Paradise Lost: a inspiração através da sede de aprender e ouvir coisas novas – entrevista exclusiva com Greg Mackintosh

Entrevista e tradução por André Luiz – Imagens por divulgação – Edição por André Luiz

Doom, gothic, death metal, a miscelânea de elementos encontrados na música do Paradise Lost ao longo dos 32 anos de carreira da banda ao mesmo tempo que atraí apreciadores de vertentes distintas, também causa curiosidade em fãs mais xiitas os quais se perguntam sobre “o que esperar” a cada lançamento do grupo britânico. Greg Mackintosh ao lado de Nick Holmes é o principal compositor da banda e um dos responsáveis por carregar a bandeira da constante transformação do Paradise Lost a cada álbum. Divulgando o 16º álbum de estúdio da banda, ‘Obsidian’, o guitarrista concedeu entrevista exclusiva para o Portal Metal Revolution, na qual comentou sobre a produção do novo full lenght, a evolução musical da banda em mais de três décadas de carreira, seus projetos pessoais paralelos, o período de isolamento social devido ao corona vírus e explica o porquê de concordar com a afirmação de Nick Holmes sobre ‘Obsidian’ ser um dos álbuns mais ecléticos que já fizeram. (ENGLISH VERSION BELOW).

André Luiz – Primeiro, obrigado pela entrevista. Paradise Lost é uma banda que em constante transformação, mesmo mantendo uma essência (quem ouve sabe que se trata de uma música do PL) frequentemente incorpora elementos e nuances diferentes a cada novo álbum. ‘Obsidian’ começa com a cadência de “Darker Thougths” e continua misturando elementos de doom, death, gothic (como em ‘Ghosts’ a qual convida o ouvinte à pista de dança) até culminar na destruidora “Ravenghast”, como se estivesse iniciando na transição do álbum anterior ‘Medusa’ para uma versão PL 2020. Como você observa essas mudanças no som da banda ao longo das décadas e o reflexo disso em ‘Obsidian’?
Greg Mackintosh – Eu diria que é definitivamente apenas uma evolução honesta. Nós nunca planejamos com antecedência. Toda vez que lançamos um álbum, apenas vemos onde estamos em nossas vidas e o que achamos inspiradores na época. Eu acho que a essência do PL é a melancolia. Não gosto de música alegre, gosto de música poderosa e emotiva, independentemente do estilo que seja necessário. ‘Medusa’ foi o nosso álbum de doom metal e, depois disso, sentimos que era hora de misturar um pouco as coisas e nos mantermos atualizados. ‘Obsidian’ mescla tudo o que aprendemos ao longo dos anos e também adiciona coisas sobre as quais ainda estamos aprendendo. Tenho sede de aprender e ouvir coisas novas, e isso me mantém inspirado.

André – Seguindo a linha da pergunta anterior, você, Nick Holmes, Aaron Aedy e Steve Edmondson estão na banda desde a sua formação em 1988. Como tem sido essa experiência de turnê e estúdio ao longo dos anos? Podemos dizer que esse amadurecimento pessoal dos membros da banda juntos contribuiu para solidificar a identidade sonora do Paradise Lost?
Greg – Ter os mesmos 4 membros por toda nossa carreira definitivamente fez nosso som ser o que é. Tornamo-nos mais hábeis e obviamente experientes no que fazemos ao longo dos anos, mas isso não quer dizer que pensamos que dominamos qualquer coisa. Como eu disse anteriormente, essa é uma curva de aprendizado constante, embora muito agradável. Eu também acho que, em certa medida, nossa educação, ambiente e recusa em aceitar certas tendências ajudaram a moldar-nos musicalmente.

André – “Fall From Grace” e mais recentemente “Darker Thoughts” foram lançados em vídeo clipe, enquanto o lyric video de “Ghosts” foi divulgado entre estes. Os dois primeiros citados são lembram muito estilo do álbum ‘Medusa’ e possuem letras que falam sobre lutar por momentos difíceis e escolher o caminho errado; “Ghosts” literalmente convida o ouvinte à pista de dança no melhor estilo anos 80. Como se deu a escolha destas músicas como singles do ‘Obsidian’?
Greg – Eu não sou fã de singles. É tudo sobre o álbum para mim, mas é assim que funciona com a indústria da música. Nos perguntaram quais três músicas gostaríamos que as pessoas ouvissem antes do lançamento do álbum e listamos as que você mencionou. Achamos que eram amostras decentes do que é o álbum e a gravadora escolheu em que ordem foi lançada. Não tentamos adivinhar qual poderia ser uma faixa popular e não tentamos fazer isso. Desde que estejamos confiantes em nosso material, isso é bom o suficiente para mim.

