Redator-chefe
de importante revista, músico, ex-roadie do Angra, cordenador
de assessoria de imprensa... Calcado neste 'pequeno' curriculum,
Batalha abordou temas relacionados a sua história e a cena
atual nesta entrevista exclusiva.
Thiago
Rahal - Gostaria de agradecer por esta entrevista e já
pergunto sobre o começo de sua carreira, como veio parar
no jornalismo cultural?
Ricardo Batalha - Eu que
agradeço a oportunidade, é uma honra. Bem, posso
dizer que o meu maior sonho foi realizado! Por este lado eu sou
totalmente realizado, pois trabalho com o que sempre sonhei fazer.
A história é mais ou menos a seguinte... Quando
tinha doze ou treze anos estava com meu falecido pai - que era
um advogado conceituado na área do Direito Comercial -
em uma gráfica, que passava por dificuldades e estudava
a possibilidade de entrar com pedido de Concordata Preventiva.
O dono era um cara legal e naquela reunião ele me perguntou
o que eu mais queria fazer na vida. Respondi que queria fazer
uma revista e ele me deu uma espécie de boneco e mandou
eu rabiscar o meu projeto. A capa da revista imaginária
seria o Black Sabbath. Tenho isso guardado até hoje! Anos
depois, me formei em Direito, mas felizmente fui atrás
do que sempre quis. Fui atrás mesmo. Nunca deixei de escrever,
mesmo não sendo de um veículo específico.
Me formei, mas odiava a faculdade! Depois que meu pai faleceu
eu resolvi largar a advocacia. Ou tomava esta decisão ou
ficaria infeliz a vida toda! A primeira coisa que fiz após
deixar a advocacia foi ser roadie do Angra. A mudança foi
brusca, mas prefiro estar num palco a entrar no fórum.
Hoje sou redator-chefe da Roadie Crew e sinto-me um afortunado
por isso. Já pelo lado financeiro... (risos).
Thiago -
Pergunto isso, pois vejo uma similaridade muito grande entre o
jornalismo cultural e o esportivo. Aliás, eles são
iguais, pois mexem com as paixões das pessoas, ou seja,
os seus clubes de coração e ou bandas do coração.
O que pensa a respeito?
Batalha - Você está certo, há muita
similaridade mesmo na reação das pessoas. E isto
vale não só para futebol, mas para todos os esportes.
Sei muito bem porque trabalhei durante vários anos na revista
Top Fight, especializada em Boxe e Artes Marciais. Meu irmão
era o editor e sempre falávamos a respeito das reações
dos leitores. Hoje percebo que eram bem parecidas com as dos que
lêem a Roadie Crew. Os amantes do Boxe parecem muito com
fãs de Metal falando de seus preferidos (risos). E eu me
encaixo nisso! Brasileiro em geral é fã do Iron
Maiden, do Ayrton Senna e do Mike Tyson. Eu sou fã do Judas
Priest, do Nelson Piquet e do Muhammad Ali (Cassius Clay). Aí
já viu quanto tive (e tenho) que discutir, né? (risos)...
Thiago -
Você acredita que quem critica um disco deveria pelo menos
saber tocar algum instrumento ou isso vai de cada pessoa?
Batalha - Não necessariamente. Isto vai de cada
pessoa, porque todo mundo que ouve música a critica, só
que alguns trabalham com isto de forma séria e profissional.
O fundamental é saber escrever e avaliar o trabalho de
acordo com o gênero musical, além de ouvir e analisar
com calma, não sendo tão passional a ponto de largar
mão à primeira audição. A crítica
pode ir para vários caminhos, mas acredito que criar um
estilo próprio é importante. Também acho
que se o crítico for se meter a falar da técnica
individual, da escala usada, do tom, do ritmo, é bom ter
cuidado, porque aí sim ele deve ter conhecimento de causa
na hora de falar da habilidade do músico. Tanto isto é
verdade que existem revistas especializadas em instrumentos e
nestas é comum as resenhas falarem mais a fundo sobre a
técnica individual dos músicos. Mesmo assim, em
nossa equipe temos vários músicos e ex-músicos,
como Ricardo Campos (guitarra), Antonio Carlos Monteiro (guitarra),
Vitão Bonesso (bateria), Bento Araújo (baixo), Luiz
Carlos Vieira (guitarra), Claudio Vicentin (bateria), Maicon Leite
(baixo/vocal) e eu, que tocava bateria.
| Thiago
- Como você veio parar na Roadie Crew? Sempre gostou
de escrever ou foi por acaso? Eu sou formado em jornalismo,
mas acredito que se a pessoa tem o dom e transmita credibilidade,
ela não precisa fazer o curso para escrever bem...
