CREDICARD HALL, SÃO PAULO - SP
Review por Thiago Rahal - Edição por André Luiz
Fotos por André Luiz & Renata Petrelli (metalrevolution.net)

Sexta feira, dia 06/06/2008, uma noite para ficar na história do público brasileiro e principalmente do paulista. Liderado pelo guitarrista e vocalista Dave Mustaine, o Megadeth aportou em terras brasileiras para uma série de seis shows e teve como uma das principais noites a apresentação no Credicard Hall em São Paulo. Como todos devem saber o trânsito na capital paulista nunca foi excelente, pelo contrário. Sabendo disso, me dirigi ao local por volta de 19hs e peguei um congestionamento daqueles, principalmente na Marginal Pinheiros, sentido Interlagos e só consegui chegar por volta de 20h10m, algo esperado por mim, mas que se não tivesse saído antes provavelmente não chegaria a tempo. Uma sugestão aos produtores, voltem a marcar essas apresentações na capital paulista no sábado, pois diferentemente de outras capitais do país temos esse dilema com o trânsito.

Megadeth - por Renata Petrelli (metalrevolution.net)Megadeth - por Renata Petrelli (metalrevolution.net)

Passado o trajeto complicado e enfim já dentro do Credicard Hall, percebi uma grande fila e constatei algo que já esperava, o show realmente teria lotação máxima. Por volta de 22h15m, o Megadeth começou sua apresentação destacada por Dave Mustaine, que desfilou sua guitarra “fly v” e grandes riffs com a canção Sleepwalker, música de abertura do último disco o excelente United Abominations de 2007. Wake Up Dead do clássico álbum Peace Sells... But Who's Buying? de 1986 veio em seguida, arrancando gritos e diversos “moshs” do público presente. Algo parecia incomodar o vocalista, pois a todo o momento ele olhava para alguém da produção e pedia para o mesmo arrumar algo. Ao escutar o riff inicial de Skin O' My Teeth o público foi à loucura, um frisson impressionante e realmente emocionante. Mas, Mustaine parecia não estar muito feliz com o som da casa e pouco falava com o público. Com isso o vocalista foi curto e com pouca simpatia anunciou a próxima música da noite, Washington Is Next! também do novo álbum. Alias está canção foi bastante discutida no ano passado, principalmente pela sua veia política e afiada. Até o momento a banda se mantinha discreta e pouco empolgavam os presentes até que Kick the Chair foi iniciada e a paciência do líder do Megadeth se acabou. O mesmo se retirou do palco extremamente irritado e puto da vida, fazendo com que em poucos minutos depois a produção avisasse ao público que o grupo voltaria em breve. Boas partes dos fãs indignados com a situação começaram coros de Metallica! Metallica! E outros em contrapartida gritavam Megadeth! Megadeth!. Após cerca de vinte minutos, o grupo volta ao palco pedindo desculpas e Kick the Chair recomeçou com um peso e qualidade no som maior do que no começo do evento.
É claro que as atenções estavam todas em cima de Mustaine, mas os músicos que agora estão no Megadeth não fizeram feio, pelo contrário. Shawn Drover, na bateria sempre muito técnico e preciso não se fez de rogado em colocar seu toque pessoal em algumas canções antigas. James LoMenzo, no baixo teve sua presença de palco empolgante na qual a todo o momento o mesmo se dirigia pra frente do palco e arrancava aplausos dos presentes. In My Darkest Hour do So Far, So Good...So What! de 1988 veio em seguida e não deixou o público se sentir entediado, cantada em uníssono por todos. Hangar 18 e She Wolf foram um dos grandes destaques da noite, uma seqüência matadora que causou comoção nas pessoas e novamente alguns “moshs” foram vistos na pista do Credicard Hall.
Em determinado momento da apresentação, alguém da platéia jogou uma bandeira do Brasil para o palco e fez com que o líder do Megadeth soltasse alguns poucos sorrisos. A Tout Le Monde, talvez a canção com o maior coro da noite e cantada com força pelos fãs do grupo, algo realmente emocionante e de se arrepiar. Em seguida, Chris Broderick apresentou um pequeno solo de guitarra bastante técnico e mostrando a todos que não precisariam ficar preocupados, pois qualidade ali não faltava. Tornado of Souls, do clássico disco Rust In Peace de 1990 e seu inicio empolgante trouxe de volta ao clima Thrash Metal do inicio do show. Quem já conhecia o set list da banda, sabia que o show estava chegando ao final, mas mesmo em Ashes In Your Mouth e Burnt Ice o público não se importava com isso e cantava, brincava e animava a banda que parecia estar gostando de tocar por aqui, mesmo com os problemas técnicos de som. Sweating Bullets, outro grande momento da apresentação mostrou um grupo entrosado e coeso, limitando-se a tocar perfeitamente todas as notas ali apresentadas.


Megadeth - por Renata Petrelli (metalrevolution.net)
Symphony of Destruction, uma das músicas mais conhecidas do Megadeth antecedeu um dos clássicos do Heavy Metal mundial. Peace Sells, em versão extendida colocou o Credicard Hall abaixo e foi cantada em uníssono, seja por quem estava na pista ou para os mais afortunados que permaneciam sentados nos camarotes da casa de espetáculos. Como de costume em shows de metal a banda saiu do palco e ninguém tinha coragem de arredar o pé da casa, pois sabiam que tinha mais. Então, Dave Mustaine agradeceu a presença de todos, pediu desculpas pelos problemas e atrasos e anunciou Holy Wars... The Punishment Due, o hino do Megadeth, a canção conhecida dentre nove entre dez headbangers. Antes de terminar este texto, não posso deixar de falar algumas coisas. Primeiro sobre a retirada de três músicas do set list habitual, que inclusive foi tocado na Argentina, mas no Brasil inexplicavelmente não foram apresentadas. Além de uma falta de comunicação maior por parte de Dave Mustaine com o público, muitos sentiram falta disso e saíram reclamando ao final do show. E por fim, a grande pausa que ocorreu no começo do show que por pouco não quebrou o clima já criado pela banda e os fãs que não arredaram o pé, mesmo com os problemas. Só nos resta esperarmos por novos shows do Megadeth no país e que bandas deste nível e estirpe sempre se apresentem em nossas terras.

IMAGENS DO SHOW
Megadeth - por André Luiz (metalrevolution.net)Megadeth - por André Luiz (metalrevolution.net)Megadeth - por André Luiz (metalrevolution.net)Megadeth - por André Luiz (metalrevolution.net)Megadeth - por André Luiz (metalrevolution.net)
Megadeth - por Renata Petrelli (metalrevolution.net)Megadeth - por Renata Petrelli (metalrevolution.net)Megadeth - por André Luiz (metalrevolution.net)Megadeth - por André Luiz (metalrevolution.net)Megadeth - por Renata Petrelli (metalrevolution.net)

AGRADECIMENTOS
- Assessoria Imprensa Time For Fun na pessoa de Ariane Moretti, pelo profissionalismo demonstrado junto a Equipe Metal Revolution
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Público em geral com o qual tive contato no evento, em especial ao Rafael, Batata, Chacal, além do pessoal com quem conversei durante o evento e pra variar não sei o nome rsss
- Renata Petrelli por ceder várias fotos que ilustram esta matéria
- Thiago Rahal
pelo trabalho na parte escrita desta cobertura