Em
plena divulgação do álbum The Reason Of Your
Conviction, Nando Fernandes, Fábio Laguna, Nando Melo,
Eduardo Martinez e Aquiles Priester falam sobre o último
lançamento, retorno aos palcos, pausa nas atividades do
Angra e mais. Agradecimentos à Dynamo Records.
Thiago
Rahal - Primeiro, gostaria de agradecer por esta entrevista e
já começo perguntando sobre o novo disco, como está
sendo a repercussão do mesmo tanto no Brasil como no exterior?
Nando Fernandes – Tem
sido a melhor possível, apesar de sabermos que fizemos
um trabalho que com certeza seria bem reconhecido, não
esperávamos tanto em tão pouco tempo.
Nando Mello – Tem sido ótima, temos recebido
boas resenhas e o retorno dos fãs tem sido espetacular.
Já fizemos nosso primeiro show fora do Brasil e o resultado
foi um show com muita energia e o público vibrando o tempo
todo.
Eduardo Martinez – As críticas tem sido
excelentes, o álbum é pesado e agressivo. Isto é
perfeito, pois fizemos um trabalho que funciona musicalmente sem
abrir mão da pancadaria, até porque é o cd
mais extremo do Hangar até agora. É o melhor momento
da banda em sua carreira, e o meu melhor momento como músico
até hoje. E isto é apenas o começo!
Fábio Laguna – Já conferimos isso
ao vivo no Brasil e no Paraguai. Tinha gente cantando todas as
músicas. Também estamos tendo ótimas notícias
do Japão. O disco está tendo uma grande aceitação
por lá e em breve será lançado na Europa.
Thiago -
Uma coisa que percebi foi a grande evolução do primeiro
disco para o Reason Of Your Conviction. Chega a ser impressionante
a imensa qualidade de gravação e das composições
das novas canções, qual fator vocês colocariam
como principal para esta evolução?
Nando Fernandes – Todos
os músicos amadureceram individualmente, conseqüentemente
as coisas foram para um outro nível. Hoje em dia o Aquiles
não poderia, pelo nome que construiu um cd qualquer com
qualquer banda. O Hangar hoje em dia é uma banda verdadeira,
consistente e madura.
Fábio Laguna – O tempo, esse é o
maior responsável por todas as mudanças no Hangar.
Fomos felizes nas escolhas e conseguimos evoluir.
Nando Mello – Os seis anos de intervalo entre um
disco e outro ajudaram a maturar este disco com composições
bem pensadas e arranjos trabalhados. Tivemos bom senso em escolher
o que era melhor para a musica.
Eduardo Martinez – Sem essa busca e sem
esse resultado não seria possível prosseguir com
o Hangar. A proposta do Hangar sempre foi produzir um trabalho
do nível do TROYC. Neste momento da nossa vida apenas chegar
perto de novo não bastaria. TROYC atingiu seu objetivo
mostrando uma banda que produz e dirige seu trabalho pessoalmente
do início ao fim.
Aquiles Priester – Só um detalhe, esse é
o nosso terceiro disco. O primeiro é o Last Time (que será
relançado até o final de março com um DVD
bônus com toda a nossa história pelas nossas próprias
câmeras até a demo do TROYC), o segundo é
o Inside your Soul e agora estamos lançando nosso novo
trabalho.
Thiago -
O disco é conceitual e aborda temas densos e profundos.
Vocês acreditam que realmente os fãs lêem suas
letras e ou prestam atenção no contexto da história
ou a idéia é exatamente essa, estimular com que
os fãs procurem sobre os assuntos abordados?
Nando Fernandes – Claro que sim, por isso temos
a história toda contada em português em nosso site.
Nando Mello – Tenho certeza que os fãs lêem
as letras. Não se ouve falar muito disso, mas temos recebido
mensagens de fãs falando exatamente isso, as letras do
TROYC são uma obra conceitual e o pessoal tem curtido bastante
e discutido sobre o tema.
Fábio Laguna – Se um disco tem que ter bons
solos, arranjos, melodias, levadas, etc, as letras também
devem estar à sua altura. Cada pessoa ouve uma música
de forma distinta, prestando mais atenção em um
ou outro instrumento. E a voz é o instrumento principal.
A letra tem que ter o seu conteúdo. Muita gente presta
atenção nisso sim, e não porque depois vai
sair pesquisando sobre o tema. Simplesmente porque o tema é
interessante. Quem tem curiosidade em conhecer melhor as letras
do TROYC vai encontrar pelo menos algum trecho em que se identifique,
ou que cause um momento de reflexão, etc. Pode ser melhor
do que assistir novela, acredite.
