Há
tempos a cena metal anseiava por um programa digno de suas tradições.
Em entrevista exclusiva ao Website Metal Revolution, os apresentadores
do Stay Heavy falaram sobre o programa, sua vida profissional,
a história de ambos e os planos para 2008. Confiram abaixo...
Thiago Rahal
- Primeiro gostaria de agradecer por esta entrevista e começo
perguntando sobre o programa Stay Heavy. Quem teve a idéia
programa? Como ele saiu do papel para virar realidade e estar
até hoje na programação televisiva.
Vinicius Neves - Eu
que agradeço o convite em nome do Stay Heavy. Quanto ao
surgimento do programa, para te falar a verdade ele surgiu meio
que por acaso...Vou tentar resumir a história. Em 2003
eu tinha acabado de sair da Bolsa de Valores onde trabalhei durante
7 anos e estava “meio” perdido profissionalmente,
na época em paralelo à Bovespa eu já era
colaborador da revista Roadie Crew e levava isso como um hobby,
mas já estava bem envolvido com o meio do Metal e por essa
vivência percebi uma carência de um programa de TV
especializado, no qual não teria nenhum comprometimento
comercial com gravadora ou de outro qualquer tipo, e que fosse
feito com a linguagem dos fãs do estilo, que tivesse um
comprometimento com a cena e com seu crescimento, e daí
surgiu a idéia do Stay Heavy. Nesta mesma época
um amigo me chamou para conhecer uma nova emissora, no caso a
allTV que mistura TV convencional e internet, uma coisa totalmente
inovadora na época, e eu pirei, no mesmo dia propus a idéia
do programa, mesmo sem saber como ele seria feito... Foi meio
na loucura, mas enxerguei ali uma oportunidade. Dai para frente
a história do Stay Heavy começou a ser escrita...
Thiago - Vocês fizeram
alguma faculdade de comunicação ou achavam que tinham
aptidão para serem apresentadores de televisão?
Pergunto isso, pois me formei em Jornalismo e ainda continuo aprendendo
na profissão, mas ser apresentador não é
nada fácil, exige muita técnica e preparo...
Vinicius - Para lhe falar a verdade não entendia
nada de TV. Aliás, será que eu entendo hoje em dia?...hahaha!
Mas brincadeiras à parte, como citei anteriormente, enxerguei
uma oportunidade e tinha que agarrá-la de qualquer maneira,
depois pensaria como desenvolvê-la... Como sou formado em
Marketing e meu forte sempre foi a área de criação,
não tive muitos problemas no desenvolvimento da idéia,
mas o bicho pegou mesmo foi na hora da apresentação,
já que começamos com um programa ao vivo! Isso mesmo!
Ao vivo, imagina só, nunca nem imaginava em trabalhar com
TV e já fui logo fazendo programa ao vivo... hahaha! Os
primeiros ficaram meia-boca, há de se admitir. hahaha!
Se for ver aprendemos fazendo e continuamos aprendendo até
hoje, a televisão é um aprendizado diário,
costumo perguntar tudo, assim como a Cintia, aliás ela
aprendeu até demais. hahaha! Até sabe editar programas
já, dá para acreditar?! Quanto à nossa formação
só a título de curiosidade a Cintia é Engenheira
de Produção Mecânica com pós-graduação
em Engenharia de Segurança do Trabalho e eu sou formado
em Marketing e pós-graduado em Administração
e em Marketing e Comunicação de Mercado, nada a
ver, né? Mas é muito importante estudar....
Thiago - O programa começou
na All TV (canal de televisão via Internet – www.alltv.com.br)
e já foi uma das apresentações mais vistas
do canal, como foi essa experiência e qual era a estrutura
de trabalho que vocês tinham?
Cíntia Diniz - Era muito legal, pois podíamos
levar a cada final de semana uma banda para tocar ao vivo no programa.
Nossa agenda era super lotada, com atrações relevantes
a cada semana e com a interatividade o público sabia que
ali o divertimento era garantido. Assistia ao programa com os
clipes, via a banda tocando e ainda podia fazer perguntas para
ela. Onde mais tinha isso?! Com relação à
estrutura, no início a equipe da allTV era maior, com excelentes
técnicos e equipamentos de qualidade. Com o passar do tempo,
estes profissionais acabaram saindo de lá para seguir a
carreira em canais de TV de rede nacional e no fim algumas pessoas
passaram a nos ajudar todos os domingos, como a Natália,
o Russo e o Kreator, fiéis companheiros de todos os domingos.
