JOE
LYNN TURNER
& TONY MARTIN
MANIFESTO BAR,
SÃO PAULO - SP
Review por Thiago Rahal & Renato São Pedro - Edição por André
Luiz
Fotos por Thiago Rahal (metalrevolution.net)
Começo esta resenha perguntando aos fãs da música pesada brasileira,
porque estes dois monstros nunca foram reconhecidos como deviam? Eu
tenho algumas alternativas para estes questionamentos, pois os dois
foram substitutos de um vocalista que dispensa comentários, o mestre
Dio. Por coincidência ambos entraram em seus grupos respectivamente
Black Sabbath e Rainbow – apesar de que no caso de Tony Martin, o intervalo
fora um pouco maior – no lugar do mestre, tendo a complicada missão
de continuar o legado e principalmente de não caírem no esquecimento.
Alguns problemas causaram o cancelamento da apresentação em Curitiba,
que segundo o apresentador do evento em São Paulo, a culpa foi única
e exclusivamente do produtor local, pois o mesmo não conseguiu cumprir
com o mínimo de equipamentos possíveis para a realização dos shows,
além de ter mudado a casa de espetáculos no dia das apresentações causando
desconforto aos músicos e fãs.

|
Por volta de meia-noite,
o Manifesto que não estava lotado (cerca de 300 pessoas) recebeu
o vocalista Tony Martin de braços abertos e com uma ótima energia.
The Law Maker do álbum Tyr, do grupo inglês
Black Sabbath – para muitos o grupo criador do estilo Heavy
Metal – abriu a apresentação do vocalista em grande estilo.
Acompanhado por excelentes músicos, dentre eles alguns os brasileiros
Davis Ramay (guitarra), Lucas Souza (guitarra), Diego Padilha
(baixo), Riq Ferris (backing vocal), além dos amigos Geoff Nichols
nos teclados (ex-Black Sabbath & Quartz) e Danny Needham
(bateria), Tony Martin agradeceu a presença de todos e anunciou
que tocaria grandes músicas, para delírio de todos. Devil
and Daughter seguida por The Eternal Idol,
mostraram as qualidades e a melhora sensível do cantor que na
época em que estava no grupo inglês era elogiado em estúdio,
mas muito mal falado em shows ao vivo.
The Hand That Rocks The Cradle e I
Witness, sendo está última rápida e energética, agitaram
e muito os fãs, órfãos de Black Sabbath principalmente dessa
fase pós Ozzy e Dio, onde quase nunca é lembrada por Tony Iommi
nos poucos shows que os ingleses realizaram nos últimos anos.
A presença de palco tanto de Tony Martin, quanto dos músicos
brasileiros era admirável apesar do pouco espaço que o aconchegante
Manifesto os permitia. A fase solo do inglês foi lembrada e
músicas como Raven Ride, Breath e
Scream não fizeram feio, pelo contrário foram
bastante aplaudidas pelos fãs. Em determinado momento e até
certo ponto inesperadamente, o cantor se apoderou de seu violino
o tocando em uma das canções, algo surpreendente e curioso,
pelo menos para os que não conheciam esta faceta do vocalista.
Raising Hell e The Shining,
talvez a música mais conhecida da fase Tony Martin e que segundo
ele, a canção que o fez ganhar o posto de vocalista do Black
Sabbath, foi cantada em uníssono tendo seu refrão como o ponto
alto da apresentação. Vale a pena ressaltar a presença do lendário
Geoff Nichols, que foi músico do Black Sabbath por mais de 20
anos e conta com uma presença incrível e admirável simpatia,
não só pelos músicos como pelos fãs. Headless Cross
e When Death Calls, com direito à
introdução de baixo realizada pelo competentíssimo Diego Padilha
fecharam a apresentação de Tony Martin, que na medida certa
despejou clássico atrás de clássicos e se mostrou solicito ao
público que o agradeceu efusivamente pela presença em terras
brasileiras.
