VINICIUS NEVES & CINTIA DINIZ

28/02/2008 - por Thiago Rahal

Há tempos a cena metal anseiava por um programa digno de suas tradições. Em entrevista exclusiva ao Website Metal Revolution, os apresentadores do Stay Heavy falaram sobre o programa, sua vida profissional, a história de ambos e os planos para 2008. Confiram abaixo...

Thiago Rahal - Primeiro gostaria de agradecer por esta entrevista e começo perguntando sobre o programa Stay Heavy. Quem teve a idéia programa? Como ele saiu do papel para virar realidade e estar até hoje na programação televisiva.
Vinicius Neves -
Eu que agradeço o convite em nome do Stay Heavy. Quanto ao surgimento do programa, para te falar a verdade ele surgiu meio que por acaso...Vou tentar resumir a história. Em 2003 eu tinha acabado de sair da Bolsa de Valores onde trabalhei durante 7 anos e estava “meio” perdido profissionalmente, na época em paralelo à Bovespa eu já era colaborador da revista Roadie Crew e levava isso como um hobby, mas já estava bem envolvido com o meio do Metal e por essa vivência percebi uma carência de um programa de TV especializado, no qual não teria nenhum comprometimento comercial com gravadora ou de outro qualquer tipo, e que fosse feito com a linguagem dos fãs do estilo, que tivesse um comprometimento com a cena e com seu crescimento, e daí surgiu a idéia do Stay Heavy. Nesta mesma época um amigo me chamou para conhecer uma nova emissora, no caso a allTV que mistura TV convencional e internet, uma coisa totalmente inovadora na época, e eu pirei, no mesmo dia propus a idéia do programa, mesmo sem saber como ele seria feito... Foi meio na loucura, mas enxerguei ali uma oportunidade. Dai para frente a história do Stay Heavy começou a ser escrita...

Thiago - Vocês fizeram alguma faculdade de comunicação ou achavam que tinham aptidão para serem apresentadores de televisão? Pergunto isso, pois me formei em Jornalismo e ainda continuo aprendendo na profissão, mas ser apresentador não é nada fácil, exige muita técnica e preparo...
Vinicius -
Para lhe falar a verdade não entendia nada de TV. Aliás, será que eu entendo hoje em dia?...hahaha! Mas brincadeiras à parte, como citei anteriormente, enxerguei uma oportunidade e tinha que agarrá-la de qualquer maneira, depois pensaria como desenvolvê-la... Como sou formado em Marketing e meu forte sempre foi a área de criação, não tive muitos problemas no desenvolvimento da idéia, mas o bicho pegou mesmo foi na hora da apresentação, já que começamos com um programa ao vivo! Isso mesmo! Ao vivo, imagina só, nunca nem imaginava em trabalhar com TV e já fui logo fazendo programa ao vivo... hahaha! Os primeiros ficaram meia-boca, há de se admitir. hahaha! Se for ver aprendemos fazendo e continuamos aprendendo até hoje, a televisão é um aprendizado diário, costumo perguntar tudo, assim como a Cintia, aliás ela aprendeu até demais. hahaha! Até sabe editar programas já, dá para acreditar?! Quanto à nossa formação só a título de curiosidade a Cintia é Engenheira de Produção Mecânica com pós-graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho e eu sou formado em Marketing e pós-graduado em Administração e em Marketing e Comunicação de Mercado, nada a ver, né? Mas é muito importante estudar....

Thiago - O programa começou na All TV (canal de televisão via Internet – www.alltv.com.br) e já foi uma das apresentações mais vistas do canal, como foi essa experiência e qual era a estrutura de trabalho que vocês tinham?
Cíntia Diniz -
Era muito legal, pois podíamos levar a cada final de semana uma banda para tocar ao vivo no programa. Nossa agenda era super lotada, com atrações relevantes a cada semana e com a interatividade o público sabia que ali o divertimento era garantido. Assistia ao programa com os clipes, via a banda tocando e ainda podia fazer perguntas para ela. Onde mais tinha isso?! Com relação à estrutura, no início a equipe da allTV era maior, com excelentes técnicos e equipamentos de qualidade. Com o passar do tempo, estes profissionais acabaram saindo de lá para seguir a carreira em canais de TV de rede nacional e no fim algumas pessoas passaram a nos ajudar todos os domingos, como a Natália, o Russo e o Kreator, fiéis companheiros de todos os domingos. Sobre o conteúdo, sempre o Vinicius montou a programação com a minha colaboração.

