09/10/2006 - por André Luiz - Tradução por Rodrigo Gonçalves

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André Luiz: Olá caras, é um grande conduzir esta entrevista. Assisti a apresentação de vocês em 2003 aqui em São Paulo, nessa mesma Led Slay. A banda promovia o álbum Diabolus Interium, os músicos estavam totalmente insanos em palco, os fãs brasileiros bradavam músicas como “The Arrival Of Satan's Empire”, “An Apprentice Of Satan”, “Open The Gates”, “Armageddon Finally Comes”... Realmente, aquela primeira turnê Sul Americana foi um sucesso total. O que vocês conheciam sobre o público Brasileiro? Dark Funeral não havia excursionado por aqui, então, por que vocês escolheram o Brasil pra gravar um disco ao vivo?
Lord Ahriman:
Da ultima vez que estivemos no Brasil e América Latina, não tínhamos qualquer tipo de expectativa. Nos disseram que a platéia dessa parte do mundo é insana, mas nós não podíamos imaginar que tínhamos tantos fãs por aí, como nós obviamente temos. Ficamos bastante satisfeitos e também totalmente surpresos com a agitação do público e com o apoio que nos deram. É também impressionante ver o quanto de interesse em nós como banda cresceu desde a última vez que estivemos por aí. A América Latina realmente tem um lugar especial nos nossos corações negros. E mal podemos esperar para voltar! Foi mais uma questão de coincidência termos decidido gravar durante aquela tour. Estávamos conversando há bastante tempo sobre a possibilidade de gravar um álbum ao vivo. E quando a oportunidade dessa tour apareceu decidimos levar equipamentos de estúdio e tentar gravar o máximo de shows possível pra ver como isso sairia. Foi o que fizemos. E para nossa grande surpresa o material soou matador! E foi assim que o álbum ao vivo “De Profundis Clamavi Ad Te Domine" nasceu.

André: O Dark Funeral trará toda a sua parafernália de palco para a turnê Sul Americana e vocês pediram ajuda para gravar os shows latino americanos. Quais são os seus planos em relação a o lançamento de um DVD? Você filmou outros shows ao redor do mundo para essa empreitada?
Lord:
Sim, estamos pedindo a todos que tenham uma câmera (se possível mais de uma) para nos ajudar e filmar os shows, platéia e etc, durante essa tour Latino Americana. Nós já temos alguns shows europeus gravados de maneira profissional, shows esses que planejamos lançar em DVD. Mas também queremos reunir o máximo possível de material da nossa tour pela América Latina para lançarmos um DVD só com material dessa parte do mundo. Por isso também pedimos a todos que tenham material dos nossos shows de 2003 que nos mande uma cópia. Todos que nos ajudarem com material que entrar no DVD serão devidamente creditados. E receberão uma cópia grátis do DVD quando ele for lançado.

"Ficamos bastante satisfeitos e também totalmente surpresos com a agitação do público e apoio que nos
deram (...) A América Latina realmente tem um lugar
especial nos nossos corações negros."
- Lord Ahriman

André: Após o show em São Paulo, eu o vi conversando com o Moyses Koslene no bar. Várias bandas falam sobre a união das bandas de heavy metal, amizade entre músicos e etc... Na sua opinião, a cena metal extremo é unida ou é tudo uma grande hipocrisia? Fale sobre o som do Krisiun e se você conhece outras bandas Brasileiras.
Lord:
Sim, eu mantenho contato com o Moyses desde 1996, se não me engano. Eu estava até promovendo e distribuindo o Black Force Domain do Krisiun lá na Escandinávia nessa época, enquanto Moyses fazia o mesmo com o nosso "The Secrets Of The Black Arts" aí no Brasil. Existe realmente uma forte amizade e união entre vários músicos de Metal Extremo. A inveja e criancices ficam mais a cargo dos fãs e não das bandas. Gostaria que alguns fãs percebessem isso e começassem a agir como se gostassem das bandas e da cena ao invés de ficarem com essas babaquices.

André: Ainda sobre 2003, essa foi à primeira tour de Chaq Mol com a banda (antes eles havia tocado apenas no Wacken). Há 3 anos vocês convivem juntos, viajam e tocam ao vivo... Me fale um pouco sobre o substituto de Dominion como pessoa e músico.
Lord:
Chaq Mol é um cara bastante tranqüilo com uma grande paixão e dedicação em relação a música extrema e, é claro, com o Dark Funeral. Ele também é um guitarrista muito talentoso.

André: O disco Attera Totus Sanctus foi produzido por Daniel Bergstrand e Orjan Ornkloo. Qual a diferença entre a produção dele e a de Peter Tägtren (o mesmo produtor de todos os outro quatro álbuns de estúdio do Dark Funeral)? Por que a mudança na produção?
Lord:
Nós chegamos a um ponto onde todos sentimos que era hora de seguir em frente e começar um capítulo completamente novo na saga do Dark Funeral. E mudar de estúdio e de produtor foi um passo muito importante para nós realmente sentirmos que deixamos o passado para trás. Trabalhar com o Daniel e o Orjan foi sensacional. Pessoalmente eu passei a maior parte do tempo com Orjan, que conseguiu fazer aflorar o melhor de mim. Ele não apenas me inspirou a escrever, como me ensinou vários truques de estúdio. Estou totalmente satisfeito com a produção que tivemos no novo álbum. E tenho certeza de que trabalharemos com eles no próximo disco também.


