DREAM THEATER
ABERTURA: HANGAR
ESTACIONAMENTO CREDICARD HALL
, SÃO PAULO - SP
Review por Thiago Rahal - Edição por André Luiz
Fotos por Thiago Rahal & Renata Petrelli (metalrevolution.net)

Os americanos do Dream Theater já possuem o título de maior banda de prog metal da atualidade e quiçá, uma das maiores bandas de heavy metal do mundo, pois os mesmos possuem fãs fiéis, que compram tudo que a banda lança e o mais importante, acompanham sempre os shows os lotando em todos os cantos do globo. Mas, sempre quando falamos em shows no Brasil e principalmente em São Paulo, todos ficam na expectativa para algo diferente e de grande qualidade, primeiro porque o público tupiniquim é considerado como um dos melhores e por último pelo show da capital paulista ter sido realizado no Estacionamento do Credicard Hall, um local diferente para shows, mas que poderia ser mais bem utilizado, desde que a estrutura dê uma melhorada.

Hangar - por Thiago Rahal (metalrevolution.net)Hangar - por Thiago Rahal (metalrevolution.net)

Cheguei ao local por volta de 18h40m da noite e já vi a rua Bento Branco de Andrade Filho lotada de Headbangers, uns conversando, outros se preparando para entrar ao recinto, mas todos numa tranqüilidade invejável, pouco vista em outros shows. Encaminhei-me, para a entrada de imprensa e fiquei a espera de receber minha credencial.
No ingresso constava que o show do Dream Theater começaria às 21hs e logo pensei que a abertura do Hangar seria por volta de umas 20hs, mas para surpresa de todos as 19h40m, já era possível escutar a introdução Just The Beginning, do disco Reason of Your Conviction. Correria por parte dos fotógrafos, incluindo a pessoa que escreve esta humilde resenha e, para minha surpresa a música Hastiness foi apresentada, aquela mesmo que em minha entrevista com a banda disse ter escutado uma marchinha no meio da canção (e não é que eu percebi de novo, mas dessa vez ao vivo?). A equalização do som estava excelente, todos os instrumentos eram escutados perfeitamente, a banda estava entrosada e contava com um vocalista soberbo. Nando mostrou ser um excelente frontman, correndo de um lado para o outro e agitando a galera.
Savior, do disco Inside Your Soul veio em seguida, mostrando uma sonoridade diferente, mas não menos cativante. Certamente, quem não conhecia a banda passou a gostar após esta apresentação, pois preconceitos à parte não têm como negar a qualidade dos músicos ali presentes, com certeza uma escolha acertada para a abertura do evento. Antes de iniciar a próxima música, Aquiles Priester “rouba” o microfone de Nando Fernandes e o apresenta como a nova surpresa do metal nacional, além de dizer que a banda precisava de um show desse porte na capital do heavy metal brasileiro, o que concordo com ele. Call Me In The Name Of Death, o single da banda e a canção mais conhecida do grupo entoaram gritos da platéia, mostrando a força do grupo e da divulgação em massa que vem acontecendo na mídia brasileira e internacional. Será o Hangar o substituto natural da banda Angra, como grande nome do gênero? Para fechar a apresentação com chave de ouro, Reason Of Your Conviction, música titulo do novo álbum que parece já ser um clássico da banda e se mostrou perfeita para encerramentos.
Vale destacar os outros membros, principalmente Eduardo Martinez Filho que com uma presença de palco impecável, parecendo um guitarrista de Thrash Metal, animou ainda mais os presentes. Fábio Laguna e Nando Mello tiveram seus destaques merecidos, não ficaram escondidos e mostraram para todos o porque de estarem ali.