Aquiles Priester – Quando estávamos finalizando
as primeiras composições, percebemos que dessa vez
teríamos que ter um bom conteúdo nas letras, pois
o conceito já tínhamos definido em 2002/2003. As
músicas soavam muito bem e as melodias iniciais meio fracas,
pois ainda eram esboços. Refizemos tudo de novo para ter
mais melodia em contrapartida com as partes brutais das músicas.
Eduardo Martinez – Eu sempre leio os textos dos
cds que escuto.

Thiago -
Em Inside Your Soul, Michael Polchowicz era o vocalista e agora
após sua saída, Nando Fernandes entrou para a banda
e desempenhou um excelente papel. Como vocês o descobriram
e qual a importância do mesmo para as composições
e estética do novo disco?
Nando Mello – O
Nando estava nos esperando e nós esperando por ele. Talvez
seja o caso da pessoa certa para a banda certa, sei lá.
Parece que ele esta conosco há anos.
Fábio Laguna – Conheço o trabalho
do Nando desde o Cavalo Vapor. O nome dele sempre foi cogitado
durante a fase de testes, mas não sabíamos se ele
toparia entrar no Hangar. A gente sabia que precisávamos
de um vocal mais rasgado para o TROYC. E a voz do Nando encaixou-se
perfeitamente nas músicas. Quando ele aceitou nosso convite,
as músicas já estavam praticamente prontas, mas
ainda assim ele conseguiu colaborar muito nas linhas vocais no
pouco tempo que teve.
Eduardo Martinez – O vocalista é a cara
da banda. O Hangar é um tipo de monstro que tem várias
facetas, as músicas são de estilos variados e é
preciso que todas ainda assim tenham interpretações
com cara de Hangar. Nando Fernandes só fez ser ele mesmo
e arrancar em cada interpretação o seu melhor. Ele
se tornou o monstro, ele é o Hangar.
Aquiles Priester – Tínhamos medo de convidá-lo
e ele se assustar com o que a banda realmente é... Apesar
de tudo, de todos esses anos de trabalho, encaramos a banda como
algo novo, ou seja, mesmo que o disco fosse bom, teríamos
que nos submeter a diversas situações que muitas
poucas bandas topariam. O Nando é um cara que precisa de
uma banda e nós precisávamos de um vocalista. Preciso
ser sincero para dizer que eu tinha medo de quem seria o substituto
do Mike, pois sempre fomos uma família e eu tinha medo
que alguém estragasse isso. Mas foi muito pelo contrário,
o Nando está de mangas arregaçadas e louco para
sair pelo mundo para mostrar o seu trabalho e nós também...
Para vocês terem uma idéia das nossas loucuras, acessem
www.hangar.mus.br e leiam o nosso diário da tour pelo Nordeste
e Paraguay...
Thiago
- Nando Fernandes, você tem um pulmão privilegiado,
consegue chegar a notas altas sem maiores esforços (ou
estou errado?). Vejo em você uma influência latente
do Hard Rock dos anos 80 e principalmente de Jorn Lande, o que
pensa a respeito?
Nando Fernandes – Muito
obrigado pelo elogio! Tenho como influência os grandes mestres
dos 70 e 80 como John Fogerty (Creedence), Ronnie James Dio (Black
Sabbath e Rainbow), David Coverdale (Deep Purple e Whitesnake),
Robert Plant (Led Zeppelin), Bruce Dickinson (Iron Maiden), Sammy
Hagar (Montrose e Van Halen) entre outros. Dos mais recentes gosto
muito do Jorn Lande (Masterplan), Russel Allen (Simphony X) e
Chris Cornell (Soundgarden e Audioslave). Por isso penso que minha
voz, em questão de timbre, interpretação
e altura, seja o reflexo do que eu sempre ouvi.
"O
vocalista é a cara da banda. O Hangar é um tipo
de monstro que tem várias facetas,
as músicas são de estilos variados e é preciso
que todas ainda assim tenham interpretações
com cara de Hangar. Nando Fernandes só fez ser ele mesmo
e arrancar em cada
interpretação o seu melhor. Ele se tornou o monstro,
ele é o Hangar" - Eduardo Martinez
Thiago
- Uma pergunta referente ao Fábio Laguna. O mesmo nunca
teve a grande chance de se mostrar na banda Angra, mas no Hangar
e no Freakeys é onde vemos realmente o seu talento. Vocês
fizeram questão que cada membro tivesse o mesmo destaque
que o outro, em especial ao Fábio?
Nando Fernandes – Nós
sempre pensamos assim e, sabemos exatamente a hora do outro brilhar
e com certeza esse pensamento nos leva a uma união quase
que indestrutível porque somos fãs uns dos outros.
Fábio Laguna – Na verdade as três
bandas têm suas peculiaridades. O Freakeys é um trabalho
que mesmo sendo autoral, teve espaço para todo mundo arranjar
como quisesse. E ainda que as composições fossem
minhas, também estava aberto a sugestões. No Hangar
todos compõem e eu consigo fazer meus arranjos no meio
do massacre de bumbos e guitarras, rs. Já no Angra eu era
um músico de apoio, chamado apenas para os shows.
