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DEEP
PURPLE
ABERTURA: MASSACRATION
CLARO
HALL, RIO DE JANEIRO - RJ
Review por Bruno Prado - Edição por André Luiz
Fotos por Rodrigo Gonçalves (metalrevolution.net)
Falar
de Deep Purple é meio complicado porque quem gosta da
banda sabe que não tem como ser imparcial em um texto
sobre a mesma. Ainda mais após um magnífico show
como este que aconteceu no Rio de Janeiro, na sexta passagem
da banda pelo país. O Brasil, aliás, tem um lugar
especial guardado no coração da banda. Falaremos
disso mais adiante. Por hora, peço-lhes desculpas se
por acaso eu me exceder nas palavras que virão abaixo.
O gosto pelo som dos caras parece falar mais alto neste hora.
Este review será um pouco diferente dos demais que escrevi.
Vou separá-lo por tópicos para que possamos entender
tudo que se passou não apenas no palco mas também
ao redor dele. Antes, durante e depois deste que foi um evento
QUASE perfeito.
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A organização
Os shows do Purple no Brasil foram bem planejados. As
datas foram divulgadas com antecedência e ingressos já
estavam à venda muito antes do normal. A estrutura montada
para o palco, bem como a escolha da disposição dos
serviços de higiene e alimentação foram muito
felizes. O público teve um espaço muito bom para
se movimentar lá dentro, e os serviços, que normalmente
custam um absurdo nesses shows internacionais, estavam muito em
conta (cerveja a R$3,00 e pizza R$ 6,00). Como a vantagem de que
aquela cerveja horrível que é vendida em outros
locais ficou de fora dessa vez, e uma cerveja pelo menos decente
foi colocada à disposição. A ausência
das famosas “cadeirinhas” lá na frente também
foi notada. Felizmente, desta vez, o cercado que separava o público
com poder aquisitivo maior do menor, era apenas uma área
de acesso controlado, sem mais nenhuma frescura como nos anos
anteriores.
Divulgação
Acredito que todas as pessoas com o mínimo de
interesse no mundo Rock ‘n Roll ficaram sabendo do evento.
Os shows foram bem divulgados através de internet e outdoors.
Também foram feitas algumas chamadas em rádios e
televisão. Nesta última, até que bem pouco,
mas relevante. A mudança de local provocou um certo desencontro
e, por que não dizer, desconforto, porém, não
houve motivos para alardes.
Assessoria de imprensa
Tudo foi muito bem organizado neste sentido também.
A imprensa teve total apoio e atenção desde o começo
do credenciamento até o final do show. Nos foi permitido
andar por áreas mais próximas do palco para que
conseguíssemos melhores ângulos de visão e
fotografia. O tratamento dado, bem como as informações
passadas, também merecem destaque.
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Local
Infelizmente este é um ponto negativo
do evento. O pavilhão nº 2 do RioCentro até
que se trata de uma locação muito agradável.
O espaço é amplo, o palco ficou em uma altura
correta e como a área é coberta, o clima
não foi um problema. A acústica do ambiente
estava de acordo com os padrões necessários,
e evidentemente, o som estava impecável. Mas apesar
de tudo, o Rio Centro é um local muito longe. E
quando digo longe, não estou lembrando apenas do
sentido físico, mas também do aspecto “acessibilidade”.
Só a nível de curiosidade, eu estava no
Recreio, que é um bairro vizinho, onde de carro
não se leva mais do que cinco minutos para chegar
ao RioCentro, porém, como eu estava de ônibus,
levei quase 2h para chegar até lá, tendo
que pegar 2 ônibus, onde um deles custava R$3,50.
É claro que para o tipo de público voltado
ao Deep Purple a distância não era um problema
e pode-se ver uma variedade enorme de motos nos estacionamento.
Abertura
do evento
A abertura, ou as aberturas, como deveria ser,
ficou por conta apenas da banda Massacration. A apresentação
da banda Anjos da Noite foi cancelada, mas ainda não
sabemos o motivo.
A banda
O Deep Purple foi formado quando muitos de nós
éramos espermatozóides velocistas vagando
por algum lugar bem longe do óvulo de nossas mães.
