09/11/2006 - por André Luiz
Agradecimentos a Rodrigo Warlock da Force Majeure Records (www.forcemajeure.com.br)

Colhendo os frutos do álbum ...Of Bards And Madmen que colocou a banda como revelação do ano de 2005, a Lothlöryen faz uma pausa no processo de composição do novo álbum para duas apresentações em São Paulo, sendo uma delas na décima edição do tradicional Vamp Festival. Nesse bate papo excluviso com a equipe Metal Revolution, Wesley Martins, guitarrista e compositor da banda, revela detalhes sobre o processo de criação do último álbum, a atual fase de criação da nova obra, comenta sobre a temática barda do Lothlöryen e sobre a expectativa para este giro pela capital paulista.

André Luiz - Corais, riffs marcantes, melodias, violino, haveria como resumir em uma palavra a mescla de tantos artifícios inclusos na sonoridade do Lothlöryen?
Wesley Martins -
Fantasia.

André - De um nome simples como Neverland para o incomum Lothlöryen. A banda cita em sua biografia como inspiração para a mudança de nome, a obra de Tolkien. Comente sobre a relação da obra do renomado escritor com as letras / sonoridade da banda.
Wesley -
Eu sou aficcionado pelo Tolkien desde 97. Conheci ele através da música do Blind Guardian e foi amor à primeira vista, logo nos primeiros resumos de obras do Tolkien que peguei na net eu já comecei à pirar no cara. Ele é genial, sabe lidar com a fantasia de uma forma diferente, pois ao mesmo tempo que está tratando de seres infantis como Hobbits, elfos, duendes, por outro lado é possível sacar muito embasamento científico (principalmente lingüístico) e seriedade na forma como ele dá os nós nas suas histórias. O Tolkien é foda, acho que é um dos poucos que conseguem dar contornos sérios e até certo ponto realistas em “Contos de Fadas”, nunca soando pedante. Acho que este tipo de abordagem é a maior influência que temos da obra dele...

André - Nesta décima edição do Vamp Festival, tradicional festival paulista focado na linha gótica, vocês participam como headliner ao lado dos conterrâneos do Noturna. Como se deu o convite para integrar o cast do evento e comente sobre as expectativas para a performance em São Paulo.
Wesley -
O convite veio graças ao contato e trabalho de nosso empresário Aldo Beehler. Ele já tinha ouvido falar muito bem dos eventos da Gothz Newz e resolveu arriscar entrando em contato com o Bruno Rufioni. O Bruno ouviu o cd gostou e nós negociamos nossa participação no evento sem maiores problemas. Sobre nossas expectativas, são as melhores possíveis pois ouvimos falar muito bem dos eventos anteriores e vai ser a primeira vez de fato que teremos chance de tocar pra um público grande em São Paulo, mas ao mesmo tempo estamos curiosos pra ver como que nosso som Folk e alegre vai funcionar em meio aos vampiros. É esperar pra ver.

André - Lothlöryen já se apresentou ao lado de bandas tidas ‘mais pesadas’ como Torture Squad, Andralls e Tiger Cult, além de outras na linha tradicional (Monster e Fates Prophecy) e até mesmo Velhas Virgens; agora chegou a vez da participação em um evento com bandas de gothic metal. Qual seu ponto de vista com relação à discriminação a determinadas vertentes do metal e a hombridade entre bandas? Pessoalmente, quais seus estilos favoritos e inspirações como guitarrista e compositor?
Wesley -
Eu acho essa questão da discriminação entre estilos algo deplorável e acéfalo. Já enfrentamos isso na nossa região, principalmente por sermos uma banda que não liga de tocar com nenhuma outra, então muitas vezes já participamos de festivais só com bandas mais extremas e em algumas vezes nós sofremos esse tipo de discriminação sim. Na minha opinião essa desunião é o principal fator para o não firmamento definitivo do underground nacional. De que adianta termos centenas de milhares de bangers em nosso país se ao invés de existir união muitas vezes eles preferem se subdividir em outras tribos? Isso acaba sendo burrice e é algo que fragmenta cada vez mais nossa cena. Quanto aos meus gostos musicais, variam muito, gosto da boa música, pois como compositor prefiro ampliar meus horizontes musicais pra buscar inspirações em diversas fontes e tentar compor músicas que não soem cópias de outras. Escuto Beatles, Led Zeppellin, Skid Row, Blind Guardian, Suidakra, Deicide, Skyclad, Savatage, Dimmu Borgir etc. Sendo música boa é o que importa.

