RICARDO BATALHA

28/03/2008 - por Thiago Rahal

Redator-chefe de importante revista, músico, ex-roadie do Angra, cordenador de assessoria de imprensa... Calcado neste 'pequeno' curriculum, Batalha abordou temas relacionados a sua história e a cena atual nesta entrevista exclusiva.

Thiago Rahal - Gostaria de agradecer por esta entrevista e já pergunto sobre o começo de sua carreira, como veio parar no jornalismo cultural?
Ricardo Batalha -
Eu que agradeço a oportunidade, é uma honra. Bem, posso dizer que o meu maior sonho foi realizado! Por este lado eu sou totalmente realizado, pois trabalho com o que sempre sonhei fazer. A história é mais ou menos a seguinte... Quando tinha doze ou treze anos estava com meu falecido pai - que era um advogado conceituado na área do Direito Comercial - em uma gráfica, que passava por dificuldades e estudava a possibilidade de entrar com pedido de Concordata Preventiva. O dono era um cara legal e naquela reunião ele me perguntou o que eu mais queria fazer na vida. Respondi que queria fazer uma revista e ele me deu uma espécie de boneco e mandou eu rabiscar o meu projeto. A capa da revista imaginária seria o Black Sabbath. Tenho isso guardado até hoje! Anos depois, me formei em Direito, mas felizmente fui atrás do que sempre quis. Fui atrás mesmo. Nunca deixei de escrever, mesmo não sendo de um veículo específico. Me formei, mas odiava a faculdade! Depois que meu pai faleceu eu resolvi largar a advocacia. Ou tomava esta decisão ou ficaria infeliz a vida toda! A primeira coisa que fiz após deixar a advocacia foi ser roadie do Angra. A mudança foi brusca, mas prefiro estar num palco a entrar no fórum. Hoje sou redator-chefe da Roadie Crew e sinto-me um afortunado por isso. Já pelo lado financeiro... (risos).

Thiago - Pergunto isso, pois vejo uma similaridade muito grande entre o jornalismo cultural e o esportivo. Aliás, eles são iguais, pois mexem com as paixões das pessoas, ou seja, os seus clubes de coração e ou bandas do coração. O que pensa a respeito?
Batalha -
Você está certo, há muita similaridade mesmo na reação das pessoas. E isto vale não só para futebol, mas para todos os esportes. Sei muito bem porque trabalhei durante vários anos na revista Top Fight, especializada em Boxe e Artes Marciais. Meu irmão era o editor e sempre falávamos a respeito das reações dos leitores. Hoje percebo que eram bem parecidas com as dos que lêem a Roadie Crew. Os amantes do Boxe parecem muito com fãs de Metal falando de seus preferidos (risos). E eu me encaixo nisso! Brasileiro em geral é fã do Iron Maiden, do Ayrton Senna e do Mike Tyson. Eu sou fã do Judas Priest, do Nelson Piquet e do Muhammad Ali (Cassius Clay). Aí já viu quanto tive (e tenho) que discutir, né? (risos)...

Thiago - Você acredita que quem critica um disco deveria pelo menos saber tocar algum instrumento ou isso vai de cada pessoa?
Batalha -
Não necessariamente. Isto vai de cada pessoa, porque todo mundo que ouve música a critica, só que alguns trabalham com isto de forma séria e profissional. O fundamental é saber escrever e avaliar o trabalho de acordo com o gênero musical, além de ouvir e analisar com calma, não sendo tão passional a ponto de largar mão à primeira audição. A crítica pode ir para vários caminhos, mas acredito que criar um estilo próprio é importante. Também acho que se o crítico for se meter a falar da técnica individual, da escala usada, do tom, do ritmo, é bom ter cuidado, porque aí sim ele deve ter conhecimento de causa na hora de falar da habilidade do músico. Tanto isto é verdade que existem revistas especializadas em instrumentos e nestas é comum as resenhas falarem mais a fundo sobre a técnica individual dos músicos. Mesmo assim, em nossa equipe temos vários músicos e ex-músicos, como Ricardo Campos (guitarra), Antonio Carlos Monteiro (guitarra), Vitão Bonesso (bateria), Bento Araújo (baixo), Luiz Carlos Vieira (guitarra), Claudio Vicentin (bateria), Maicon Leite (baixo/vocal) e eu, que tocava bateria.

