18/05/2006 - Por Rosberg Lima

O Cenário metálico baiano está em seus melhores dias, além de ter ótimas bandas o nível de cada uma delas está crescendo de uma maneira excelente. O Ungodly, banda que detêm um Death Metal de total coesão e muita potência sonora acaba de lançar o seu primeiro full-length auto-intitulado. O debut adquiriu um resultado final impressionante, eis um grupo que com certeza irá conquistar muitos ouvintes em todo o mundo. Acompanhe a entrevista abaixo com estes que prometem ser um expoente dentro Death Metal.

Rosberg Lima - Já faz cinco anos que o Ungodly está na ativa, apesar de pouco tempo a sonoridade alcançada pela banda é de ficar espantado. Qual o principal ingrediente para que a banda continue firme com os seus ideais iniciais?
Arnald Asmoodeeus -
Cara acima de tudo o Ungodly é uma banda extremamente profissional não estamos aqui pra ser mais uma banda de hobby de final de semana procuramos fazer o melhor que podemos e sem duvidas isso reflete na sonoridade da nossa musica. O amadurecimento já faz parte da gente por que somos músicos que tocamos death metal a mais de 15 anos, e mantemos um relacionamento com respeito e disciplina.

Rosberg - O nome Ungodly traduzindo significa “descrente”, observando bem este nome foi uma escolha muito interessante. Podemos atribuir vários significados, mas qual o que este nome significa para banda e porque a escolha dele para intitular o grupo?
Arnald Asmoodeeus -
Somos pessoas que vivem em um mundo onde o que sempre prevalece é a lei do mais forte. Onde o espaço fica cada vez menor pra se destacar como pessoa. Por esses motivos muitos charlatões se aproveitam da ingenuidade das pessoas e de suas necessidades de buscar a solução pros seus problemas em um Deus que não existe criado para justamente escravizar essas mesmas pessoas que insistem em busca-lo. Somos extremamente ao contrario dessas pessoas, não precisamos de nenhum Deus ditando regras e leis, fazemos o que achamos que é o certo de um ser humano digno fazer, que é sempre esta querendo melhorar o seu caráter e sempre buscar o seu desenvolvimento como pessoa. Por isso o nome Ungodly se encaixa perfeito com os nossos ideais.

Rosberg - Vocês batem de frente com o cristianismo, mas atualmente muitas bandas adotam essa postura para chamar a atenção da mídia (não quero dizer que o Ungodly faz a mesma coisa), porém vivemos num tempo que vários grupos pousam de “malvados” para conseguirem atingir um grande público. Qual é a proposta do Ungodly e o que vocês querem transmitir ao público que ouvi as suas músicas?
Arnald Asmoodeeus -
Não estamos aqui pra doutrinar e nem tão pouco queremos fazer guerras contra ninguém só queremos passar as nossas mensagens, quem quiser segui-las que o faça. Não somos e nem pretendemos ser os donos da verdade. Apenas falamos o que achamos que é o certo pra nós mesmos, e se isso reflete de uma forma que muitos possam se identificar com esses ideais eu fico muito satisfeito com isso. Apenas somos autênticos com nossas idéias.

"não precisamos de nenhum Deus ditando regras e leis, fazemos o que achamos
que é o certo de um ser humano digno fazer, que é sempre esta querendo
melhorar o seu caráter e sempre buscar o seu desenvolvimento como pessoa. Por
isso o nome Ungodly se encaixa perfeito com os nossos ideais."
Arnauld Asmoodeeus

Rosberg - Em seu início o grupo era composto pelos integrantes Serafin Vila (vocal); Alex Rocha (Drums); Luciano (guitars); e Fernando (bass). Todos estes que eu citei atualmente não fazem mais parte da banda, o que ocasionou a saída deles?
Arnald Asmoodeeus -
Tive o grande prazer de ser companheiro de banda dessas pessoas que eu admiro bastante, mas não dava pros mesmo acompanharem a banda por motivos pessoais e de força maior. Todos eles continuam sendo nossos amigos e de vez em quando sempre aparecem no estúdio pra nos ver ensaiar.