Hangar - por Thiago Rahal (metalrevolution.net)

Público - por Thiago Rahal (metalrevolution.net)Dream Theater - por Thiago Rahal (metalrevolution.net)Dream Theater - por Thiago Rahal (metalrevolution.net)Dream Theater - por Thiago Rahal (metalrevolution.net)Dream Theater - por Thiago Rahal (metalrevolution.net)
Ao término da apresentação, permaneci no famoso chiqueirinho, apelido carinhosamente dado ao local onde a imprensa pode ficar durante algum tempo nas apresentações. Acabei conversando com um fã do Dream Theater, que estava na grade e se dizia bastante emocionado, segundo o próprio ele tinha acampado a noite anterior no local e que iria chorar assim que a banda entrasse no palco. O nome do rapaz era Vinicius Cavalcante e, até os seguranças duvidaram da palavra dele, mas não é que ele chorou mesmo? Ganhou o respeito de todos ali presentes, parabéns meu caro, só tome cuidado para não ser chamado de emo na sua escola ou trabalho (risos), nada contra os emos é claro.
Para começar falando do show em si, tenho que voltar até 2005. Quem foi nos shows que a banda fez no Brasil, vai se lembrar da extensa carga emocional que fãs e banda estavam naquele momento, pois na época fazia oito anos que o grupo não se apresentava no país, tanto que os mesmos fizeram um set list especial, tocando o Scenes from a Memory na íntegra. Lembrando que no segundo show de São Paulo em 2005, James Labrie teve uma notícia que o abalou profundamente, a do falecimento de seu pai. Após serem anunciadas as três datas no Brasil, logo pensei que teríamos mais uma vez algo especial. Mas, acompanhando os repertórios ao redor do mundo, percebi que a banda estava economizando nos tempos de shows. Não eram mais, “AN EVENING WITH DREAM THEATER”, com as famosas três horas de duração. Talvez pelo fato de turnês desse tipo serem extremamente desgastantes e também por ser uma simples turnê de divulgação do novo disco. Por outro lado, apesar do show deste sábado dia oito de março de 2008, ter sido uma semana depois da espetacular apresentação do Iron Maiden no Palestra Itália, sete mil fãs compareceram ao estacionamento do Credicard Hall, o que coloca em cheque a escolha do local, pois poderia ter sido perfeitamente colocado na própria casa de show.
Eis que as 20h40m, para surpresa geral - o que fez com alguns fãs que chegaram no local no horário em que o ingresso estava marcado, as 21hs, perdessem o início do show – a Intro do filme Psicose e Uma Odisséia no Espaço é iniciada. Antes, um adendo sobre a produção de palco. Bem melhor do que 2005, com três telões nos quais passavam animações e imagens da apresentação quase o tempo todo, além de semáforos, postes de luzes e formigas, sim você leu bem, formigas. Era a capa do Systematic Chaos ganhando vida, o que somado a todo o repertório do Dream Theater, considero como uma apresentação High-Tech. Os americanos enfim entraram no palco, desta vez acompanhando o finalzinho da introdução até que John Petrucci desfila seu enxame de riffs para Constant Motion, talvez a canção mais Metallica de todas do disco e que preserva as características básicas da banda. Ponto para a platéia, que participou ativamente, cantando e ajudando James Labrie nesta música. O vocalista agradece a presença de todos, diz que é um prazer estar tocando mais uma vez em São Paulo e apresenta Never Enough, cujo tema principal são os fãs que nunca estão satisfeitos com nada, se mostrou excelente ao vivo e não deixou o pique cair. Blind Faith, do disco Six Degrees of Inner Turbulence de 2002, veio em seguida e mostrou uma banda entrosada e com solos inspirados, deixando todos de queixo caído. Surrounded, do disco Images And Words, um dos mais cultuados da banda fez com que alguns fãs caíssem em lagrimas. Cantada em uníssono, esta música ganhou uma jam estendida, algo que o Dream Theater faz muito bem em suas canções, nunca as deixando monótonas e/ou enfadonhas. Destaque para James Labrie, que a cada turnê está cantando melhor, fazendo jus ao ditado que ‘panela velha faz comida boa’.