Thiago - Como você veio parar na Roadie Crew? Sempre gostou de escrever ou foi por acaso? Eu sou formado em jornalismo, mas acredito que se a pessoa tem o dom e transmita credibilidade, ela não precisa fazer o curso para escrever bem...
Batalha -
Sempre gostei de escrever, especialmente sobre música! Acredito que tenho certa facilidade porque atuei em diversas áreas, seja tocando bateria, fazendo shows, gravando, compondo, como também sendo roadie. Além disso, editei dois fanzines (Deathcore e Silent Rage), fiz parte de um programa de Metal na rádio Opcional e escrevo há muito tempo em jornais, revistas e sites. A história de ir para a Roadie Crew é curiosa. Eu tinha ido ao saudoso Black Jack Bar (SP) ver um show de um cover do Black Sabbath, que não era o Electric Funeral do Vitão Bonesso. Era outra banda e fui justamente para ver se era tão boa quanto à do Vitão. Chegando lá, fiquei sabendo que haveria a abertura a cargo de uma chamada Cicatrix. Pois bem, assisti aos shows, mas acabei achando aquele cover do Sabbath um lixo, mas curti bastante o som do Cicatrix. Aí resolvi falar com o pessoal da banda para pedir o material deles para divulgar no fanzine que eu fazia com meu irmão (Frederico Batalha), o Silent Rage. No final, o baterista da banda era o Claudio Vicentin, editor da Roadie Crew, e o baixista era o Rodney Christófaro, antigo diagramador e membro da equipe. Eles me passaram o material do Cicatrix para o Silent Rage. O mais engraçado é que no número 1 do zine saíram o Cicatrix e a minha banda na época, o Swingfire. E a coincidência foi tanta que até mesmo na seção de Demos da Rock Brigade as duas bandas saíram na mesma edição (risos). Tempos depois, como já havíamos formado uma amizade, fui para o fanzine Roadie Crew, que hoje é a revista que todos conhecem.

Thiago - Você agora é o Redator Chefe, mas quando chegou não tinha esse posto, o que teve que cobrir ou escrever e você hoje em dia pensa algo como 'eu fiz mesmo isso'?
Batalha -
Não, éramos todos colaboradores, mesmo porque não era uma revista e sim um fanzine, P&B e com poucas páginas. Não fiz nada que mereça desprezo de minha parte. Nós sempre lutamos para fazer a Roadie Crew crescer. Fazê-la andar, dar um passo de cada vez, mas sempre visando a evolução.

Thiago - A Roadie Crew não é a única revista especializada no Brasil. Temos a Rock Brigade, tínhamos a Rock Hard/Valhalla, entre outras. O que faz com que a Roadie Crew se destaque das outras, na sua opinião?
Batalha -
Acredito que seja a isenção, a linha editorial e as nossas seções. Somos uma revista especializada em Heavy Metal, mas este estilo engloba várias subdivisões que agradam o nosso público alvo e por isso adicionamos o Classic Rock, que na verdade sempre fez parte da revista. Só que a Roadie Crew é mesmo mais fechada, não é Rock em geral. Nós não fazemos matérias com bandas como Nirvana, Pearl Jam, Offspring, Green Day, Foo Fighters, Titãs, Barão Vermelho, Ira, Charlie Brown Jr., entre muitas outras nacionais e internacionais. Além disso, sempre trabalhamos sem achar que tudo está bom. Nunca está bom! Mesmo assim, quero deixar claro que empáfia não faz parte do nosso vocabulário. Já ouvi falarem de forma pejorativa que a Roadie Crew é apenas 'fanzine de luxo'. Pois bem, assim seja. Isto é um elogio! Afinal, de onde viemos?... Nós temos que continuar evoluindo e atender aos inúmeros pedidos dos nossos leitores. O leitor nos ajuda a melhorar. Mesmo que não consigamos publicar tudo que eles pedem, vamos atrás! Eu e o Thiago Sarkis costumamos ir atrás de entrevistas de bandas/artistas que nunca saíram na revista, o que acho muito mais interessante e desafiador. Além disso, criamos seções como a 'Hidden Tracks' justamente para poder colocar bandas que não são tão faladas.