Rosberg - E na famosa “dança das cadeiras” foram recrutados você Arnald Asmoodeeus (vocal); Thiago Nogueira (drums); e Joel Moncorvo (bass). Vocês estão satisfeitos com esta formação ou ela ainda pode sofrer mudanças?
Arnald Asmoodeeus -
Quero aqui anunciar que foi efetivado mais um guitarrista pra acompanhar o Daniel Oliveira segurando as bases que é o Tony Assys. Cara eu acho que a banda está agora com um cast de primeira linha e acredito que essa formação irá durar bastante, mas não posso te dar certeza disso porque as coisas acontecem e seria pretensioso eu achar o contrário, mas a banda está numa fase que eu sempre digo que é a fase de corrermos atrás de nossos objetivos e estamos com um time que está disposto a passar por essa batalha.

Rosberg - Na época de lançamento do seu MCD Hate Celebration ainda era a primeira formação, o resultado obtido foi bom? O MCD realmente teve im-

pacto diante dos ouvintes e da mídia?
Arnald Asmoodeeus -
O MCD Hate Celebration foi um lançamento que chamou bastante atenção da mídia especializada. Conseguimos obter boas notas e bons reviews em grandes, pequenos Zines e revistas do gênero, e os headbangers passaram então a nos conhecer melhor um pouco. É lógico que nunca, e ninguém consegue agradar a todos, mas isso é uma questão de gosto mesmo.

Rosberg - Eu acredito que isso seja inveja, muitas bandas gostariam de estar no lugar de vocês neste show, mas não conseguiram. Então eles atacam como podem, fazem acusações inverídicas tudo para denegrir a imagem dos outros. Vocês concordam?
Arnald Asmoodeeus -
O que sei pra te falar a verdade é que existe sim um certo preconceito, e se essas pessoas se dizem ser superiores nem deveriam ter esse tipo de sentimento por ninguém. Pelo o que eu saiba toda forma de preconceito é uma forma de ignorância, então acho contraditório ter preconceito e se achar superior ou mais inteligente que os outros. Acho que deveríamos nos unir ao invés de nutrir esse sentimento de inveja. A união faz a força sempre, e está mais do que na hora de mudar isso. Se ainda restar algum sentimento de orgulho de ser Brasileiro nessas pessoas.

Rosberg - Vamos falar sobre o seu primeiro álbum que acaba de sair do forno. O disco foi auto-intitulado Ungodly, como foi todo o seu processo de gravação?
Thiago Nogueira -
O processo de gravação começou com a escolha dos estúdios. Optei pelos estúdios Ilha dos Sapos e o Groove pelo fato de trabalharem com Pró Tools hd, terem excelentes microfones e uma quantidade de bons Pré -amplificadores disponíveis. Iniciamos no Groove as seções de bateria e baixo e, finalizamos as gravações no Ilha com as seções de guitarras, vocais e orquestra. Depois fomos pra um terceiro estúdio chamado Casa das Máquinas para que eu pudesse escutar tudo que foi gravado com muita calma e mixar com mais tranqüilidade. O processo todo demorou em torno de dois meses.
Arnald Asmoodeeus - Fiquei bastante ansioso com o fato de eu está gravando o primeiro álbum do Ungodly, e de ser o meu álbum de estréia no Ungodly. Senti-me à vontade e quis fazer um trabalho como nunca tinha feito antes. Assim como todos eu me dediquei ao máximo pra conseguir o resultado que alcancei. Estou bastante satisfeito com o resultado final.

Rosberg - Vocês contaram com a Orquestra Sinfônica de Salvador, de quem foi a idéia para fazer uma intro The Ungodly Prayer juntamente com eles?
Thiago Nogueira -
Não só a intro, mas como algumas partes de todo o disco já tinha sido cogitado terem partes orquestradas. Numa reunião com a banda, convidei Gilmário Celso (maestro e ex-baixista de metal) para criar os arranjos. Na verdade, o que se ouve não é a Orquestra Sinfônica de Salvador, mas sim uma orquestra de câmara composta por alunos da escola de música e alguns músicos profissionais. Arnald chegou no estúdio com uma letra para o arranjo inicial e o trabalho que tivemos foi só encaixa-lo no contexto.
Arnald Asmoodeeus -
Ainda não tinha feito esse tipo de trabalho que foi de ter tido o prazer de participar com minha voz em uma composição clássica junto com violinos, cellos, sopros e um trio de vozes líricas. O resultado é o que vocês podem conferir no vídeo-clipe e no cd.