Sobre o conteúdo, sempre o Vinicius montou a programação
com a minha colaboração.
"Como
sou formado em Marketing e meu forte sempre a área de criação,
não tive muitos problemas no desenvolvimento da idéia,
mas o bicho pegou
mesmo foi na hora da apresentação, já que
começamos com um programa
ao vivo! Isso mesmo! Ao vivo, imagina só, nunca nem imaginava
em trabalhar
com TV e já fui logo fazendo programa ao vivo... hahaha!
Os primeiros ficaram
meia-boca, há de se admitir. hahaha! Se for ver aprendemos
fazendo e continuamos
aprendendo até hoje, a televisão é um aprendizado
diário, costumo perguntar
tudo, assim como a Cintia, aliás ela aprendeu até
demais. hahaha!" - Vinicius Neves
Thiago - O programa foi crescendo
aos poucos e passou a ter mais horas de duração
e outros formatos, como por exemplo, colocar bandas tocando ao
vivo. Acredito que a principal chamada do programa seja ver as
bandas de heavy metal tocando ao vivo na televisão, pois
não é tão fácil ver esse tipo de atração
na telinha... Como é a resposta do público para
esse tipo de atração?
Vinicius - A concepção do Stay Heavy era
de fazer na TV o que eu e a Cintia, e acho que a grande maioria
dos headbangers, gostariam de ver na TV, com essa fórmula
foi fácil ganhar a credibilidade e fidelidade dos headbangers.
Sem falsidade ou hipocrisia, o público que curte Heavy
Metal é diferenciado, são muito fiéis e apóiam
muito, principalmente se sua proposta for honesto e você
trabalhar direito. Acho que a galera percebeu isso no Stay Heavy,
assim como as bandas e os colaboradores, acho que essa foi a razão
da aceitação do Stay Heavy. Quanto às bandas,
nossa intenção sempre foi mostrar a força
do estilo e nesse sentindo as apresentações das
bandas é essencial, pois a energia de uma apresentação
de uma banda de Metal é incrível!
Thiago - Ao mesmo tempo em
que o programa foi crescendo a necessidade de mudança ficava
evidente, pois a estrutura da All TV não comportava o programa.
Daí veio à mudança para a rede NGT. Como
foi essa mudança e se foi amigável a saída
da All TV?
Vinicius - O Stay Heavy começou a ser indicado
para alguns prêmios no meio da música e aos poucos
foi ganhando destaque, mesmo tendo uma abrangência limitada.
Quem não conseguia assistir ficava com vontade, e isso
era legal, apesar de frustrante, e isso começou a nos incomodar
pois queríamos levar o programa para o maior número
de pessoas possível, mostrar a cultura do Heavy Metal para
a TV Aberta, e nisso surgiu a Alpha Canal, que gravou nosso programa
piloto para a TV, e a Rede NGT que através deste piloto
abriu suas portas para nós, enxergando e acreditando no
potencial do programa e de seu segmento. Hoje estamos sendo transmitidos
para mais de 50 emissoras diferentes espalhadas por todo Brasil,
mas consideramos a NGT nossa matriz. Somos muito gratos pela oportunidade
e esperamos ficar lá por muitos anos, e tenho certeza que
a emissora vai crescer muito mais do que já vêm crescendo.
Quanto à allTV, nós mantivemos o programa na em
paralelo ao da NGT até o início de 2006. Não
muito amigavelmente de lá, mas não tenho mágoas
da allTV, muito pelo contrário, tenho muita gratidão
pois se não fosse ela não existiria o Stay Heavy.
A idéia da emissora é maravilhosa e muita gente
boa que passou por lá, hoje está em grandes emissoras,
é uma verdadeira escola!
| Thiago
- Vocês receberam grandes bandas no programa, inclusive
a banda Rage colocou em seu mais recente DVD a participação
dos mesmos no Stay Heavy. Uma pergunta que sempre quis
fazer, alguma banda esnobou vocês ou a maioria foi
cordial e se apresentou ao programa sem maiores problemas?
Cíntia - Nunca tivemos problemas com as
bandas que se disponibilizaram a tocar lá. Lógico
que sempre procuramos oferecer a melhor estrutura possível,
o que também conseguimos através de vários
parceiros. É como produzir um show, a banda fala
o que ela necessita e nós procuramos atender 100%.