Thiago - Com a popularização da Internet, vários sites surgiram na cena brasileira. Alguns se destacam, mas a maioria sempre coloca a mesma notícia e/ou com opiniões bastantes vagas. Qual a sua opinião sobre os sites especializados do Brasil?
Batalha -
Alguns muito bons infelizmente saíram do ar. Quem está na ativa, com freqüência e habitualidade, tende a sobressair. Mesmo assim, acho que para se destacar é necessário uma boa equipe e um trabalho profissional, especialmente porque qualquer um pode virar um 'expert' se souber fazer um site e colocá-lo no ar. É difícil, porque ainda há 'resistência' de gravadoras, promotores de shows e até mesmo de bandas em apoiar os novos sites. Sei que muita gente que inicia os trabalhos e tem intenção de fazer algo mais profissional e sério sofre com isso. Mas isto só ocorre por causa de alguns que montaram sites, mas só queriam mesmo saber de receber CDs de graça e ir a shows sem pagar. Quem pensa só com cabeça de fã não trabalha bem.

Thiago - Você acredita que as revistas estão perto do fim justamente por causa da Internet? O que você e a Roadie Crew pensam a respeito e o que a revista está fazendo nesse ponto, para não ficar para trás?
Batalha -
A culpa de tudo hoje em dia é da Internet?! Claro que não vou falar pelos outros, mas a Roadie Crew tem a revista (física) - que se torna um documento com o passar do tempo - e um site ativo. A revista está sempre crescendo e vende muito bem em banca. Em nosso caso, a Internet nunca foi problema e sim uma excelente ferramenta de trabalho. Mas como sempre digo, nunca está bom! Temos sempre que evoluir e por isso vamos fazendo os trabalhos paralelos, como, por exemplo, esta iniciativa maravilhosa do nosso editor Airton Diniz, o 'Wacken Metal Battle Brasil' (www.metal-battle.com.br). Podemos fazer bem mais, mas como eu costumo dizer, um passo de cada vez.

Thiago - Qual a sua opinião sobre as resenhas de CDs e DVDs, principalmente de jornalistas brasileiros? Você acha que elas são muito pessoais e poucos acrescentam, ou ao contrário?
Batalha -
Como disse antes, cada um tem seu estilo. Existem os sensatos, os bem-humorados, os debochados, os que adoram uma analogia, mas não vou falar pelos outros. Só acho ridículo quem sempre acha tudo bom. Tem também o outro lado. O do escracho, da esculhambação. Por exemplo: se um CD-Demo é tão ruim assim, nem coloque. Guarde no arquivo e não publique, pois você será capaz de fazer com que um jovem pare de tocar um instrumento e se decepcione antes mesmo de tentar evoluir. Se ele entrar em contato perguntando o porquê não saiu você explica. Já aconteceu isto várias vezes conosco. E pode ter certeza que a banda encarou isto muito melhor que se tivesse lido um redator detonando, execrando o seu trabalho. Tem gente que é sádica, que curte ver o sofrimento alheio. Eu sou contrário a isso. Sei que há bandas que mandam material podre e sem nenhuma noção de profissionalismo, mas ainda assim prefiro ajudar. E ajudo, primeiramente, não publicando na revista. Alguns podem encarar isto como uma postura covarde, mas no cabeçalho da seção 'Garage Demos' da Roadie Crew está escrito: 'as bandas com melhor qualidade dentro do seu estilo serão selecionadas para figurar nesta seção'.

