MOTORHEAD
ABERTURA: MATANZA
VIA
FUNCHAL, SÃO PAULO - SP
Review por Thaigo Rahal - Edição por André Luiz
Fotos por André Luiz (metalrevolution.net)
O
Motorhead se fosse um clube de futebol seria um dos chamados “clubes
grandes”, pois possuem grandes torcidas (fãs) e grandes elencos (banda).
E desde 1989 (ano de sua primeira passagem pelo Brasil) a banda sempre
que toca em terras tupiniquins lota as casas de shows e sempre nos proporciona
momentos únicos do bom e velho rock and roll. Falando em elencos, a
banda que veio ao país conta com a seguinte formação: Lemmy Kilmister
no baixo e nos vocais, Phil Campbell nas guitarras e, Mickey Dee na
bateria. Na minha opinião, a melhor formação que o Motorhead já teve,
principalmente no quesito bateria, pois Dee é sem duvida nenhuma um
dos melhores bateristas do mundo. Para quem não sabe, Mickey Dee tem
no currículo bandas como, Dokken, King Diamond e também participou de
gravações com o Helloween. Assim como em 2004, quando a banda veio divulgar
seu álbum “Inferno”, o Motorhead conseguiu lotar a Via Funchal colocando
cerca de seis mil pessoas para divulgar o então mais recente disco “Kiss
of Death”. .
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O
Matanza foi o encarregado de aquecer aos paulistanos na noite
de domingo e, mesmo não sendo o que o público esperava conseguiu
agradar a maioria ali presente, mesmo que pouco antes do grupo
adentrar no palco era possível se escutar alguns xingamentos referentes
ao atraso da banda. As 20hs em ponto, Jimmy (V), Donida (G), China
(B) e Fausto (D) começam sua apresentação de uma forma tão intensa
que alguns até esqueceram de xingar e começaram a banguear freneticamente.
Jimmy, com seu bom e velho humor de botequim pergunta para todos
os presentes “Vocês querem ver a melhor banda de Heavy Metal do
mundo, o Motorhead?”, arrancando gritos do público presente. “Mas
agora vocês terão o Matanza”, exclamou o vocalista. O grupo tocou
alguns de seus clássicos e depois de alguns minutos ficou claro
que não existia banda melhor para aquecer um show do Motorhead.
Músicas como Pé na Porta, Soco na Cara,
Eu Não Bebo Mais e Ela Roubou Meu Caminhão
fizeram jus à fama do Matanza. |
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Mas
o público estava ali para ver os monstros do Heavy Metal e mesmos
gostando do que via, já estava impaciente pela demora do Motorhead,
pois segunda constava no programa do evento era o Motorhead quem
deveria ter entrado as 20 hs. As luzes se apagam, os fãs gritam
e, enfim o Motorhead iniciou sua apresentação de uma maneira bombástica
e eletrizante. Começaram o show com a pesada e direta Dr.
Rock, do álbum Orgasmatron de 1986, sem dúvida um dos
grandes clássicos da banda. Emendaram com Stay Clean,
essa já do disco Overkill de 1979. Para quem é fã da banda esse
foi um começo pra lá de matador. Chegava à hora de apresentar
canções mais recentes e, Be My Baby do novo disco
Kiss of Death, se mostrou mais pesada e mais suja do que nunca,
ou seja, simplesmente Motorhead. Em seguida mais uma música recente,
mas dessa vez do disco Inferno de 2004, a pesada Killers,
alias isso é algo que poucas bandas conseguem fazer, ou seja,
um som sujo e pesado, mas que ao mesmo tempo a qualidade do som
consegue ser algo fora do comum.