The Dark Eternal Night, mais uma do Systematic Chaos, na minha opinião a melhor música do disco e que tem um dos riffs mais pesados da carreira da banda, se tornou à canção que mais teve participação da platéia, sendo comandada pelo excelente frontman, James Labrie. Agora, uma surpresa para mim, Erotomania, ao lado de Ytse Jam, uma das melhores músicas instrumentais já feitas pela banda, com imenso destaque as levadas técnicas de Mike Portnoy, Jordan Rudess e John Petrucci, além é claro de Myung no baixo. O que será que a banda pensou no momento em que o público cantarolava as partes instrumentais? Será que isso acontece em qualquer lugar do mundo? Eu acho que não. Mesmo para mim, que acompanho shows direto, chega a impressionar a precisão e qualidade técnica deste grupo. Voices, também do Awake, seguiu Erotomania com sua introdução característica de baixo, criada por Myung e com um refrão pra lá de grudento. Antes de falar da próxima música, tenho que elogiar aos fãs e músicos pela interatividade presente entre os dois. Sequiu Forsaken, talvez a música mais simples já feita pelo Dream Theater (se este era o propósito, eles conseguiram) foi cantada em uníssono por todos, até por aqueles que torciam o nariz para canção, pois a mesma teve um clipe bastante divulgado na MTV, o qual também fora executado nos telões de fundo, algo muito interessante, diga-se de passagem. Tenho que falar sobre a performance de Jordan Rudess, pois não conheço um tecladista que tenha a presença de palco que este senhor tem, porque além de seu instrumento ser diferente, o mesmo veio com uma novidade, ou seja, um teclado que tem formato de guitarra proporcionando assim que o mesmo vá para frente do palco e mostre toda a sua técnica, algo de se admirar.
Na minha opinião, a música que expressa a carreira do Dream Theater não é nem Pull me Under e nem Metropolis Part 1, mas sim Take The Time que foi apresentada de maneira surpreendente. Mike Portnoy, cantou um pouco mais o verso inicial para então James Labrie desfilar todo seu potencial vocálico. É claro que o mesmo não chegou às notas mais altas que essa música proporciona, mas não fez feio, pelo contrário, o que deixou muitos fãs emocionados. Para fechar, duas músicas do novo disco, pois In The Presence Of Enemies foi tocada na integra, uma na seqüência da outra (para quem não sabe, a canção foi dividida em duas partes no disco Systematic Chaos).
A primeira parte resume a carreira da banda em poucos minutos. Solos rápidos, viradas mirabolantes, duetos de guitarra e teclado, além do feeling de James Jabrie. Já a segunda parte, se tornou um final épico e digno de grandes peças teatrais. Destaque para o público, que seguiu cantando todas as partes e inclusive os riffs o que só os brasileiros sabem fazer isso, emocionando e muito a banda. A banda saiu do palco para o famoso bis, que todo mundo já sabe que o grupo vai voltar. Então é iniciado um medley pra lá de curioso. Pra começar, pelo seu nome de Shmedley Wilcox. Trial of Tears, que teve inclusive em seu verso cantado por James Labrie uma menção a capital paulista, levando o público à loucura. Finally Free, do clássico Scenes From A Memory talvez tenha sido a que mais animou, pois é inegável a fama desse álbum. Um pequeno trecho de Learning To Live e In The Name Of God, com uma participação estrondosa de todos, com direito a um solo de John Petrucci de deixar qualquer um boquiaberto. Para finalizar o Medley, a épica e já clássica Octavarium, terminando assim a apresentação com maestria.
A banda agradece ao público e promete voltar em breve para o Brasil, pois segundo os mesmos, os brasileiros são umas das maiores audiências que eles já viram. Fica o recado aos produtores deste evento. Valeu a pena colocar este espetáculo no Estacionamento do Credicard Hall, sendo que a quantidade de pessoas ali presentes poderia perfeitamente lotar a casa de espetáculos? Esperamos que o ano de 2008 continue tão bom em termos de shows, pois ainda teremos apresentações para todos os gostos e gêneros, basta que as pessoas compareçam, pois a cena não se resume apenas a entrar em fóruns de internet e orkut para comentar ou falar mal de algo.

Dream Theater - por Thiago Rahal (metalrevolution.net)

AGRADECIMENTOS
- Assessoria Imprensa Time 4 Fun na pessoa de Ariane, pelo profissionalismo demonstrado junto a Equipe Metal Revolution e resolução rápida de problema corriqueiro ocorrido na entrada
- bandas e profissionais de imprensa com os quais conversamos no local, em especial ao fotografo Flávio Hopp, integrantes do Mindflow e Hangar
- Vinicius Cavalcante
por participar desta matéria com sua história

- Thiago Rahal
pelo trabalho escrito/gráfico que ilustram esta matéria