12/06/2006 - por André Luiz - Tradução por Rodrigo Gonçalves

CLICK HERE TO SEE ENGLISH VERSION

André Luiz – Fale sobre sua expectativa para a turnê Brasileira era grande há um ano atrás...
Helmuth - Sim, nós estamos bastante entusiasmados em apresentar as nossas canções para os insanos fãs de Brasil/México, o que certamente será um grande desafio para o Belphegor.

André - Após essas mudanças nas datas, o que vocês acham de tocar para uma das melhores platéias do mundo?
Helmuth - Como eu disse antes, a espera acabou! O Belphegor está muito contente de tocar no Brasil e, é claro, no México. Será um grande desejo nosso fazer uma tour lá, veremos o que vai acontecer, mas, nós só ouvimos coisas boas sobre os demônios daí. Parece que são bastante dedicados haha.

André - O site oficial anunciou o adiamento para o lançamento do novo álbum, devido a problemas com o selo. Helmuth chegou a mencionar fatos como a banda ter de custear tour do próprio bolso, falta de apoio, etc. Fale um pouco sobre essa situação e me diga se outras gravadoras se interessaram em lançar o novo álbum.
Helmuth - Não quero nem mais falar o nome dessa porra de gravadora, esses merdas não tem nada a ver com metal. Desde GOATREICH –FLESHCULT, nós só tivemos experiencias ruims com esses ladrões gananciosos. Desde o dia 04 de fevereiro desse ano o novo album está terminado, mas não podemos lança-lo, porque esses malditos resolveram levar a briga pros tribunais.



André -
Sobre o novo disco, ele foi produzido por Andy Classe no On Stage estudio diferentemente de “Lucifer Incestus” and “Goatreich – Fleshcult” que foram gravados no Mastersound Studios com o produtor Alex Krull da banda Atrocity.
Helmuth - É, dessa vez gravamos no On Stage estúdio, com o Andy que fez um trabalho brilhante no quesito som, foi uma ótima experiência ter trabalhado com ele. Além disso, o equipamento e o estúdio são sensacionais!! Ainda não decidimos o titulo do álbum, bem, nove músicas atingiram uma nova dinâmica, aqui vai uma lista dessas canções:

- Seyn Todt In Schwartz
- Bluhtsturm Erotika
- Belphegor - Hell’s Ambassador
- Chants Of The Devil 1533
- Das Pesthaus / Miasma Epilog

Dessa vez trabalhamos com guitarras diferentes, e maneiras não ortodoxas no quesito 'hertz', para fazer o som mais monumental e dessa forma termos mais pessoas colaborando com as músicas. A cada álbum a banda tenta progredir em termos de música e intensidade. Nós sempre tentamos fazer os instrumentos soarem melhores a cada álbum, é sempre um grandioso desafio para nós. Posso dizer que estamos muito satisfeitos e mal podemos esperar esse disco do caralho ser lançado.

André - Poucas mudanças de membros são muito importante também, você concorda com essa afirmação?
Helmuth - Dificuldades com a formação da banda realmente não são legais, mas Sigurd e eu sempre fomos responsáveis por escrever a maioria das letras, por isso temos a chance de buscar os melhores músicos e melhorar a cada álbum lançado.

André - Nefastus entrou na banda em 2004, e gravou a bateria do novo álbum.
Helmuth - Nefastus está conosco desde Agosto de 2004, ele é um talentossísimo baterista alemão. No novo álbum você irá ouvir a bateria mais agressiva já gravada para um álbum do Belphegor. Nefastus é um baterista insano, exatamente o que estávamos procurando. Ele consegue reproduzir ao vivo, tudo o que foi feito em estúdio. Ele está em sintonia conosco tanto musicalmente como mentalmente.



