NAPALM
DEATH
ABERTURA: INOCENTES & CONFRONTO
CIRCO VOADOR,
RIO DE JANEIRO - RJ
Review por Rodrigo Gonçalves - Edição por André Luiz
Fotos por Rodrigo Gonçalves (metalrevolution.net)
Finalmente
após as idas e vindas ocorridas em 2005, e que acabaram por levar ao
cancelamento do concerto que seria realizado nesse mesmo Circo Voador,
eis que a lenda do grindcore mundial finalmente desembarca no Rio de
Janeiro para fazer aquele que seria o derradeiro show do giro sul americano
da banda. Devo confessar que ao chegar
no Circo Voador, temi pelo público não fazer jus a uma banda de tamanha
magnitude como é o Napalm Death. Porém, para a minha felicidade, um
breve giro pela Lapa (famoso e boêmio bairro carioca e local onde fica
o Circo Voador), logo pude constatar que o público não era pequeno.
Os fãs apenas se encontravam espalhados pelos diversos bares nas imediações
do Circo, consumindo litros e mais litros de álcool, fazendo assim sua
parte ajudando a movimentar a economia do Rio de Janeiro (e tem gente
que ainda insiste em dizer que headbanger não tem consciência, fãs de
som pesado também são pessoas engajadas). Já de volta ao Circo, percebo
que os portões abrem na hora marcada e poucos foram os que decidiram
entrar para acompanhar a abertura da banda Confronto...
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...E
aqueles que decidiram não entrar, acabaram perdendo um showzaço
de abertura, proporcionado pelos cariocas. Pensa que o fato de
a pista estar vazia durante a apresentação diminuiu a empolgação
da banda ou ao menos a intensidade das rodas que já se formavam
na pista do Circo Voador? Mas é claro que não! Algo interessante
de notar e de se comentar é o fato de que conforme o show dos
caras foi progredindo, foi como se eles conseguissem ao mesmo
tempo atrair o público e mantê-los ligados no show, o que em minha
opinião é mais importante ainda e deve ser o foco principal de
uma banda de abertura. Ao final da apresentação o vocal ainda
agradeceu aos presentes pelo apoio e reação positiva e também
aos produtores do espetáculo por terem dado a eles a oportunidade
de abrir um show tão especial como esse. Se alguém tinha que agradecer
a alguém, acho que esses seriam os presentes durante os pouco
mais de 25 minutos que o Confronto esteve em cima do palco. Poucas
são as oportunidades em que temos a chance de assistir um show
de abertura de tão alto nível. E olha que os caras contaram com
pouquíssimo tempo para ir lá e mandarem o seu recado, o que acabaram
conseguido de forma eximia. Apresentação com saldo altamente positivo
e é sempre muito bom poder constatar que o underground carioca
conta com bandas de tamanha qualidade.
Cerca de meia hora após o término
da apresentação do Confronto, foi a vez dos punks paulistas do
Inocentes subirem ao palco do Circo Voador para dar prosseguimento
aos trabalhos. O começo da apresentação da lenda do punk rock
nacional foi bastante empolgante, porém bastante problemático.
No momento da apresentação do Inocentes, um público bem maior
já se encontrava no recinto, embora isso não queira dizer que
haviam mais pessoas assistindo a apresentação do Inocentes do
que haviam na do Confronto. Mas como assim? Calma, que eu explico.
Lembram quando eu falei que o Confronto foi tão bem sucedido em
sua apresentação de modo a ter conseguido atrais mais pessoas
para assisti-los além de apenas daqueles que já conheciam o trabalho
da banda? Pois é, o mesmo não parece ter acontecido com o Inocentes
visto que durante o curso de seu show, boa parte do público parecia
mais entusiasmada em socializar ao redor do bar do Circo do que
assistir de fato a apresentação. Algo que me pareceu ter prejudicado
demais os Paulistas e contribuído para um show um tanto quanto
morno, foram os constantes e já previamente citados problemas
de som enfrentados pela banda, principalmente na primeira parte
do show. Outros fatores que podem e devem ser citados é que tanto
banda como público pareciam estar um tanto quanto descolados com
relação a um outro. Minha opinião pessoal é de que o tipo de som
executado pela banda não combinou bem com a proposta da noite.
