O
Cenário metálico baiano está em seus melhores
dias, além de ter ótimas bandas o nível de
cada uma delas está crescendo de uma maneira excelente.
O Ungodly, banda que detêm um Death Metal de total coesão
e muita potência sonora acaba de lançar o seu primeiro
full-length auto-intitulado. O debut adquiriu um resultado final
impressionante, eis um grupo que com certeza irá conquistar
muitos ouvintes em todo o mundo. Acompanhe a entrevista abaixo
com estes que prometem ser um expoente dentro Death Metal.
Rosberg Lima
- Já faz cinco anos que o Ungodly está na ativa,
apesar de pouco tempo a sonoridade alcançada pela banda
é de ficar espantado. Qual o principal ingrediente para
que a banda continue firme com os seus ideais iniciais?
Arnald Asmoodeeus - Cara acima de tudo o Ungodly é
uma banda extremamente profissional não estamos aqui pra
ser mais uma banda de hobby de final de semana procuramos fazer
o melhor que podemos e sem duvidas isso reflete na sonoridade
da nossa musica. O amadurecimento já faz parte da gente
por que somos músicos que tocamos death metal a mais de
15 anos, e mantemos um relacionamento com respeito e disciplina.
Rosberg - O nome Ungodly
traduzindo significa “descrente”, observando bem este
nome foi uma escolha muito interessante. Podemos atribuir vários
significados, mas qual o que este nome significa para banda e
porque a escolha dele para intitular o grupo?
Arnald Asmoodeeus - Somos pessoas que vivem em um mundo
onde o que sempre prevalece é a lei do mais forte. Onde
o espaço fica cada vez menor pra se destacar como pessoa.
Por esses motivos muitos charlatões se aproveitam da ingenuidade
das pessoas e de suas necessidades de buscar a solução
pros seus problemas em um Deus que não existe criado para
justamente escravizar essas mesmas pessoas que insistem em busca-lo.
Somos extremamente ao contrario dessas pessoas, não precisamos
de nenhum Deus ditando regras e leis, fazemos o que achamos que
é o certo de um ser humano digno fazer, que é sempre
esta querendo melhorar o seu caráter e sempre buscar o
seu desenvolvimento como pessoa. Por isso o nome Ungodly se encaixa
perfeito com os nossos ideais.
Rosberg - Vocês batem
de frente com o cristianismo, mas atualmente muitas bandas adotam
essa postura para chamar a atenção da mídia
(não quero dizer que o Ungodly faz a mesma coisa), porém
vivemos num tempo que vários grupos pousam de “malvados”
para conseguirem atingir um grande público. Qual é
a proposta do Ungodly e o que vocês querem transmitir ao
público que ouvi as suas músicas?
Arnald Asmoodeeus - Não estamos aqui pra doutrinar
e nem tão pouco queremos fazer guerras contra ninguém
só queremos passar as nossas mensagens, quem quiser segui-las
que o faça. Não somos e nem pretendemos ser os donos
da verdade. Apenas falamos o que achamos que é o certo
pra nós mesmos, e se isso reflete de uma forma que muitos
possam se identificar com esses ideais eu fico muito satisfeito
com isso. Apenas somos autênticos com nossas idéias.
"não
precisamos de nenhum Deus ditando regras e leis, fazemos o que
achamos
que é o certo de um ser humano digno fazer, que é
sempre esta querendo
melhorar o seu caráter e sempre buscar o seu desenvolvimento
como pessoa. Por
isso o nome Ungodly se encaixa perfeito com os nossos ideais."
Arnauld Asmoodeeus
Rosberg - Em seu início
o grupo era composto pelos integrantes Serafin Vila (vocal); Alex
Rocha (Drums); Luciano (guitars); e Fernando (bass). Todos estes
que eu citei atualmente não fazem mais parte da banda,
o que ocasionou a saída deles?
Arnald Asmoodeeus - Tive
o grande prazer de ser companheiro de banda dessas pessoas que
eu admiro bastante, mas não dava pros mesmo acompanharem
a banda por motivos pessoais e de força maior. Todos eles
continuam sendo nossos amigos e de vez em quando sempre aparecem
no estúdio pra nos ver ensaiar.
|
Rosberg
- E na famosa “dança das cadeiras”
foram recrutados você Arnald Asmoodeeus (vocal);
Thiago Nogueira (drums); e Joel Moncorvo (bass). Vocês
estão satisfeitos com esta formação
ou ela ainda pode sofrer mudanças?
