência explícita de Tim Owens, além do ótimo guitarrista
Raphael Mattos que despejou muita técnica e riffs matadores na
galera presente, além de um desfile de guitarras que chamou a
atenção pela excentricidade delas (ora com bolinhas brancas, ora
estilo vaquinha rs ). Os sons próprios da banda foram muito bem
recebidos pelo público, possuem peso, melodia e agresssividade.
Alguns covers foram muito bem executados, sendo eles: Holy
Diver (Dio), Bark At The Moon (Ozzy)
e Rock You Like A Hurricane (Scorpions), dando
aquela chacoalhada na galera. A mim foi uma grande surpresa ver
esta banda de pessoas relativamente conhecidas, devido a minha
vida em Santos e região e também aos contatos que tenho no underground
por lá, inclusive já tendo realizado uma resenha da ex-banda de
alguns dos integrantes do Kvork, o Dream Land ( na ocasião abrindo
para o Primal Fear ). A evolução desta banda para a anterior é
inegável a meu ver.
Fim
de show de abertura, e a ansiedade passa a tomar conta do local,
os maidenmaníacos que estavam pegando uma cerveja, trocando idéia
e acompanhando o show de abertura de longe, começam a se aglomerar
junto ao palco e aguardar a entrada em cena do grande nome da
noite e uma das maiores lendas vivas e figura carimbada da NWOBHM
(New Wave Of British Heavy Metal). O primeiro que surge ao palco
é o ótimo baterista Dado Romanholi e logo em seguida o restante
da banda (formada por integrantes do projeto Diamond Dogs de Minas
Gerais) e já incendeiam a galera com a clássica e imortal The
Ides Of March (cantada em coro pela galera presente e
por quem vos escreve) e onde já víamos Paul Di Anno de canto esperando
para soltar a voz. Nota: a visão que temos é de um homem marcado
pela idade, pelos anos e anos de extravagâncias e falta de cuidado
consigo mesmo, sua dificuldade de locomoção devido ao trauma em
seu joelho (agravado por um imbecilóide durante a passagem da
banda por Belo Horizonte) é uma cena a parte. Logo acaba o primeiro
petardo da noite, o ótimo e carismático baixista Raone Franco
começa a executar uma das músicas que imortalizaram a voz de Paul
Di Anno e que é executada até os dias de hoje pelo próprio Iron
Maiden, trata-se de Wrathchild que fez com que
os maidenmaníacos presentes se esgoelassem para acompanhar Paul,
que em vários momentos levou o microfone ao público e deixou que
seus fans cantassem essa que sem dúvida é uma de suas melhores
músicas e que ajudaram a transformá-lo em uma lenda.
A dificuldade de locomoção
de Paul é rapidamente deixada de lado tamanha a simpatia, carisma
e entrosamento entre o músico e o público presente, mostrando
que não importa a idade, as décadas que se passam, quando se possui
o talento e a bagagem, não tem nada que apague isso. O show segue,
e mais um grande clássico da era Paul Di Anno é executada, Prowler,
também cantada em uníssono pelo público. Entre uma música e outra
Paul sempre simpático e degustando uma cervejinha gelada brinca
com o público, cita o público de Campinas (comparando-os ao de
São Paulo), e em uma de suas falas antes de anunciar a próxima
faixa ele deixa escapar um ‘Scream for me’ (frase característica
de seu sucessor no Iron, nada menos que Bruce Dickinson) e logo
em seguida solta um ‘Ohhh fuck you Scream for me’ e solta um sorriso
cheio de ironia e aquela velha alfinetada de sempre. Seguem-se
Marshall Lockjaw do ótimo álbum Murder One de
sua época de Killers, seguida por The Beast Arises e
Children Of Madness do Battlezone.
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Para quem pensou que os clássicos
de sua era Maiden tinham acabado se enganou completamente, todo
fan de Iron que se preza tem em sua coleção os cds gravados
por Paul, e todos citam Murders In The Rue Morgue como
sendo uma das melhores faixas já gravadas pelo mesmo, e é justamente
ela que se inicia, mais um petardo que arrepia a galera e faz
pensar ‘Se hoje em dia, esta música causa essa energia no público,
o que dizer a 30 anos atrás?’. Paul detona e mostra mais uma
vez que a idade está com ele, mas a velha voz inconfundível
também. Segue-se mais uma faixa de sua carreira pós Maiden,
Faith Healer e em seguida mais um clássico
imortal da donzela de ferro, Remember Tomorrow,
que foi em minha opinião o ponto alto do show, pois não havia
quem não a estivesse cantando e onde Paul pode mostrar que os
agudos ainda estão lá apesar do cigarro, idade, bebida gelada
e etc, práticas que todo vocalista cuidadoso evita, mas chamar
Paul Di Anno de cuidadoso e até mesmo ajuizado diante de sua
carreira e história é forçar um pouco a barra.