Some a isso a ansiedade do público pelo show de uma banda que
já não tocava aqui na cidade maravilhosa e, por fim, os 50 minutos
de apresentação. |
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Qual
a melhor maneira de se descrever um show do Napalm Death de modo
com que o leitor consiga ter uma sensação do que foi presenciado
naquela noite de 28 de outubro de 2007(o show do Napalm começou
após 0hs)? Estou aqui tentando há um bom tempo encontrar uma maneira
de definir o impacto que esse show teve sobre mim, mas juro que
não estou conseguindo. Talvez eu conseguisse se enchesse essa
resenha de palavrões e palavras de baixo calão, mas é claro que
não irei fazer isso hehe. Eu não sou o que se pode chamar de fã
do Napalm Death, muito menos do estilo grindcore. Gostaria de
deixar bem claro que conhecia o trabalho da banda, talvez não
a fundo como os fãs mais fervorosos, mas conhecia alguns discos
sim. E o que tinha ouvido até o dia desse show não tinha sido
algo que me impressionou muito e muito menos que me fez colocar
a banda entre as minhas favoritas, ou bandas do coração, se assim
você preferir. O fato é que a minha relação com a banda pode ser
definida em antes e depois do dia 28 de outubro. Impressionante
como algumas bandas que impressionam tanto ao vivo, que conseguem
conquistar novos fãs até mesmo durante o curso de suas apresentações.
O Napalm Death é uma daquelas bandas que, ao lado de nomes como
Slayer, Exodus, Morbid Angel e outros sabem fazer uso do tempo
de maneira magistral. Os caras não precisam de muito tempo para
conseguir trazer o caos. Durante seus 70 minutos em cima do palco,
a banda executou vários e vários clássicos e conseguiu literalmente
enlouquecer os presentes com a perfomance mais energética que
eu tive o prazer de presenciar em toda a minha vida. E isso pode
ser traduzido no número de moshs, rodas e stages dives ocorridos
nessa noite história. Juro que tentei contar as invasões ao palco,
mas desisti lá pelo número 30. A banda fez uma escolha bastante
interessante para o set list que seria executado naquela noite.
Músicas abrangendo todas as fases de seus 26 anos de carreira
fizeram a alegria tanto dos fãs da fase mais recente, como da
fase mais antiga da banda, antes mesmo da entrada do vocalista
Barney Greenway. Temas como The Code Is Red... Long Live
The Code, Persona Non Grata e Smear
Campaing já provocaram grande agitação nos presentes,
clássicos do quilate da trindade Scum, Life
e The Kill trouxeram o Circo Voador
abaixo e só foram superadas pelo trio que ficou encarregado de
fechar o show: o já tradicional cover para o clássico do Dead
Kennedys Nazi Punks Fuck Off e as insanas Mass
Apeal Madness e Siege Of Power. Pronto,
isso foi o suficiente para maltratar o pescoço até de quem resistia
a apresentação dos caras.
Termino essa resenha dizendo que esse foi mais um show histórico
realizado num dos palcos mais importantes da cidade maravilhosa,
um show tecnicamente perfeito e altamente brutal que fechou com
chave de ouro o circuito de bandas extremas aqui no Rio de Janeiro.
Espero que voltem o quanto antes, pois eles acabaram de ganhar
um novo e entusiasmado fã! |
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AGRADECIMENTOS
-
Assessoria Imprensa do Circo Voador na
pessoa de Julia Ryff, pelo profissionalismo
demonstrado junto a Equipe Metal Revolution
-
Rodrigo Gonçalves por assumir a responsabilidade da
jornada dupla de cobertura de eventos na cidade maravilhosa |

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