André – Produzido pela própria banda, com a ajuda do renomado Jamie ‘Gomez’ Arellano, ‘Obsidian’ foi descrito por Holmes como “um dos álbuns mais ecléticos que já fizemos”. Como você descreveria o novo álbum e seu significado na carreira do Paradise Lost?
Greg – Bem, eu concordo com o Nick. Já fizemos mais álbuns de parede, mas nunca (conseguimos apresentar) esta variedade em um disco. Nós terminamos o álbum há alguns meses atrás, então tive tempo para refletir sobre ele. Parece que o disco é o desfecho de tudo o que aprendemos e experimentamos ao longo dos anos. Mesmo que não fosse a intenção, eu posso ouvir muitos elementos diferentes da maioria das épocas da banda. Soa como nós, mas não de forma repetitiva, então estou feliz com isso.

André – O vídeo clipe de “Darker Thoughts” foi prejudicado devido as restrições causadas pelo Covid-19: enquanto as cenas de Nick foram filmadas antes do bloqueio, o produtor Ash Pears teve que terminar o vídeo com pedaços de filme aleatórios. Como tem sido o período de promoção do novo álbum (neste atual momento restritivo)? Como você tem passado este período de quarentena, a interação entre a banda…
Greg –
A pandemia colocou muitas pessoas em situações desafiadoras. Acho que as pessoas precisam se adaptar e tentar seguir em frente. Normalmente, eu e Nick voávamos fazendo (ações com a) imprensa e desta vez tem sido de casa, mas isso não é tão ruim. É a situação ao vivo (de shows) que é a mais frustrante e preocupante. Estamos todos ensaiando separadamente para o que quer que seja a próxima etapa. Há muita incerteza, mas precisamos estar prontos para fazer o que for necessário.

André – Paralelamente ao Paradise Lost, você se dedicou a Vallenfyre (criado inicialmente como uma homenagem ao seu pai) e, mais recentemente, formou a banda Strigoi, com o qual lançou o álbum ‘Abandon All Faith’. Quais são os próximos passos junto ao Strigoi e como a banda foi formada?
Greg – Vallenfyre foi uma enorme catarse para mim. Não apenas honrou meu Pai, mas reuniu velhos amigos e soou muito positivo e fortalecedor. Acabamos (com o projeto) por várias razões, mas principalmente para manter intactos o sentimento e o legado. Depois do Vallenfyre, eu ainda tinha esse desejo de fazer algo muito extremo e perguntei ao Chris (Casket), que estava tocando baixo ao vivo pelo VF há vários anos, se ele gostaria de fazer isso comigo. Começou como uma continuação do Vallenfyre, porém um pouco mais refinado e com algumas outras influências jogadas no pote. Durante o período de composição, tivemos uma imagem melhor de como o Strigoi deveria ser. Tínhamos festivais reservados e, em seguida, a pandemia, por isso temos que esperar até o próximo ano. Comecei a escrever algumas coisas novas para o Strigoi há algumas semanas, para ver como isso progride.

André – Abordando o tema da evolução do mercado musical e dos avanços tecnológicos, hoje em dia as bandas não vendem CDs, como no passado, as turnês são muito mais intensas … Qual a sua opinião sobre os aspectos positivos e negativos deste formato atual da indústria musical, e como as bandas podem sobreviver em meio a essas mudanças?
Greg – O streaming e o download mudaram totalmente o negócio da música e, para profissionais do meio tornaram-se muito desafiadores, mas se você não pode mudar precisa se adaptar. É irônico que, desde a pandemia, a única maneira de acessar a música seja através de vendas e streaming on-line. Nos próximos meses, teremos que ver como algumas dessas mudanças serão permanentes. Eu não sou fã de mídias sociais, shows de streaming, etc., mas se isso é tudo (que se pode fazer), as bandas terão que tomar grandes decisões.

André – Por último, você poderia deixar uma mensagem para seus fãs no Brasil e os leitores do Portal Metal Revolution? Obrigado por esta conversa e até breve.
Greg – Espero que todos estejam bem e mais cedo ou mais tarde voltaremos com nossos amigos a shows e tomar alguns drinques. Enquanto isso, mantenha sua mente bem com grandes quantidades de boa música, livros, filmes etc. Vejo vocês do outro lado.

Agradecimentos à Karina Somacal da Shinigami Records pelo contato para realização desta entrevista.

ENGLISH VERSION

André Luiz – First, thanks for the interview. Paradise Lost is a band constantly changing, even keeping an essence (who listens knows that it is a song of PL) often incorporates different elements and nuances with each new album. ‘Obsidian’ begins with the cadence of “Darker Thougths” and continues to mix elements of doom, death, gothic (as in ‘Ghosts’ which invites the listener to the dance floor) until culminating in the overwhelming “Ravenghast”, as if starting in the transition of the album previous ‘Medusa’ for a PL version 2020. How do you observe these changes in the band’s sound over the decades, and the reflection of that in ‘Obsidian’?
Greg Mackintosh – I would say it’s definitely just an honest evolution. We never planned ahead. Every time we come to do an album we just see where we are at in our lives and what we find inspiring at the time. I think the essence of PL is the melancholy. I don’t like happy music, I like powerful, emotive music in whatever style that takes. Medusa was our full on doom metal album and after doing that we felt it was time to mix things up a bit and keep ourselves fresh. Obsidian mixes everything we’ve learned over the years and also adds things that we are still learning about. I have a thirst to learn and hear new things and this keeps me inspired.

