08/03/2005 - Por André Luiz

Em entrevista exclusiva ao Metal Revolution, o guitarrista da aclamada banda gaúcha Krisiun, Moysés Kolesne, comentou sobre o lançamento do EP Bloodshed, planos para os próximos meses e a apresentação com Kreator e Tristania em São Paulo.

André Luiz: Primeiramente eu tenho uma história pra contar. Dia 20/10/2001 foi meu primeiro show com bandas de metal internacionais, apresentação do Nevermore com o Krisiun como co-headliner. Neste período, era forte o comentário de que o Max usava bateria eletrônica, então decidi que seria o momento certo para assistir a banda. No fim das contas, não só o Max como também a velocidade do Moysés e os vocais massacrantes do Alex Camargo me chamaram a atenção. Essa velha história acabou ou continua perseguindo a banda por onde ela passa?
Moysés Kolesne:
Hoje em dia as pessoas já se acostumaram com a velocidade, mas quando éramos uma novidade muitas pessoas tiverem dificuldades de entender como o Max tocava rápido. Mas tem também a falta de conhecimento de algumas pessoas que não sabem diferenciar algo tocado por uma máquina ou humano. Para quem conhece e sabe diferenciar as dinâmicas, pode ser algo lento ou rápido, de qualquer maneira a humanidade sempre teve medo do novo por não entendê-lo.

André: Me recordo da frase dita pelo Alex Camargo naquela noite: "Tem gente falando que o Krisiun usa recursos eletrônicos pra acelerar a bateria, hum.... Tá aqui nossos efeitos eletrônicos (apontando para Max Kolesne)". De
fato, há pessoas que não entendem nada de metal e/ou tentam se promover em cima de profissionais da cena. Em alguma ocasião, esse tipo de comentário fez um de vocês perderem a cabeça?
Moysés:
Não, sempre soubemos que teríamos de enfrentar muitos ignorantes e sendo assim, enquanto os cães ladram a carruagem passa.

"Para quem conhece e sabe diferenciar as dinâmicas, pode ser algo lento ou rápido (velocidade da banda), de qualquer maneira a humanidade sempre teve medo do novo por não entendê-lo". Moysés Kolesne

André: Após a confirmação da participação do Krisiun na apresentação do Kreator & Tristania em São Paulo, a Tumba Records anunciou a banda como headliner da quarta edição do festival itinerante Extreme Metal Fest. Comente sobre a expectativa para estes shows em março.
Moysés:
O show será o Krisiun de sempre: brutal, agressivo e veloz. O show será o armageddon manifestado.

André: "Bloodshed" mostra um Krisiun tão brutal quanto em "Works Of Carnage", "Ageless..." e "Conquerors..." (meu favorito) em termos de velocidade e técnica. O trabalho gráfico também segue uma linha, se comparado aos trabalhos anteriores. Este padrão seguido seria o ponto principal do nível alcançado pela banda atualmente?
Moysés:
Sempre tentamos ser o mais profissional possível, sem se tornar artificiais. O padrão não exitste, o que existe é a busca pela originalidade e inovação.

André: Como tem sido a aceitação do "Bloodshed" no Brasil e em outros países? Comente sobre a planejada tour pela América do Sul.
Moysés:
O Bloodshed em se tratando de um ep vai indo muito bem. A tour na América do Sul vai rolar em breve. Já tocamos em quase todo mundo, mas ainda falta tocar para os hermanos latinos.

André: A facilidade que o Krisiun tem para lançar álbuns chega a ser impressionante. Foram quatro álbuns de estúdio nos últimos cinco anos, seguidos por extensas turnês pelo mundo. Vocês pretendem seguir desta forma ou diminuir um pouco o ritmo?
Moysés:
Vamos seguir o que sempre fizemos. Talvez o ritmo diminua ou até aumente, não existem regras, somos guiados pela inspiração e possibilidades.

André: Após bem sucedidos álbuns de estúdio, foi anunciada a gravação da apresentação no A1 em São Paulo, no ano de 2004 (abertura de Korzus e Ratos de Porão). Atualmente, como estão os planos ara o lançamento do CD / DVD ao vivo?
Moysés:
O dvd já esta pronto e finalmente sairá em breve.