"Como sou formado em Marketing e meu forte sempre a área de criação,
não tive muitos problemas no desenvolvimento da idéia, mas o bicho pegou
mesmo foi na hora da apresentação, já que começamos com um programa
ao vivo! Isso mesmo! Ao vivo, imagina só, nunca nem imaginava em trabalhar
com TV e já fui logo fazendo programa ao vivo... hahaha! Os primeiros ficaram
meia-boca, há de se admitir. hahaha! Se for ver aprendemos fazendo e continuamos
aprendendo até hoje, a televisão é um aprendizado diário, costumo perguntar
tudo, assim como a Cintia, aliás ela aprendeu até demais. hahaha!"
- Vinicius Neves

Thiago - O programa foi crescendo aos poucos e passou a ter mais horas de duração e outros formatos, como por exemplo, colocar bandas tocando ao vivo. Acredito que a principal chamada do programa seja ver as bandas de heavy metal tocando ao vivo na televisão, pois não é tão fácil ver esse tipo de atração na telinha... Como é a resposta do público para esse tipo de atração?
Vinicius -
A concepção do Stay Heavy era de fazer na TV o que eu e a Cintia, e acho que a grande maioria dos headbangers, gostariam de ver na TV, com essa fórmula foi fácil ganhar a credibilidade e fidelidade dos headbangers. Sem falsidade ou hipocrisia, o público que curte Heavy Metal é diferenciado, são muito fiéis e apóiam muito, principalmente se sua proposta for honesto e você trabalhar direito. Acho que a galera percebeu isso no Stay Heavy, assim como as bandas e os colaboradores, acho que essa foi a razão da aceitação do Stay Heavy. Quanto às bandas, nossa intenção sempre foi mostrar a força do estilo e nesse sentindo as apresentações das bandas é essencial, pois a energia de uma apresentação de uma banda de Metal é incrível!

Thiago - Ao mesmo tempo em que o programa foi crescendo a necessidade de mudança ficava evidente, pois a estrutura da All TV não comportava o programa. Daí veio à mudança para a rede NGT. Como foi essa mudança e se foi amigável a saída da All TV?
Vinicius -
O Stay Heavy começou a ser indicado para alguns prêmios no meio da música e aos poucos foi ganhando destaque, mesmo tendo uma abrangência limitada. Quem não conseguia assistir ficava com vontade, e isso era legal, apesar de frustrante, e isso começou a nos incomodar pois queríamos levar o programa para o maior número de pessoas possível, mostrar a cultura do Heavy Metal para a TV Aberta, e nisso surgiu a Alpha Canal, que gravou nosso programa piloto para a TV, e a Rede NGT que através deste piloto abriu suas portas para nós, enxergando e acreditando no potencial do programa e de seu segmento. Hoje estamos sendo transmitidos para mais de 50 emissoras diferentes espalhadas por todo Brasil, mas consideramos a NGT nossa matriz. Somos muito gratos pela oportunidade e esperamos ficar lá por muitos anos, e tenho certeza que a emissora vai crescer muito mais do que já vêm crescendo. Quanto à allTV, nós mantivemos o programa na em paralelo ao da NGT até o início de 2006. Não muito amigavelmente de lá, mas não tenho mágoas da allTV, muito pelo contrário, tenho muita gratidão pois se não fosse ela não existiria o Stay Heavy. A idéia da emissora é maravilhosa e muita gente boa que passou por lá, hoje está em grandes emissoras, é uma verdadeira escola!

Thiago - Vocês receberam grandes bandas no programa, inclusive a banda Rage colocou em seu mais recente DVD a participação dos mesmos no Stay Heavy. Uma pergunta que sempre quis fazer, alguma banda esnobou vocês ou a maioria foi cordial e se apresentou ao programa sem maiores problemas?
Cíntia -
Nunca tivemos problemas com as bandas que se disponibilizaram a tocar lá. Lógico que sempre procuramos oferecer a melhor estrutura possível, o que também conseguimos através de vários parceiros. É como produzir um show, a banda fala o que ela necessita e nós procuramos atender 100%. Uma coisa que percebemos é que todos são muito preocupados com o resultado final do som, então gravamos a passagem de som e eles escutam como está rolando, para ver se aprova. Até hoje todos curtiram muito o som, tanto é que saiu no DVD que você citou.

