Shadowside: “Hoje temos mais personalidade e estamos mais maduros que nunca! ”

Inner Monster Out é o mais recente trabalho da banda brasileira de Heavy Metal, Shadowside. Tida como uma das grandes promessas do metal mundial, seu novo albúm de estúdio tem sido considerado não só o melhor disco da banda, como está entre os melhores trabalhos lançados do ano até o momento.

Criada em 2001, e após passar por algumas mudanças em sua formação, a Shadowside encontrou um line-up consistente Dani Nolden (vocals), Raphael Mattos (guitarra), Ricardo Piccoli (baixo) e Fábio Buitvidas (bateria), que fez a banda amadurecer em suas composições e trouxe uma nova sonoridade à banda.

Em entrevista ao Metal Revolution, a vocalista Dani Nolden comenta sobre essa evolução da banda em Inner Monster Out, os planos da Shadowside para futuro dentre outros assuntos que rodeiam a banda.

Por Juliana Lorencini

Metal Revolution – Inner Monster Out tem sido considerado pela mídia especializada o melhor álbum de estúdio da Shadowside lançado até hoje. Como foi o processo de composição?

Dani: Foi completamente diferente do que fizemos anteriormente e eu adorei a mudança. Todo o processo, desde o início da composição até o final da gravação foi extremamente divertido e tranquilo. Anteriormente, nós costumávamos fazer as músicas separadamente, os membros restantes davam algumas opiniões com relação a arranjos e quando dois ou três estavam satisfeitos, nós seguíamos em frente. Nós respeitávamos a decisão da maioria. Dessa vez, nós decidimos que todos deveriam estar satisfeitos e que a banda faria as músicas, não uma ou duas pessoas. Mesmo as músicas que eu ou Raphael apresentamos praticamente prontas foram modificadas, porque nós estávamos com a mente aberta. Não apresentamos as músicas como canções prontas, nós as mostramos para a banda como ideias, algumas mais desenvolvidas, outras menos. Então todos nós trabalhávamos nelas juntos, modificávamos estruturas, melodias, riffs. Experimentamos todas as ideias que cada membro teve, sem exceção. Aquelas que todos gostaram, ficaram. Fizemos isso porque todos nós estamos muito focados nessa banda… nos dedicamos muito e estávamos decididos a fazer o melhor trabalho das nossas carreiras, criando algo nosso, não seguindo a influência pessoal de cada um. Claro que é impossível evitar a influência pessoal, mas ninguém estava interessado em copiar sua banda favorita. Nós temos gostos completamente diferentes entre nós e estávamos abertos o suficiente pra escutar a ideia de todos, mesmo quando parecia algo que nós normalmente não escutaríamos. Acabou saindo algo único, moderno, mas sem sair das raízes e sem perder a identidade da banda Shadowside. Ao contrário, hoje temos mais personalidade e estamos mais maduros que nunca!

MR – Alguns dos temas abordados pela banda nas composições são depressão, violência, DDA e muitas coisas pessoais. Ainda falando sobre o processo de composição, esses temas têm alguma ligação direta com vocês ou refletem situações e pensamentos mais distantes?

Dani: Muitos têm uma ligação direta comigo. Eu escrevo sobre minha vida, sobre as pessoas próximas a mim e sobre temas que me fazem pensar. Eu tenho a sorte de nunca ter sofrido qualquer forma de violência extrema, fui assaltada quando criança, mas não me machucaram. Porém todos sabem que a violência existe, no caso da música In the Name of Love, falo sobre violência doméstica. Muitas pessoas estão em uma situação delicada, sofrendo abuso dentro de casa, mas se recusam a tomar uma atitude contra isso, seja por medo ou por uma paixão doentia. É um assunto importante, que me faz pensar em como é difícil a vida de alguém passando por isso e quantas pessoas são violentadas ou mortas sem que alguém sequer saiba disso. Os temas do álbum podem dar a impressão de que é um disco obscuro, depressivo, mas não é… ele é apenas introspectivo. A.D.D. é o ponto de vista de uma pessoa portadora de DDA… é a descrição da minha vida (risos). Angel with Horns é uma história real exagerada, fala sobre escapismo e como uma pessoa é capaz de ser inocente como uma criança e cruel ao mesmo tempo. As duas naturezas estão sempre dentro de nós. Esse álbum basicamente mostra como todos nós somos “perturbados” em algum sentido e que cabe a nós tornar isso uma coisa boa ou ruim. Nós somos responsáveis por decidir se vamos deixar nossos desvios prejudicar aos outros ou a nós mesmos.

