GLEEN HUGHES
ABERTURA: ESCALENO
CIRCO VOADOR
, RIO DE JANEIRO - RJ
Review por Rodrigo Gonçalves - Edição por André Luiz
Fotos por Rodrigo Gonçalves (metalrevolution.net)

Histórico, maravilhoso, sensacional, inesquecível... Todos esses adjetivos podem ser facilmente aplicados para descrever o que foi este show no Circo Voador. Finalmente a cidade maravilhosa teve a oportunidade de receber o lendário vocalista/baixista com o show de seu último disco, Music For The Divine, que já visitou vários países ao redor do globo. Quem acompanha as minhas resenhas aqui no site ou então me conhece pessoalmente, sabe o quanto eu gosto de hard rock e principalmente da banda Deep Purple e quase todas as suas variantes (seus ex-integrantes). É bem verdade que esta banda entra fácil no meu top 5 de favoritas, porém nunca escondi de ninguém a minha admiração pelos trabalhos solos de dois de seus mais famosos ex-integrantes. Já resenhei aqui show do Whitesnake e honestamente achei que nunca fosse ter a oportunidade de ver o lendário baixista/vocalista Glenn Hughes em ação, quanto mais resenhar um show dele!!! Sem brincadeira, isso não é trabalho. Quando recebi a confirmação de que teria a chance de escrever sobre esse show, fiquei igual a uma criança em dia de natal. Não cabia em mim de tanta alegria!

Gleen Hughes - por Rodrigo Gonçalves (metalrevolution.net)Gleen Hughes - por Rodrigo Gonçalves (metalrevolution.net)Gleen Hughes - por Rodrigo Gonçalves (metalrevolution.net)
Primeiramente, gostaria de expressar aqui o meu pedido de desculpa à banda Escaleno, pois por um erro desse repórter eu sequer sabia que teríamos uma banda de abertura nesse show. Eu não sei o que ocorreu, mas o fato é que poucos sabiam que teríamos um show de aquecimento e por esse motivo, eu, assim como muitos, acabei chegando ao Circo Voador somente na hora que a banda já terminava sua apresentação com um cover de Black Night do Deep Purple. Fica aqui o meu sincero pedido de desculpas e espero ter uma outra oportunidade para conferir o trabalho da banda.
Antes de Glenn subir ao palco, o dono da Headbanger (loja carioca que produziu o show) sobe ao palco, agradece ao público e seus colaboradores e diz que sem o público não teria sido possível ter trazido um artista de tamanho peso para tocar na festa de 15 anos da loja. Ele ainda agradece ao própio Glenn por aceitar vir fazer esse show e, por último, comenta que eles estão trabalhando arduamente para trazer mais shows de qualidade para o público carioca, tais quais Lynyrd Skynyrd e Joe Lynn Turner. Sem mais delongas ele diz que o povo que ainda se encontrava pelo bar poderia vir para perto do palco, pois o músico e sua banda já estavam posicionados para entrar detonando com tudo. A essa altura as pessoas já se espremiam na frente do palco.

Engraçado como algumas batalhas já são ganhas antes mesmo de começarem. Ao ouvirem os primeiros acordes do clássico do Deep Purple, Stormbringer, Hughes já havia conquistado os presentes antes mesmo de sua entrada no palco. Sem dar tempo para o público respirar o cara já emenda logo um outro clássico da fase do Deep Purple que ficou conhecida como MKIII, Might Just Take Your Life que foi cantada por todos os presentes. Essa música tem uma atmosfera muito legal e durante sua execução eu me sentia como se estivesse num show do Deep Purple em plena década de 70. Antes da terceira música, Glenn se dirige ao público pela primeira vez, fala que esse é o ultimo show antes de eles voltarem para Los Angeles, e que essa é a primeira visita dele ao Rio de janeiro. Diz também que tocariam várias e várias músicas durante a noite, algumas velhas, outras novas e alguns clássicos. Em seguida anuncia uma música que segundo ele é bastante "funk", estamos falando de Land Of The Livin.
Ao fim desta, Glenn (sempre bastante simpático) pergunta como a platéia está se sentindo, diz que ele mesmo está se sentindo um tanto quanto mágico naquele momento e comenta com a platéia que a próxima música é uma em que ele sentou-se com Ritchie Blackmore em sua casa há muito tempo atrás e que Rictchie pegou sua guitarra, ele pegou o baixo dele e assim foi criada a canção que acabou sendo maravilhosamente interpretada pelo então jovem David Coverdale. Essa foi a primeira música que ele tocou com Blackmore e que também foi a primeira que eles compuseram para o seminal disco Burn do Deep Purple, disco esse que marcou a estréia da lendária formação que veio a ficar conhecida como “MKIV”. E segundo Glenn essa música é um clássico absoluto até os dias de hoje. O nome dela? Mistreated! Que viagem maravilhosa no tempo! Que voz, que absurdo foi a interpretação do Soul Man nessa faixa! É impressionante a quantidade absurda de sentimento que o cara consegue passar através de sua voz! E os agudos?! O que falar dos agudos no meio da música? Bem, do alto dos meus devaneios mais imbecis, posso dizer que me senti transportado há 1974, época em que a banda gravou o maravilhoso ao vivo intitulado Califórnia Jam em frente a mais de 300 mil pessoas! Sinceramente, quem já ouviu aquele disco e foi a algum dos shows desse giro brasileiro do músico teria a ousadia de falar que já se passaram 33 anos desde aquele histórico show? Ou que então o músico perdeu a potência de sua abençoada voz? Aliás, esse cara não fica velho não? De onde sai tanta voz de uma pessoa tão pequena? Mesmo aos 55 anos de vida e mais de 35 anos de estrada, Glenn deu um show e impressionou a todos com a beleza e potência de sua voz. Por último, só para fechar o “assunto” Mistreatead, gostaria de comentar o maravilhoso coro do público carioca que cantava até as partes instrumentais da música!
Prosseguindo com o show, Glenn, simpático como sempre, diz que ama o Rio de Janeiro e o público responde dizendo que também o ama e o músico executa pela primeira vez na noite, uma faixa de seu mais novo trabalho, You Got Soul, do disco Music For The Divine, que foi lançado em 2006. Antes de executar Don’t Let Me Bleed, o vocalista comenta com a platéia que seu tecladista é filho de uma brasileira, e pede para o músico traduzir uma pequena história de como ele escreveu esta faixa: Glenn escreveu pensando numa mulher que o deixou há mais de 30 anos por seu amigo e que recentemente reencontrou essa mulher. Após esse reencontro, Hughes comentou que o único sentimento que ele teve foi o de gratidão à mulher, pois segundo ele mesmo, ele teve uma vida muito boa após isso, casou com uma mulher que ele ama, estava naquele momento em um país que ele ama e por isso tudo ele era agradecido a ela. Esse foi certamente um dos pontos altos do show, ver o tecladista em alto nível de nervosismo falando um português com sotaque bastante carregado. Mas até que o cara se saiu bem. A seguir, um dos momentos mais emocionantes da apresentação. Glenn fez uma homenagem ao seu amigo e lendário ex-guitarrista do Deep Purple, chamado Tommy Bolin.