"sou aficcionado pelo Tolkien desde 97(...) O Tolkien é foda, acho que é um dos poucos que conseguem dar contornos sérios e até certo ponto realistas em “Contos de Fadas”, nunca soando pedante. Acho que este tipo de abordagem é a maior influência que temos da obra dele." - Wesley Martins

André - Tratando do ...Of Bards And Madmen em si, durante o processo de composição do álbum foi colocado um ponto em comum para relacionar todas as músicas do trabalho de forma conceitual ou os temas abordados foram surgindo e sendo passados para o papel sem uma conexão proposital?
Wesley -
Bom, acho que a conexão que existe é que eu adoro falar sobre temas que envolvam sonhos, insanidade, bardos, elfos etc. Esse é meu estilo de compor e às vezes os temas acabam entrelaçando entre si, o que para um álbum sempre é algo interessante. Mas no “...of Bards", eu diria que não existe um conceito mestre proposital. Se você sacar as letras vai ver que tem muitos temas lá e muitas inspirações que vão além de Tolkien, como por exemplo Erasmo de Rotterdam, Marion Zimmer Bradley etc.

André - Fadas? Gnomos? Duendes? Originados de uma região conhecida por várias histórias relacionadas, podemos dizer que esta é a principal fonte de inspiração para o conceito musical do Lothlöryen? Você realmente vê tais seres, como descreveu em seu release? (risos)
Wesley -
Depende do ponto de vista. No meu perfil do site realmente eu coloquei que acredito neles. Mas não os vejo em uma forma comum, não sou a Xuxa que vive vendo duendes, hehe. Eu costumo associá-los como sendo a Inspiração. Eles me auxiliam na minha forma de compor e estão ao meu redor, inconscientemente eu acabo traduzindo os contatos pra nossa música, acho que é isso.

André - O trocadilho ‘Welvcome’ da faixa inicial pode ser considerado uma espécie de boas vindas a temática recheada de sobriedade insana das faixas seguintes. Como você definiria a citada aliança dos bardos, tema da faixa homônima ‘The Bards´ Alliance’ e ponto tão abordado no decorrer do álbum? Abordaria esta expressão uma temática oculta ou trata-se apenas de um conto criado?
Wesley -
A aliança dos bardos significa a união entre a galera mesmo. O simbolismo é esse, somos bardos porque curtimos as mesmas coisas, viajamos nas mesmas idéias e tomamos muito vinho (e outras coisas) juntos. Então a aliança simboliza a amizade entre nós e também entre esses “seres” que citei na resposta de cima.

André - ‘Another Tale’ conta com um dueto esplendoroso, como citara no review deste álbum, entre Leonaldo e a convidada Ederly Carvalho. Como surgiu o convite para participação da vocalista nesta faixa?
Wesley -
Ela era amiga de uma menina que eu namorava na época. Cantava bem e agente tava precisando de uma vocalista pra cantar em um show só na época, pois eu tinha feito a 'Another Tale' apenas pra gente tocar nesse show que seria onde gravaríamos um DVD que acabou não vingando. Mas a música ficou legal e depois decidimos incluir no álbum.

André - O trabalho de riffs aliados ao trabalho vocal de Leonaldo, tornaram ‘The Dark Flames (of Madness´ Queen)’, na minha opinião, o grande petardo deste álbum, mesmo considerando a consistência do trabalho que segue uma linha técnica durante todo seu prosseguimento. O citado ‘grito insano da loucura’ contido no refrão, pode ser considerado um brado de revolta contra outras situações do dia-a-dia? Fale sobre a linha instrumental desta faixa.
Wesley -
Essa música especificamente trata sobre a Inquisição. A rainha da loucura é a Igreja e o rei dos reis o Papa. A letra fala sobre o desespero dos que foram queimados em vão e da hipocrisia religiosa que foi a tônica da Idade Média né. A parte instrumental dela tentamos criar algo mais pesado e reto, bastante influências de Grave Digger e posso te garantir que ao vivo ela soa muito mais pesada que no CD.