Batalha - Sempre gostei de escrever, especialmente
sobre música! Acredito que tenho certa facilidade
porque atuei em diversas áreas, seja tocando bateria,
fazendo shows, gravando, compondo, como também
sendo roadie. Além disso, editei dois fanzines
(Deathcore e Silent Rage), fiz parte de um programa de
Metal na rádio Opcional e escrevo há muito
tempo em jornais, revistas e sites. A história
de ir para a Roadie Crew é curiosa. Eu tinha ido
ao saudoso Black Jack Bar (SP) ver um show de um cover
do Black Sabbath, que não era o Electric Funeral
do Vitão Bonesso. Era outra banda e fui justamente
para ver se era tão boa quanto à do Vitão.
Chegando lá, fiquei sabendo que haveria a abertura
a cargo de uma chamada Cicatrix. Pois bem, assisti aos
shows, mas acabei achando aquele cover do Sabbath um lixo,
mas curti bastante o som do Cicatrix. Aí resolvi
falar com o pessoal da banda para pedir o material deles
para divulgar no fanzine que eu fazia com meu irmão
(Frederico Batalha), o Silent Rage. No final, o baterista
da banda era o Claudio Vicentin, editor da Roadie Crew,
e o baixista era o Rodney Christófaro, antigo diagramador
e membro da equipe. Eles me passaram o material do Cicatrix
para o Silent Rage. O mais engraçado é que
no número 1 do zine saíram o Cicatrix e
a minha banda na época, o Swingfire. E a coincidência
foi tanta que até mesmo na seção
de Demos da Rock Brigade as duas bandas saíram
na mesma edição (risos). Tempos depois,
como já havíamos formado uma amizade, fui
para o fanzine Roadie Crew, que hoje é a revista
que todos conhecem. |

|
Thiago
- Você agora é o Redator Chefe, mas quando chegou
não tinha esse posto, o que teve que cobrir ou escrever
e você hoje em dia pensa algo como 'eu fiz mesmo isso'?
Batalha - Não, éramos todos colaboradores,
mesmo porque não era uma revista e sim um fanzine, P&B
e com poucas páginas. Não fiz nada que mereça
desprezo de minha parte. Nós sempre lutamos para fazer
a Roadie Crew crescer. Fazê-la andar, dar um passo de
cada vez, mas sempre visando a evolução.
Thiago
- A Roadie Crew não é a única revista especializada
no Brasil. Temos a Rock Brigade, tínhamos a Rock Hard/Valhalla,
entre outras. O que faz com que a Roadie Crew se destaque das
outras, na sua opinião?
Batalha - Acredito que seja a isenção,
a linha editorial e as nossas seções. Somos uma
revista especializada em Heavy Metal, mas este estilo engloba
várias subdivisões que agradam o nosso público
alvo e por isso adicionamos o Classic Rock, que na verdade sempre
fez parte da revista. Só que a Roadie Crew é mesmo
mais fechada, não é Rock em geral. Nós
não fazemos matérias com bandas como Nirvana,
Pearl Jam, Offspring, Green Day, Foo Fighters, Titãs,
Barão Vermelho, Ira, Charlie Brown Jr., entre muitas
outras nacionais e internacionais. Além disso, sempre
trabalhamos sem achar que tudo está bom. Nunca está
bom! Mesmo assim, quero deixar claro que empáfia não
faz parte do nosso vocabulário. Já ouvi falarem
de forma pejorativa que a Roadie Crew é apenas 'fanzine
de luxo'. Pois bem, assim seja. Isto é um elogio! Afinal,
de onde viemos?... Nós temos que continuar evoluindo
e atender aos inúmeros pedidos dos nossos leitores. O
leitor nos ajuda a melhorar. Mesmo que não consigamos
publicar tudo que eles pedem, vamos atrás! Eu e o Thiago
Sarkis costumamos ir atrás de entrevistas de bandas/artistas
que nunca saíram na revista, o que acho muito mais interessante
e desafiador. Além disso, criamos seções
como a 'Hidden Tracks' justamente para poder colocar bandas
que não são tão faladas.