Eduardo Martinez – A diversidade musical do Hangar
se deve ao fato de que todos os integrantes compõem juntos
uma mesma música ao mesmo tempo. Isso sempre acontece de
uma forma ou de outra. Enquanto os cinco não estão
completamente satisfeitos a música não está
pronta. Somos muito bem aproveitados no Hangar: carregar equipamento,
montar e desmontar, pagar contas... Até compor juntos conseguimos!
Thiago
- Já que estamos falando dos integrantes da banda, Eduardo
Martinez fez um excelente papel no álbum e não senti
falta nenhuma de outra guitarra no disco. As composições
são feitas para realmente não sentir falta de outra
guitarra, ou foi todo mérito do Eduardo?
Nando - Com
um Fábio Laguna na banda nenhum guitarrista precisa de
base!!! Hahahahah...
Fábio Laguna – Exatamente, rs... Fábio
Laguna é um bom tecladista base, rs. E o Martinez tem a
mão pesada! Muitos anos de thrash metal, rs. O Heros e
ele deixaram o som da guitarra matador nesse disco. E na boa,
guitarra é um troço muito barulhento, uma só
já é mais do que suficiente.
Nando Mello – Nunca toquei em uma banda com duas
guitarras, graças a Deus... rsrsrsrs Quando tem dois guitarristas,
nunca eles são do mesmo nível e isso atrapalha e
muito ao vivo...
Eduardo Martinez – As duas coisas acontecem no
disco e no show. A guitarra base pode ser suprida ao vivo pela
combinação do instrumental como um todo durante
o solo, que também é composto para se sustentar
sozinho. Em estúdio gravei todas as bases que foram necessárias.
Eu fui o outro guitarrista. O segredo da performance ao vivo de
arranjos muito complexos, ao meu ver, está no “re-arranjo”.
A versão ao vivo suprime alguns detalhes e realça
o mais importante: a energia da música tocada por um quinteto.
| Thiago
- Algumas participações foram bastante inusitadas
como a de Arnaldo Antunes na introdução
‘Just The Beginning’. Essa música de
abertura deu um clima diferente ao disco e se tornou bem
diferente das introduções atuais onde temos
somente um som de teclado ou uma orquestra acompanhando.
É claro que só quem entende português
entenderá o que o ator está dizendo. Em
outros paises a introdução é idêntica
à versão nacional ou será diferente?
Também gostaria de saber como se deu o encontro
com Arnaldo Antunes?
Fábio Laguna – A
introdução é parte do álbum,
será a mesma em qualquer lugar. Entendeu por que
as letras são importantes? Muita gente vai querer
saber o que isso significa e vai procurar a tradução.
Eduardo Martinez – Gostaria de agradecer
muito ao Arnaldo. Sempre me identifiquei com os jogos
de palavras que ele faz no seu trabalho. A narração
dele é inusitada e choca. O português é
bizarro, é uma língua morta. O texto dele
deve soar quase como um tipo de encantamento ou profecia
no contexto do ouvinte estrangeiro. O que importa é
chocar as pessoas com uma pitada de latinidade terceiro
mundista para botar mais medo nos gringos! Um, dois...
UM DOIS TRÊS QUATRO!
Aquiles Priester – Um dia estava num estúdio
de um amigo meu e vi o Arnaldo narrando um texto. Antes
de ver a gravação, li o texto e achei interessante,
mas depois da gravação, vi o que ele fez
com as palavras... Enquanto ele grava, ele entra num outro
mundo é uma coisa muito foda e muito diferente.
Sempre fui fã do Rock Nacional dos anos 80 e ter
o Arnaldo narrando uma frase que escrevi, foi um grande
sonho realizado. Ele aceitou o convite numa boa, chegou
no estúdio, gravou e ainda escolheu o take junto
com a gente... Foi demais!!! A voz dele chocou da forma
que precisávamos...
Thiago
- A seguir temos uma música típica das bandas
de heavy metal melódico (não que isso seja
ruim, que fique claro, pelo contrário) como a ‘Reason
Of Your Conviction’. Ela deve empolgar bastante
nos shows e isso é o que realmente importa nessas
horas. Vocês pensam em algum dia não colocar
músicas desse tipo como de abertura, colocando
algo mais cadenciado ou até mesmo mais pesado?
Nando Fernandes – Eu
gosto dessa idéia! Começar um show como
o Heaven and Hell tem feito, tipo uma After All que, aliás,
é um de nossos covers do show.