André - Fale-me um pouco sobre o trabalho dele no estúdio.
Helmuth -
Nefastus gravou tudo em menos de seis dias. Essa é definitivamente a bateria mais pesada que já foi gravada para um álbum do Belphegor. Os blast beats em altíssima velocidade e a dobradinha baixo/bateria saíram mais brutal e precisas do que imaginávamos, isso realmente nos impressionou.

"A cada álbum a banda tenta progredir em termos de música e intensidade. Nós sempre tentamos fazer os instrumentos soarem melhores, é sempre um grandioso desafio para nós. Posso dizer que estamos muito satisfeitos e mal podemos esperar esse disco do caralho ser lançado." - Hellmuth

André - Barths se acidentou e por esse motivo, vocês estão à procura de um novo baixista. Como está o baixista? A.X virá com vocês para a América Latina? Há alguma possibilidade dele ser efetivado na banda ou vocês estão procurando alguém com mais experiência?
Helmuth - Robin Eaglestone, um inglês que toca no Grimfist (ex C.O.F.) estará conosco em nossa viagem a América Latina. Ainda não decidimos se ele será efetivado. Nós iremos tocar 15 ou 20 shows juntos e queremos ver se ele se dá bem conosco e se nós nos daremos bem com ele...
Robin - Estou bastante ansioso pela minha primeira tour pelo Brasil e México tocando com o Belphegor pois acredito que nós temos raízes similares no black metal, ao meu modo de ver, a musica deles é a mistura perfeita entre Black e Death e eu tenho bastante respeito pelas habilidades de Barth no baixo. Espero que os fãs não fiquem desapontados com essa substituição e eu acho que finalmente tudo o que aprendi enquanto estive no C.O.F será testado ao máximo.

André - Comente um pouco sobre o novo álbum. Os fãs verão uma banda tão brutal como nos últimos discos? Qual a diferença entre a sonoridade do Belphegor atual comparada aos últimos lançamentos (Lúcifer Incestus e Goatreich)?
Helmuth - Bem, no novo disco experimentamos algumas coisas novas, como sempre fazemos no intuito de sempre dar um passo à frente. Como você sabe, o novo álbum é conceitual e trata sobre a peste, o diabo e o apocalipse. Dessa vez acrescentamos poemas alemães, junto dos poemas em latin e em inglês. O som do Belphegor nunca soou tão épico e monumental, e tenho certeza de que o novo álbum trará uma nova dimensão para a banda, será mais um passo a frente em nossa carreira. Vários elementos novos e um nível maior nas composições foram adicionados na mistura, além de estrutura. Aliás, você irá ouvir os vocais mais agressivos que já gravei. Não estou mentindo quando digo que daremos aos demônios o álbum mais poderoso que já gravamos.

André - Há alguma possibilidade de vocês tocarem músicas novas nos shows por aqui?
Helmuth - Não, pois o álbum só será lançado na Europa em 6 de outubro e o foco será nos três últimos álbuns além de um cover do Sodom. Não existe nada melhor do que tocar uma música atrás da outra e as pessoas começarem a banguear, é um sentimento muito bom quando você faz um show e os fãs gostam, Death Metal é pra ser feito em cima do palco.

André - Eu sei que é foda perguntar isso, porque vocês estão tendo problemas para lançar o novo álbum, mas há planos para gravação de um cd/dvd ao vivo num futuro próximo?
Helmuth - Veremos, nós já temos umas idéias legais, mas nada de concreto para agora, talvez no inverno de 2007.

André - A banda fez uma pequena turnê pela Rússia e Ucrânia em fevereiro. Nós temos poucas informações sobre as cenas locais, devido a problemas de ordem política. O que você pode nos dizer sobre a cena por lá: os shows do Belphegor, a platéia nesses países?
Helmuth - Eu não ligo a mínima pra política, instituições e esses malditos gananciosos que estão no poder e só sabem foder com a vida do cidadão. Posso dizer que foi do caralho tocar por lá, desde a organização, hotéis, vodka, até os locais dos shows.

