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Ao término da apresentação, permaneci
no famoso chiqueirinho, apelido carinhosamente dado ao local onde
a imprensa pode ficar durante algum tempo nas apresentações. Acabei
conversando com um fã do Dream Theater, que estava na grade e
se dizia bastante emocionado, segundo o próprio ele tinha acampado
a noite anterior no local e que iria chorar assim que a banda
entrasse no palco. O nome do rapaz era Vinicius Cavalcante e,
até os seguranças duvidaram da palavra dele, mas não é que ele
chorou mesmo? Ganhou o respeito de todos ali presentes, parabéns
meu caro, só tome cuidado para não ser chamado de emo na sua escola
ou trabalho (risos), nada contra os emos é claro.
Para começar falando do show em si, tenho que voltar até 2005.
Quem foi nos shows que a banda fez no Brasil, vai se lembrar da
extensa carga emocional que fãs e banda estavam naquele momento,
pois na época fazia oito anos que o grupo não se apresentava no
país, tanto que os mesmos fizeram um set list especial, tocando
o Scenes from a Memory na íntegra. Lembrando que no segundo show
de São Paulo em 2005, James Labrie teve uma notícia que o abalou
profundamente, a do falecimento de seu pai. Após serem anunciadas
as três datas no Brasil, logo pensei que teríamos mais uma vez
algo especial. Mas, acompanhando os repertórios ao redor do mundo,
percebi que a banda estava economizando nos tempos de shows. Não
eram mais, “AN EVENING WITH DREAM THEATER”, com as famosas três
horas de duração. Talvez pelo fato de turnês desse tipo serem
extremamente desgastantes e também por ser uma simples turnê de
divulgação do novo disco. Por outro lado, apesar do show deste
sábado dia oito de março de 2008, ter sido uma semana depois da
espetacular apresentação do Iron Maiden no Palestra Itália, sete
mil fãs compareceram ao estacionamento do Credicard Hall, o que
coloca em cheque a escolha do local, pois poderia ter sido perfeitamente
colocado na própria casa de show.
Eis que as 20h40m, para surpresa geral - o que fez com alguns
fãs que chegaram no local no horário em que o ingresso estava
marcado, as 21hs, perdessem o início do show – a Intro
do filme Psicose e Uma Odisséia no Espaço é iniciada.
Antes, um adendo sobre a produção de palco. Bem melhor do que
2005, com três telões nos quais passavam animações e imagens da
apresentação quase o tempo todo, além de semáforos, postes de
luzes e formigas, sim você leu bem, formigas. Era a capa do Systematic
Chaos ganhando vida, o que somado a todo o repertório do Dream
Theater, considero como uma apresentação High-Tech. Os americanos
enfim entraram no palco, desta vez acompanhando o finalzinho da
introdução até que John Petrucci desfila seu enxame de riffs para
Constant Motion, talvez a canção mais Metallica
de todas do disco e que preserva as características básicas da
banda. Ponto para a platéia, que participou ativamente, cantando
e ajudando James Labrie nesta música. O vocalista agradece a presença
de todos, diz que é um prazer estar tocando mais uma vez em São
Paulo e apresenta Never Enough, cujo tema principal
são os fãs que nunca estão satisfeitos com nada, se mostrou excelente
ao vivo e não deixou o pique cair. Blind Faith,
do disco Six Degrees of Inner Turbulence de 2002, veio em seguida
e mostrou uma banda entrosada e com solos inspirados, deixando
todos de queixo caído. Surrounded, do disco Images
And Words, um dos mais cultuados da banda fez com que alguns fãs
caíssem em lagrimas. Cantada em uníssono, esta música ganhou uma
jam estendida, algo que o Dream Theater faz muito bem em suas
canções, nunca as deixando monótonas e/ou enfadonhas. Destaque
para James Labrie, que a cada turnê está cantando melhor, fazendo
jus ao ditado que ‘panela velha faz comida boa’.