Thiago - Vocês também fazem coberturas de eventos no Brasil e no mundo afora. Qual cobertura foi a mais significativa e por quê?
Vinicius -
Como costumo dizer, a “cereja do bolo” do Stay Heavy é a cobertura do festival alemão Wacken Open Air, que hoje é sem dúvida alguma o maior festival de Metal do mundo. Cobrimos este evento desde 2003 e sem dúvida alguma é nossa principal reportagem. Na minha opinião a última edição (2007) foi a mais produtiva, rendeu muitas entrevistas legais, e serviu para consolidar a posição do Stay Heavy internacionalmente, pois fomos recebidos muito bem por todas gravadora estrangeiras, que reconhecem nosso trabalho realizado aqui no Brasil. Tivemos inúmeras entrevistas exclusivas, inclusive uma delas muito marcante, a do Blind Guardian, onde eles foram headliners do festival e nos concederam uma entre-

vista exclusiva logo após a apresentação. Isso foi muito louco pois estava presente a imprensa do mundo todo lá e os caras foram só para falar com a gente e foram embora. Foi até engraçado, pois depois todo mundo ficou olhando para nós se perguntando “Quem são esses caras?”...hahahaha! Aliás, dependendo da banda é mais fácil entrevistar os caras fora do país do que aqui no Brasil, principalmente se são bandas maiores. Hoje podemos dizer que temos uma posição tranqüila em relação ao Stay Heavy, mas já sofremos muito. E ainda vejo que muito colegas de webzines, sites, revistas e até mesmo outros programas sofrem muito para trabalhar... É triste, quero ajudar a mudar isso.

Thiago - Falando ainda sobre coberturas de eventos, vocês vão ao festival Wacken na Alemanha praticamente em todos os anos de existência do programa. Como é ser da imprensa no festival e principalmente ser do Brasil? Eles respeitam igualmente ou tem alguma restrição?
Cintia -
A imprensa em geral é muito bem tratada no festival Existe uma estrutura montada em uma tenda que atende a todos os profissionais da imprensa, com computadores ligados à internet e onde se pode descarregar fotos, por exemplo, local de guarda volumes, local de recarga de bateria, sofás e mesas para entrevistas, local para coletiva de imprensa, além de um acampamento exclusivo para imprensa e convidados. Com relação às entrevistas, na realidade senti em pelo menos uma vez mais explicitamente que fomos privilegiados. Em 2007 solicitamos entrevista com o Lacuna Coil e a pessoa da Century Media responsável pela banda nos disponibilizou a Cristina Scabia para entrevistar, pois éramos de um local mais distante do que os outros veículos que estavam lá se matando por ela... Quando falamos que somos do Brasil o pessoal curte muito. O respeito se bobear é até maior.

Thiago - Vocês criaram também um canal no Youtube, onde os seus fãs podem ver os programas antigos. Acham que a Internet veio para tomar o local da televisão ou um está ajudando o outro com as suas diversas tecnologias?
Vinicius -
O Stay Heavy surgiu em uma WebTV e não poderíamos ficar de fora de um instrumento de divulgação como o Youtube, que é um dos sites mais visitados do mundo! Como marqueteiro isso é inevitável...hahahaha! Vejo o Youtube como mais uma ferramenta de divulgação e de opção para quem quer curtir o programa, por isso criamos um canal lá, onde estamos colocando muitos conteúdos, desde programas antigos até conteúdos exclusivos, quem quiser curtir o é só procurar por (www.youtube.com/stayheavyTV). Quanto ao fato da internet “tomar” o lugar da TV, acho pouco provável. Acredito em uma interação cada vez maior entre as mídias. Além disso, acredito muito também em conteúdos Mobile (celular), que na minha opinião vão ganhar muito espaço nos próximos anos e vão se tornar um dos principais veículos de informação e entretenimento, e no Stay Heavy estamos atentos a isso. Em breve iremos anunciar muitas ferramentas interativas no programa, é só aguardar!

