17/09/2008 - por Thiago Rahal

Em meio ao lançamento do debut The Dark Path of the Fallen Souls pela Die Hard Records, os membros da banda situada em Campinas falam co exclusividade sobre a receptividade do álbum, os primeiros shows e planos para o futuro.

Thiago Rahal - Primeiro, gostaria de agradecer a banda por esta entrevista e já começo perguntando de onde veio o nome SoulRiver?
Andherson -
Nós é que agradecemos Thiago, é uma grande satisfação pra nós! O nome SOULRIVER tem uma história engraçada, pois saiu de onde ninguém poderia imaginar que sairia o nome de uma banda de metal, certa vez quando tinha uns 18 anos assistia um seriado nacional e um grupo de adolescentes foram para uma cidade chamada "Rio das Almas", era uma cidade onde tinham muitas estórias de fantasmas, casas mal assombradas e tal, aquele nome me chamou a atenção de cara, aí eu vi que em Inglês também ficava legal e tinha um certo impacto, além de poder ser desenvolvida toda uma estória por trás deste nome também...

Thiago - O álbum de estréia “The Dark Path of the Fallen Souls” foi lançado no Brasil pela Die Hard Records. Qual foi o processo para se chegar até a assinatura do contrato? Pergunto isso, pois muitas pessoas no país não sabem o quão complicado se é chegar numa gravadora de nome e lançar um álbum no mercado.

Andréas - Principalmente com as bandas menos conhecidas, o processo completo de lançar o CD ficou em parte á cargo da banda. Na realidade no começo não há diferenças com uma criação de um álbum independente. A banda teve que financiar todos os passos (a gravação, a mixagem, o master, a arte, etc...). Mas até antes de começar gravar um álbum foi preciso muito planejamento e paciência, trabalhamos detalhadamente os mínimos detalhes. Todo mundo sabe que estúdios não são baratos, por isso gravamos guias completas antes de entrar no estúdio, para saber quais seriam as dificuldades que poderíamos encontrar. Nós entramos em contato com a Die Hard no meio do caminho quando haviam umas 3 músicas já prontas, elas passaram por um controle de qualidade, e no nosso caso foram aprovadas para um contrato com a gravadora. Daí foi negociado como ficaria o produto final. A grande vantagem de se trabalhar com uma gravadora é que chama mais atenção da mídia e abre muitas portas para resenhas e para expor a banda para um público maior.

Thiago - O disco foi muito bem aceito pela crítica especializada brasileira, para uma banda que lançou seu primeiro disco no mercado, como foi receber esses elogios? Existe uma certa hipocrisia entre alguns músicos que dizem não gostar de críticas, mas insistem em aparecer na mídia, para vocês o quão importante são as palavras ditas por nós jornalistas, sejam elas positivas ou não?
André -
Temos estado muito contentes com a repercussão do The Darkt Path of the Fallen Souls nas revistas, webzines, fanzines, sites especializados, etc. Receber os elogios é uma sensação de reconhecimento do sentimento que tivemos durante a gravação e composição, durante este período queremos fazer som de qualidade, originalidade e colocamos muito sentimento e energia no trabalho. Finalmente ser bem recebido por fãs e pela crítica fecha este ciclo e nos dá forças para os próximos álbuns. As críticas são importantes, necessárias e benvindas. Logicamente todo artista espera receber críticas positivas sobre sua obra e isto vem acontecendo com nosso debut. Porém isto nem sempre se repete, pois gostos variam e devemos manter a cabeça aberta para críticas negativas –vezes elas expressarão o gosto pessoal do crítico, vezes elas demonstrarão se nós realmente faltamos em alguma parte, aí é bom entender a mensagem para desenvolvermos ainda mais.

Thiago - A line up é composta por Andherson Nemer (Vocal), Andréas Igorr (Guitarras), Vinnie Kemp (Bateria), Franz Souza (Guitarras) e André Rudge (Baixo). Como a banda se formou? Ela teve o tradicional trajeto de várias bandas que se formaram nas famosas “garagens”, ou foi algo mais acidental?
Andherson -
Na verdade um pouco dos dois, o Andreas foi quem recomeçou a banda comigo após eu ter "desistido" de montar a banda, tivemos um bom período de amizade e fusão de idéias antes de começarmos a procurar por outros músicos, o Franz tava saindo da aula dele de guitarra e eu já conhecia ele, aí eu perguntei, "você conhece alguém que toca guitarra" e ele disse "sim, eu" rsrs. Esses dois foram por "acidente" e o André eu já conhecia e admirava há algum tempo, no caso do Vinnie também foi meio acidental por que ele me ligou pra cantar na banda dele e acabou entrando pro SOULRIVER rsrs