MR – A gravação do álbum foi no Fredman Studio, em Gotemburgo, Suécia. Fredrik Nordström um dos principais produtores de Heavy Metal da atualidade foi responsável por conduzir esse processo. Como foi trabalhar com ele em Inner Monster Out?

Dani: Foi excelente, ele é um profissional incrível, um cara divertido e fácil de se lidar. Ele é direto e sincero, se algo está ruim, ele vai dizer sem meias palavras e isso era exatamente alguém que estávamos procurando. Todo mundo quer ouvir elogios, mas não do seu produtor. Seu produtor tem que ser o cara que não te dá tapinhas nas costas e diz sem medo quando você está cometendo um erro, afinal uma vez que você sai do estúdio, não tem mais volta. Nós fizemos demos do álbum antes de sairmos em turnê com o W.A.S.P., na verdade terminamos a gravação dessas demos na estrada! Como mal tínhamos espaço pra andar dentro da tourvan já que todo nosso equipamento estava lá dentro, Ricardo gravou os baixos em cima da própria cama (risos). Cada música que ele terminava, enviávamos ao Fredrik para que ele desse a opinião dele. Sempre que ele não gostava de uma música ou de uma passagem específica, ele nos dizia e então tínhamos a tarefa de fazer outra coisa, mas não apenas algo melhor, tinha que ser algo bom de verdade. A melhor parte disso é que ele não fazia as músicas por nós, a criação era nossa responsabilidade… e ele era o cara que dizia se estava bom ou não, além de arrancar nossas melhores performances individuais. Na parte técnica, ele também estava sempre no controle e o som que ele tira é excelente. Eu normalmente prefiro não repetir produtores, pois acho que quando um produtor já conhece você bem demais, ele passa a não forçar seus limites. Quando o produtor ainda está te conhecendo, ele não sabe o que você pode ou não fazer, então quando você diz que não pode, ele não acredita e te manda tentar assim mesmo (risos). Fora que as ideias e métodos de trabalho de alguém diferente podem ser estimulantes para a criatividade. Porém, eu faria mais um álbum com Fredrik, sem dúvida alguma. Trabalhamos juntos por apenas três semanas, todos nós na banda estamos extremamente satisfeitos e é provável que a parceria se repita no futuro… e continue enquanto der certo!

MR – O álbum conta com a participação dos vocalistas Mikael Stanne (Dark Tranquillity), Björn “Speed” Strid (Soilwork) e Niklas Isfeldt (Dream Evil), como se deu a escolha deles?

Dani: A faixa Inner Monster Out já pedia por convidados desde o início por causa da letra, que é a história de um investigador perturbado por vozes que ele escuta e pelo assassino em série que ele busca. Ele precisa entender os motivos do assassino, se colocar no lugar dele e passa a questionar o próprio caráter, uma vez que ele consegue compreender um verdadeiro monstro. Portanto ficou claro que essa história não poderia ser contada de forma interessante se fosse cantada apenas por uma pessoa. Conforme a melodia foi sendo criada, começamos a pensar nas vozes que se ficariam interessantes… Na verdade, as primeiras melodias que não eram para mim, eu fiz pensando na voz do Björn. Pensei que se não fosse ele, teria que ser alguém no mesmo estilo. Nossa manager nos EUA é amiga dele, ela fez o convite e ele felizmente aceitou. Depois pensamos no Niklas, que está na mesma banda que o Fredrik. Eu gosto muito da voz dele desde que ouvi o primeiro CD do Dream Evil, então fiz o convite através do Fredrik. Mikael foi uma surpresa muito bem-vinda, ele foi nos visitar no estúdio por causa da amizade que fizemos com Anders, baterista do Dark Tranquillity, no dia que Björn estava gravando. Ele e Fredrik tiveram a ideia de acrescentar a voz de Mikael e eu achei excelente! Sou uma grande fã da voz do Mikael. Se eu soubesse antes que ele se interessaria, teria feito uma parte só pra ele.

MR – A versão nacional do cd traz a nova versão de Inútil, do Ultraje a Rigor! com a participação de Roger Moreira, vocalista da banda. Por que a escolha dessa faixa como bônus na edição brasileira do disco?