André - Vocês dividiram o palco com Destruction, lenda do thrash mundial. Aqui no Brasil, eles excursionaram ao lado do Atrocity e do Leaves Eyes. O que você acha da junção de bandas com sonoridades diferentes em festivais? Com qual banda você não dividiria o palco (mesmo que te paguem muito dinheiro)?
Helmuth - Haha, eu quero mais é que se foda, André. Não tenho tempo ou energia pra pensar nessas reuniões.

André - Por um outro lado, com qual banda você gostaria de tocar, mas nunca teve a chance?
Helmuth - Bem, nós já tocamos com quase todas nossas favoritas, ok, Decide, Krisiun e Black Sabbath com Ozzy e Iommi haha.

André - Por que as capas de Necrodaemon e The Last Supper foram censuradas?
Helmuth - Pergunte e ponha a culpa nos malditos que censuraram as capas na Alemanha, Áustria, e tivemos problemas também com Goatreich Fleshcult, tivemos que pagar cerca de 800 euros. A principal razão, foi como sempre as letras e o grande demônio que está na capa, haha essas institui-

ções de virgens e eunucos que vão tomar no cu! Não ligamos para o fato de que alguém gostou da banda ou não, não é nada de tentar passar uma imagem de bad boy ou qualquer coisa parecida, nós todos gostamos desse tipo de arte. É a nossa marca registrada.

André – Faça um breve comentário sobre os álbuns listados abaixo:
Helmuth:

▪ The Last Supper (1995) -
brutal
▪ Blutsabbath (1997) - ódio & desprezo
▪ Necrodaemon Terrorsathan (2000) - death mais cru / black inferno
▪ Lucifer Incestus (2003) - total blastterror
▪ Goatreich – Fleshcult (2003) - grandiosos & extremo
▪ New album untitled (2006) - supremo - mais intenso - monumental

"...o novo álbum é conceitual e trata sobre a peste, o diabo e o apocalipse. Dessa vez acrescentamos poemas alemães, junto dos poemas em latin e em inglês. O som do Belphegor nunca soou tão épico e monumental, e tenho certeza de que o novo álbum trará uma nova dimensão para a banda, será mais um passo a frente em nossa carreira. " - Hellmuth

André – Conheço o conceito do Belphegor sobre essa praga chamada religião. Eu gostaria de saber o que você pensa sobre igrejas queimadas por fãs satanistas, fãs de black metal e/ou fanáticos religiosos.
Helmuth -
Nós não somos satanistas e nunca fomos, cara, nós somos é inimigos da cruz. O Belphegor está aqui para tocar boa música, bem, para ser sincero, eu não dou a mínima, é tudo pelo metal. Como Nietzche uma vez disse: “Eu amaldiçôo o cristianismo”, e eu concordo com ele. Belphegor e a minha guitarra são as partes mais importantes da minha vida, eu adoro subir no palco, gravar e criar música. Já estamos nessa vida há bastante tempo, ainda é divertido, o sentimento de produzir música ainda está dentro de nós, eu diria que hoje nós somos mais ambiciosos do que no começo.

André - Conte-nos uma situação engraçada que aconteceu em cima do palco ou no backstage.
Helmuth -
De jeito nenhum cara, mas você não iria acreditar nas coisas que jogam no palco, absorventes, uma caneca de cerveja, revistas de sacanagem, aranhas... Algumas dessas coisas eu guardo.

André - Meu tempo se acabou... muito obrigado pela entrevista. O espaço é seu para deixar uma mensagem para os fãs brasileiros que os esperam a tempos. Tenham bons momentos no Brasil, abraços.
Helmuth - Hell yeah, disponha André, obrigado pelo respeito e pelo espaço para falar sobre o Belphegor. Agradeço aos fãs que nos acompanham há bastante tempo, aos que ainda estão conhecendo a banda ou a quem irá nos shows. Bem, isso é tudo o que tenho para dizer, nos vemos na estrada para o inferno.
www.belphegor.at