André – Following the line of the previous question, you, Nick Holmes, Aaron Aedy and Steve Edmondson have been in the band since their formation in 1988. How has this touring and studio experience been over the years? Can we say that this personal maturation of the band members together contributed to solidify the sound identity of Paradise Lost?
Greg – Having the same 4 members for all our career has definitely made our sound what it is. We have become more adept and obviously experienced at what we do over the years but that’s not to say we think we’ve mastered anything. As I said previously, this is a constant albeit very enjoyable learning curve. I also think that to some extent our upbringing, surroundings and refusal to accept certain trends helped shape us musically.

André – “Fall From Grace” and more recently “Darker Thoughts” were released on video clip while the lyric video of “Ghosts” was released between them. The first two mentioned are very reminiscent of the style of the ‘Medusa’ album and have lyrics that talk about struggling through difficult times and choosing the wrong path; “Ghosts” invites the listener to the dance floor, in the best 80’s style music. How did you choose these songs as ‘Obsidian’ singles?
Greg – I’m not a fan of singles. It’s all about the album for me but that’s just how it works with the music industry. We were asked which 3 songs we would like people to hear before the release of the album and we listed the 3 you mentioned. We thought they were a decent cross section of what the album is about. The label picked which order they were released in. We are no good at second guessing what will be a popular track and we don’t try to. As long as we’re confident in our material that’s good enough for me.

André – Produced by the band itself, with the help of renowned Jamie ‘Gomez’ Arellano, ‘Obsidian’ was described by Holmes as “one of the most eclectic albums we have done in some time”. How would you describe the new album and its meaning in the career of Paradise Lost?
Greg –
Well I agree with Nick. We have done more of the wall albums but never something this varied on one record. We finished the album a few months ago so I have had some time to reflect on it. It feels like the album is a culmination of everything we’ve learned and experienced over the years. Even though it wasn’t the intention I can hear many different elements from most eras of the band. It sounds like us but not in a repetitive way so I’m happy with that.

André – The video clip for “Darker Thoughts” was hampered due to restrictions caused by Covid-19: Whereas Nick’s performance parts were shot pre-lockdown, video producer Ash Pears had to finish the video with random filmed bits. How has the promotion period for the new album been? As you have been in this quarantine period, the interaction between the band…
Greg – The pandemic has thrown lots of people challenging situations. I guess people have to adapt and try to get on with things. Usually myself and Nick would fly around doing press for albums and this time it’s from home but that’s not too bad. It’s the live situation that’s the most frustrating and worrying. We are all just rehearsing separately for whatever the next thing is. There’s a lot of uncertainty but we have to be ready to do whatever we need to to.

André – In parallel to Paradise Lost, you dedicated yourself to Vallenfyre (created initially as a tribute to your father), and more recently, you formed the band Strigoi which released the album ‘Abandon All Faith’. What are the next steps together with Strigoi and how was the band formed?
Greg – Vallenfyre was a huge catharsis for me. It not only honoured my Father but it brought old friends together and felt very positive and empowering. We ended it when we did for a number of reasons but primarily to keep the sentiment and legacy in tact. After Vallenfyre though I still had this yearning to do something very extreme and I asked Chris (Casket) who had been playing live bass for VF for a number of years if he would like to do it with me. It started off as a continuation of VF but a little more refined and with some other influences thrown in to the pot. During the songwriting we got a better picture of how Strigoi should be. We had festivals booked and then the pandemic hit so we have to wait until next year. I started writing some new Strigoi stuff a couple of weeks ago so we will see how that progresses.

André – Addressing the theme of the evolution of the music market and technological advances, nowadays bands do not sell CDs as in the past, tours are much more intense… What is your view on the positive and negative sides of this format of the current music industry, and how do bands can survive in the midst of these changes?
Greg – Streaming and downloading had totally changed the music business and for more specialist music that became very challenging but if you can’t change it you have to adapt. It’s ironic that since the pandemic hit the only way we can access music is via online sales and streaming. In the coming months we will have to see how permanent some of these changes are. I’m not a fan of social media and streaming concerts etc but if that’s all there is then bands will have to make some big decisions.

André – Last, could you leave a message to your fans in Brazil and the readers of Portal Metal Revolution? Thanks for this conversation and see you soon.
Greg – Hopefully everyone is doing ok and we will all be back with our friends going to gigs and having a few drinks sooner rather than later. In the meantime keep your minds well with copious amounts of good music, books, movies etc. See you on the other side.

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