Uma coisa que percebemos é que todos são
muito preocupados com o resultado final do som, então
gravamos a passagem de som e eles escutam como está
rolando, para ver se aprova. Até hoje todos curtiram
muito o som, tanto é que saiu no DVD que você
citou.
Thiago
- Vocês também fazem coberturas de eventos
no Brasil e no mundo afora. Qual cobertura foi a mais
significativa e por quê?
Vinicius - Como costumo dizer, a “cereja
do bolo” do Stay Heavy é a cobertura do festival
alemão Wacken Open Air, que hoje é sem dúvida
alguma o maior festival de Metal do mundo. Cobrimos este
evento desde 2003 e sem dúvida alguma é
nossa principal reportagem. Na minha opinião a
última edição (2007) foi a mais produtiva,
rendeu muitas entrevistas legais, e serviu para consolidar
a posição do Stay Heavy internacionalmente,
pois fomos recebidos muito bem por todas gravadora estrangeiras,
que reconhecem nosso trabalho realizado aqui no Brasil.
Tivemos inúmeras entrevistas exclusivas, inclusive
uma delas muito marcante, a do Blind Guardian, onde eles
foram headliners do festival e nos concederam uma entre-
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vista exclusiva logo após a apresentação.
Isso foi muito louco pois estava presente a imprensa do
mundo todo lá e os caras foram só para falar
com a gente e foram embora. Foi até engraçado,
pois depois todo mundo ficou olhando para nós se
perguntando “Quem são esses caras?”...hahahaha!
Aliás, dependendo da banda é mais fácil
entrevistar os caras fora do país do que aqui no
Brasil, principalmente se são bandas maiores. Hoje
podemos dizer que temos uma posição tranqüila
em relação ao Stay Heavy, mas já sofremos
muito. E ainda vejo que muito colegas de webzines, sites,
revistas e até mesmo outros programas sofrem muito
para trabalhar... É triste, quero ajudar a mudar
isso. |
Thiago
- Falando ainda sobre coberturas de eventos, vocês vão
ao festival Wacken na Alemanha praticamente em todos os anos
de existência do programa. Como é ser da imprensa
no festival e principalmente ser do Brasil? Eles respeitam igualmente
ou tem alguma restrição?
Cintia - A imprensa em geral é muito bem tratada
no festival Existe uma estrutura montada em uma tenda que atende
a todos os profissionais da imprensa, com computadores ligados
à internet e onde se pode descarregar fotos, por exemplo,
local de guarda volumes, local de recarga de bateria, sofás
e mesas para entrevistas, local para coletiva de imprensa, além
de um acampamento exclusivo para imprensa e convidados. Com
relação às entrevistas, na realidade senti
em pelo menos uma vez mais explicitamente que fomos privilegiados.
Em 2007 solicitamos entrevista com o Lacuna Coil e a pessoa
da Century Media responsável pela banda nos disponibilizou
a Cristina Scabia para entrevistar, pois éramos de um
local mais distante do que os outros veículos que estavam
lá se matando por ela... Quando falamos que somos do
Brasil o pessoal curte muito. O respeito se bobear é
até maior.
Thiago - Vocês criaram
também um canal no Youtube, onde os seus fãs podem
ver os programas antigos. Acham que a Internet veio para tomar
o local da televisão ou um está ajudando o outro
com as suas diversas tecnologias?
Vinicius - O Stay Heavy surgiu em uma WebTV e não
poderíamos ficar de fora de um instrumento de divulgação
como o Youtube, que é um dos sites mais visitados do
mundo! Como marqueteiro isso é inevitável...hahahaha!
Vejo o Youtube como mais uma ferramenta de divulgação
e de opção para quem quer curtir o programa, por
isso criamos um canal lá, onde estamos colocando muitos
conteúdos, desde programas antigos até conteúdos
exclusivos, quem quiser curtir o é só procurar
por (www.youtube.com/stayheavyTV). Quanto ao fato da internet
“tomar” o lugar da TV, acho pouco provável.
Acredito em uma interação cada vez maior entre
as mídias. Além disso, acredito muito também
em conteúdos Mobile (celular), que na minha opinião
vão ganhar muito espaço nos próximos anos
e vão se tornar um dos principais veículos de
informação e entretenimento, e no Stay Heavy estamos
atentos a isso. Em breve iremos anunciar muitas ferramentas
interativas no programa, é só aguardar!
Thiago - Uma pergunta para
a Cíntia. Muitas pessoas vêem o Stay Heavy principalmente
porque você é bonita, mas também inteligente.