"O amadurecimento já faz parte da gente por que somos músicos que tocamos death metal a mais de 15 anos, e mantemos um relacionamento com respeito e disciplina." Arnauld Asmoodeeus

Rosberg - A diferença sonora entre o novo álbum e o MCD ficou assombrosa. Sem falar na qualidade técnica que aumentou de maneira incrível. Esta evolução sonora foi uma coisa providencial ou veio naturalmente?
Arnald Asmoodeeus -
Essa diferença se deu pelo fato da banda ter contado com profissionais de alto gabarito, de ter sido produzido por Thiago Nogueira, que na minha opinião é o melhor produtor de metal da América Latina com toda certeza, e o fato de termos bastante tempo de estrada, o nosso entrosamento, e harmonia foram cruciais no resultado final do cd Ungodly.

Rosberg - Bem, eu tive a oportunidade de ver em primeira mão todo o trabalho gráfico do novo disco, realmente a produção ficou incrível. Mas será que não foi um pouco exagerado? O trabalho está muito bom, mas o custo com certeza deve ter sido muito alto, e este custo tem que ser repassado para o consumidor final, isso acaba por fazer com que muitas pessoas deixem de adquirir o produto. E no nosso país onde os impostos são altíssimos (mais um motivo para as pessoas deixarem de comprar) isso pode prejudicar e muito a banda. Vocês não concordam?
Arnald Asmoodeeus -
Na verdade o que eu acho é que será bem pago o dinheiro que os headbangers investirem nessa compra, pois vou te dizer uma coisa:- Me lembro como se fosse hoje quando pegava toda a minha mesada de três meses pra compra um álbum de alguma banda que eu gostava, e que era os olhos da cara por ser importado e de qualidade superior, infelizmente, aos nossos aqui do Brasil, mas nunca deixei de comprar meus discos por causa disso, e sei que os headbangers vão está adquirindo um material de primeira qualidade sonora e gráfica, é lógico que a nossa situação não é das melhores, mas hoje em dia o nosso poder aquisitivo é bem diferente ao de dez anos atrás que é bem melhor agora.

Rosberg - A capa do álbum ficou bem interessante, Jesus cristo manipulando o mundo. Quem teve a ótima idéia? E o que o Ungodly quer passar para os ouvintes através desta capa?
Arnald Asmoodeeus -
A concepção da capa ficou a cargo do Daniel Oliveira que quis passar o que pensamos, e o que achamos de tudo o que vem acontecendo no mundo. Podres charlatões usam a manipulação da fé pra iludir os tolos com suas pregações de salvação, e ás vezes usando a força para obter esse resultado que é o de lobotomizar a mente dos fracos como aconteceu varias vezes nas cruzadas. Infelizmente isso é fato e temos que lutar todos os dias contra esse dragão.

Rosberg - No que diz respeito às músicas quem é que faz as composições delas? E existe alguma fonte de inspiração para aquele que compõe as músicas ou surge de repente?
Arnald Asmoodeeus -
O Daniel Oliveira é o responsável por quase todas as composições melódicas do Ungodly com exceção do Thiago Nogueira quem dividiu uma composição com ele e eu fiquei com a parte lírica na qual escrevi quatro letras do álbum Ungodly e fiz uma parceria com nosso ex-baterista Alex Rocha (atualmente tocando no Impetuous Rage) e as outras letras foram escritas por outros músicos que já passaram pela banda na época do MCD Hate Celebration e do Dark Prophet quem escreveu a letra Ungodly. Quanto a fontes inspiradoras a própria vida, a realidade e a lógica de todas as coisas são fontes inesgotáveis de inspiração, sem esquecer que se a pessoa não tem o dom pra coisa acaba fazendo nada com nada.

Rosberg - No álbum Ungodly tem uma participação do vocalista da banda Headhunter D.C., sei que ele é um ícone do Death Metal brasileiro e baiano, mas o que levou vocês a convidarem ele para participar do disco?
Arnald Asmoodeeus -
Sempre fui fã do Headhunter D. C., acompanho a carreira deles desde o tempo de Falsão (vocal) Iaçanã (bateria) walson (contra baixo) sem falar do lendário Paulo Lisboa na qual já foi por muito tempo meu companheiro de banda no Mystifier, e pra gente foi motivo de orgulho ter o Sergio Baloff como parceiro dividindo as vozes comigo na musica “Perpetuating the Truth”. Muito obrigado meu irmão Sergio Baloff.

