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André
Luiz: Olá caras, é um grande conduzir esta entrevista.
Assisti a apresentação de vocês em 2003 aqui
em São Paulo, nessa mesma Led Slay. A banda promovia o
álbum Diabolus Interium, os músicos estavam totalmente
insanos em palco, os fãs brasileiros bradavam músicas
como “The Arrival Of Satan's Empire”, “An Apprentice
Of Satan”, “Open The Gates”, “Armageddon
Finally Comes”... Realmente, aquela primeira turnê
Sul Americana foi um sucesso total. O que vocês conheciam
sobre o público Brasileiro? Dark Funeral não havia
excursionado por aqui, então, por que vocês escolheram
o Brasil pra gravar um disco ao vivo?
Lord Ahriman: Da ultima vez que estivemos no Brasil e
América Latina, não tínhamos qualquer tipo
de expectativa. Nos disseram que a platéia dessa parte
do mundo é insana, mas nós não podíamos
imaginar que tínhamos tantos fãs por aí,
como nós obviamente temos. Ficamos bastante satisfeitos
e também totalmente surpresos com a agitação
do público e com o apoio que nos deram. É também
impressionante ver o quanto de interesse em nós como banda
cresceu desde a última vez que estivemos por aí.
A América Latina realmente tem um lugar especial nos nossos
corações negros. E mal podemos esperar para voltar!
Foi mais uma questão de coincidência termos decidido
gravar durante aquela tour. Estávamos conversando há
bastante tempo sobre a possibilidade de gravar um álbum
ao vivo. E quando a oportunidade dessa tour apareceu decidimos
levar equipamentos de estúdio e tentar gravar o máximo
de shows possível pra ver como isso sairia. Foi o que fizemos.
E para nossa grande surpresa o material soou matador! E foi assim
que o álbum ao vivo “De Profundis Clamavi Ad Te Domine"
nasceu.
André:
O Dark Funeral trará toda a sua parafernália
de palco para a turnê Sul Americana e vocês
pediram ajuda para gravar os shows latino americanos. Quais
são os seus planos em relação a o lançamento
de um DVD? Você filmou outros shows ao redor do mundo
para essa empreitada?
Lord: Sim, estamos pedindo a todos que tenham uma
câmera (se possível mais de uma) para nos ajudar
e filmar os shows, platéia e etc, durante essa tour
Latino Americana. Nós já temos alguns shows
europeus gravados de maneira profissional, shows esses que
planejamos lançar em DVD. Mas também queremos
reunir o máximo possível de material da nossa
tour pela América Latina para lançarmos um
DVD só com material dessa parte do mundo. Por isso
também pedimos a todos que tenham material dos nossos
shows de 2003 que nos mande uma cópia. Todos que
nos ajudarem com material que entrar no DVD serão
devidamente creditados. E receberão uma cópia
grátis do DVD quando ele for lançado.
"Ficamos
bastante satisfeitos e também totalmente surpresos
com a agitação do público e apoio que
nos
deram (...) A América Latina realmente tem um lugar
especial nos nossos corações negros."
-
Lord Ahriman
André:
Após o show em São Paulo, eu o vi conversando
com o Moyses Koslene no bar. Várias bandas falam
sobre a união das bandas de heavy metal, amizade
entre músicos e etc... Na sua opinião, a cena
metal extremo é unida ou é tudo uma grande
hipocrisia? Fale sobre o som do Krisiun e se você
conhece outras bandas Brasileiras.
Lord: Sim, eu mantenho contato com o Moyses desde
1996, se não me engano. Eu estava até promovendo
e distribuindo o Black Force Domain do Krisiun lá
na Escandinávia nessa época, enquanto Moyses
fazia o mesmo com o nosso "The Secrets Of The Black
Arts" aí no Brasil. Existe realmente uma forte
amizade e união entre vários músicos
de Metal Extremo. A inveja e criancices ficam mais a cargo
dos fãs e não das bandas. Gostaria que alguns
fãs percebessem isso e começassem a agir como
se gostassem das bandas e da cena ao invés de ficarem
com essas babaquices.
André:
Ainda sobre 2003, essa foi à primeira tour de Chaq
Mol com a banda (antes eles havia tocado apenas no Wacken).
Há 3 anos vocês convivem juntos, viajam e tocam
ao vivo... Me fale um pouco sobre o substituto de Dominion
como pessoa e músico.
Lord: Chaq Mol é um cara bastante tranqüilo
com uma grande paixão e dedicação em
relação a música extrema e, é
claro, com o Dark Funeral. Ele também é um
guitarrista muito talentoso.
André:
O disco Attera Totus Sanctus foi produzido por Daniel Bergstrand
e Orjan Ornkloo. Qual a diferença entre a produção
dele e a de Peter Tägtren (o mesmo produtor de todos
os outro quatro álbuns de estúdio do Dark
Funeral)? Por que a mudança na produção?
Lord: Nós chegamos a um ponto onde todos
sentimos que era hora de seguir em frente e começar
um capítulo completamente novo na saga do Dark Funeral.