Gleen Hughes - por Rodrigo Gonçalves (metalrevolution.net)

Gleen Hughes - por Rodrigo Gonçalves (metalrevolution.net)Gleen Hughes - por Rodrigo Gonçalves (metalrevolution.net)
Em conversa com a platéia Glenn disse que em 1974 ele gravou um disco chamado Come Taste The Band, e que esse disco foi feito com um irmão dele, que era um cara que viveu em sua casa em Los Angeles durante a maior parte do tempo em que tocaram juntos e que ele era um belo jovem que morreu quando tinha apenas 25 anos de idade. E diz que sabe que o Brasil é um país muito religioso e com isso pede aos presentes que incluam Tommy em suas orações. Antes de anunciar a música, Glenn ainda comenta que sempre toca essa música em homenagem a Tommy desde que ele morreu. O simples anúncio do clássico Getti Tighter leva o público ao delírio.
Após Steppin’ On, é chegado um dos momentos mais esperados da apresentação por esse que vos escreve. Antes da execução de You Keep On Movin’, Glenn agradece aos produtores por terem lhe dado a oportunidade de tocar na cidade maravilhosa e faz a apresentação dos músicos da banda, um a um. Sem mais demora, Glenn inicia a inconfundível introdução de baixo e faz o público comemorar como se tivesse acabado de sair um gol decisivo num Maracanã lotado. Mais um show de interpretação do músico britânico. Fato curioso é notar que na versão original, Glenn dividia os vocais dessa música com ninguém menos que David Coverdale com seu vozeirão de blues man. Pensam que a falta de Coverdale fez o clássico ser executado de forma não menos do que magistral? Ledo engano, amigos. Mostrando uma versatilidade fora do comum, Glenn canta seus primeiros versos num tom mais grave que o original e de forma magistral faz o público simplesmente esquecer que Coverdale existe. E chegava assim o fim da apresentação.
Glenn agradece ao público, se retira do palco e logo em seguida volta para o bis para tocar as duas faixas que encerrariam o show, Soul Mover e o hiper-ultra-mega-clássico, Burn. Me desculpem aqueles que gostam da musica Soul Mover, mas irei reservar os últimos espaços disponíveis para comentar sobre essa musica que talvez seja o maior clássico da carreira de Glenn. E pode incluir aí seus trabalhos solos, seus trabalhos com Tony Iommi, com Trapeze e com o Purple. Foi a realização de um sonho ter ouvido esse clássico ao vivo na voz de Glenn. Já a tinha ouvido em 2005 na voz de Coverdale, quando o Whitesnake esteve no Brasil para acompanhar o Judas Priest. Mas na humilde opinião desse repórter, essa é uma música em que se destacam a voz de Glenn (com aqueles vocais sustenidos) e a guitarra de Blackmore. Se eu tivesse que escolher uma imagem ou um momento que expressasse com a maior fidelidade o que representou essa música ter sido executada naquela noite, eu com certeza ficaria com a imagem do meu amigo, homem barbado e veterano de rock, chorando igual a uma criança sem conseguir acreditar no que tinha acabado de presenciar. Só mesmo um grande artista como Glenn para provocar tal tipo de emoção no público.
É claro que em um show de um artista que teve uma carreira tão vasta e prolífera como o Hughes, seja normal a reclamação de algumas pessoas pelo fato de ele não ter tocado alguma música, esse que vos escreve tem um monte delas. Mas o fato é que, embora curto em termos numéricos, o set foi satisfatório e bastante oportuno já que mesclou os trabalhos mais marcantes da carreira do músico com momentos mais recentes e sempre bastante inspirados. E dessa forma se encerrou mais um fim de semana lendário para os amantes do bom e velho rock n roll que residem na cidade maravilhosa, assim como um fim de semana histórico no Circo Voador, esse que talvez seja o espaço cultural mais democrático de toda a cidade maravilhosa.

Gleen Hughes - por Rodrigo Gonçalves (metalrevolution.net)

AGRADECIMENTOS
- Assessoria Imprensa do Circo Voador na pessoa de Julia Ryff, pelo profissionalismo demonstrado junto a Equipe Metal Revolution
- Rodrigo Gonçalves por assumir a responsabilidade da jornada dupla de cobertura de eventos na cidade maravilhosa