Fábio Laguna – Também acho
uma boa idéia. Mas no caso do TROYC, por incrível
que pareça a Reason não foi escolhida como
a primeira música do disco por ser desse ou daquele
tipo. Foi escolhida pelo tema. Estamos falando de serial
killers e ela representa toda a agressividade do tema,
seja em velocidade ou peso, com algumas partes thrash
e outras arrastadas.
Nando Mello – Literalmente a casa caiu
nos shows que fizemos quando tocamos a TROYC. Não
penso muito na ordem das musicas, mas as musicas mais
rápidas tendem a serem as primeiras no disco, talvez
para o próximo isto mude.
Eduardo Martinez – Quando compus os riffs
e juntamos as partes dessa música o feeling era
de thrash metal. A parte central da Reason é puro
mosh. Nunca fui ouvinte do dito estilo “melódico”.
Até porque o termo “música melódica”
existe até o ponto em que possa existir uma expressão
como um “avião voador”. Se heavy melódico
é colocar dois bumbos numa composição
do tipo Iron Maiden, existem bandas melhores que nós
nisso. E o Iron nunca precisou de mais um bumbo pra fazer
algumas das melhores canções de todos os
tempos.
Thiago
- Em ‘Hastiness’, temos a participação
especial de Vitor Rodrigues do Torture Squad. Olhando
de fora percebo que existe bastante cumplicidade na cena
metal do Brasil, pelo menos entre os músicos, estou
errado ou isso realmente está acontecendo com mais
freqüência?
Fábio Laguna – Há
uma irmandade sim. Não sei se isso é mais
forte hoje, mas sempre tive um ótimo relacionamento
com as bandas de metal, sejam elas de thrash, death, melódico...
Desde que me aproximei mais do metal, há pelo menos
10 anos atrás, tenho feito grandes amizades, tocado
e gravado com muita gente legal. E no final das contas,
o que percebo é que, independente do estilo, todo
mundo tá na mesma batalha. E se permanecermos unidos
será mais fácil levar o heavy metal adiante,
aliás, é a única maneira disso acontecer.
Nando Fernandes - Infelizmente poderia ser muito
melhor, mas também não é um caos
total... rs, eu particularmente gosto muito de estar na
condição de fã admirando meus ídolos,
e digo - sou fã de muitos amigos músicos.
Uma cena forte e unida só vai fazer bem pra todas
as bandas. Penso que devemos buscar parcerias e unir todas
as tribos, fazendo com que as bandas saiam juntas em turnês
por todo Brasil, isso seria maravilhoso para o público.
Acredito que com o passar do tempo temos grandes chances
de tornar isso uma realidade um dia!
Nando Mello – Tenho afinidade com algumas
bandas e ou membros delas. Torture Squad é uma
delas, o Vitor fez um excelente trabalho conosco, pois
é um front man no melhor sentido da palavra. O
cara canta muito.
Eduardo Martinez – O Vitinho entrou com
a cara mais monstro que podíamos querer numa música.
Algumas passagens dentro do conceito do álbum pediam.
Ele é o intérprete perfeito para todo o
tipo de vocal mórbido, monstruoso, horrendo e desesperado
que possa ser necessário em um disco.
Aquiles Priester – Espero ainda fazer os
shows com esses caras, pois temos um imenso respeito pela
seriedade que ele tem com a música. Se existe banda
determinada, o Torture Squad é o maior exemplo
e nos inspiramos neles.
Thiago
- Ainda sobre a canção ‘Hastiness’,
gostaria de tirar uma dúvida que me persiste desde
que a escutei pela primeira vez. Em uma parte da música,
mais precisamente do meio para o final, logo após
a participação de Vitor, Aquiles e Fabio
Laguna tocam ao mesmo tempo uma batida que lembra muito
algum tipo de marchinha, pois me lembra muito o meu tempo
de escola onde os professores faziam isso para chamar
atenção dos alunos, estou correto ou apenas
viajando na idéia (risos)?
Aquiles Priester – Que
tipo de drogas você toma Thiago? Hahahaha. Vamos
precisar disso para compor mais coisas estranhas assim...
hahahah
Nando Fernandes – O que você usou
pra ouvir nosso cd? kkkkkkk...
Eduardo Martinez – Estamos mordendo a idéia
até do Thiago... Rolou um The Wall!
Fábio Laguna – Olha, vou até
conferir se o que fizemos é mesmo uma marchinha,
rs... Mas se chamou a sua atenção deve ser
porque você era um aluno muito encapetado, rs.
Thiago
– ‘Call Me In The Name Of Death’, nem
precisou da MTV para ter seu clipe muito bem visto por
todos, pois segundo o Youtube o clipe teve bastante acesso
e um dos mais visitados. Aliás, essa música
é uma balada um pouco fora dos padrões,
pois ela vai crescendo de acordo com a interpretação
do Nando Fernandes. Quem teve a idéia do clipe
e o que vocês acham dessa nova tecnologia de vídeos
pela Internet?