Arnald Asmoodeeus - Quero aqui anunciar que foi
efetivado mais um guitarrista pra acompanhar o Daniel
Oliveira segurando as bases que é o Tony Assys.
Cara eu acho que a banda está agora com um cast
de primeira linha e acredito que essa formação
irá durar bastante, mas não posso te dar
certeza disso porque as coisas acontecem e seria pretensioso
eu achar o contrário, mas a banda está numa
fase que eu sempre digo que é a fase de corrermos
atrás de nossos objetivos e estamos com um time
que está disposto a passar por essa batalha.
Rosberg
- Na época de lançamento do seu MCD Hate
Celebration ainda era a primeira formação,
o resultado obtido foi bom? O MCD realmente teve im-
|
pacto
diante dos ouvintes e da mídia?
Arnald Asmoodeeus - O MCD Hate Celebration foi
um lançamento que chamou bastante atenção
da mídia especializada. Conseguimos obter boas notas
e bons reviews em grandes, pequenos Zines e revistas do
gênero, e os headbangers passaram então a nos
conhecer melhor um pouco. É lógico que nunca,
e ninguém consegue agradar a todos, mas isso é
uma questão de gosto mesmo. |
Rosberg -
Eu acredito que isso seja inveja, muitas bandas gostariam de estar
no lugar de vocês neste show, mas não conseguiram.
Então eles atacam como podem, fazem acusações
inverídicas tudo para denegrir a imagem dos outros. Vocês
concordam?
Arnald Asmoodeeus - O que sei pra te falar a verdade
é que existe sim um certo preconceito, e se essas pessoas
se dizem ser superiores nem deveriam ter esse tipo de sentimento
por ninguém. Pelo o que eu saiba toda forma de preconceito
é uma forma de ignorância, então acho contraditório
ter preconceito e se achar superior ou mais inteligente que os
outros. Acho que deveríamos nos unir ao invés de
nutrir esse sentimento de inveja. A união faz a força
sempre, e está mais do que na hora de mudar isso. Se ainda
restar algum sentimento de orgulho de ser Brasileiro nessas pessoas.
Rosberg -
Vamos falar sobre o seu primeiro álbum que acaba de sair
do forno. O disco foi auto-intitulado Ungodly, como foi todo o
seu processo de gravação?
Thiago Nogueira - O processo de gravação
começou com a escolha dos estúdios. Optei pelos
estúdios Ilha dos Sapos e o Groove pelo fato de trabalharem
com Pró Tools hd, terem excelentes microfones e uma quantidade
de bons Pré -amplificadores disponíveis. Iniciamos
no Groove as seções de bateria e baixo e, finalizamos
as gravações no Ilha com as seções
de guitarras, vocais e orquestra. Depois fomos pra um terceiro
estúdio chamado Casa das Máquinas para que eu pudesse
escutar tudo que foi gravado com muita calma e mixar com mais
tranqüilidade. O processo todo demorou em torno de dois meses.
Arnald Asmoodeeus - Fiquei bastante ansioso com
o fato de eu está gravando o primeiro álbum do Ungodly,
e de ser o meu álbum de estréia no Ungodly. Senti-me
à vontade e quis fazer um trabalho como nunca tinha feito
antes. Assim como todos eu me dediquei ao máximo pra conseguir
o resultado que alcancei. Estou bastante satisfeito com o resultado
final.
Rosberg -
Vocês contaram com a Orquestra Sinfônica de Salvador,
de quem foi a idéia para fazer uma intro The Ungodly Prayer
juntamente com eles?
Thiago Nogueira - Não só a intro, mas como
algumas partes de todo o disco já tinha sido cogitado terem
partes orquestradas. Numa reunião com a banda, convidei
Gilmário Celso (maestro e ex-baixista de metal) para criar
os arranjos. Na verdade, o que se ouve não é a Orquestra
Sinfônica de Salvador, mas sim uma orquestra de câmara
composta por alunos da escola de música e alguns músicos
profissionais. Arnald chegou no estúdio com uma letra para
o arranjo inicial e o trabalho que tivemos foi só encaixa-lo
no contexto.
Arnald Asmoodeeus - Ainda não tinha feito esse
tipo de trabalho que foi de ter tido o prazer de participar com
minha voz em uma composição clássica junto
com violinos, cellos, sopros e um trio de vozes líricas.
O resultado é o que vocês podem conferir no vídeo-clipe
e no cd.