Dani: Eu considero Ultraje a Rigor é uma lenda e um verdadeiro tesouro do Rock brasileiro. Essa banda é tudo que o Rock n’ Roll deve ser… irreverente, cheio de atitude, é música que te diverte e faz críticas inteligentes ao mesmo tempo. Eu queria muito colocar uma música em português nesse disco, mas não tenho o costume de escrever letras em português… nunca fiz isso, na verdade. Eu precisaria de muito tempo pra escrever algo interessante, teria que praticar e percebi que não teria tempo para isso, já que tinha que escrever as outras letras do álbum. Então Raphael, nosso guitarrista, tocou um show especial com uma banda aqui em Santos e eles fecharam com Inútil. O público enlouqueceu e pensamos… “por que não uma versão bem pesada e Metal de Inútil?” A letra foi escrita nos anos 80 mas é extremamente atual! Pedimos autorização a ele, ele concordou com a versão e quando terminamos, mostramos a ele e perguntamos se ele queria participar. O resultado ficou demais… a música ficou bem Shadowside, mas a participação do Roger dá o toque irônico que a música precisa. Foi uma honra gravar uma música dele, com ele!

MR – Como vocês tem sentido a recepção do álbum por parte dos fãs e da crítica?

Dani: Está fantástica! Eu acredito que muitas pessoas já gostavam do nosso material mais antigo, mas sentiam que ainda tínhamos muito a provar. Outras não sabiam se seríamos capazes de manter o nível. O que sinto e vejo é que as pessoas acompanham nossa opinião de que esse é o melhor trabalho da carreira da banda, sem dúvida. Os fãs nos dizem que não apenas mantivemos o nível, mas o elevamos, e muito. Muita gente que não gostava de nós antes diz que agora não conseguem mais falar mal (risos).  Penso que conseguimos agradar aos nossos fãs mais antigos, que estão conosco desde o início, porque não deixamos nossas raízes de lado, mas também conquistamos fãs novos, tanto pessoas que não nos conheciam quanto aqueles que realmente não gostavam de Shadowside. As críticas tem sido excelentes, tanto no Brasil quanto no exterior. As notas tem sido 4 de 5, 5 de 5, 9 de 10, 10 de 10… Alguns sites já consideram o Inner Monster Out como um dos melhores álbuns do ano, junto com bandas como Anthrax, o que é algo incrível para nós, que crescemos escutando bandas como eles. Temos um desafio terrível para o próximo álbum, que é fazer algo ainda melhor do que esse, mas como acabamos de lançar esse, vamos curtir isso por enquanto e ficar preocupados depois (risos).

MR – O videoclipe de “Angel with Horns”, produzido por Studio Kaiowas apesar de ter sido recentemente lançado já possuí mais de 103 mil views no Youtube. O que para uma banda nacional de Heavy Metal pode ser considerado uma grande conquista.  Como foi gravá-lo? Por que “Angel with Horns” foi escolhida para ser o primeiro single?

Dani: “Angel with Horns” foi o instinto da banda. Fredrik, nossa manager e a gravadora queriam “Habitchual” como o primeiro single. Mas nós, os membros da banda, sentimos que deveria ser “Angel with Horns”… o refrão é marcante e diferente, não é uma melodia clichê ou esperada, porém ela ainda assim fica na cabeça. A música é pesada, tem várias partes diferentes mas soa simples, direta, legal para bater cabeça. Pensamos ser uma ótima música de apresentação, para mostrar quem somos e o que é Shadowside. Também ajudou o fato de Henrik, o assistente do Fredrik, ter ficado com a música na cabeça a ponto de ficar o dia inteiro cantarolando o refrão dela no estúdio (risos).

MR – Esse ano a Shadowside foi escolhida para ser a banda de abertura do show do Iron Maiden no Rio de Janeiro, o que eu considero uma grande responsabilidade e prestígio. Como foi essa experiência para vocês?

Dani: Foi nossa grande chance de testar a nós mesmos. Nunca é fácil ser a banda de abertura, você tem completa razão quando diz que é uma responsabilidade imensa, especialmente quando o próprio manager da banda escolhe a banda de abertura, como foi o caso. Não é permitido fazer feio. E quando você toca com o Iron Maiden, você está tocando para um público que está louco para ver a banda principal, esperou horas ou dias na fila, pagou caro pelo ingresso e está ansioso por esse show. Você tem que impressionar nos primeiros minutos, do contrário não vai impressionar mais! Nós estávamos confiantes, mas sempre bate uma leve preocupação antes do show. Passa assim que você vê o público curtindo, o que aconteceu logo. O público carioca é sempre muito receptivo conosco e tocar com o Iron Maiden é algo indescritível. É um sonho realizado.

MR – No ano passado vocês foram encarregados de abrir os shows de outro grande nome do metal mundial, o W.A.S.P., durante toda sua turnê européia. Como foram esses shows e a turnê num todo?