Nando Fernandes –
A
escolha da música aconteceu naturalmente, de uma
forma unânime, e depois disso veio toda a produção
em cima do projeto, minha colaboração maior
foi no roteiro, tive várias idéias aproveitadas.
Fábio Laguna – A locação
e os diretores foram escolhidos pelo Aquiles. Nessa época
a gente já tinha o disco pronto e boa parte da
arte gráfica. Foi fácil “linkar”
o clip a tudo isso. Quem ouve o disco lembra do clip,
quem vê o clip lembra do encarte, etc. Está
tudo ligado.
Aquiles Priester – Essa música
é um capítulo muito importante na história
do disco e eu falo isso no “making of” do
clipe... Lá eu dou todas as dicas...
Eduardo Martinez – A net é
uma ferramenta de busca de informação. Algumas
pessoas confundem grande quantidade de informação
com conhecimento. Como toda ferramenta ela pode ser bem
ou mal empregada. Estamos nos servindo bem dela. Inclusive
agora com essa entrevista. ‘Call Me In The Name
Of Death’ foi a última música composta
nesse disco. Nando foi a inspiração, pois
somente com a interpretação dele uma música
desse tipo continuaria forte e consistente o bastante
para o Hangar. Além disso, quanto ao conceito da
história toda do cd, ela é o “capítulo”
que se sustenta sozinho. Se não fizermos mais nenhum
clipe do TROYC esse resumiria a história. Foi o
que George Lucas fez quando filmou o episódio IV
de Star Wars primeiro. Se ele quebrasse com este filme,
e não pudesse filmar os outros cinco, teria pelo
menos contado uma história completa dentro da saga
toda.
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Thiago
– ‘Forgive The Pain’, mostra o lado progressivo
da banda. Talvez este seja o grande diferencial do disco, ele
nunca fica no mesmo estilo, sempre muda de acordo com o que as
músicas pedem, estou correto em afirmar isso?
Nando Fernandes – Com
certeza, as músicas se encaixam perfeitamente nas letras
como em qualquer trilha de filme. A sonoridade tem que fazer o
texto crescer.
Eduardo Martinez – Sim. Sem deixar o metal de lado
nunca, os estilos variam. Somos fãs de todas as vertentes
heavy metal e isso ajuda a buscar o clima para cada letra.
Fábio Laguna – Pois é, quando se
compõe de forma livre estamos sujeitos a isso. Nuances,
variações... Cada um tem uma preferência musical
dentro da banda. Isso ajudou muito a criar uma identidade diferente
para o Hangar.
Aquiles Priester – Essa é uma música
surgiu com a melodia vocal da parte “b” do refrão
e só depois que fomos pensar em introdução,
verso, ponte, instrumental e etc.
Thiago
- Mas para mim a melhor música do álbum é
a ‘Everlasting Is The Salvation’. Ela tem uma gingada
diferente, com passagens melódicas e quebradas de ritmos
a todo o momento. O timbre alcançado por Aquiles Priester
na bateria dessa canção é excelente. O que
poderia nos falar mais sobre ela?
Nando Fernandes – Na
minha opinião, essa música ainda vai ser um clássico
do Hangar!
Eduardo Martinez – Eu tinha o riff do refrão
de Everlasting Is The Salvation em um K-7. Era uma jam em 1994
com o então baterista da Panic, Cláudio Calcanhotto.
Aquele riff que começa com guitarra e depois fica pesado
me chamou a atenção, pois nunca foi usado e era
original. Quando estamos compondo, eu preparo meu arsenal de idéias
e trago elas “na mão”, ou seja, toco os riffs
sem dizer de onde vieram para não influenciar ninguém.
Aquiles deu uma interpretação toda dele e compôs
a levada do verso. Pela “idade” das idéias
das composições e pelo tratamento moderno e distanciado
que elas recebem estamos chegando aos nossos “clássicos”.
Aquiles Priester – Quando essa música estava
pronta, eu não conseguia imaginar como conseguiríamos
encaixas os vocais nela. A estrutura é toda estranha, com
citações sobre a cena de um crime, mas na verdade,
a voz da Antoniela do Canto naquela parte, é um anjo contando
para o personagem que ele tinha sofrido um acidente e quase tinha
morrido, foi ali que ele viu a morte de perto e ele estava fora
do seu corpo. Depois tem uma parte C (falamos isso, quando tem
alguma parte que só aparece uma vez na música),
completamente melódica e com uma letra de auto-ajuda. Ao
vivo essa música é matadora e o Nando e o Martinez
mandam muito bem nela.
Fábio Laguna – Os versos dela são
bem arrastados e o refrão é puro rock’n’roll!
É uma das minhas preferidas também.