Fato este que deve gerar uma relação ao
menos respeitosa entre um headbanger e a banda. É
claro que por razões óbvias da natureza
não podemos esperar a mesma banda que há
uns 30 anos atrás estava no auge, mas é
preciso destacar a perseverança que envolve esses
senhores no palco. Steve Morse e Roger Glover se sentem
garotões dançando no palco. Ian Paice e
Don Airey se divertem tanto em eventos desse tipo que
me arrisco a dizer que estariam largados em algum asilo
ou cemitério caso não estivessem em atividade
com o Purple. E o que falar de Ian Gillian? Apesar do
cansaço evi-
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dente
e da rouquidão, o cara tem pique ainda! Foram quase
duas horas de show para um cara que nasceu no fim da segunda
guerra mundial... Minha avaliação geral
do conjunto é que, assim como outras bandas contemporâneas
do Purple, eles são que nem whisky caseiro, ou
seja, seu rótulo e sua garrafa podem parecer envelhecidos
e desatualizados, podem parecer frágeis até,
mas basta ter uma pequena prova para perceber que o conteúdo
ainda é muito bem aprazível. |
O show
A banda preferiu fazer o café com leite de sempre.
Abrindo com a clássica Pictures Of Home
e tocando Things I Never Said do novo álbum,
Rapture Of The Deep, logo em seguida. O show continuou com Into
The Fire e Strange Kind Of Woman, outros
dois clássicos da banda do início da década
de 70.
A essa altura o público já estava se animando quando
a música que dá nome ao último álbum
foi tocada: Rapture Of The Deep. Muitos a ignoraram,
talvez por desconhecê-la, mas os fãs leais ao Purple
continuaram com a mesma interação de sempre, tratando-a
praticamente como um clássico.
Aqui abro um "parenteses" para comentar sobre este novo
som. Apesar de ser evidente a diferença em relação
a banda que em seu ápice na década de 70 era tida
como uma das melhores do mundo, o Purple sabe se colocar muito
bem em seu posto atual, não tentando imita ou refazer caminhos
do passado, mas também sem ser extravagante ou excêntrico
mudando completamente a sua sonoridade.
Antes de mais uma música do novo álbum - Wrong
Man - é tocado mais um clássico. Eis Fireball.
Delírios e gritos das garotas, muitos aplausos e assobios
dos marmanjos. A música é executada com a vontade
que a banda sempre leva consigo. Após estas, começam
os guitar solo, e Steve Morse agrada o público
com passagens de músicas famosas que vão desde Guns
‘n Roses até Led Zeppelin, e depois uma descontraída
brincadeira com Ian Gillan onde este imitava com a voz os acordes
da guitarra e vice-versa.
O show encontrava-se na metade quando são executadas três
boas canções: Well Dressed Guitar,
When A Blind Man Cries e Lazy.
Nem é preciso dizer o quanto esta última agitou
o público, ainda mais porque antes dela, Ian Paice proveu
cerca de 8 minutos com um solo de bateria.

Kiss Tomorrow Goodbye vem
em seguida, e é a última das novas músicas
executadas. Depois dela vieram apenas clássicos. Perfect
Strangers começou logo depois de um keys
solo que incluiu até trechos de MPB como "Garota
de Ipanema". Esta é uma das muitas provas de que o
Brasil não apenas está no coração
da banda, como também os influencia. O Purple, aliás,
se mostra muito feliz quando toca em nosso território nacional,
e Ian Gillan deixava isso claro em suas poucas conversas com o
público (apesar dele não falar português e
ter um sotaque do tipo britânico esquisito, o contato ocorreu
sem problemas, mesmo que discreto).
Sem pausa, a banda emendou com Space Truckin’,
que foi muito bem cantada pelos presentes. Logo depois veio o
último solo da noite, o de Roger Glover. Empolgado, ele
demonstrou mais sua simpatia do que sua técnica propriamente
dita. Não que estivesse em um mal momento, mas sua cara
de felicidade era mais perceptível do que o normal. As
duas músicas tão aguardadas da noite vieram logo
depois. Primeiro Highway Star, que é uma
obra prima do Purple e dispensa comentários, e depois Smoke
On The Water, a música que talvez tenha mais projetado
o Deep Purple em âmbito mundial.
Durante estas músicas, a sincronia do público com
a banda foi perfeita. Nem a rouquidão de Gillan pôde
atrapalhar, e mesmo com este, digamos, empecilho, o Purple manteve
o brilho diante da galera em êxtase.
O fim do show de aproxima. E ao perceber que a banda se retira
para sua costumeira pausa, a multidão solta gritos incansáveis
de "Purple Purple". Alguns cantam também parte
de Black Night, música que até então "faltava"
ao seu repertório vasto. E a banda executou-a. Mas não
sem antes mandar também outro clássico: Hush,
do seu primeiro álbum.
O público sabia que o fim estava próximo e não
economizou garganta ou saliva. A última música parecia
ter sido feita sob medida para todos que gastaram até 100
reais para ver aquele brilhante show dos "Dinossauros do
Rock" neste lugar longínquo e de difícil acesso.
Então aos gritos de "Black night is
a long way from home..." todos tomaram o (longo) caminho
de casa já na escuridão da madrugada.
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