Colhendo
os frutos do álbum ...Of Bards And Madmen que colocou a
banda como revelação do ano de 2005, a Lothlöryen
faz uma pausa no processo de composição do novo
álbum para duas apresentações em São
Paulo, sendo uma delas na décima edição do
tradicional Vamp Festival. Nesse bate papo excluviso com a equipe
Metal Revolution, Wesley Martins, guitarrista e compositor da
banda, revela detalhes sobre o processo de criação
do último álbum, a atual fase de criação
da nova obra, comenta sobre a temática barda do Lothlöryen
e sobre a expectativa para este giro pela capital paulista.
André
Luiz - Corais, riffs marcantes, melodias, violino, haveria como
resumir em uma palavra a mescla de tantos artifícios inclusos
na sonoridade do Lothlöryen?
Wesley Martins - Fantasia.
André
- De um nome simples como Neverland para o incomum Lothlöryen.
A banda cita em sua biografia como inspiração para
a mudança de nome, a obra de Tolkien. Comente sobre a relação
da obra do renomado escritor com as letras / sonoridade da banda.
Wesley - Eu
sou aficcionado pelo Tolkien desde 97. Conheci ele através
da música do Blind Guardian e foi amor à primeira
vista, logo nos primeiros resumos de obras do Tolkien que peguei
na net eu já comecei à pirar no cara. Ele é
genial, sabe lidar com a fantasia de uma forma diferente, pois
ao mesmo tempo que está tratando de seres infantis como
Hobbits, elfos, duendes, por outro lado é possível
sacar muito embasamento científico (principalmente lingüístico)
e seriedade na forma como ele dá os nós nas suas
histórias. O Tolkien é foda, acho que é um
dos poucos que conseguem dar contornos sérios e até
certo ponto realistas em “Contos de Fadas”, nunca
soando pedante. Acho que este tipo de abordagem é a maior
influência que temos da obra dele...
André
- Nesta décima edição do Vamp Festival, tradicional
festival paulista focado na linha gótica, vocês participam
como headliner ao lado dos conterrâneos do Noturna. Como
se deu o convite para integrar o cast do evento e comente sobre
as expectativas para a performance em São Paulo.
Wesley - O
convite veio graças ao contato e trabalho de nosso empresário
Aldo Beehler. Ele já tinha ouvido falar muito bem dos eventos
da Gothz Newz e resolveu arriscar entrando em contato com o Bruno
Rufioni. O Bruno ouviu o cd gostou e nós negociamos nossa
participação no evento sem maiores problemas. Sobre
nossas expectativas, são as melhores possíveis pois
ouvimos falar muito bem dos eventos anteriores e vai ser a primeira
vez de fato que teremos chance de tocar pra um público
grande em São Paulo, mas ao mesmo tempo estamos curiosos
pra ver como que nosso som Folk e alegre vai funcionar em meio
aos vampiros. É esperar pra ver.
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André
- Lothlöryen já se apresentou ao lado de bandas
tidas ‘mais pesadas’ como Torture Squad, Andralls
e Tiger Cult, além de outras na linha tradicional
(Monster e Fates Prophecy) e até mesmo Velhas Virgens;
agora chegou a vez da participação em um
evento com bandas de gothic metal. Qual seu ponto de vista
com relação à discriminação
a determinadas vertentes do metal e a hombridade entre
bandas? Pessoalmente, quais seus estilos favoritos e inspirações
como guitarrista e compositor?
Wesley - Eu
acho essa questão da discriminação
entre estilos algo deplorável e acéfalo.
Já enfrentamos isso na nossa região, principalmente
por sermos uma banda que não liga de tocar com
nenhuma outra, então muitas vezes já participamos
de festivais só com bandas mais extremas e em algumas
vezes nós sofremos esse tipo de discriminação
sim. Na minha opinião essa desunião é
o principal fator para o não firmamento definitivo
do underground nacional. De que adianta termos centenas
de milhares de bangers em nosso país se ao invés
de existir união muitas vezes eles preferem se
subdividir em outras tribos? Isso acaba sendo burrice
e é algo que fragmenta cada vez mais nossa cena.
Quanto aos meus gostos musicais, variam muito, gosto da
boa música, pois como compositor prefiro ampliar
meus horizontes musicais pra buscar inspirações
em diversas fontes e tentar compor músicas que
não soem cópias de outras. Escuto Beatles,
Led Zeppellin, Skid Row, Blind Guardian, Suidakra, Deicide,
Skyclad, Savatage, Dimmu Borgir etc. Sendo música
boa é o que importa.