"Quando
essa música estava pronta (Everlasting Is The Salvation),
eu não conseguia imaginar como conseguiríamos encaixas
os vocais nela. A estrutura é toda estranha, com citações
sobre a cena de um crime, mas na verdade, a voz da Antoniela do
Canto naquela parte, é um anjo contando para o personagem
que ele tinha sofrido um acidente e quase tinha morrido, foi ali
que ele viu a morte de perto e ele estava fora do seu corpo. Depois
tem uma parte C (falamos isso, quando tem alguma parte que só
aparece uma vez na música), completamente melódica
e com uma letra de auto-ajuda. Ao vivo essa música é
matadora e o Nando e o Martinez mandam muito bem nela." -
Aquiles Priester
Thiago
- A versão nacional do disco saiu com um DVD de bônus
e a canção ‘Your Skin And Bones’ como
brinde. Achei isso bem legal, pois mesmo com os famosos bônus
tracks nas versões japonesas, isso acabou saciando um pouco
os fãs. O encarte também é bastante detalhado
e com muitas fotos. Com o advento da MP3, acreditam que a melhor
solução para os fãs é dar o melhor
produto possível, para valer a pena comprar o disco original?
Nando Fernandes – Com
certeza, temos que estar sempre atentos para oferecer algo a mais
aos nossos fãs. Lembrando que no Japão também
tivemos um chaveiro com um Led que tinha o nome Hangar impresso,
uma coisa linda de se ver, material de colecionador mesmo!
Eduardo Martinez – Sim, muitos fãs curtem
desde o tempo do vinil e o espaço das capas era uma festa
para fotos e textos. A opção para os discos importados
na época do vinil (as bandas “novas” da época
como Slayer e Metallica não tinham sido lançadas
no Brasil em 84) era gravar em fita K-7 e eu tinha os encartes
com as letras xerocados das minhas gravações favoritas.
Estamos respeitando essa tradição do vinil tentando
dar um cd oficial que valha a pena no aspecto gráfico também.
Fábio Laguna – Lançar um produto
com a melhor qualidade possível é o mínimo
que temos que fazer. A gente acredita que boa parte das pessoas
que ouvem o Hangar irá reconhecer todo esse nosso empenho,
que foi feito exatamente para elas. Ainda não há
como impedir os downloads ilegais. Cabe a cada um julgar se quer
contribuir com uma banda que está trabalhando muito para
o metal ou se quer jogar mais uma pá de areia na indústria
fonográfica, que já está na UTI. O Brasil
tem um número bom: o DVD mais vendido no mundo em 2007
é daqui, de uma cantora de axé e foram 400.000 cópias.
Parece muito? É muito!!! Mas ainda assim é muito
pouco se considerarmos que TODOS os artistas no mundo estão
abaixo dessa quantia, perdendo para o axé!!!
Thiago
- Falando sobre as versões japonesas, no disco em questão
vocês fizeram o cover do clássico de Peter Frampton
com a música ‘Breaking All the Rules’. Já
está virando uma marca registrada da banda gravar versões
para músicas inusitadas em seus discos, até mesmo
porque a proposta inicial do Hangar era essa não é?
Nando Fernandes – Como
acabei de dizer, sempre pensamos em surpreender nossos fãs!
Eduardo Martinez – Os primeiros shows que assisti
ao vivo foram Peter Frampton e Van Halen, em Porto Alegre, e fiquei
fã. Foi muito emocionante sair tocando aquele riff e solar
num clássico desses. A idéia de gravar ‘Breaking
All The Rules’ foi do Aquiles e a motivação
foi a idéia de como o Nando interpretaria essa música.
Gostaria muito de ouvir a opinião do Peter sobre a nossa
versão! Ao mesmo tempo que aprendia as frases de Frampton
na véspera da gravação tentei me soltar ao
máximo para tocar do meu jeito. Acho que a partir do segundo
solo eu consegui. Fiz isso também na nossa versão
de ‘Ask The Lonely’, do Journey. Fiquei tão
dono do solo do Neal Schon que a metade inicial definitiva foi
aproveitada da guitarra guia. Esses caras são tão
geniais que botar alavancadas, arpejos e tappings em cima das
idéias seria de um mau gosto imperdoável.
Thiago
- O disco foi gravado praticamente inteiro no Mr. Som Studios
em São Paulo. Estou vendo muitas bandas daqui gravando
discos com qualidades excelentes no Brasil. Os estúdios
daqui batem de frente com os de fora, ou estou enganado? Como
foi ter Heros Trench e Marcelo Pompeu ajudando na produção
do Reason of Your Conviction?