André: No site da banda há uma declaração do Moysés em 2002 sobre o lançamento do que viria a ser o "Works Of Carnage": "O novo álbum será diferente de todas as bandas de death metal. Não é uma promessa de que será o melhor. Será apenas o Krisiun em total agressão, força e originalidade divulgando o verdadeiro death metal... Após 12 anos excursionando e gravando, nós continuamos a progredir e aprender. Definitivamente, muitas surpresas do Krisiun ainda estão por vir. O Krisiun vive apenas pelo mais agressivo death metal. Fodam-se as merdas de bandas falsas que se declaram as melhores, foda-se o gótico, foda-se o melódico, foda-se o passageiro e fraco new metal. Death metal é guerra e vingança...". Vocês consideram que os estilos citados são modistas e atrapalham a cena metal?
Moysés:
Nossa opinião continua a mesma. Metal tem que ser algo puro e brutal, sem estas merdas de goticú ou qualquer outras artimanhas para fazer do metal algo comercialmente mais viável .

André: É fato que a cena metal brasileira vem ganhando em qualidade, em certo ponto devido ao interesse maior por parte de revistas, sites, selos e gravadoras, assim como de organizadores de eventos. Um exemplo disso é o Festival Porão do Rock, onde o Krisiun tocou para 50.000 pessoas, se não me engano o maior público da banda no Brasil. Qual a opinião sobre o aumento da mídia no metal e que bandas novas vocês podem destacar?
Moysés:
Hoje em dia, com certeza esta tudo mais fácil para bandas novas pelo fato da globalização, internet, etc.. Do dia para a noite já tem bandas famosas hoje em dia. Quando começamos não tinha nada disto, mas creio que somente publicidade não ajude em tudo, tem que ter som original e inovador senão a publicidade não adianta em nada.

"Metal tem que ser algo puro e brutal, sem estas merdas de goticú ou qualquer outras artimanhas para fazer do metal algo comercialmente viável". Moysés Kolesne

André: Há expectativa da próxima tour bater novamente o recorde de shows no exterior de uma banda brasileira? Há algum país em especial que vocês gostariam de tocar?
Moysés:
Estamos esquematizando uma grande tour para breve que será tão grande quanto as que já fizemos. Ainda queremos tocar em alguns países da América do Sul, Austrália, etc...

André: Com certeza já aconteceu algum fato engraçado ou bizarro back/on stage. Conte-nos ao menos um.
Moysés:
Uma vez nos Estados Unidos, estávamos no camarin de um show prontos para fumar uma erva quando um estranho se aproximou e sentou-se por perto. Um amigo nosso americano estava fechando o baseado quando este estranho deu ordem de prisão a ele, pois ele era um policial under cover. Por sorte, nem um de nós tinha tocado no baseado até então, não fomos presos e fizemos o show sem problema. Quanto ao nosso amigo Kirby que é correspondente da Brigade, pagou fiança e no outro dia estava livre.

André: Vocês tocaram com Kreator, Slayer, Morbid Angel, Napalm Death, Borknagar, Marduk, entre outras grandes bandas de metal. Outras tantas citam o Krisiun como grande nome do metal mundial atual como Sodom,
Cannibal Corpse, Dark Funeral, Belphegor, Gorgoroth... Após tantos anos de trabalho duro, como é ouvir comentários tão positivos de nomes fortes da cena? Qual a sensação de tocar com bandas que influenciaram a concepção musical do Krisiun?
Moysés:
A batalha continua, é muito positivo estas pessoas falarem que gostam do Krisiun, muitos deles são até nossa influência, mas como falei a batalha continua. O reconhecimento veio, mas não é nada se não dermos continuidade a ele.

André: Deixem um recado aos bangers do Metal Revolution. Obrigado pela entrevista. Aguardo as apresentações deste mês de março. Continuem levando a música extrema ao mundo!!!
Moysés:
Muito obrigado à vocês por apoiarem não somente o Krisiun mas o metal em geral. Não se deixem levar pela mídia ou moda, vamos tentar resgatar a magia do metal novamente, dar valor a bandas não somente pela sua publicidade, mas pela música e atitude. Longa vida ao metal.