Thiago
- Com a popularização da Internet, vários
sites surgiram na cena brasileira. Alguns se destacam, mas a
maioria sempre coloca a mesma notícia e/ou com opiniões
bastantes vagas. Qual a sua opinião sobre os sites especializados
do Brasil?
Batalha - Alguns muito bons infelizmente saíram
do ar. Quem está na ativa, com freqüência
e habitualidade, tende a sobressair. Mesmo assim, acho que para
se destacar é necessário uma boa equipe e um trabalho
profissional, especialmente porque qualquer um pode virar um
'expert' se souber fazer um site e colocá-lo no ar. É
difícil, porque ainda há 'resistência' de
gravadoras, promotores de shows e até mesmo de bandas
em apoiar os novos sites. Sei que muita gente que inicia os
trabalhos e tem intenção de fazer algo mais profissional
e sério sofre com isso. Mas isto só ocorre por
causa de alguns que montaram sites, mas só queriam mesmo
saber de receber CDs de graça e ir a shows sem pagar.
Quem pensa só com cabeça de fã não
trabalha bem.
Thiago
- Você acredita que as revistas estão perto do
fim justamente por causa da Internet? O que você e a Roadie
Crew pensam a respeito e o que a revista está fazendo
nesse ponto, para não ficar para trás?
Batalha - A culpa de tudo hoje em dia é da Internet?!
Claro que não vou falar pelos outros, mas a Roadie Crew
tem a revista (física) - que se torna um documento com
o passar do tempo - e um site ativo. A revista está sempre
crescendo e vende muito bem em banca. Em nosso caso, a Internet
nunca foi problema e sim uma excelente ferramenta de trabalho.
Mas como sempre digo, nunca está bom! Temos sempre que
evoluir e por isso vamos fazendo os trabalhos paralelos, como,
por exemplo, esta iniciativa maravilhosa do nosso editor Airton
Diniz, o 'Wacken Metal Battle Brasil' (www.metal-battle.com.br).
Podemos fazer bem mais, mas como eu costumo dizer, um passo
de cada vez.
Thiago
- Qual a sua opinião sobre as resenhas de CDs e DVDs,
principalmente de jornalistas brasileiros? Você acha que
elas são muito pessoais e poucos acrescentam, ou ao contrário?
Batalha - Como disse antes, cada um tem seu estilo.
Existem os sensatos, os bem-humorados, os debochados, os que
adoram uma analogia, mas não vou falar pelos outros.
Só acho ridículo quem sempre acha tudo bom. Tem
também o outro lado. O do escracho, da esculhambação.
Por exemplo: se um CD-Demo é tão ruim assim, nem
coloque. Guarde no arquivo e não publique, pois você
será capaz de fazer com que um jovem pare de tocar um
instrumento e se decepcione antes mesmo de tentar evoluir. Se
ele entrar em contato perguntando o porquê não
saiu você explica. Já aconteceu isto várias
vezes conosco. E pode ter certeza que a banda encarou isto muito
melhor que se tivesse lido um redator detonando, execrando o
seu trabalho. Tem gente que é sádica, que curte
ver o sofrimento alheio. Eu sou contrário a isso. Sei
que há bandas que mandam material podre e sem nenhuma
noção de profissionalismo, mas ainda assim prefiro
ajudar. E ajudo, primeiramente, não publicando na revista.
Alguns podem encarar isto como uma postura covarde, mas no cabeçalho
da seção 'Garage Demos' da Roadie Crew está
escrito: 'as bandas com melhor qualidade dentro do seu estilo
serão selecionadas para figurar nesta seção'.