André: O novo ‘opus’ de vocês tem sido aclamado pela imprensa da cena metal: álbum do mês da revista Francesa Rock Hard, terceira posição na parada sueca de heavy metal. Fale um pouco sobre essa grande aceitação e da reação do público ao vivo.
Lord:
Considerando o tipo de música que nós tocamos, o que não é muito acessível a qualquer tipo de fã de metal, e o fato de nosso ultimo álbum ser o mais extremo da gente até hoje, ficamos bastante surpresos quando fomos informados que "Attera Totus Sanctus" está indo tão bem na Suécia. Aparentemente temos uma grande legião de fãs na Suécia também. Além disso temos recebido um feedback muito positivo tanto da imprensa como dos fãs. Isso tudo é muito legal.

André: Após a pesquisa feita no site oficial da banda, os fans apontaram a faixa "666 Voices Inside” como a melhor música de "Attera Totus Sanctus". A letra do Calígula é muito boa, e a mistura de riffs potentes/melódicos e vocais insanos gruda em minha mente... Quais outras musicas do novo álbum você enfatiza?
Lord:
Valeu. Esse é o primeiro álbum que escrevemos e que não conseguimos achar algo fraco. Todas as letras são muito pessoais e cada música reflete diferentes e fortes emoções.

André: Após o suicídio de Jon Nödtveidt, muitas pessoas demonstraram respeito porque ele morreu por aquilo que acreditava. Você o conhecia? Qual sua opinião sobre o acontecido?
Lord:
Eu conheci Jon há muito tempo atrás, bem antes de ele ir para a cadeia. Após isso, infelizmente perdemos contato. Ele realmente era muito fiel a seu estilo de vida, um guitarrista e músico bastante talentoso e sempre um cara muito legal. Após ter sido solto, só o encontrei uma vez, alguns meses antes de ele decidir tirar sua própria vida. Eu sei que existem várias histórias e rumores sobre o PORQUE ele decidiu acabar com a própria vida, mas eu acho que a verdade é desconhecida. E se tem alguém que realmente sabe a verdade, esse alguém é o pai dele, aliás, se é que ele sabe o que aconteceu. De qualquer modo, perdemos um grande músico!

André: O que você acha da prisão dos membros do Gorgoroth? Você conhece esses músicos?
Lord:
Não sei ao certo o porque eles foram condenados. E não é a minha intenção me meter nisso. Mas analisando eles apenas como banda, banda essa que acabou de lançar um álbum do caralho, é realmente uma pena eles terem que passar um tempo na cadeia ao invés de saírem em turnê. Eu mantenho contato com King e Infernus e uma vez que eles forem liberados da prisão, temos planos de fazer alguns shows juntos na Escandinávia. Estou muito ansioso por isso.

André: Comente esses álbuns para mim.
Lord:
The Secrets Of Black Arts (1996) -
Nosso primeiro full-lenght e talvez o álbum que colocou o Dark Funeral no mapa do metal de uma vez por todas. Considerado por muitos um clássico!

Vobiscum Satanas (1998) - O álbum que trouxe a banda e nossa música para uma direção ainda mais extrema.

Diabolis Interium (2001) - Nosso terceiro full-lenght e o primeiro que nós contratamos Peter Tagtgren como um produtor de verdade e não apenas como um engenheiro de som do estúdio.

Attera Totus Sanctus (2005) - Nosso disco mais poderoso, pessoal e carregado de raiva até hoje!

André: Lord Ahriman, fale um pouco sobre seus trabalhos ao lado de Kyle Severn (Incantation), e Vicent Crowley (Acheron). O que é na verdade a Wolfen Society? É um projeto paralelo, uma banda? O que você pensa sobre os membros do Dark Funeral se envolverem com outras bandas/projetos, como você e Emperor (com o projeto God Among Insects)?
Lord:
Eu considero a Wolfen Society como uma banda ao invés de um mero projeto paralelo. Todos temos nossas prioridades com nossas bandas principais. Ter um projeto paralelo é bom, penso eu. Ajuda a crescer como músico, aprender novas coisas e assim por diante.

André: Conte-nos uma situação engraçada que tenha acontecido com você ou no backstage.
Lord:
Sempre acontece algo estranho ou engraçado no backstage, mas o que acontece...

André: Muito obrigado pela sua atenção. Deixe uma mensagem paras os fãs brasileiros que estão esperando ansiosamente à volta da banda ao país depois daquela tour maravilhosa em 2003. Divirta-se bastante quando estiverem por aqui, saudações.
Lord:
Muito obrigado. Dessa vez estamos mais bem preparados do que em 2003. Por isso, posso assegurar que planejamos proporcionar um show muito superior dessa vez. Por isso levantem os chifrinhos do metal bem alto. E nos vemos em algumas semanas!!!!