Depois dessa grande apresentação só restava aos fãs repor as
baterias, tanto conversando com os amigos e admiradores, quanto
bebendo e brincando no bar do Manifesto. Era preciso, primeiro
porque já se passava das duas da manhã e ainda teríamos mais
um grande evento na noite, ninguém menos que Joe Lynn Turner.
Ao som de Death Alley Driver do Rainbow o vocalista
americano abriu sua apresentação de uma maneira intensa e com
sua voz estupenda, algo admirável. I Surrender,
clássico absoluto da carreira de Joe Lynn Turner, além de uma
das canções mais coverizadas do grupo capitaneado por Ritchie
Blackmore, seguiu a apresentação com maestria. Power
Of Love, canção do álbum solo The Usual Suspects
mostrou todo o poder de sedução e carisma que o americano
tem sobre as mulheres (queria eu ter esse poder).
|
|
|
|
|
| Stone
Cold seguida por Losing You, mostraram
o quão competentes eram os músicos brasileiros que ali estavam,
algo a se pensar sobre a nossa cena. Porque será que estas pessoas
só são reconhecidas quando saem do Brasil, ou simplesmente tocam
com músicos de fora? É uma coisa que não consigo entender. Bom,
seguindo essa linha de raciocínio o Keyboard Solo Bruno
Sá, não poderia ter sido no mínimo brilhante, sendo bastante aplaudido
por Joe Lynn Turner. Aliás, a formação que o acompanhou nesta
noite foi a seguinte: Davis Ramay (guitarra), André Andrade (bateria),
Diego Padilha, Bruno Sá (teclados) e Riq Ferris (backing vocal).
Can't Let You Go, do grupo Rainbow mostrou que
se a música é boa, ela ultrapassa a barreira da idade, pois os
sentimentos sempre serão os mesmos, ou seja, a alegria dos fãs
ao escutá-la. A apresentação ia rolando de tal maneira, que ninguém
se importava com o horário e pediam por mais músicas: Keep
Tonight (Sunstorm), King Of Dreams do
Deep Purple, Power do Rainbow, Prelude
/ Endlessly e Blood Red Sky do novo
álbum solo de Lynn Turner, tendo inclusive um riff matador antecipado
por um Guitar Solo interessante de Davis Ramay
(seria ele o Malmsteen brasileiro?). Antes do final da primeira
parte do show, rolaram algumas músicas interessantes pouco conhecido
e muito bem executado, tais como: Street Of Dreams,
The Race Is On e Spotlight Kid do
Rainbow. A partir daí, teríamos o famoso BIS, mas o grupo não
arredou o pé do palco e seguiram com Deja Vu,
clássico de Yngwie Malmsteen e que por sinal, uma música deveras
técnica e complicadíssima de se tirar, só músicos experientes
e ensaiados para realizarem tal feito com perfeição. Joe Lynn
Turner, desfilou toda sua simpatia e inclusive pediu uma bebida
especial para os funcionários do Manifesto, ao qual foi atendido
fazendo brincadeiras com o público. Nota especial para o segurança
de palco, que se encrencou com uma pessoa que estava logo em frente
ao vocalista, fazendo com que o mesmo fosse pedir ao segurança
que o deixasse curtir o show, ato raríssimo e de aplausos. Burn
fechou a apresentação com chave de ouro (segundo o próprio
vocal, a mesma não precisaria sequer ser apresentada). As pessoas
que leram nos realeases anteriores esperavam por uma jam com os
dois vocalistas, fato esse que não ocorreu, acredito eu devido
ao horário, pois já se passavam das 4h. Mas fica com uma lembrança
positiva desta noite, que lembrou clássicos de bandas consagradas
como Deep Purple, Rainbow e Black Sabbath, além de termos o privilégio
de escutarmos vozes competentíssimas desses dois monstros do Rock
Mundial. |
|