Thiago - Uma pergunta para a Cíntia. Muitas pessoas vêem o Stay Heavy principalmente porque você é bonita, mas também inteligente. Já pensou sobre isso?
Cintia -
Obrigada pelo elogio. Na realidade acho que é uma união das coisas. As pessoas acham legal ter uma mulher que curte e conhece Metal, que passa credibilidade, mas sem ter um visual agressivo. Aliás, muitas pessoas que me conhecem de fora do segmento dizem que eu não tenho cara de quem curte Heavy Metal, mas já aprendi a conviver com isso desde pequena, quando tinha meus cadernos encapados com mais e mais bandas e ninguém acreditava que os cadernos eram meus... Enfim, eu acredito que o visual é importante, mas conteúdo é imprescindível. O público que curte Metal é muito inteligente e, portanto, bastante exigente. Se eu fosse só um rostinho bonito sem o conhecimento que tenho, pelo menos parte dos telespectadores mudaria de canal, pois eu outros teriam mulheres que mostram mais do que só o rosto...

"Tivemos inúmeras entrevistas exclusivas, inclusive uma delas muito marcante, a do Blind Guardian, onde eles foram headliners do festival e nos concederam uma entrevista exclusiva logo após a apresentação. Isso foi muito louco pois estava presente a imprensa do mundo todo lá e os caras foram só para falar com a gente e foram embora. Foi até engraçado, pois depois todo mundo ficou olhando para nós se perguntando “Quem são esses caras?”...hahahaha! Aliás, dependendo da banda é mais fácil entrevistar os caras fora do país do que aqui no Brasil, principalmente se são bandas maiores. Hoje podemos dizer que temos uma posição tranqüila em relação ao Stay Heavy, mas já sofremos muito. E ainda vejo que muito colegas de webzines, sites, revistas e até mesmo outros programas sofrem muito para trabalhar... É triste, quero ajudar a mudar isso." - Vinicius Neves

Thiago - Quando pensaram no programa, vocês lembraram do extinto Fúria da MTV? Lembro que era uma excelente oportunidade de se conhecer bandas novas. Penso que quanto mais divulgação de bandas nacionais, melhor para a cena atual...
Vinicius -
Poucas pessoas sabem que nos primeiros programas pela Rede NGT, o ex-diretor do Fúria Metal, Paulo Marchetti, foi quem dirigiu o Stay Heavy. Ele ficou pouco tempo com a gente porque o Stay Heavy já tinha uma formatação e eu já fazia e ainda faço a sua direção geral, mas foi muito legal trabalhar com ele neste curto período de tempo. Acho que o Stay Heavy também tem essa função de “mostrar” bandas novas e o que está rolando pelo mundo, e neste contexto as bandas nacionais se encaixam, de igual para igual, às bandas “gringas”. Aliás, com uma grande freqüência recebemos mensagens de telespectadores citando bandas que conheceram no programa. Recentemente criamos uma nova seção no Stay Heavy que se chama “banda independente” onde sempre mostramos bandas novas, que estão despontando, e que muitas vezes ainda nem tem o CD oficial lançado. É um espaço a mais para a galera que está começando. Temos muitas bandas boas em nosso país, e os caras lutam muito, é uma pena não termos tanto espaço para divulgação na grande mídia. Espero que isso mude, e se o Stay Heavy colaborar um pouquinho que seja para isso já considero minha missão no Metal feita.

Thiago - Para vocês qual o papel da imprensa nacional? Acreditam que tenha muito picareta só pra garantir um lugar no show?
Vinicius -
Isso existe em todos veículos de mídia, não se restringe somente ao nosso segmento, mas é fácil distinguir essas pessoas. A maioria dos promotores de shows e gravadoras sabem fazer isso muito bem....hahaha! E nós também!