Rosberg - Vocês se apresentaram ao lado do Destruction num show em Brasília, muitos comentaram que a banda pagou para se apresentar. Todo esse “disse me disse” ficou muito chato para o grupo, qual a sua opinião sobre este fato e sobre as pessoas que fizeram esta acusação?
Arnald Asmoodeeus -
Infelizmente não estava ainda na banda quando o Ungodly tocou com o Destruction, mas o que eu tenho a dizer sobre isso é que as pessoas acreditam no que elas querem assim como tem tolos que acreditam em uma salvação de suas almas através de um ser divino existem os que ainda perdem tempo pra falar sobre esse assunto que de certa forma não nos prejudicou em nada, e essas mesmas pessoas esquecem que somos uma banda do Brasil, e essas mesmas pessoas deveriam nos dar apoio ao invés de quererem nos detonar com inverdades absurdas que até me fazem rir de tão absurdas que são. Eles esquecem que temos bandas que não deixam nada a dever a banda nenhuma do globo terrestre, e esquecem do seu

orgulho nacional e passam a valorizar as bandas internacionais muito mais do que suas próprias vidas até. VIVA AO METAL DO BRASIL QUE É CONSTRUIDO POR GLÓRIAS E CONQUISTAS!!!!!!

Rosberg - Dentre todas as músicas do disco existe alguma que vocês ficaram mais satisfeitos, ou seja, gostaram mais?
Arnald Asmoodeeus -
Todas as vezes que escuto o Ungodly tenho a sensação de estar escutando sempre pela primeira vez e gosto de todas as musicas sem exceção de nenhuma das musicas dali daquele álbum. Ele consegui me prender a ponto de me passar uma certa energia que sem duvidas irei despejar em todos os headbangers quando em cima de um palco estivermos tocando. Sou até suspeito em ta falando isso, mas gosto de todas as musicas ali contidas naquele álbum. Ficou muito de fuder!!!

"Podres charlatões usam a manipulação da fé pra iludir os tolos com suas pregações
de salvação, e ás vezes usando a força para obter esse resultado que é o de
lobotomizar a mente dos fracos como aconteceu varias vezes nas cruzadas. Infelizmente
isso é fato e temos que lutar todos os dias contra esse dragão.
" Arnauld Asmoodeeus

Rosberg - Em relação a tour como está todo o processo? A banda já conseguiu marcar shows pelo Brasil? Sei que é muito cedo para perguntar, mas vocês têm planos de tocar fora do Brasil?
Arnald Asmoodeeus -
Até agora estamos só conversando com todos os produtores possíveis do Brasil pra podermos ver as possibilidades de irmos tocar numa turnê pelo Brasil inteiro. Até agora temos tido respostas boas, e eles se mostram bastante interessado em nos levar, só falta mesmo é entrarmos em acordo e cairmos na estrada pra mostrarmos pra que viemos aqui. De concreto o que temos mesmo é o show com o Candlemass dia 25 de março no Extrem Metal Fest em São Paulo capital e no dia seguinte o Undervalle Metal Fest em São José dos campos. Tocar fora do Brasil seria um objetivo futuro que pretendemos alcançar em breve. Por enquanto ainda temos muito chão pra percorrer aqui dentro do nosso país.

Rosberg - Agradeço pela entrevista, foi bastante esclarecedora. Eu espero que o Ungodly tenha uma carreira promissora e consiga atingir os seus objetivos. Deixe sua mensagem para todos os Death metallers leitores desta entrevista...
Arnald Asmoodeeus -
Queria aqui dizer que foi um grande prazer pra eu esclarecer algumas questões aqui nessa entrevista e queria agradecer a todos vocês desse Zine pelo imenso apoio a qual nos vem dando ao longo dessa nossa batalha. Queria também agradecer aqui a todos os Metal Maníacos de todo o Brasil e de todo o mundo que sempre nos apoiaram e sempre nos apoiarão ao longo dessa nossa jornada. Permaneçam fiéis ao som que vocês escutam e lembrem-se que ninguém vira um headbanger já se nasci um. Viva ao Metal do nosso Brasil que é feito de glórias e conquistas sempre e sempre.