"sou
aficcionado pelo Tolkien desde 97(...) O Tolkien é
foda, acho que é um dos poucos que conseguem dar
contornos sérios e até certo ponto realistas
em “Contos de Fadas”, nunca soando pedante.
Acho que este tipo de abordagem é a maior influência
que temos da obra dele." - Wesley Martins
André
- Tratando do ...Of Bards And Madmen em si, durante o
processo de composição do álbum foi
colocado um ponto em comum para relacionar todas as músicas
do trabalho de forma conceitual ou os temas abordados
foram surgindo e sendo passados para o papel sem uma conexão
proposital?
Wesley - Bom,
acho que a conexão que existe é que eu adoro
falar sobre temas que envolvam sonhos, insanidade, bardos,
elfos etc. Esse é meu estilo de compor e às
vezes os temas acabam entrelaçando entre si, o
que para um álbum sempre é algo interessante.
Mas no “...of Bards", eu diria que não
existe um conceito mestre proposital. Se você sacar
as letras vai ver que tem muitos temas lá e muitas
inspirações que vão além de
Tolkien, como por exemplo Erasmo de Rotterdam, Marion
Zimmer Bradley etc.
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André
- Fadas? Gnomos? Duendes? Originados de uma região conhecida
por várias histórias relacionadas, podemos dizer
que esta é a principal fonte de inspiração
para o conceito musical do Lothlöryen? Você realmente
vê tais seres, como descreveu em seu release? (risos)
Wesley - Depende
do ponto de vista. No meu perfil do site realmente eu coloquei
que acredito neles. Mas não os vejo em uma forma comum,
não sou a Xuxa que vive vendo duendes, hehe. Eu costumo
associá-los como sendo a Inspiração. Eles
me auxiliam na minha forma de compor e estão ao meu redor,
inconscientemente eu acabo traduzindo os contatos pra nossa música,
acho que é isso.
André
- O trocadilho ‘Welvcome’ da faixa inicial pode ser
considerado uma espécie de boas vindas a temática
recheada de sobriedade insana das faixas seguintes. Como você
definiria a citada aliança dos bardos, tema da faixa homônima
‘The Bards´ Alliance’ e ponto tão abordado
no decorrer do álbum? Abordaria esta expressão uma
temática oculta ou trata-se apenas de um conto criado?
Wesley - A
aliança dos bardos significa a união entre a galera
mesmo. O simbolismo é esse, somos bardos porque curtimos
as mesmas coisas, viajamos nas mesmas idéias e tomamos
muito vinho (e outras coisas) juntos. Então a aliança
simboliza a amizade entre nós e também entre esses
“seres” que citei na resposta de cima.
André
- ‘Another Tale’ conta com um dueto esplendoroso,
como citara no review deste álbum, entre Leonaldo e a convidada
Ederly Carvalho. Como surgiu o convite para participação
da vocalista nesta faixa?
Wesley - Ela
era amiga de uma menina que eu namorava na época. Cantava
bem e agente tava precisando de uma vocalista pra cantar em um
show só na época, pois eu tinha feito a 'Another
Tale' apenas pra gente tocar nesse show que seria onde gravaríamos
um DVD que acabou não vingando. Mas a música ficou
legal e depois decidimos incluir no álbum.
André
- O trabalho de riffs aliados ao trabalho vocal de Leonaldo, tornaram
‘The Dark Flames (of Madness´ Queen)’, na minha
opinião, o grande petardo deste álbum, mesmo considerando
a consistência do trabalho que segue uma linha técnica
durante todo seu prosseguimento. O citado ‘grito insano
da loucura’ contido no refrão, pode ser considerado
um brado de revolta contra outras situações do dia-a-dia?
Fale sobre a linha instrumental desta faixa.
Wesley - Essa
música especificamente trata sobre a Inquisição.
A rainha da loucura é a Igreja e o rei dos reis o Papa.
A letra fala sobre o desespero dos que foram queimados em vão
e da hipocrisia religiosa que foi a tônica da Idade Média
né. A parte instrumental dela tentamos criar algo mais
pesado e reto, bastante influências de Grave Digger e posso
te garantir que ao vivo ela soa muito mais pesada que no CD.