"Os amantes do Boxe parecem muito com fãs de Metal falando de seus preferidos
(risos). E eu me encaixo nisso! Brasileiro em geral é fã do Iron Maiden, do Ayrton Senna e
do Mike Tyson. Eu sou fã do Judas Priest, do Nelson Piquet e do Muhammad Ali (Cassius
Clay). Aí já viu quanto tive (e tenho) que discutir, né? (risos)..."
- Ricardo Batalha

Thiago - É você quem escolhe as matérias nas quais trabalhará, tanto em resenhas de CDs e DVDs, como em entrevistas e especiais?
Batalha -
Não só os CDs e DVDs que faço, como de todos da Roadie Crew. Você acha que é tipo no programa do Silvio Santos, que jogam as cartas para cima e pega uma?! (risos). Aqui não! O Frans Dourado nunca vai fazer uma resenha do Poison (risos). Sobre matérias e entrevistas, depende do caso.

Thiago - Falando em entrevistas, qual você literalmente tremeu nas bases quando foi fazer?
Batalha -
Com o passar do tempo você se acostuma. Isto vem com o tempo, vira rotina. Você fica tão frio que até assusta (risos).

Thiago - Qual banda ou artista te surpreendeu, tanto na forma negativa quanto na positiva, aquele que você pensava que nunca falaria tal coisa, mas simplesmente falou?
Batalha -
O Ozzy mesmo surpreendeu falando que tem vontade de gravar um novo álbum de estúdio com o Black Sabbath. Ele disse que quer, mas tem medo por temer que o trabalho não saia como os antigos e clássicos da banda.

Thiago - Você participa de Orkut ou Fóruns de discussão na Internet? Pergunto isso, pois a cena hoje em dia se resume aos fãs que escrevem, falam besteiras, mas não vão aos shows e nem compram CDs. O que pensa disso?
Batalha -
Participo só do Orkut. Mas você perguntou justamente o que eu sempre digo! Você deve ter lido isto em alguma resposta minha na seção 'Roadie Mail' (risos). É triste, mas muita gente hoje prefere se 'reunir' pelo MSN e 'conversar' pelo Orkut. Seria muito mais legal se estes saíssem à noite para bares, shows de bandas nacionais, festas, eventos e reuniões de amigos ao som de muito metal, tomando uma boa cerveja gelada. Como eu coloquei no 'Roadie Mail', alguns 'Netbangers' criam 'teses' sobre a cena, falam e acontecem, são agitadores, querem ser polêmicos na marra, mas não colocam o pé para fora de casa para prestigiar um evento com bandas nacionais. Isto é lamentável! Ah, só uma coisa... Nem todo mundo escreve besteiras. Já li muita coisa legal e idéias bem coerentes no Orkut.

Thiago - Quando escreve, simplesmente não pensa no que as pessoas vão falar e/ou bandas com fãs mais ativos falarão? Deve-se ter cuidado com o que vai comentar?
Batalha -
Ser sensato e prudente é uma coisa, agora puxa-saco e medroso é outra. Sem mais!

Thiago - Li sua coluna no site Sleevers Rock Channel (www.programasleevers.com) e gostei bastante dos temas e das idéias propostas. Você acredita que a Internet já está no meio de nós, é algo que não tem como fugir, somente se adequar?
Batalha -
Com certeza. Minha coluna no site são crônicas pessoais, sempre tendo como pano de fundo algo ligado à cena do Metal. As respostas estão sendo fantásticas, acima do esperado! Quem quiser conferir, acesse: http://programasleevers.com/news/?cat=6.