E mudar de estúdio e de produtor foi um passo muito
importante para nós realmente sentirmos que deixamos
o passado para trás. Trabalhar com o Daniel e o Orjan
foi sensacional. Pessoalmente eu passei a maior parte do
tempo com Orjan, que conseguiu fazer aflorar o melhor de
mim. Ele não apenas me inspirou a escrever, como
me ensinou vários truques de estúdio. Estou
totalmente satisfeito com a produção que tivemos
no novo álbum. E tenho certeza de que trabalharemos
com eles no próximo disco também.
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André:
O novo ‘opus’ de vocês tem sido aclamado pela
imprensa da cena metal: álbum do mês da revista
Francesa Rock Hard, terceira posição na parada
sueca de heavy metal. Fale um pouco sobre essa grande aceitação
e da reação do público ao vivo.
Lord: Considerando o tipo
de música que nós tocamos, o que não é
muito acessível a qualquer tipo de fã de metal,
e o fato de nosso ultimo álbum ser o mais extremo da
gente até hoje, ficamos bastante surpresos quando fomos
informados que "Attera Totus Sanctus" está
indo tão bem na Suécia. Aparentemente temos uma
grande legião de fãs na Suécia também.
Além disso temos recebido um feedback muito positivo
tanto da imprensa como dos fãs. Isso tudo é muito
legal.
André:
Após a pesquisa feita no site oficial da banda, os fans
apontaram a faixa "666 Voices Inside” como a melhor
música de "Attera Totus Sanctus". A letra do
Calígula é muito boa, e a mistura de riffs potentes/melódicos
e vocais insanos gruda em minha mente... Quais outras musicas
do novo álbum você enfatiza?
Lord: Valeu.
Esse é o primeiro álbum que escrevemos e que não
conseguimos achar algo fraco. Todas as letras são muito
pessoais e cada música reflete diferentes e fortes emoções.
André:
Após o suicídio de Jon Nödtveidt, muitas
pessoas demonstraram respeito porque ele morreu por aquilo que
acreditava. Você o conhecia? Qual sua opinião sobre
o acontecido?
Lord: Eu
conheci Jon há muito tempo atrás, bem antes de
ele ir para a cadeia. Após isso, infelizmente perdemos
contato. Ele realmente era muito fiel a seu estilo de vida,
um guitarrista e músico bastante talentoso e sempre um
cara muito legal. Após ter sido solto, só o encontrei
uma vez, alguns meses antes de ele decidir tirar sua própria
vida. Eu sei que existem várias histórias e rumores
sobre o PORQUE ele decidiu acabar com a própria vida,
mas eu acho que a verdade é desconhecida. E se tem alguém
que realmente sabe a verdade, esse alguém é o
pai dele, aliás, se é que ele sabe o que aconteceu.
De qualquer modo, perdemos um grande músico!
André:
O que você acha da prisão dos membros do Gorgoroth?
Você conhece esses músicos?
Lord: Não
sei ao certo o porque eles foram condenados. E não é
a minha intenção me meter nisso. Mas analisando
eles apenas como banda, banda essa que acabou de lançar
um álbum do caralho, é realmente uma pena eles
terem que passar um tempo na cadeia ao invés de saírem
em turnê. Eu mantenho contato com King e Infernus e uma
vez que eles forem liberados da prisão, temos planos
de fazer alguns shows juntos na Escandinávia. Estou muito
ansioso por isso.
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André:
Comente esses álbuns para mim.
Lord:
The Secrets Of Black Arts (1996) - Nosso
primeiro full-lenght e talvez o álbum que colocou o Dark
Funeral no mapa do metal de uma vez por todas. Considerado por
muitos um clássico!
Vobiscum
Satanas (1998) - O
álbum que trouxe a banda e nossa música para uma
direção ainda mais extrema.
Diabolis
Interium (2001) - Nosso
terceiro full-lenght e o primeiro que nós contratamos Peter
Tagtgren como um produtor de verdade e não apenas como
um engenheiro de som do estúdio.
Attera
Totus Sanctus (2005) - Nosso
disco mais poderoso, pessoal e carregado de raiva até hoje!
André:
Lord Ahriman, fale um pouco sobre seus trabalhos ao lado de Kyle
Severn (Incantation), e Vicent Crowley (Acheron). O que é
na verdade a Wolfen Society? É um projeto paralelo, uma
banda? O que você pensa sobre os membros do Dark Funeral
se envolverem com outras bandas/projetos, como você e Emperor
(com o projeto God Among Insects)?
Lord: Eu
considero a Wolfen Society como uma banda ao invés de um
mero projeto paralelo. Todos temos nossas prioridades com nossas
bandas principais. Ter um projeto paralelo é bom, penso
eu. Ajuda a crescer como músico, aprender novas coisas
e assim por diante.
André:
Conte-nos uma situação engraçada que tenha
acontecido com você ou no backstage.
Lord: Sempre acontece algo estranho ou engraçado
no backstage, mas o que acontece...
André:
Muito obrigado pela sua atenção. Deixe uma mensagem
paras os fãs brasileiros que estão esperando ansiosamente
à volta da banda ao país depois daquela tour maravilhosa
em 2003. Divirta-se bastante quando estiverem por aqui, saudações.
Lord: Muito
obrigado. Dessa vez estamos mais bem preparados do que em 2003.
Por isso, posso assegurar que planejamos proporcionar um show
muito superior dessa vez. Por isso levantem os chifrinhos do metal
bem alto. E nos vemos em algumas semanas!!!!