"A
aliança dos bardos significa a união entre a galera
mesmo. O simbolismo é esse,
somos bardos porque curtimos as mesmas coisas, viajamos nas mesmas
idéias e
tomamos muito vinho (e outras coisas) juntos. Então a aliança
simboliza a amizade entre
nós e também entre esses “seres” (fadas,
gnomos, duendes) que citei." - Wesley Martins
André
- A épica ‘Elfic’, que conta com a participação
de Bruno Maia do Tuatha de Dannan, possue uma extensa linha escrita,
porém é encurtada em quase seis minutos. Como se
deu o convite ao vocalista para participação neste
álbum, considerando também a presença do
mesmo na demo independente lançada em 2003?
Wesley - A
participação do Bruno foi algo natural. Somos amigos
desde 98, na época em que o Tuatha ainda tava na primeira
demo e eu tinha uma banda chamada Seventh Steel. A ajuda do Brunão
e camaradagem entre Tuatha e Lothlöryen existe desde que
formamos as bandas, não é nada forçado.
André
- Em ...Of Bards And Madmen ainda constam as faixas bônus
‘There And Back Again’ e ‘Namärie’,
ambas retiradas da demo Thousand Ways To The Same Land, lançada
em 2003 de forma independente. Como se deu o contato entre a banda
mineira e o selo paulista Force Majeure, da qual surgiu a parceria
para lançamento do debut full álbum de 2005? Há
planos para o relançamento do citado primeiro trabalho?
Wesley - O
contato foi feito pelo Rodrigo primeiramente. Ele manifestou interesse
em lançar nosso cd, porém não teve participação
na gravação do mesmo. Após gravado nós
negociamos a distribuição e prensagem do cd e foi
isso. Existem planos muito vivos de relançamento do primeiro
trabalho, inclusive estamos pensando em disponibilizar nossa primeira
demo inteira como bônus num futuro relançamento,
pois é um trabalho que não deve se perder ao vento,
apesar de imaturo, já continha muita alma.
André
- A banda trilhou um caminho de três anos até o lançamento
do primeiro full album, passando inclusive por mudanças
em sua formação. Como se deu a reformulação
da line-up após a boa repercussão da demo Thousand
Ways To The Same Land na mídia metal, incluindo a adição
de um tecladista?
Wesley - A
reformulação era essencial pois precisávamos
de músicos mais coesos e comprometidos com a causa da banda.
Com isso trocamos de baixista, baterista e incluímos um
tecladista e essa formação perdurou até os
dias de hoje e diria que se não fossem essas mudanças
a banda estaria condenada ao fim.

André
- O Lothlöryen foi apontado como uma das grandes revelações
do ano de 2005, com o lançamento do petardo ...Of Bards
And Madmen. Após uma grande tour pelo interior mineiro,
com destaque para presença no cast de edições
do Roça ‘n’ Roll e algumas apresentações
em São Paulo, há planos para o lançamento
de um novo trabalho de estúdio?
Wesley - Sim,
já estamos à pleno vapor, finalizando as composições.
Hoje terminei a oitava que deverá entrar no novo álbum
e vou aproveitar pra adiantar o título do cd em primeira
mão para o Metal Revolution: “Some Ways back No More”.
A nossa meta é iniciar as gravações do álbum
em fevereiro e lançarmos ele no segundo semestre do ano
que vem.
André
- Relate-nos uma situação engraçada ou até
certo ponto incomum ocorrida durante uma apresentação
ou no backstage.
Wesley - Cara,
essas coisas acontecem sempre e devo dizer, pra quem tem um cara
como o Leonaldo na banda, situações engraçadas
acabam sendo rotina. Mas me recordo com saudades do nosso role
ano passado com o Tuatha de Danann onde fizemos shows em Varginha,
Bauru e Osasco. Foi uma viagem retardante no sentido literário.
André
- Agradeço a entrevista, o espaço é seu para
dar um recado aos usuários do Website Metal Revolution.
Wesley - Eu que agradeço a oportunidade e a imensa
força que o Metal Revolution vem dando pra gente nesse
início de carreira. Curti a entrevista, realmente dá
pra perceber que você ta interado mesmo sobre a temática
e o que é a Lothlöryen e isso é muito massa.
Pra galera que ainda não nos conhece, acessem nosso site
e curtam a rádio on-line com nosso cd na íntegra:
www.lothloryen.net
Valeu, é nóis, podicrê!!!!