The Dark Eternal Night, mais uma do Systematic
Chaos, na minha opinião a melhor música do disco e que tem um
dos riffs mais pesados da carreira da banda, se tornou à canção
que mais teve participação da platéia, sendo comandada pelo excelente
frontman, James Labrie. Agora, uma surpresa para mim, Erotomania,
ao lado de Ytse Jam, uma das melhores músicas instrumentais já
feitas pela banda, com imenso destaque as levadas técnicas de
Mike Portnoy, Jordan Rudess e John Petrucci, além é claro de Myung
no baixo. O que será que a banda pensou no momento em que o público
cantarolava as partes instrumentais? Será que isso acontece em
qualquer lugar do mundo? Eu acho que não. Mesmo para mim, que
acompanho shows direto, chega a impressionar a precisão e qualidade
técnica deste grupo. Voices, também do Awake,
seguiu Erotomania com sua introdução característica de baixo,
criada por Myung e com um refrão pra lá de grudento. Antes de
falar da próxima música, tenho que elogiar aos fãs e músicos pela
interatividade presente entre os dois. Sequiu Forsaken,
talvez a música mais simples já feita pelo Dream Theater (se este
era o propósito, eles conseguiram) foi cantada em uníssono por
todos, até por aqueles que torciam o nariz para canção, pois a
mesma teve um clipe bastante divulgado na MTV, o qual também fora
executado nos telões de fundo, algo muito interessante, diga-se
de passagem. Tenho que falar sobre a performance de Jordan Rudess,
pois não conheço um tecladista que tenha a presença de palco que
este senhor tem, porque além de seu instrumento ser diferente,
o mesmo veio com uma novidade, ou seja, um teclado que tem formato
de guitarra proporcionando assim que o mesmo vá para frente do
palco e mostre toda a sua técnica, algo de se admirar.
Na minha opinião, a música que expressa a carreira do Dream Theater
não é nem Pull me Under e nem Metropolis Part 1, mas sim Take
The Time que foi apresentada de maneira surpreendente.
Mike Portnoy, cantou um pouco mais o verso inicial para então
James Labrie desfilar todo seu potencial vocálico. É claro que
o mesmo não chegou às notas mais altas que essa música proporciona,
mas não fez feio, pelo contrário, o que deixou muitos fãs emocionados.
Para fechar, duas músicas do novo disco, pois In The Presence
Of Enemies foi tocada na integra, uma na seqüência da
outra (para quem não sabe, a canção foi dividida em duas partes
no disco Systematic Chaos).
A primeira parte resume a carreira da banda em poucos minutos.
Solos rápidos, viradas mirabolantes, duetos de guitarra e teclado,
além do feeling de James Jabrie. Já a segunda parte, se tornou
um final épico e digno de grandes peças teatrais. Destaque para
o público, que seguiu cantando todas as partes e inclusive os
riffs o que só os brasileiros sabem fazer isso, emocionando e
muito a banda. A banda saiu do palco para o famoso bis, que todo
mundo já sabe que o grupo vai voltar. Então é iniciado um medley
pra lá de curioso. Pra começar, pelo seu nome de Shmedley Wilcox.
Trial of Tears, que teve inclusive em seu verso
cantado por James Labrie uma menção a capital paulista, levando
o público à loucura. Finally Free, do clássico
Scenes From A Memory talvez tenha sido a que mais animou, pois
é inegável a fama desse álbum. Um pequeno trecho de Learning
To Live e In The Name Of God, com uma
participação estrondosa de todos, com direito a um solo de John
Petrucci de deixar qualquer um boquiaberto. Para finalizar o Medley,
a épica e já clássica Octavarium, terminando
assim a apresentação com maestria.
A banda agradece ao público e promete voltar em breve para o Brasil,
pois segundo os mesmos, os brasileiros são umas das maiores audiências
que eles já viram. Fica o recado aos produtores deste evento.
Valeu a pena colocar este espetáculo no Estacionamento do Credicard
Hall, sendo que a quantidade de pessoas ali presentes poderia
perfeitamente lotar a casa de espetáculos? Esperamos que o ano
de 2008 continue tão bom em termos de shows, pois ainda teremos
apresentações para todos os gostos e gêneros, basta que as pessoas
compareçam, pois a cena não se resume apenas a entrar em fóruns
de internet e orkut para comentar ou falar mal de algo. |