Thiago - Comente algum destes temas.
Batalha:

Vitão Bonesso - Um amigo e uma sumidade na Rádio brasileira. Teve peito e visão ao montar a web-radio Rádio Backstage (www.radiobackstage.com), mas gostei que ele voltou para a rádio convencional, com o programa Backstage agora na Kiss FM.
Stay Heavy - A melhor opção na TV para os headbangers! Quem precisa da MTV?...
Galeria do Rock - O maior centro de Rock do mundo!
Leitores da Roadie Crew - Da mesma forma que os fãs são importantes para uma banda, os leitores são para a revista.
São Paulo Futebol Clube - Tri-campeão Mundial, Tri-campeão da Libertadores, 4 vezes campeão Brasileiro, 21 vezes Campeão Paulista, Bi-campeão da Recopa Sulamericana 1993/94, Campeão da Supercopa da Libertadores de 1993, Campeão da Copa Conmebol de 1994, Campeão do Torneio Rio-São Paulo de 2001...

Thiago - Quais são os cinco melhores discos na sua opinião? (vingança das bandas, hehe)
Batalha -
"Operation: Mindcrime" - Queensrÿche; "Screaming For Vengeance" - Judas Priest; "Heaven And Hell" - Black Sabbath; "Out Of The Cellar" - Ratt; "To Mega Therion" - Celtic Frost. A lista completa dos 30 melhores álbuns de estúdio consta na edição # 100 da Roadie Crew.

Thiago - Como redator chefe da Roadie Crew, você teve e ainda tem que escutar todo tipo de música, mas deve ter algum estilo preferido ou até mesmo, algumas bandas. Quais são?
Batalha -
Meus estilos favoritos são Heavy Metal Tradicional (incluindo a N.W.O.B.H.M.), Hard Rock (80's), Thrash Metal, Prog, Doom e Gothic. Também não dispenso um Black Metal na linha do Satyricon, por exemplo. Muitos acham que só curto Hard Rock, mas não. A lista completa dos meus 30 melhores álbuns de estúdio consta na edição # 100 da Roadie Crew. Por aí a pessoa pode ter uma noção do que mais curto.

Thiago - Por que as pessoas têm dificuldade em aceitar o novo? Quando uma banda muda alguma música, ou coloca coisas diferentes em seu som, alguns fãs ficam revoltados e às vezes até param de escutar o grupo, porque será que isso acontece?
Batalha -
Porque todos são passionais e sempre esperam que a sua banda favorita não 'pise na bola'.

Thiago - Qual a sua opinião sobre o download ilegal de músicas na Internet?
Batalha -
Uma realidade. Ninguém mandou vender CDs a preços absurdos de 50 a 100 reais, ou mais! Agora todo mundo está bonzinho, abaixando os preços, mas não há mais volta. Mesmo assim, os colecionadores seguem firme, comprando produtos originais. Existem também os que baixam para conhecer e depois compram para ter na coleção. E tem os que não estão nem aí e falam 'que se dane, vou baixar tudo mesmo, é de graça! Nunca mais gasto 1 centavo com isso'. E, dentre estes, conheço vários que sempre foram assim... Eles adoravam ver você comprar algo para logo gravar em K-7... É, K-7, porque vinil não tinha como copiar (risos). Eles são os mesmos que não saem de casa porque é caro. O sanduíche da lanchonete é caro. A Pizza é caro. A churrascaria é caro. A cerveja é caro. A entrada do bar é caro. O show de banda nacional é caro. Tudo é caro para estes. Todo mundo tem algum conhecido ou amigo que é assim...

Thiago - Tenho 23 anos, mas peguei a fase que os amigos trocavam fitas K-7 e ou emprestavam os discos, hoje em dia basta um clique e já se tem à discografia completa...
Batalha -
É o que sempre digo. A magia ainda existe, mas não é a mesma.

Thiago - Por que poucas bandas brasileiras conseguem o sucesso lá fora? Viper, Sepultura, Angra e agora Torture Squad e Hangar...
Batalha -
Primeiro porque há tantas bandas lá fora que eles não olham para cá como deveriam. E você disse sucesso. Bem, sucesso quem conseguiu efetivamente foi o Sepultura. Sepultura foi gigante e uma das maiores bandas de Metal em meados dos anos 90. A popularidade do Sepultura rivalizava com a do Pelé em termos do nome do Brasil no exterior. Em uma escala um pouco menor foi o Angra. O resto tem aceitação e visibilidade no mercado exterior, não sucesso no real sentido da palavra.