Já pensou sobre isso?
Cintia - Obrigada pelo elogio. Na realidade acho que
é uma união das coisas. As pessoas acham legal
ter uma mulher que curte e conhece Metal, que passa credibilidade,
mas sem ter um visual agressivo. Aliás, muitas pessoas
que me conhecem de fora do segmento dizem que eu não
tenho cara de quem curte Heavy Metal, mas já aprendi
a conviver com isso desde pequena, quando tinha meus cadernos
encapados com mais e mais bandas e ninguém acreditava
que os cadernos eram meus... Enfim, eu acredito que o visual
é importante, mas conteúdo é imprescindível.
O público que curte Metal é muito inteligente
e, portanto, bastante exigente. Se eu fosse só um rostinho
bonito sem o conhecimento que tenho, pelo menos parte dos telespectadores
mudaria de canal, pois eu outros teriam mulheres que mostram
mais do que só o rosto...
"Tivemos
inúmeras entrevistas exclusivas, inclusive uma delas
muito marcante, a do Blind Guardian, onde eles foram headliners
do festival e nos concederam uma entrevista exclusiva logo após
a apresentação. Isso foi muito louco pois estava
presente a imprensa do mundo todo lá e os caras foram
só para falar com a gente e foram embora. Foi até
engraçado, pois depois todo mundo ficou olhando para
nós se perguntando “Quem são esses caras?”...hahahaha!
Aliás, dependendo da banda é mais fácil
entrevistar os caras fora do país do que aqui no Brasil,
principalmente se são bandas maiores. Hoje podemos dizer
que temos uma posição tranqüila em relação
ao Stay Heavy, mas já sofremos muito. E ainda vejo que
muito colegas de webzines, sites, revistas e até mesmo
outros programas sofrem muito para trabalhar... É triste,
quero ajudar a mudar isso." - Vinicius Neves
Thiago - Quando pensaram
no programa, vocês lembraram do extinto Fúria da
MTV? Lembro que era uma excelente oportunidade de se conhecer
bandas novas. Penso que quanto mais divulgação
de bandas nacionais, melhor para a cena atual...
Vinicius - Poucas pessoas sabem que nos primeiros programas
pela Rede NGT, o ex-diretor do Fúria Metal, Paulo Marchetti,
foi quem dirigiu o Stay Heavy. Ele ficou pouco tempo com a gente
porque o Stay Heavy já tinha uma formatação
e eu já fazia e ainda faço a sua direção
geral, mas foi muito legal trabalhar com ele neste curto período
de tempo. Acho que o Stay Heavy também tem essa função
de “mostrar” bandas novas e o que está rolando
pelo mundo, e neste contexto as bandas nacionais se encaixam,
de igual para igual, às bandas “gringas”.
Aliás, com uma grande freqüência recebemos
mensagens de telespectadores citando bandas que conheceram no
programa. Recentemente criamos uma nova seção
no Stay Heavy que se chama “banda independente”
onde sempre mostramos bandas novas, que estão despontando,
e que muitas vezes ainda nem tem o CD oficial lançado.
É um espaço a mais para a galera que está
começando. Temos muitas bandas boas em nosso país,
e os caras lutam muito, é uma pena não termos
tanto espaço para divulgação na grande
mídia. Espero que isso mude, e se o Stay Heavy colaborar
um pouquinho que seja para isso já considero minha missão
no Metal feita.
Thiago - Para vocês
qual o papel da imprensa nacional? Acreditam que tenha muito
picareta só pra garantir um lugar no show?
Vinicius - Isso existe em todos veículos de
mídia, não se restringe somente ao nosso segmento,
mas é fácil distinguir essas pessoas. A maioria
dos promotores de shows e gravadoras sabem fazer isso muito
bem....hahaha! E nós também!
Thiago - Pensam em algum
dia ir para alguma televisão de grande nome, já
tem algumas propostas?
Vinicius - Isso é uma coisa legal de comentar...
Muita gente chega para nós e diz: “Por que vocês
não passam na MTV ou na RedeTV!?” Sabe qual é
nossa reação? Nós damos risada... e explicamos
o porque. Os custos para se fazer um programa de televisão,
independentemente de onde ele será veiculado, são
muito altos, mas muito mesmo! E se esse programa for veiculado
em uma grande emissora, seus custos são muito maiores
ainda, pelo custo do horário, e não preciso nem
falar que em nosso segmento não se tem apoio suficiente.