"Os
amantes do Boxe parecem muito com fãs de Metal falando
de seus preferidos
(risos). E eu me encaixo nisso! Brasileiro em geral é
fã do Iron Maiden, do Ayrton Senna e
do Mike Tyson. Eu sou fã do Judas Priest, do Nelson Piquet
e do Muhammad Ali (Cassius
Clay). Aí já viu quanto tive (e tenho) que discutir,
né? (risos)..." - Ricardo Batalha
Thiago
- É você quem escolhe as matérias nas quais
trabalhará, tanto em resenhas de CDs e DVDs, como em
entrevistas e especiais?
Batalha - Não só os CDs e DVDs que faço,
como de todos da Roadie Crew. Você acha que é tipo
no programa do Silvio Santos, que jogam as cartas para cima
e pega uma?! (risos). Aqui não! O Frans Dourado nunca
vai fazer uma resenha do Poison (risos). Sobre matérias
e entrevistas, depende do caso.
Thiago
- Falando em entrevistas, qual você literalmente tremeu
nas bases quando foi fazer?
Batalha - Com o passar do tempo você se acostuma.
Isto vem com o tempo, vira rotina. Você fica tão
frio que até assusta (risos).
Thiago
- Qual banda ou artista te surpreendeu, tanto na forma negativa
quanto na positiva, aquele que você pensava que nunca
falaria tal coisa, mas simplesmente falou?
Batalha - O Ozzy mesmo surpreendeu falando que tem
vontade de gravar um novo álbum de estúdio com
o Black Sabbath. Ele disse que quer, mas tem medo por temer
que o trabalho não saia como os antigos e clássicos
da banda.
Thiago
- Você participa de Orkut ou Fóruns de discussão
na Internet? Pergunto isso, pois a cena hoje em dia se resume
aos fãs que escrevem, falam besteiras, mas não
vão aos shows e nem compram CDs. O que pensa disso?
Batalha - Participo só do Orkut. Mas você
perguntou justamente o que eu sempre digo! Você deve ter
lido isto em alguma resposta minha na seção 'Roadie
Mail' (risos). É triste, mas muita gente hoje prefere
se 'reunir' pelo MSN e 'conversar' pelo Orkut. Seria muito mais
legal se estes saíssem à noite para bares, shows
de bandas nacionais, festas, eventos e reuniões de amigos
ao som de muito metal, tomando uma boa cerveja gelada. Como
eu coloquei no 'Roadie Mail', alguns 'Netbangers' criam 'teses'
sobre a cena, falam e acontecem, são agitadores, querem
ser polêmicos na marra, mas não colocam o pé
para fora de casa para prestigiar um evento com bandas nacionais.
Isto é lamentável! Ah, só uma coisa...
Nem todo mundo escreve besteiras. Já li muita coisa legal
e idéias bem coerentes no Orkut.
Thiago
- Quando escreve, simplesmente não pensa no que as pessoas
vão falar e/ou bandas com fãs mais ativos falarão?
Deve-se ter cuidado com o que vai comentar?
Batalha - Ser sensato e prudente é uma coisa,
agora puxa-saco e medroso é outra. Sem mais!
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Thiago
- Li sua coluna no site Sleevers Rock Channel (www.programasleevers.com)
e gostei bastante dos temas e das idéias propostas.
Você acredita que a Internet já está
no meio de nós, é algo que não tem
como fugir, somente se adequar?
Batalha - Com certeza. Minha coluna no site são
crônicas pessoais, sempre tendo como pano de fundo
algo ligado à cena do Metal. As respostas estão
sendo fantásticas, acima do esperado! Quem quiser
conferir, acesse: http://programasleevers.com/news/?cat=6.
Thiago
- Comente algum destes temas.
Batalha:
Vitão Bonesso - Um amigo e uma sumidade
na Rádio brasileira. Teve peito e visão ao
montar a web-radio Rádio Backstage (www.radiobackstage.com),
mas gostei que ele voltou para a rádio convencional,
com o programa Backstage agora na Kiss FM.
Stay Heavy - A melhor opção
na TV para os headbangers! Quem precisa da MTV?...