"O
amadurecimento já faz parte da gente por que somos músicos
que tocamos death metal a mais de 15 anos, e mantemos um relacionamento
com respeito e disciplina."
Arnauld Asmoodeeus
Rosberg
- A diferença sonora entre o novo álbum e o MCD
ficou assombrosa. Sem falar na qualidade técnica que aumentou
de maneira incrível. Esta evolução sonora
foi uma coisa providencial ou veio naturalmente?
Arnald Asmoodeeus - Essa
diferença se deu pelo fato da banda ter contado com profissionais
de alto gabarito, de ter sido produzido por Thiago Nogueira, que
na minha opinião é o melhor produtor de metal da
América Latina com toda certeza, e o fato de termos bastante
tempo de estrada, o nosso entrosamento, e harmonia foram cruciais
no resultado final do cd Ungodly.
Rosberg -
Bem, eu tive a oportunidade de ver em primeira mão todo
o trabalho gráfico do novo disco, realmente a produção
ficou incrível. Mas será que não foi um pouco
exagerado? O trabalho está muito bom, mas o custo com certeza
deve ter sido muito alto, e este custo tem que ser repassado para
o consumidor final, isso acaba por fazer com que muitas pessoas
deixem de adquirir o produto. E no nosso país onde os impostos
são altíssimos (mais um motivo para as pessoas deixarem
de comprar) isso pode prejudicar e muito a banda. Vocês
não concordam?
Arnald Asmoodeeus - Na
verdade o que eu acho é que será bem pago o dinheiro
que os headbangers investirem nessa compra, pois vou te dizer
uma coisa:- Me lembro como se fosse hoje quando pegava toda a
minha mesada de três meses pra compra um álbum de
alguma banda que eu gostava, e que era os olhos da cara por ser
importado e de qualidade superior, infelizmente, aos nossos aqui
do Brasil, mas nunca deixei de comprar meus discos por causa disso,
e sei que os headbangers vão está adquirindo um
material de primeira qualidade sonora e gráfica, é
lógico que a nossa situação não é
das melhores, mas hoje em dia o nosso poder aquisitivo é
bem diferente ao de dez anos atrás que é bem melhor
agora.
Rosberg -
A capa do álbum ficou bem interessante, Jesus cristo manipulando
o mundo. Quem teve a ótima idéia? E o que o Ungodly
quer passar para os ouvintes através desta capa?
Arnald Asmoodeeus - A
concepção da capa ficou a cargo do Daniel Oliveira
que quis passar o que pensamos, e o que achamos de tudo o que
vem acontecendo no mundo. Podres charlatões usam a manipulação
da fé pra iludir os tolos com suas pregações
de salvação, e ás vezes usando a força
para obter esse resultado que é o de lobotomizar a mente
dos fracos como aconteceu varias vezes nas cruzadas. Infelizmente
isso é fato e temos que lutar todos os dias contra esse
dragão.
Rosberg -
No que diz respeito às músicas quem é que
faz as composições delas? E existe alguma fonte
de inspiração para aquele que compõe as músicas
ou surge de repente?
Arnald Asmoodeeus - O
Daniel Oliveira é o responsável por quase todas
as composições melódicas do Ungodly com exceção
do Thiago Nogueira quem dividiu uma composição com
ele e eu fiquei com a parte lírica na qual escrevi quatro
letras do álbum Ungodly e fiz uma parceria com nosso ex-baterista
Alex Rocha (atualmente tocando no Impetuous Rage) e as outras
letras foram escritas por outros músicos que já
passaram pela banda na época do MCD Hate Celebration e
do Dark Prophet quem escreveu a letra Ungodly. Quanto a fontes
inspiradoras a própria vida, a realidade e a lógica
de todas as coisas são fontes inesgotáveis de inspiração,
sem esquecer que se a pessoa não tem o dom pra coisa acaba
fazendo nada com nada.
Rosberg -
No álbum Ungodly tem uma participação do
vocalista da banda Headhunter D.C., sei que ele é um ícone
do Death Metal brasileiro e baiano, mas o que levou vocês
a convidarem ele para participar do disco?
Arnald Asmoodeeus - Sempre fui fã do Headhunter
D. C., acompanho a carreira deles desde o tempo de Falsão
(vocal) Iaçanã (bateria) walson (contra baixo) sem
falar do lendário Paulo Lisboa na qual já foi por
muito tempo meu companheiro de banda no Mystifier, e pra gente
foi motivo de orgulho ter o Sergio Baloff como parceiro dividindo
as vozes comigo na musica “Perpetuating the Truth”.