Thiago - Existem os dois lados da moeda, eu acredito que algumas pessoas da cena nacional são unidas, mas a sua grande maioria quer passar por cima do outro e se dar bem, qual a sua opinião sobre isso?
Batalha -
Há os que pensam nos outros e há os individualistas. Mas o que importa é que algo seja feito. Às vezes, uma banda faz a sua parte pensando somente nela, mas indiretamente acaba ajudando outra. Ficar parado lamentando é a pior coisa. Faça algo.

"Sempre gostei de escrever, especialmente sobre música! Acredito que tenho certa facilidade porque atuei em diversas áreas, seja tocando bateria, fazendo shows, gravando, compondo, como também sendo roadie. Além disso, editei dois fanzines (Deathcore e Silent Rage), fiz parte de um programa de Metal na rádio Opcional e escrevo há muito tempo em jornais, revistas e sites." - Ricardo Batalha

Thiago - Hoje em dia, o Brasil e principalmente São Paulo virou rota obrigatória para shows internacionais, mas ao mesmo tempo em que os shows aumentaram, algumas bandas quase nunca passam por aqui. Bandas como Deep Purple, DIO, Iron Maiden, batem cartão no Brasil. O que pensa a respeito?
Batalha -
Não é de hoje que o Brasil se tornou rota obrigatória de shows internacionais. O que eu acho incrível é que quase sempre as mesmas tocam aqui! Por que não trazem grupos que nunca se apresentaram no Brasil? Exemplos não faltam: Celtic Frost, Mötley Crüe, Journey, Ratt, Lynyrd Skynyrd, Possessed, Onslaught, Iced Earth, Europe, Entombed, Tiamat, Pretty Maids, Vanilla Fudge, Cinderella, Metal Church, Raven, Fates Warning, Grand Funk Railroad, Great White, HIM, Blue Öyster Cult, Threshold, Death Angel, Dokken, Annihilator, Running Wild, Anvil, Shakra, Hirax, TNT, Loudness, Triumph, Amorphis, Trouble, Twisted Sister, UFO, Winger, Y&T, ZZ Top, Superior, Agent Steel, Eldritch, Blitzkrieg, Cheap Trick, Danger Danger, Fastway, Foghat, Kingdom Come, Hardcore Superstar, Thin Lizzy, Tokyo Blade, Ted Nugent... Posso parar por aqui?... (risos).

Thiago - E sobre as famosas reuniões que as bandas clássicas vem fazendo ao redor do mundo, quais são realmente verdadeiras e quais são caça-níqueis?
Batalha -
Todas são verdadeiras e todas são caça-níqueis, se é que me entende (risos).

Thiago - O que acha que precisa melhorar para a cena brasileira crescer mais?
Batalha -
O Brasil tem uma das cenas mais fortes do mundo! São pessoas que realmente curtem Heavy Metal e não é a toa que as bandas que tocam por aqui sempre elogiam o público. Só acho uma pena que as grandes empresas não enxergam isso. Ou até enxergam, mas não conseguem (ou querem) entender. De nossa parte, temos que continuar trabalhando com profissionalismo e tentar afastar os bandalhos que atrapalham o desenvolvimento da cena como um todo. Tem muito aproveitador posando de bom-moço por aí.

Thiago - Quais são seus novos planos para o futuro e os da Roadie Crew?
Batalha -
Continuar evoluindo, dando cada passo de cada vez. Na Roadie Crew nunca houve grandes saltos, mas também nunca recuamos.

Thiago - Muito obrigado pela entrevista e desculpe pela imensa quantidade de perguntas (risos). Deixe um recado aos leitores do Metal Revolution.
Batalha -
Agradeço mais uma vez a oportunidade de falar aos leitores do Metal Revolution. Como costumo dizer, se você é fã de Metal, é um privilegiado. Não se esqueça disso nunca!