Thiago - O disco mescla três estilos do Heavy Metal – o Thrash, o Tradicional e o Doom - que tem como característica principal o peso das guitarras. Quais são as principais influências de todos os músicos da banda? Vamos ver se eu acerto uma influência de vocês, a banda Nevermore, estou correto?
André -
(risos) Você acertou! Temos inúmeras outras influências por causa da heterogeneidade dos músicos da banda. Particularmente escuto muita música erudita (Pagannini, Bach, Mozart, Carl Orff) ao mesmo tempo que ouço Megadeth, Pro-Pain, Arch Enemy, Biohazard (que aliás entre Testament e Kreator é também uma grande influência do Franz) e outras coisas. O Andherson tem nítida influência do Iced Earth e Nevermore, mas soube encontrar seu estilo característico. Igorrr já traz muitos elementos do Symphony X e King Diamond. Vinnie é muito versátil e gosta de muitos estilos e isso o torna um baterista completo.

Thiago - Pergunto isso, pois o estilo de cantar do vocalista Andherson Némer me lembrou o excelente Warrel Dane...
Andréas -
Ah sim, as pessoas que o ouvem cantando sempre dizem isso e ele realmente tem influência do Warrel, mas dentro de seu timbre conseguiu encontrar uma identidade bem própria, de acordo com outras influências que ele também tem para cantar.

Thiago - Andherson Némer, você está preparado para as comparações que muitos a respeito? Conhecendo um pouco a cena brasileira, muitas pessoas simplesmente não escutam o som, pois alguém chega e fala “esse cara é cópia do Warrel Dane”. Digo que esse não é o meu caso, pois apreciei muito o seu estilo de cantar variando do mais grave ao melódico em diversas canções.
Andherson -
Opa, muito obrigado Thiago! Sim, estou preparado para as comparações pois as encararei sempre como críticas positivas mesmo que elas não sejam, pois aprendi a cantar ouvindo Iced Earth e Nevermore e o Warrel é um puta vocalista, se estão me comparando com ele é sinal que canto bem,
estamos todos sujeitos á comparações em tudo o que fazemos em nossa vida e no caminho da música não é diferente mas encaro isso tudo como positivo e edificante. Eu tive um professor de canto que costumava dizer que o vocalista tem três fases: a de tentar imitar um vocalista que admira, a de conseguir imitá-lo e a de saber absorver e descartar o que você acha que vai ser bom pra você criando uma característica própria entende... Pior é se me comparassem com o Reginaldo Rossi ou Tiririca rsrsrs







Integrantes da banda Soulriver

Thiago - Falando um pouco sobre as músicas, a faixa de abertura “Redeemer” tem um ótimo riff, muito empolgante por sinal e um refrão pegajoso. Falem um pouco sobre ela, inspirações, etc...
Andréas -
Essa até foi a primeira música que Andherson e eu fizemos. Quando falamos de (re)formar uma banda ele sempre me contou como ele adora a banda Iced Earth. A maior influência para o riff principal da Redeemer realmente foi a música "The Hunter". Um dia eu gravei o riff para um MP3 player e mostrei para o Andherson quando a gente foi na estréia do Senhor dos Anéis - Retorno do Rei. O interessante foi que ele no ato já sabia o que cantar e tinha até idéia para a letra rsrs.

Thiago - Por falar em músicas, vocês lançaram o álbum todo no MySpace oficial da banda. Porque resolveram fazer isso? A melhor forma de se combater a pirataria musical na Internet seria liberando as próprias músicas, para assim as pessoas darem o valor que merece?
Andherson -
Bom, na verdade colocamos cinco das oito músicas do CD lá, queríamos que quem visitasse o nosso myspace tivesse uma boa dimensão de nossa música e abrangesse sua atmosfera, até por que o myspace é um veículo fantástico para divulgação de bandas no mundo inteiro, e somos uma banda ainda desconhecida no cenário mundial, portanto tomamos esta decisão, também por aconselhamento do Fausto (Die Hard), pois ele havia dito que tem que deixar pra download mesmo, propaganda é a alma do negócio não é!? Outro dia por exemplo, uma pessoa da Noruega me escreveu pedindo para mandar a música Redeemer em Mp3 que gostava muito dessa música, não hesitei em agradecer e manda-la. Outro cara da França pediu para comprar o CD pelo correio, então podemos concluir que o que você citou é certo sobre liberar as músicas, por que algumas pessoas dão um certo valor sim.