Galeria do Rock - O maior centro de Rock
do mundo!
Leitores da Roadie Crew - Da mesma forma
que os fãs são importantes para uma banda,
os leitores são para a revista.
São Paulo Futebol Clube - Tri-campeão
Mundial, Tri-campeão da Libertadores, 4 vezes campeão
Brasileiro, 21 vezes Campeão Paulista, Bi-campeão
da Recopa Sulamericana 1993/94, Campeão da Supercopa
da Libertadores de 1993, Campeão da Copa Conmebol
de 1994, Campeão do Torneio Rio-São Paulo
de 2001...
Thiago
- Quais são os cinco melhores discos na sua opinião?
(vingança das bandas, hehe)
Batalha - "Operation: Mindcrime" - Queensrÿche;
"Screaming For Vengeance" - Judas Priest; "Heaven
And Hell" - Black Sabbath; "Out Of The Cellar"
- Ratt; "To Mega Therion" - Celtic Frost. A lista
completa dos 30 melhores álbuns de estúdio
consta na edição # 100 da Roadie Crew.
|
Thiago
- Como redator chefe da Roadie Crew, você teve e ainda tem
que escutar todo tipo de música, mas deve ter algum estilo
preferido ou até mesmo, algumas bandas. Quais são?
Batalha - Meus estilos favoritos são Heavy Metal
Tradicional (incluindo a N.W.O.B.H.M.), Hard Rock (80's), Thrash
Metal, Prog, Doom e Gothic. Também não dispenso
um Black Metal na linha do Satyricon, por exemplo. Muitos acham
que só curto Hard Rock, mas não. A lista completa
dos meus 30 melhores álbuns de estúdio consta na
edição # 100 da Roadie Crew. Por aí a pessoa
pode ter uma noção do que mais curto.
Thiago -
Por que as pessoas têm dificuldade em aceitar o novo? Quando
uma banda muda alguma música, ou coloca coisas diferentes
em seu som, alguns fãs ficam revoltados e às vezes
até param de escutar o grupo, porque será que isso
acontece?
Batalha - Porque todos são passionais e sempre
esperam que a sua banda favorita não 'pise na bola'.
Thiago -
Qual a sua opinião sobre o download ilegal de músicas
na Internet?
Batalha - Uma realidade. Ninguém mandou vender
CDs a preços absurdos de 50 a 100 reais, ou mais! Agora
todo mundo está bonzinho, abaixando os preços, mas
não há mais volta. Mesmo assim, os colecionadores
seguem firme, comprando produtos originais. Existem também
os que baixam para conhecer e depois compram para ter na coleção.
E tem os que não estão nem aí e falam 'que
se dane, vou baixar tudo mesmo, é de graça! Nunca
mais gasto 1 centavo com isso'. E, dentre estes, conheço
vários que sempre foram assim... Eles adoravam ver você
comprar algo para logo gravar em K-7... É, K-7, porque
vinil não tinha como copiar (risos). Eles são os
mesmos que não saem de casa porque é caro. O sanduíche
da lanchonete é caro. A Pizza é caro. A churrascaria
é caro. A cerveja é caro. A entrada do bar é
caro. O show de banda nacional é caro. Tudo é caro
para estes. Todo mundo tem algum conhecido ou amigo que é
assim...
Thiago -
Tenho 23 anos, mas peguei a fase que os amigos trocavam fitas
K-7 e ou emprestavam os discos, hoje em dia basta um clique e
já se tem à discografia completa...
Batalha - É o que sempre digo. A magia ainda existe,
mas não é a mesma.
Thiago -
Por que poucas bandas brasileiras conseguem o sucesso lá
fora? Viper, Sepultura, Angra e agora Torture Squad e Hangar...
Batalha - Primeiro porque há tantas bandas lá
fora que eles não olham para cá como deveriam. E
você disse sucesso. Bem, sucesso quem conseguiu efetivamente
foi o Sepultura. Sepultura foi gigante e uma das maiores bandas
de Metal em meados dos anos 90. A popularidade do Sepultura rivalizava
com a do Pelé em termos do nome do Brasil no exterior.