Thiago - Pensam em algum dia ir para alguma televisão de grande nome, já tem algumas propostas?
Vinicius -
Isso é uma coisa legal de comentar... Muita gente chega para nós e diz: “Por que vocês não passam na MTV ou na RedeTV!?” Sabe qual é nossa reação? Nós damos risada... e explicamos o porque. Os custos para se fazer um programa de televisão, independentemente de onde ele será veiculado, são muito altos, mas muito mesmo! E se esse programa for veiculado em uma grande emissora, seus custos são muito maiores ainda, pelo custo do horário, e não preciso nem falar que em nosso segmento não se tem apoio suficiente. Soma-se a isso o preconceito dos leigos que são a maioria no comando de agências de publicidade, diretoria de programação de emissoras, etc, o que torna esse sonho “inviável”. A solução para lutar contra tudo isso é fazer as coisas certas e com as pessoas certas, mas as recompensas levam tempo a serem alcançadas. Se analisarmos a trajetória do Stay Heavy, desde a sua criação até hoje, conseguimos sair da internet e em apenas 4 anos de existência estamos sendo transmitidos em mais de 50 emissoras espalhadas em todo Brasil, sendo que já passamos por emissoras de renome como a Rede TV! até o início de 2007 para o Sul do país. Mesmo contando com inúmeros contratempos conseguimos levar a cultura do Metal para inúmeras pessoas nos dias de hoje, mas queremos muito mais. Crescer com os pés no chão é nossa mentalidade. Não precisamos estar na Rede Globo ou no SBT para mostrar a força do Heavy Metal, não estamos em busca da “fama” no Stay Heavy, estamos em busca do reconhecimento de um estilo musical que é muito forte em nosso país, sem preconceitos ou idiotices. A tendência do Stay Heavy para 2008 é crescer muito, mas com consciência, sem pressa. Temos muitas surpresas armadas para esse ano já, a galera vai curtir. E só para matar a curiosidade da galera, sim nós já tivemos uma sondagem de uma grande emissora no final de 2006, mas acabou não dando em nada. Recentemente tivemos uma outra sondagem de uma grande emissora, o que é muito legal, e isso prova que o Metal tem seu espaço sim na televisão e que não precisamos nos “vender” para conseguir este espaço.

Thiago - Trabalhando em comunicação, qual a imagem que vocês acham que nós headbangers passamos ao público em geral?
Vinicius -
Cara, acho que a visão é a mesma que sentimos na pele no dia a dia. Eu, principalmente, sei disso. Como trabalhei na Bolsa de Valores por muito tempo, hoje, quando vou visitar alguém no mercado financeiro, todos em volta ficam me olhando e se perguntam “O que esse cabeludo cheio de tatuagem está fazendo aqui?” E quando sabem o que eu faço e sabem da minha formação ficam admirados, e tenho certeza que lá no fundo bate aquela voz “Puxa, queria realmente seguir meu sonho...” Isso eu ouço a todo momento, e entendo muitas pessoas não seguirem seus sonhos e se submeterem a dedicar sua vida a um trabalho que não gosta, pois existe uma cultura imposta de que temos que ser bem sucedidos na vida, construir uma família e etc... É a vida, mas admiro muito mais os corajosos que mesmo sabendo disso tudo que é nos imposto, ainda correm atrás de criar algo. A idéia do Stay Heavy é mostrar a força do estilo em todas suas vertentes e nisso está incluso o fato de que nós headbangers não somos um “bando de cabeludos malucos”, mas sim pessoas que pensam, comem e vivem como todo mundo e que gostam de um estilo musical que é maravilhoso.

Thiago - Todas as bandas estrangeiras dizem que o público daqui é o melhor. Vocês também acreditam nisso? Ou acham que eles falam para ganhar os fãs...
Vinicius -
Eu acho o público brasileiro o melhor disparado, porque nós vivemos em um país onde a cultura é totalmente avessa ao Metal, onde o preconceito está estampado e, além de tudo, temos uma língua nativa que praticamente nos deixa só no mundo... Quer mais argumentos? Ai vai... Nós temos um poder aquisitivo no mínimo 5 vezes menor do que qualquer país onde o Metal é mais difundido e não temos tanto espaço para divulga-lo e, mesmo assim, lotamos shows, temos uma imprensa segmentada em desenvolvimento cada vez maior, temos os principais selos de Metal licenciados por aqui e ainda por cima cantamos todas músicas do show...hahahaha! Quer mais ou já chega? Sem dúvida alguma o Brasil tem o público mais fiel e dedicado, só acho que às vezes não sabemos aproveitar tudo isso para nosso bem, como por exemplo, ajudar a acabar com essa imagem estereotipada que muitos leigos têm do Metal, que somos drogados ou adoradores do demônio ou besteiras que sempre ouvimos. Isso é muita estupidez na minha opinião. Temos que mostrar o lado cultural do Metal, afinal é entretenimento.