"A aliança dos bardos significa a união entre a galera mesmo. O simbolismo é esse,
somos bardos porque curtimos as mesmas coisas, viajamos nas mesmas idéias e
tomamos muito vinho (e outras coisas) juntos. Então a aliança simboliza a amizade entre
nós e também entre esses “seres” (fadas, gnomos, duendes) que citei."
- Wesley Martins

André - A épica ‘Elfic’, que conta com a participação de Bruno Maia do Tuatha de Dannan, possue uma extensa linha escrita, porém é encurtada em quase seis minutos. Como se deu o convite ao vocalista para participação neste álbum, considerando também a presença do mesmo na demo independente lançada em 2003?
Wesley -
A participação do Bruno foi algo natural. Somos amigos desde 98, na época em que o Tuatha ainda tava na primeira demo e eu tinha uma banda chamada Seventh Steel. A ajuda do Brunão e camaradagem entre Tuatha e Lothlöryen existe desde que formamos as bandas, não é nada forçado.

André - Em ...Of Bards And Madmen ainda constam as faixas bônus ‘There And Back Again’ e ‘Namärie’, ambas retiradas da demo Thousand Ways To The Same Land, lançada em 2003 de forma independente. Como se deu o contato entre a banda mineira e o selo paulista Force Majeure, da qual surgiu a parceria para lançamento do debut full álbum de 2005? Há planos para o relançamento do citado primeiro trabalho?
Wesley -
O contato foi feito pelo Rodrigo primeiramente. Ele manifestou interesse em lançar nosso cd, porém não teve participação na gravação do mesmo. Após gravado nós negociamos a distribuição e prensagem do cd e foi isso. Existem planos muito vivos de relançamento do primeiro trabalho, inclusive estamos pensando em disponibilizar nossa primeira demo inteira como bônus num futuro relançamento, pois é um trabalho que não deve se perder ao vento, apesar de imaturo, já continha muita alma.

André - A banda trilhou um caminho de três anos até o lançamento do primeiro full album, passando inclusive por mudanças em sua formação. Como se deu a reformulação da line-up após a boa repercussão da demo Thousand Ways To The Same Land na mídia metal, incluindo a adição de um tecladista?
Wesley -
A reformulação era essencial pois precisávamos de músicos mais coesos e comprometidos com a causa da banda. Com isso trocamos de baixista, baterista e incluímos um tecladista e essa formação perdurou até os dias de hoje e diria que se não fossem essas mudanças a banda estaria condenada ao fim.

André - O Lothlöryen foi apontado como uma das grandes revelações do ano de 2005, com o lançamento do petardo ...Of Bards And Madmen. Após uma grande tour pelo interior mineiro, com destaque para presença no cast de edições do Roça ‘n’ Roll e algumas apresentações em São Paulo, há planos para o lançamento de um novo trabalho de estúdio?
Wesley -
Sim, já estamos à pleno vapor, finalizando as composições. Hoje terminei a oitava que deverá entrar no novo álbum e vou aproveitar pra adiantar o título do cd em primeira mão para o Metal Revolution: “Some Ways back No More”. A nossa meta é iniciar as gravações do álbum em fevereiro e lançarmos ele no segundo semestre do ano que vem.

André - Relate-nos uma situação engraçada ou até certo ponto incomum ocorrida durante uma apresentação ou no backstage.
Wesley -
Cara, essas coisas acontecem sempre e devo dizer, pra quem tem um cara como o Leonaldo na banda, situações engraçadas acabam sendo rotina. Mas me recordo com saudades do nosso role ano passado com o Tuatha de Danann onde fizemos shows em Varginha, Bauru e Osasco. Foi uma viagem retardante no sentido literário.

André - Agradeço a entrevista, o espaço é seu para dar um recado aos usuários do Website Metal Revolution.
Wesley -
Eu que agradeço a oportunidade e a imensa força que o Metal Revolution vem dando pra gente nesse início de carreira. Curti a entrevista, realmente dá pra perceber que você ta interado mesmo sobre a temática e o que é a Lothlöryen e isso é muito massa. Pra galera que ainda não nos conhece, acessem nosso site e curtam a rádio on-line com nosso cd na íntegra: www.lothloryen.net
Valeu, é nóis, podicrê!!!!