Nando Fernandes – Hoje em dia o Mr. Som virou referência
de qualidade garantida, e o que é mais importante, com
um custo benefício muito grande. Quando eu levei o Roy
Z (guitarrista do Bruce Dickinson) pra conhecer o estúdio,
ele ouviu alguns trabalhos do estúdio e disse pro Pompeu
que se eles morassem em Los Angeles eles estariam ricos, pela
qualidade do som que ouviu nas gravações. Sou muito
suspeito pra falar porque sou muito amigo do Pompeu, do Heros
e do Alemão, aliás, agradeço em público
toda a força que eles tem dado pra gente! E já gostaria
de adiantar o nome de duas grandes bandas que começaram
a gravar lá, estou falando da banda MADGATOR e da banda
CARRO BOMBA, onde meu irmão Rogério Fernandes é
o vocal, guardem esses nomes!!!
Eduardo Martinez – A amizade com Pompeu, Heros,
Sílvio e Dick vem desde 1991 quando eu trouxe o Korzus
para o memorável show da Tour do Mass Illusion em Porto
Alegre. O melhor som de guitarra que já tive em disco:
Mr Som. Gravei com a Lápide o novo álbum Over The
Grave no Mr. Som também.
Fábio Laguna – Já faz tempo que os
estúdios brasileiros competem com os gringos em qualidade
de equipamento e estrutura. A questão é que o Mr.
Som alia essa qualidade à mão de obra especializada
que só eles têm. O Heros e o Pompeu conhecem muito
bem a linguagem heavy metal. Conheci o Mr. Som quando fui mixar
o Freakeys lá. Depois disso, o estúdio virou minha
casa, literalmente, em algumas épocas, rs.
Aquiles Priester – Fora isso tudo, queremos deixar
bem claro, que o Heros, Pompeu e o Alemão estiveram com
a gente o tempo todo. Os caras fizeram as coisas como se fossem
pra eles e isso não acontece em todos os lugares. Se você
tem uma banda, mora no Brasil e quer um disco bem produzido, nós
já demos todas as dicas...
Thiago
- A banda teve a idéia de começar a usar mascaras
e entreter os fãs com isso, a idéia veio a partir
da mascara polvo do Aquiles? Elas lembram um pouco a banda Slipknot...
Nando Fernandes – Eu
sempre disse que ia cantar alguma música de máscara
e de luvas cirúrgicas sujas de sangue, mas não sabia
que ia causar tanto impacto, quando jogo as luvas depois de algumas
músicas, as pessoas quase se matam pra pegar, achei muito
legal essa manifestação, e quando apareço
de máscara sempre rola um som diferente por parte do público.
Agora, o fato do Aquiles também usar sua máscara
de polvo é pura coincidência.
Eduardo Martinez – E Kiss, e Alice Cooper?... As
máscaras são usadas na música ‘Call
Me In The Name Of Death’, pois as usamos no vídeo.
A minha sempre cai do rosto no show, pois não consigo tocar
essa música parado.
Aquiles Priester – Mentira deles... É por
que somos feios pra caralho!!! hahahaha

Thiago
- E a turnê, vocês fizeram alguns shows no nordeste
e na América latina, tem previsão de mais shows
em 2008, ou dependerá da agenda da banda Angra?
Nando Fernandes –
Hoje em dia nós temos total liberdade e prioridade para
os trabalhos do Hangar.
Eduardo Martinez – A minha prioridade é
o Hangar. Aquiles até o momento não toca mais no
Angra. Fábio Laguna provavelmente não será
contratado novamente também. O Hangar está aqui
para ficar. É uma banda de amigos que faz músicas
loucas para agradar a nós mesmos. Se alguém mais
gostou é por eles que continuaremos. Queremos e podemos
seguir essa estrada e cumprir todos os compromissos que um trabalho
como TROYC pode gerar.
Fábio Laguna – Já temos muitos shows
sendo confirmados. Iremos divulgar as datas em breve. Como não
estou mais acompanhando o Angra, no que depender de mim, nenhuma
outra atividade terá mais foco do que o Hangar no momento.
Thiago
- Aquiles, prometo que farei poucas perguntas sobre a banda Angra,
mas acaba sendo inevitável não tocar no assunto.
A banda teve sérios problemas com o empresário atual.
Todos sabem que o dono da marca Angra é a Rock Brigade.
Segundo Rafael Bittencourt a banda conseguiu com que alguns empresários
comprassem o nome do mesmo, como anda esse processo, estou correto
nessas afirmações?
Aquiles Priester – Pelo
que sei a marca ainda não foi vendida, mas eles estão
negociando. Eu não tenho sido chamado para participar dessas
reuniões e já faz um tempo que não falo com
os outros integrantes. Sempre fiquei a parte das negociações
mais importantes da banda, pois não tenho participação
na marca, logo isso não me diz respeito. Daqui a pouco
pode ser que tenhamos algumas novidades, mas com certeza eu ficarei
sabendo junto com a imprensa.
Thiago
- Acredita que a banda cresceu bem mais do que a sua estrutura
comportava?