Segue o show com A Song
For You do álbum Menace to Society do Killers, a melhor
coisa que Paul Di Anno gravou em sua vida pós Maiden. O que
vem a seguir é uma seqüência fenomenal, executada com maestria
pela banda que acompanha. É notório pelo visual e pela atitude
que Paul Di Anno, não abandona aquele ar punk rebelde que o
consagrou no Iron Maiden, e toda aquela coisa da anarquia, da
revolta contra o sistema e coroando isso tudo, faz um discurso
carregado de raiva e opiniões fortes a respeito do presidente
americano George W. Bush (convenhamos que não é preciso ser
punk, nem fazer parte de nenhuma tribo em específico para odiar
esta pessoa, e sim ter um QI maior que o de uma rolha), mas
Paul Di Anno é contundente e claro em sua desaprovação ao governo
Bush e o cita como assassino, iniciando assim sugestivamente
aquela que se tornaria mais um hino dos anos 80, Killers,
do seu clássico e derradeiro álbum como vocalista do Iron Maiden,
seguidas por nada mais nada menos que Phantom Of The
Opera, onde a banda que o acompanha demonstra total
entrosamento e competência, pois trata-se de uma música a qual
todo fan de Iron conhece de cabo a rabo e eles não decepcionam.
Destaque para o guitarrista Nanji (ex-Sarcófago) que detonou
pela presença de palco.
O que acontece a seguir é algo que
não ocorreu durante toda essa turnê de Paul por terras tupiniquins,
uma jam com um vocalista local. Rodrigo BV sobe novamente ao
palco, para dividí-lo com uma lenda, e cantar com ele uma das
maiores músicas de uma das maiores bandas de Heavy Metal de
todos os tempos. Running Free segue e incendeia
a galera, a emoção do fan cantando com o ídolo é clara a qualquer
um que acompanha o underground e o Rock n Roll, Paul Di Anno
totalmente à vontade e tranqüilo no palco, Rodrigo BV demonstrando
e desempenhando muito bem o seu papel, o de um fan com muito
potencial e com uma voz potente e de muito futuro dentro da
música pesada. Em particular a mim pelo fato de ser também de
Santos, foi algo incrível de se presenciar e de ver que apesar
das barreiras criadas entre a cena underground de SP e do litoral,
a baixada santista tem muitos músicos e pessoas competentes
no meio Rock N Roll, e faço votos que situações como essa se
tornem corriqueiras seja na Baixada Santista, em SP ou em qualquer
outro local do Brasil.
Após a última música, a banda sai
de cena, com Paul demonstrando mais dificuldade ainda de se
locomover e também um claro cansaço. O público pede o tradicional
BIS e Paul mesmo debilitado, mesmo tendo de enfrentar alguns
degraus ingratos entre o palco e os camarins, volta ao palco
com sua banda para fechar a noite com Transilvania,
Blitzkrieg Bop dos Ramones (o que deixa claro
sua influência Punk e aquela pitada de rebeldia da sua época
de Maiden) e Sanctuary, outro clássico imortalizado
em sua voz desde os idos do SoundHouse Tapes, uma noite perfeita
para qualquer fan de metal, que ficará guardada na memória especialmente
ao sortudo Rodrigo BV que ainda conseguiu passar o dia de domingo
escoltando Paul Di Anno pela cidade, e recebeu do mesmo um elogio
e a frase “Você e sua banda foram os únicos que eu quis assistir
e que chamaram minha atenção durante esta turnê”. Enfim, se
uma pessoa com mais de 30 anos de estrada, com a bagagem e o
nome de um Paul Di Anno diz isso, é porque existe potencial
e futuro a banda e ao músico, parabéns a todos os envolvidos
e ao público presente.
Agradecimentos
especiais: Blackmore Rock Bar, Heloisa Vidal da Brasil
Music Press, Brunno “pagador de comandas” Oldrine, Banda Kvork
e Banda Diamong Dogs (pela simpatia e atenção nos bastidores).
Ponto
Negativo: um
segurança de camarim que devia ser funkeiro ou algo do gênero
e estava de muito mal humor tratando todas as pessoas de forma
hostil e desnecessária. Lamentável em uma noite sem nenhuma
confusão e onde o bom e velho espírito rock n roll estava presente
com todos, exceto com esse cidadão.
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