Thiago - Qual a opinião de vocês sobre os produtores de shows no Brasil? Vejo uma crescente de shows grandes aqui em nossa terra e de bandas que não nos visitariam tão cedo.
Vinicius -
Existem promotores sérios e picaretas, assim como em outros segmentos de profissão. Aqui não é diferente. Com a queda do dólar em relação a nossa moeda ficou mais barato fazer shows aqui em nosso país, por isso vemos essa enxurrada de shows internacionais por aqui.

Thiago - Como foi realizar o Stay Heavy Metal All Stars no Blackmore Rock Bar?
Cintia -
O Stay Heavy Metal Stars foi concebido com o intuito de ser uma confratenização entre músicos e público. Quisemos mostrar ao público o que apenas convidados haviam visto até então em festas na imprensa. E deu certo. O evento é um sucesso. Este ano faremos a terceira edição e já estamos nos mexendo para isso. O Blackmore abrigou as duas primeiras edições e foi um grande parceiro. Vamos ver o que 2008 nos reserva.

Thiago - Pensam em lançar em DVD os programas do Stay Heavy? Principalmente aqueles onde as bandas aparecem tocando ao vivo...
Vinicius -
Essa é uma das surpresas que falei que estamos armando para 2008. Na realidade não é um DVD com as apresentações das bandas que passaram pelo programa, mas sim uma série de DVDs com nossa marca, com apresentações gravadas exclusivamente para nós, uma espécie de acústico MTV só que com um conceito diferente, em vez de acústico vai ser “Plugado, e mais pesado do que nunca!”. A série de DVDs se chamará “Live at Stay Heavy” e inclusive nós já gravamos o primeiro da série, que foi com a banda mineira Tuatha de Danann e que ficou show! Este DVD será muito especial, pois ele contará com o Tuatha tocando com convidados especiais em apresentações históricas. Só para dar um gostinho do que há por vir, o DVD contou com a participação de nomes como Aquiles Priester (Angra, Hangar) tocando bateria como Tuatha, entre outras curiosidades. Quisemos fazer algo que ficasse com a cara do Stay Heavy, assim como no Stay Heavy Metal Stars, quisemos fazer coisas inusitadas. Além disso este DVD contara com vários bônus.Além da série de DVDs do Stay Heavy que serão lançados neste primeiro semestre ainda, temos outras novidades para a galera que já posso adiantar, como a mudança de toda nossa arte gráfica no programa que agora é toda em 3D, e que ficou muito show. Foi feita pelo renomado Fernando Thales. E uma reformulação no layout do programa feita pelo grande Gustavo Sazes que ficou show e a galera vai curtir muito. Também tem uma grande promoção que vamos lançar em conjunto com a Revista Roadie Crew de levar um fã para assistir ao Wacken 2008 e que ainda vai ficar no Backstage! Sem dúvida nenhuma essa será a maior promoção já feita na cena do Metal e é um presente do Stay Heavy aos fãs e para as pessoas que curtem o programa. Para saber como participar desta promoção é só entrar em nosso site :www.stayheavy.com.

Thiago - Muito obrigado pela entrevista. Espero que o programa ganhe mais público e cresça ainda mais na cena brasileira. Este espaço é de vocês para maiores considerações.
Cintia -
Thiago, valeu mesmo por ter nos procurado. É sempre um prazer falar um pouco mais do programa. Apenas peço desculpas pela demora no retorno das respostas, mas jornada tripla não é mole não. Quero registrar que tudo que temos feito pela cena e pelo programa é de coração. As dificuldades enfrentadas para leva-lo adiante já nos fez pensar em desistir algumas vezes no passado, e sempre foi o público que nos deu força para continuar. E hoje temos o apoio do público mais do que nunca, portanto sua continuidade é garantida. Valeu pelo espaço.
Vinicius - Eu que agradeço pelo espaço Thiago,valeu mesmo! Agradeço também pela força da galera que sempre apoiou o Stay Heavy, sou muito grato! O Stay Heavy vai seguir sua caminhada erguendo a bandeira do Heavy Metal dentro da televisão e podem ter certeza que vamos tentar fazer isso da melhor maneira possível! Valeu e Stay Heavy!