Soma-se a isso o preconceito dos leigos que são a maioria
no comando de agências de publicidade, diretoria de programação
de emissoras, etc, o que torna esse sonho “inviável”.
A solução para lutar contra tudo isso é
fazer as coisas certas e com as pessoas certas, mas as recompensas
levam tempo a serem alcançadas. Se analisarmos a trajetória
do Stay Heavy, desde a sua criação até
hoje, conseguimos sair da internet e em apenas 4 anos de existência
estamos sendo transmitidos em mais de 50 emissoras espalhadas
em todo Brasil, sendo que já passamos por emissoras de
renome como a Rede TV! até o início de 2007 para
o Sul do país. Mesmo contando com inúmeros contratempos
conseguimos levar a cultura do Metal para inúmeras pessoas
nos dias de hoje, mas queremos muito mais. Crescer com os pés
no chão é nossa mentalidade. Não precisamos
estar na Rede Globo ou no SBT para mostrar a força do
Heavy Metal, não estamos em busca da “fama”
no Stay Heavy, estamos em busca do reconhecimento de um estilo
musical que é muito forte em nosso país, sem preconceitos
ou idiotices. A tendência do Stay Heavy para 2008 é
crescer muito, mas com consciência, sem pressa. Temos
muitas surpresas armadas para esse ano já, a galera vai
curtir. E só para matar a curiosidade da galera, sim
nós já tivemos uma sondagem de uma grande emissora
no final de 2006, mas acabou não dando em nada. Recentemente
tivemos uma outra sondagem de uma grande emissora, o que é
muito legal, e isso prova que o Metal tem seu espaço
sim na televisão e que não precisamos nos “vender”
para conseguir este espaço.
Thiago - Trabalhando em
comunicação, qual a imagem que vocês acham
que nós headbangers passamos ao público em geral?
Vinicius - Cara, acho que a visão é a
mesma que sentimos na pele no dia a dia. Eu, principalmente,
sei disso. Como trabalhei na Bolsa de Valores por muito tempo,
hoje, quando vou visitar alguém no mercado financeiro,
todos em volta ficam me olhando e se perguntam “O que
esse cabeludo cheio de tatuagem está fazendo aqui?”
E quando sabem o que eu faço e sabem da minha formação
ficam admirados, e tenho certeza que lá no fundo bate
aquela voz “Puxa, queria realmente seguir meu sonho...”
Isso eu ouço a todo momento, e entendo muitas pessoas
não seguirem seus sonhos e se submeterem a dedicar sua
vida a um trabalho que não gosta, pois existe uma cultura
imposta de que temos que ser bem sucedidos na vida, construir
uma família e etc... É a vida, mas admiro muito
mais os corajosos que mesmo sabendo disso tudo que é
nos imposto, ainda correm atrás de criar algo. A idéia
do Stay Heavy é mostrar a força do estilo em todas
suas vertentes e nisso está incluso o fato de que nós
headbangers não somos um “bando de cabeludos malucos”,
mas sim pessoas que pensam, comem e vivem como todo mundo e
que gostam de um estilo musical que é maravilhoso.

Thiago -
Todas as bandas estrangeiras dizem que o público daqui
é o melhor. Vocês também acreditam nisso?
Ou acham que eles falam para ganhar os fãs...
Vinicius - Eu acho o público brasileiro o melhor
disparado, porque nós vivemos em um país onde a
cultura é totalmente avessa ao Metal, onde o preconceito
está estampado e, além de tudo, temos uma língua
nativa que praticamente nos deixa só no mundo... Quer mais
argumentos? Ai vai... Nós temos um poder aquisitivo no
mínimo 5 vezes menor do que qualquer país onde o
Metal é mais difundido e não temos tanto espaço
para divulga-lo e, mesmo assim, lotamos shows, temos uma imprensa
segmentada em desenvolvimento cada vez maior, temos os principais
selos de Metal licenciados por aqui e ainda por cima cantamos
todas músicas do show...hahahaha! Quer mais ou já
chega? Sem dúvida alguma o Brasil tem o público
mais fiel e dedicado, só acho que às vezes não
sabemos aproveitar tudo isso para nosso bem, como por exemplo,
ajudar a acabar com essa imagem estereotipada que muitos leigos
têm do Metal, que somos drogados ou adoradores do demônio
ou besteiras que sempre ouvimos. Isso é muita estupidez
na minha opinião. Temos que mostrar o lado cultural do
Metal, afinal é entretenimento.