Metropolis, com seu começo cadenciado, mas cativante
veio em seguida mostrando todo o poder do disco Overkill, que
na minha opinião é um dos melhores do Motorhead. Poucas bandas
se aventuram em tocar b-sides em seus shows, principalmente porque
nem todos conhecem a discografia da banda de cabo a rabo e são
fãs de carteirinhas, porém Over The Top que provavelmente
seria uma sobra do disco Bomber se mostrou uma música agradável
e teve ótima aceitação por parte do publico presente. One
Night Stand, também do novo disco traz de volta aquela
pegada clássica da banda, totalmente rock and roll e sem nenhuma
preocupação com estética ou algo do tipo. I Got Mine do
Another Perfect Day, me fez lembrar algumas músicas do Thin Lizzy
e me agradou bastante por este motivo. In The Name Of
Tragedy e Sword Of Glory, as duas de
discos mais recentes mostraram que mesmo o Motorhead tendo mais
de 20 anos de carreira, eles ainda conseguem fazer algo de bom
e diferente, para os padrões do Motorhead é claro. Snaggletooth,
é a típica canção rápida e direta daquelas que os presentes fazem
questão de abrir uma roda e banguear em todos os momentos.
Os ingleses sempre fizeram versões de bandas que os mesmos gostam
ou que os influenciaram, e na apresentação de São Paulo a versão
da vez foi de Rosalie, uma música do grupo Thin
Lizzy que saiu no disco One Night Only e com o Motorhead ficou
bem suja e pesada, o que seria óbvio pelo estilo da banda. Sacrifice,
do álbum de mesmo nome, segundo muitos a melhor música dos ingleses
ao lado de Ace of Spades, veio em seguida e mostrou como esta
formação está coesa e bem entrosada. Inclusive no meio da canção
o senhor Mickey Dee nos mostra toda sua habilidade e técnica em
um solo que raras vezes se vê por aí. Também percebo que o baterista
praticamente esmurra seu kit de bateria, creio eu que o mesmo
deve utilizar um kit de pele para seus bumbos e tons por show. |

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Just Cos You Got The Power e Going To
Brazil, está última dedicada ao Brasil e que segundo
o próprio Lemmy, a cidade que mais represente o rock no Brasil
seria a famosa “Fuckin” São Paulo. Killed By Death e
Iron Fist, esta última com direito a diversas
rodas em todos os cantos da Via Funchal, fecharam a primeira parte
da apresentação e, Lemmy brincando com o público fala “Vocês já
sabem como fazer, só gritarem nosso nome que voltamos...”.
A banda então volta ao palco e Mickey Dee assume o violão ao lado
de Phill Campbell para Whorehouse Blues ser executada.
Uma canção diferente para os padrões Motorhead, primeiro porque
ela é praticamente blues e com grandes influências country. Ao
mesmo tempo vê-se um Lemmy animado por tocar gaita, aliás o vocalista
se deu muito bem com o instrumento. Em resumo, boa música, boa
sacada e bom gosto ao tocá-la logo após o bis quando todos estavam
meio cansados. Era chegada a hora que todos estavam esperando,
a hora dos clássicos, pois Ace Of Spades foi
executada. Sem dúvida essa canção é a mais conhecida dos ingleses
no Brasil, se bobear no mundo inteiro. É claro, não faltaram às
famosas rodas e moshs em toda a casa de espetáculos. Para terminar
com chave de ouro, a música Overkill é apresentada
com direito a um excelente jogo de luz por parte da banda, inclusive
tivemos os três finais de shows que normalmente acontecem em apresentações
dos ingleses ao redor do mundo.
Saldo final: excelente público, excelente performance, set list
bem escolhido e cadenciado de maneira impressionante, excelente
som e o principal, muita energia e alegria por parte dos presentes
e dos fãs que lotaram a Via Funchal. Que o Motorhead volte sempre
ao Brasil e principalmente para a capital paulista, pois o Heavy
Metal ainda precisa deles, sendo com lançamentos de discos ou
somente com turnês esporádicas |
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IMAGENS
DA TOUR |
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AGRADECIMENTOS
-
Assessoria de Imprensa Via Funchal em nome de Miriam
Martinez, que há tempos trata-nos da forma mais cordial possível
-
Bruno Prado & Luciana da Equipe MR carioca que
vieram à São Paulo especialmente para este evento
- Thiago Rahal pelo texto desta
matéria |
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