Aquiles Priester –
Acho que não. Talvez o problema tenha sido mais administrativo
do que qualquer outra coisa. Mas nesse ponto, todos os integrantes
também têm culpa por terem deixado as coisas seguirem
esses rumos.
Thiago
- Caso a banda resolva isso o mais rápido possível,
alguma previsão para lançamentos futuros, tanto
de cds, como de dvds. Pergunto isso, pois os fãs vivem
me perguntando sobre a situação da banda e nada
como alguém de dentro para falar sobre o assunto.
Aquiles Priester – É, mas como te falei,
eu não estou tão por dentro assim...
Thiago
- Mudando um pouco de assunto, todos os músicos da banda
têm endorsement de diversas marcas, acredita que sem elas
seria complicado fazer turnês desgastantes e com trocas
constantes de instrumentos?
Nando Fernandes – Com certeza, além da manutenção,
seria inviável pra muitas bandas devido ao preço
desses equipamentos, somos muito gratos a todos os parceiros e
procuramos sempre fazer o melhor para representá-los.
Nando Mello – Os endorsments são uma parte
fundamental para evitarmos estes desgastes. Todos na banda têm
seus patrocinadores individuais e alguns coletivos.
Fábio Laguna – Sem o apoio dos patrocinadores,
o que já é difícil seria praticamente impossível.
Vou aproveitar para agradece-los: Mapex Drums, Paiste Cymbals,
Evans Drum Heads, Pro-Mark Sticks, Staff Drum, Audio-Technica
Microphones, Urban Boards PsychoShoes, Ciclotron Electronic Equipments,
Shred Cases, Zoom Effects, Gibraltar Hardware, Meteoro Amplifiers,
Spanich Pick Ups, D’Addario Strings, Wavebox Effects, Cheruti
Guitars, Dean Guitars and Basses, GTR Electronics Services, Gilby
Sweet Guitar Repair, Cases Proteção Capas, Korg
Keyboards, Mr. Som Studio, Usersvoip, Consulado do Rock, Lady
Snake Rock Wear e Power Click In Ear Monitors.
Thiago
- Falei um pouco atrás sobre o timbre da bateria, mas gostaria
de enaltecer o timbre de todos os instrumentos na gravação
do disco. Vocês buscam a todo o momento o timbre perfeito
ou ele vem naturalmente?
Nando Fernandes –
Eu particularmente conheço a melhor equalização
para minha voz, essa experiência vem com as gravações
que você faz ao longo de sua carreira, você já
sabe o que quer ouvir.
Eduardo Martinez – No caso do TROYC o timbre vem
de uma combinação do amplificador Meteoro MAK 3000,
Zoom G9 2tt, cabos Planet Waves, microfones Audio Technica, cordas
D´addario, o trabalho do técnico e músico
Heros Trench, da sala do estúdio Mr. Som e da fantástica
mixagem do Sr. Tommy Newton. O guitarrista em questão entrou
com algum suor. As guitarras base foram dobradas. Os solos não.
Fábio Laguna – Eu sempre busco o timbre
que se encaixa a música. Não precisa ser perfeito,
mas tem que ficar inserido na música. Por exemplo, não
sou muito fã de cordas. Quem ouviu o Freakeys vai entender
o que estou dizendo. Mas de vez em quando é impossível
não usar, porque é um timbre que casa muito bem
com a guitarra.
Thiago
- Banda Hangar, eu agradeço por essa entrevista e peço
desculpas se disse algo inoportuno, mas garanto que muitos fãs
irão ficar satisfeitos com essas respostas. O espaço
é todo de vocês para maiores considerações.
Nando Fernandes –
Muito obrigado pela divulgação, e que fique claro
que não nos cobraram nada por isso, rsrsrs, pela oportunidade
de levar mais informações sobre a banda ao conhecimento
de nossos fãs, e o mais importante, pelo prazer de falar
sobre nosso tão bem falado CD ‘The Reason Of Your
Conviction’ HANGAR.
Nando Mello – Obrigado ao MR e convido a todos
seus leitores a conhecerem o novo trabalho do Hangar, TROYC. Grande
abraço e nos vemos na estrada.
Eduardo Martinez – Obrigado pelo espaço
Thiago, aguardamos todos vocês no fórum do site www.hangar.mus.br
e principalmente no show!
Fábio Laguna – Valeu Metal Revolution! Agora
que finalmente tiramos o Hangar do hangar, rs, esperamos em breve
aterrissar em sua cidade pra levar muito heavy metal para os seus
ouvidos, ao vivo e a cores, rs. É só uma questão
de tempo...
Aquiles Priester – Obrigado por vocês acreditarem
no estilo musical mais desacreditado do nosso país. São
vocês que mantém os Fãs de heavy metal atualizados
sobre no nosso universo. E muito obrigado também por todas
as pessoas que tem nos motivado a seguir essa jornada. Amamos
vocês!!