04/10/2006 - Por Thiago Rahal - Fotos por Thiago Rahal

No dia 04 de outubro de 2006, a Rock Brigade Records em parceria com o Conservatório Souza Lima, realizou audição do mais novo álbum da banda Angra, o controverso “Aurora Consurgens”. O evento reuniu toda a imprensa nacional, alguns convidados especiais e os fãs, que sorteados pelo site oficial ganharam o direito de escutar o disco em primeira mão, apesar de que o mesmo já havia sido divulgado na Internet por meios digamos assim, “ilegais” para o mundo da música.

Cheguei ao local do evento receoso, pois pensei que não teria muita gente, já que o trânsito nas imediações do Souza Lima estava insuportável. Ao adentrar no conservatório, percebi uma pequena movimentação dos fãs e, a partir daí a cada minuto um dos integrantes do Angra aparecia para cumprimentar a todos. Todos estavam em um clima amistoso e receptivo, fruto principalmente pelo ânimo e esperança do sucesso deste novo álbum. Por volta das 20h30m, a banda toda (menos Fábio Laguna, tecladista nos shows da banda) ao lado do jornalista Toninho Pirani, da Rock Brigade, anunciaram a audição e agradeceram a presença de todos.



O disco começa a ser executado e uma bela introdução, com influências brasileiras diga-se de passagem é iniciada e, “The Course Of Nature” abre o álbum de uma maneira intensa e bastante pesada, algo diferente do que o Angra costumava fazer. O guitarrista e compositor Rafael Bittencourt é perguntado sobre o conceito do álbum e com humor respondeu, “Dessa vez não quisemos fazer um disco conceitual, mas as letras em si têm algo em comum, pois todos falam do lado psicológico do ser humano”. Aliás, a faixa de abertura na minha opinião é a mais pesada da história da banda, inclusive tem um riff bem interessante no meio da mesma, com o baixo de Felipe Andreolli a acompanhando.

"Todos os jornalistas alemães me perguntaram sobre suicídio, mas eu não sei muito bem porque" - Kiko Loureiro, sobre a faixa 'Salvation: Suicide' do Aurora Consurgens

Os brasileiros ainda explicaram como gravaram esse disco e, citaram como novidade as gravações das guitarras anteriormente ao do baixo, fato esse comprovado ao ouvir o disco, pois se escuta bem melhor do que em outras vezes o baixo de Felipe. Dennis Ward foi novamente o produtor do disco e o mesmo somente gravou as baterias de Aquiles Priester na Alemanha, já que a banda estava no Europa participando dos festivais de verão. A progressividade foi deixada um pouco de lado, pois tem Temple of Shadows ela ficou bem mais explicita, mesmo assim músicas como “The Voice Commanding You” ainda trazem esse lado para o cd.

A banda disse ainda que como esse disco comemorava os 15 anos de Angra, todos tiveram um cuidado em revisar alguns temas antigos e procurar colocar todas influências que eles carregaram nesse tempo todo. “Ego Painted Grey”, começa com um teclado bem característico e ao mesmo tempo diferente, mas desemboca em um amontoado de riffs bem interessantes e cadenciados. “Breaking Ties” com toda a certeza é a mais speed do álbum e, que deve ser a mais rápida da história da banda, não se tornando enjoativa, pois tem algumas mudanças de andamento que acabaram me agradando. “Salvation: Suicide” talvez tenha uma das letras mais polêmicas da banda e, ao comentar sobre ela Kiko Loureiro brincou “Todos os jornalistas alemães me perguntaram sobre suicídio, mas eu não sei muito bem porque (risos gerais...)”.

Falando um pouco sobre as letras, o disco foi baseado no livro supostamente escrito por São Tomás de Aquino, versão esta rejeitada pela igreja católica e, fala sobre os pensamentos do ser humano e o lado psicológico de todos, portanto um livro bastante surreal. “Window To Nowhere” é aquela típica balada do Angra e, provavelmente deve ser uma das mais tocadas nas rádios do Brasil. “Procurei explorar o meu lado mais Hard Rock em algumas músicas”, explicou Edu Falaschi ao comentar sobre esta música. Finalmente uma música com influências claras do Brasil é apresentada no disco e “So Near So Far” se sagra uma das melhores do Aurora Consurgens. Nela são utilizados diversos instrumentos exóticos, muito bem encaixados diga-se de passagem. O destaque para o disco fica por conta do solo de Kiko Loureiro que realiza uma mistura de sons e ritmos latinos, desde os cubanos até brasileiros.

“Passing By” é a música que mais tem a cara da banda Angra, pois ela é melódica e tem passagens rápidas e com bons solos no decorrer da canção. Já “Scream Your Hear Out” pelo que pude perceber trata-se da faixa a qual as tais modernidades estão mais implícitas e evidentes, nada como algo novo para renovar os músicos. “Essa foi à única música que a Internet ainda não conseguiu” disse Edu Falaschi, brincando sobre o cd ter vazado na rede semanas antes. “Abandoned Fate” é uma daquelas músicas calmas com violão e voz e uma boa pedida para se fechar um disco, se bem que eu preferiria uma mais rápida e pesada nos moldes de “Speed” do álbum Fireworks.

Ao final da audição a banda apresentou um trecho do novo clipe que, foi gravado em um casarão da avenida paulista, para a música “The Course of Nature” e, pelo que pude ver está muito profissional e com qualidade. Trabalho terminado e todos correram para o coquetel regado a salgadinhos e bebidas, em um clima descontraído.

O Angra agora cai na estrada para divulgar Aurora Consurgens e, fará shows no Japão, Hong Kong, além de Brasil e Europa, demonstrando ainda ter força no mercado mundial que, hoje em dia é muito competitivo. Para quem mora em São Paulo fique esperto, pois a banda se apresentará na Via Funchal no dia 18 de novembro de 2006. Só um adendo, não darei nota ao disco pois só escutei trechos do cd na audição, mas fiquem tranqüilos, a banda ainda continua fazendo álbuns de qualidade e te surpreenderá com Aurora Consurgens, negativamente ou positivamente, só dependerá de quem escutar.