Muito obrigado meu irmão Sergio Baloff.
Rosberg
- Vocês se apresentaram ao lado do Destruction num
show em Brasília, muitos comentaram que a banda pagou
para se apresentar. Todo esse “disse me disse”
ficou muito chato para o grupo, qual a sua opinião
sobre este fato e sobre as pessoas que fizeram esta acusação?
Arnald Asmoodeeus - Infelizmente não estava
ainda na banda quando o Ungodly tocou com o Destruction,
mas o que eu tenho a dizer sobre isso é que as pessoas
acreditam no que elas querem assim como tem tolos que acreditam
em uma salvação de suas almas através
de um ser divino existem os que ainda perdem tempo pra falar
sobre esse assunto que de certa forma não nos prejudicou
em nada, e essas mesmas pessoas esquecem que somos uma banda
do Brasil, e essas mesmas pessoas deveriam nos dar apoio
ao invés de quererem nos detonar com inverdades absurdas
que até me fazem rir de tão absurdas que são.
Eles esquecem que temos bandas que não deixam nada
a dever a banda nenhuma do globo terrestre, e esquecem do
seu
|
 |
orgulho
nacional e passam a valorizar as bandas internacionais muito
mais do que suas próprias vidas até. VIVA
AO METAL DO BRASIL QUE É CONSTRUIDO POR GLÓRIAS
E CONQUISTAS!!!!!! |
Rosberg - Dentre todas as
músicas do disco existe alguma que vocês ficaram
mais satisfeitos, ou seja, gostaram mais?
Arnald Asmoodeeus - Todas as vezes que escuto o Ungodly
tenho a sensação de estar escutando sempre pela
primeira vez e gosto de todas as musicas sem exceção
de nenhuma das musicas dali daquele álbum. Ele consegui
me prender a ponto de me passar uma certa energia que sem duvidas
irei despejar em todos os headbangers quando em cima de um palco
estivermos tocando. Sou até suspeito em ta falando isso,
mas gosto de todas as musicas ali contidas naquele álbum.
Ficou muito de fuder!!!
"Podres
charlatões usam a manipulação da fé
pra iludir os tolos com suas pregações
de salvação, e ás vezes usando a força
para obter esse resultado que é o de
lobotomizar a mente dos fracos como aconteceu varias vezes nas
cruzadas. Infelizmente
isso é fato e temos que lutar todos os dias contra esse
dragão. "
Arnauld Asmoodeeus
Rosberg - Em relação
a tour como está todo o processo? A banda já conseguiu
marcar shows pelo Brasil? Sei que é muito cedo para perguntar,
mas vocês têm planos de tocar fora do Brasil?
Arnald Asmoodeeus - Até
agora estamos só conversando com todos os produtores possíveis
do Brasil pra podermos ver as possibilidades de irmos tocar numa
turnê pelo Brasil inteiro. Até agora temos tido respostas
boas, e eles se mostram bastante interessado em nos levar, só
falta mesmo é entrarmos em acordo e cairmos na estrada
pra mostrarmos pra que viemos aqui. De concreto o que temos mesmo
é o show com o Candlemass dia 25 de março no Extrem
Metal Fest em São Paulo capital e no dia seguinte o Undervalle
Metal Fest em São José dos campos. Tocar fora do
Brasil seria um objetivo futuro que pretendemos alcançar
em breve. Por enquanto ainda temos muito chão pra percorrer
aqui dentro do nosso país.
Rosberg - Agradeço
pela entrevista, foi bastante esclarecedora. Eu espero que o Ungodly
tenha uma carreira promissora e consiga atingir os seus objetivos.
Deixe sua mensagem para todos os Death metallers leitores desta
entrevista...
Arnald Asmoodeeus - Queria aqui dizer que foi um grande
prazer pra eu esclarecer algumas questões aqui nessa entrevista
e queria agradecer a todos vocês desse Zine pelo imenso
apoio a qual nos vem dando ao longo dessa nossa batalha. Queria
também agradecer aqui a todos os Metal Maníacos
de todo o Brasil e de todo o mundo que sempre nos apoiaram e sempre
nos apoiarão ao longo dessa nossa jornada. Permaneçam
fiéis ao som que vocês escutam e lembrem-se que ninguém
vira um headbanger já se nasci um. Viva ao Metal do nosso
Brasil que é feito de glórias e conquistas sempre
e sempre.