Thiago - A venda do disco diminuiu por cauda disso? Se não, essa seria uma saída válida para o mercado musical?
André -
Como o Andherson mencionou, esta é uma forma importante de divulgação para uma banda que dá seus primeiros passos no cenário mundial. Bons ouvintes e fãs não se contentam com uma mera mp3, ele quer qualidade no som, escutar cada nuance da música com definição e poder ler sobre a banda, apreciar o encarte, vasculhar a quem os músicos agradecem e ficar contente de poder tirar o CD da prateleira para mostrar para amigos. A proliferação na internet é inevitável, sobretudo por esta razão ela deve ser vista como aliada, e não obstáculo.

Thiago - Já a música “Fallen Souls” possui um ritmo mais cadenciado e com uma levada de bateria interessante. Vocês preferem tocar sempre rápido, ou às vezes esse tipo de som cai bem, principalmente ao vivo onde se torna mais intenso.
André -
Na verdade durante a composição não julgamos se a música está rápida ou devagar, a partir da expressividade do riff em que estamos trabalhando é definido o tempo daquele trecho ou música. Realmente Fallen Souls e Redeemer são mais cadenciadas pois seria uma “ressonância natural” da música, isto nos ajuda a passar a atmosfera do Soulriver para o público.

Thiago - Em seu site oficial o SoulRiver nos traz diversas informações, dentre elas um texto sobre o Mito do Guardião, escrito pelo vocalista Andherson Nemer. Vocês já pensaram em escrever um livro sobre os temas abordados pela banda em suas músicas? E o que seria o Mito do Guardião?
Andherson -
Sim Thiago, temos planos para toda a mitologia do SOULRIVER, embora não tenhamos pensado em livro mas quando a hora certa chegar gostaríamos de fazer um full lenght com "Story Book" de toda a mitologia incluindo o Mito do Rio das Almas, do Guardião, das Almas Caídas, dos Pardais Negros e mais alguns personagens que ainda vamos revelar no desenrolar dos álbuns...
Sobre o Mito do Guardião, resumidamente ele é uma entidade pré-existente á criação do cosmo e é encarregado de encaminhar as almas recém julgadas para o seu destino sobre as águas do Rio das Almas, a música "Tehruss n' Gaarak" do nosso CD é uma "extrema Unção" na língua do Guardião, quem quiser saber mais sobre os mitos é só visitar noso web site oficial: www.soulriver.net na parte de mitos.

Thiago - The Soulriver (The Six Passages), sem dúvida nenhuma é um dos pontos altos do disco, mostrando toda a versatilidade do grupo. Se eu quiser apresentar apenas uma música para alguém e falar, isso aqui é o SoulRiver, essa canção seria a indicada?
Andherson -
Obrigado, sim, sem dúvidas que ela retrata de um modo geral o CD, na verdade ela é uma estória das seis passagens do Vale do Rio das Almas e tem também a "The Sign of the Spawn" que também capta bem a essência da banda.

Thiago - Vocês que são da cidade de Campinas, emergente no cenário nacional – com algumas bandas no mercado, tais como Hellish War e Deventter – podem me explicar a diferença de público com a da capital paulista. A dificuldade é maior para se tocar?
Andherson -
Excelentes bandas você citou hein!? Acho que não existem muitas diferenças entre as duas cenas citadas, mas é claro que na capital encontramos mais dificuldades para conseguir shows.

Thiago - Para fechar, existe algum plano para uma turnê internacional e nacional?
Andherson -
Já começamos com shows pelo interior paulista para divulgarmos o CD, fizemos também um show em Passos (MG) que foi maravilhoso, e ainda estamos em fase de âmbito nacional, estamos nos organizando para tocar em vários estados do Brasil, mas é difícil, precisa de apoio e conseguir isso na cena Metal não é fácil. Temos um Manager aqui no Brasil, o Johnny Z e outra em Portugal a Hanna que está tentando nos levar pra tocar lá assim que ela fechar algumas parcerias também. Por enquanto estamos contentes com os reviews do CD que estão acima de nossas expectativas e a aceitação do público também está sendo ótima os shows são conseqüencia de tudo isso.

Thiago - O Metal Revolution agradece mais uma vez por esta entrevista e deixo aqui o espaço para maiores esclarecimentos e agradecimentos.
SoulRiver -
Nós é que agradecemos pela oportunidade de divulgar a banda no Metal Revolution, queremos deixar a mensagem aqui para todas as pessoas que apreciam a banda que estamos batalhando incessantemente pelo nosso espaço, com muita dedicação, competência e humildade, agora é hora de fazermos muitos shows para divulgar o primeiro CD, mas já estamos trabalhando paralelamente no segundo álbum, teremos novidades em breve...
"The Saga has just begun...
...JOIN THE FALLENS SOULS!!!!!!!!!!!!!!"