Em uma escala um pouco menor foi o Angra. O resto tem aceitação
e visibilidade no mercado exterior, não sucesso no real
sentido da palavra.
Thiago -
Existem os dois lados da moeda, eu acredito que algumas pessoas
da cena nacional são unidas, mas a sua grande maioria quer
passar por cima do outro e se dar bem, qual a sua opinião
sobre isso?
Batalha - Há os que pensam nos outros e há
os individualistas. Mas o que importa é que algo seja feito.
Às vezes, uma banda faz a sua parte pensando somente nela,
mas indiretamente acaba ajudando outra. Ficar parado lamentando
é a pior coisa. Faça algo.
"Sempre
gostei de escrever, especialmente sobre música! Acredito
que tenho certa facilidade porque atuei em diversas áreas,
seja tocando bateria, fazendo shows, gravando, compondo, como
também sendo roadie. Além disso, editei dois fanzines
(Deathcore e Silent Rage), fiz parte de um programa de Metal na
rádio Opcional e escrevo há muito tempo em jornais,
revistas e sites." - Ricardo Batalha
Thiago -
Hoje em dia, o Brasil e principalmente São Paulo virou
rota obrigatória para shows internacionais, mas ao mesmo
tempo em que os shows aumentaram, algumas bandas quase nunca passam
por aqui. Bandas como Deep Purple, DIO, Iron Maiden, batem cartão
no Brasil. O que pensa a respeito?
Batalha - Não é de hoje que o Brasil se
tornou rota obrigatória de shows internacionais. O que
eu acho incrível é que quase sempre as mesmas tocam
aqui! Por que não trazem grupos que nunca se apresentaram
no Brasil? Exemplos não faltam: Celtic Frost, Mötley
Crüe, Journey, Ratt, Lynyrd Skynyrd, Possessed, Onslaught,
Iced Earth, Europe, Entombed, Tiamat, Pretty Maids, Vanilla Fudge,
Cinderella, Metal Church, Raven, Fates Warning, Grand Funk Railroad,
Great White, HIM, Blue Öyster Cult, Threshold, Death Angel,
Dokken, Annihilator, Running Wild, Anvil, Shakra, Hirax, TNT,
Loudness, Triumph, Amorphis, Trouble, Twisted Sister, UFO, Winger,
Y&T, ZZ Top, Superior, Agent Steel, Eldritch, Blitzkrieg,
Cheap Trick, Danger Danger, Fastway, Foghat, Kingdom Come, Hardcore
Superstar, Thin Lizzy, Tokyo Blade, Ted Nugent... Posso parar
por aqui?... (risos).
Thiago -
E sobre as famosas reuniões que as bandas clássicas
vem fazendo ao redor do mundo, quais são realmente verdadeiras
e quais são caça-níqueis?
Batalha - Todas são verdadeiras e todas são
caça-níqueis, se é que me entende (risos).
Thiago -
O que acha que precisa melhorar para a cena brasileira crescer
mais?
Batalha - O Brasil tem uma das cenas mais fortes do mundo!
São pessoas que realmente curtem Heavy Metal e não
é a toa que as bandas que tocam por aqui sempre elogiam
o público. Só acho uma pena que as grandes empresas
não enxergam isso. Ou até enxergam, mas não
conseguem (ou querem) entender. De nossa parte, temos que continuar
trabalhando com profissionalismo e tentar afastar os bandalhos
que atrapalham o desenvolvimento da cena como um todo. Tem muito
aproveitador posando de bom-moço por aí.
Thiago -
Quais são seus novos planos para o futuro e os da Roadie
Crew?
Batalha - Continuar evoluindo, dando cada passo de cada
vez. Na Roadie Crew nunca houve grandes saltos, mas também
nunca recuamos.
Thiago -
Muito obrigado pela entrevista e desculpe pela imensa quantidade
de perguntas (risos). Deixe um recado aos leitores do Metal Revolution.
Batalha - Agradeço mais uma vez a oportunidade
de falar aos leitores do Metal Revolution. Como costumo dizer,
se você é fã de Metal, é um privilegiado.
Não se esqueça disso nunca!