Thiago - Qual a opinião
de vocês sobre os produtores de shows no Brasil? Vejo uma
crescente de shows grandes aqui em nossa terra e de bandas que
não nos visitariam tão cedo.
Vinicius - Existem promotores sérios e picaretas,
assim como em outros segmentos de profissão. Aqui não
é diferente. Com a queda do dólar em relação
a nossa moeda ficou mais barato fazer shows aqui em nosso país,
por isso vemos essa enxurrada de shows internacionais por aqui.
Thiago - Como foi realizar
o Stay Heavy Metal All Stars no Blackmore Rock Bar?
Cintia - O Stay Heavy Metal Stars foi concebido com o
intuito de ser uma confratenização entre músicos
e público. Quisemos mostrar ao público o que apenas
convidados haviam visto até então em festas na imprensa.
E deu certo. O evento é um sucesso. Este ano faremos a
terceira edição e já estamos nos mexendo
para isso. O Blackmore abrigou as duas primeiras edições
e foi um grande parceiro. Vamos ver o que 2008 nos reserva.
Thiago - Pensam em lançar
em DVD os programas do Stay Heavy? Principalmente aqueles onde
as bandas aparecem tocando ao vivo...
Vinicius - Essa é uma das surpresas que falei
que estamos armando para 2008. Na realidade não é
um DVD com as apresentações das bandas que passaram
pelo programa, mas sim uma série de DVDs com nossa marca,
com apresentações gravadas exclusivamente para nós,
uma espécie de acústico MTV só que com um
conceito diferente, em vez de acústico vai ser “Plugado,
e mais pesado do que nunca!”. A série de DVDs se
chamará “Live at Stay Heavy” e inclusive nós
já gravamos o primeiro da série, que foi com a banda
mineira Tuatha de Danann e que ficou show! Este DVD será
muito especial, pois ele contará com o Tuatha tocando com
convidados especiais em apresentações históricas.
Só para dar um gostinho do que há por vir, o DVD
contou com a participação de nomes como Aquiles
Priester (Angra, Hangar) tocando bateria como Tuatha, entre outras
curiosidades. Quisemos fazer algo que ficasse com a cara do Stay
Heavy, assim como no Stay Heavy Metal Stars, quisemos fazer coisas
inusitadas. Além disso este DVD contara com vários
bônus.Além da série de DVDs do Stay Heavy
que serão lançados neste primeiro semestre ainda,
temos outras novidades para a galera que já posso adiantar,
como a mudança de toda nossa arte gráfica no programa
que agora é toda em 3D, e que ficou muito show. Foi feita
pelo renomado Fernando Thales. E uma reformulação
no layout do programa feita pelo grande Gustavo Sazes que ficou
show e a galera vai curtir muito. Também tem uma grande
promoção que vamos lançar em conjunto com
a Revista Roadie Crew de levar um fã para assistir ao Wacken
2008 e que ainda vai ficar no Backstage! Sem dúvida nenhuma
essa será a maior promoção já feita
na cena do Metal e é um presente do Stay Heavy aos fãs
e para as pessoas que curtem o programa. Para saber como participar
desta promoção é só entrar em nosso
site :www.stayheavy.com.
Thiago - Muito obrigado pela
entrevista. Espero que o programa ganhe mais público e
cresça ainda mais na cena brasileira. Este espaço
é de vocês para maiores considerações.
Cintia - Thiago, valeu mesmo por ter nos procurado. É
sempre um prazer falar um pouco mais do programa. Apenas peço
desculpas pela demora no retorno das respostas, mas jornada tripla
não é mole não. Quero registrar que tudo
que temos feito pela cena e pelo programa é de coração.
As dificuldades enfrentadas para leva-lo adiante já nos
fez pensar em desistir algumas vezes no passado, e sempre foi
o público que nos deu força para continuar. E hoje
temos o apoio do público mais do que nunca, portanto sua
continuidade é garantida. Valeu pelo espaço.
Vinicius - Eu que agradeço pelo espaço
Thiago,valeu mesmo! Agradeço também pela força
da galera que sempre apoiou o Stay Heavy, sou muito grato! O Stay
Heavy vai seguir sua caminhada erguendo a bandeira do Heavy Metal
dentro da televisão e podem ter certeza que vamos tentar
fazer isso da melhor maneira possível! Valeu e Stay Heavy!