Dani: Essa turnê nos ensinou muito, foi um desafio porque foi a primeira vez que tivemos que fazer essa rotina pesada de shows diários. Dormíamos em um país e acordávamos no outro. Eu tive que aprender a dosar minha performance sem perder a qualidade ou a intensidade, afinal não poderia estar esgotada no dia seguinte, nem fazer um show sem energia. Após dois ou três shows, já tinha encontrado o equilíbrio e então cada um passou a ser melhor que o outro, tanto para mim quanto para os rapazes. Passamos a nos conhecer perfeitamente bem como músicos e como pessoas, isso elevou muito o nível da nossa performance. Ter que passar pela situação de ser a banda de abertura todas as noites, enfrentando públicos de países que nunca havíamos tocado antes e não sabíamos se seríamos bem recebidos ou não, fez com que a banda amadurecesse demais. Perdemos qualquer medo, ficamos confiantes, porque precisavamos entrar seguros no palco para poder convencer as pessoas que ainda não nos conheciam de que estávamos em um lugar merecido. Alguns países eram mais difíceis, demoravam mais a ficarem “entregues” e gritar, curtir, cantar junto. Eles passavam algumas músicas observando para decidir se curtiam, outros já estavam mais abertos, como os países do Reino Unido, Espanha e todo o Leste Europeu. Mas todos foram muito receptivos, os povos mais “calmos” sempre vinham falar conosco depois do show, comprar camisetas e CDs. Ganhamos muitos fãs novos depois dessa turnê e apesar de ser uma rotina cansativa, eu teria continuado por mais seis meses… sou apaixonada pela vida na estrada.

MR – Dani, você tem sido considerada uma das grandes revelações entre as vocalistas do metal nacional e internacional. Quais foram suas influências musicais? Quais vocalistas te influenciaram ou inspiraram?

Dani: Eu cresci escutando Queen e Michael Jackson por influência da minha mãe. Mas eu tentava dançar como Michael Jackson (risos). Cantar, era sempre escutando Queen. Eu tentava aprender a fazer backing vocals, especialmente escutando Bohemian Rhapsody e Innuendo. Depois conheci Rock através do meu primo, que me mostrou Guns n’ Roses, Skid Row e amigos me levaram até Judas Priest e Iron Maiden. Apenas depois de conhecer Heavy Metal, comecei a levar a sério a ideia de ter uma banda. Mas eu arriscava brincar com o canto desde 7, 8 anos de idade. Música entrou na minha vida desde cedo.

MR – Existe alguma banda ou vocalista em especial que vocês gostariam de gravar ou dividir o palco algum dia?

Dani: Existem vários… Bruce Dickinson e Iron Maiden, Halford e Priest. Também seria legal algo com bandas mais atuais, como In Flames, Disturbed. Qualquer banda que eu gosto e tenho um CD em casa, na verdade. Acho parcerias interessantes e divertidas, tanto para mim quanto cantora quanto para o público, que acaba escutando algo diferente do que eles estão acostumados a ver um artista fazer.

MR – A Shadowside ainda não possui um Cd ou DVD ao vivo. Vocês têm planos para gravar em breve algum material oficial no palco?

Dani: Não temos algo concreto, por enquanto. Existe a vontade, mas queremos fazer algo que realmente valha a pena e não apenas para ter. Agora já temos bastante material para fazer um CD/DVD ao vivo, então quando tivermos a oportunidade de fazer algo bem especial, com a qualidade que nossos fãs merecem, vamos fazer o melhor possível. E são os fãs que vão escolher o setlist!

MR – Recentemente a banda assinou com a Furia Music, uma das principais agências de shows do país. Como tem sido trabalhar com eles até o momento?

Dani: Excelente, nós acabamos de começar, mas já gosto muito das ideias deles. Tem muita gente pedindo show da Shadowside em várias partes do Brasil e acredito que a Furia Music vai nos ajudar a fazer vários shows acontecerem. Nós fizemos muito mais shows fora do Brasil do que aqui, está na hora de igualar os números!

MRA Shadowside não faz muitos shows no Brasil, mas sustenta seu nome por aqui com um excelente trabalho de divulgação, tanto que vocês são uma das poucas bandas de Heavy Metal do país que se destacam em mídias mainstream mais até que Sepultura, Angra e Korzus. Como você analisa esse fato?

Dani: Eu acredito que é porque nós fazemos poucos shows, mas procuramos fazer com que cada um deles tenha um grande impacto. Temos um grande respeito pelo nosso público e queremos que eles saiam completamente satisfeitos depois de uma apresentação, então nosso show é igual seja quando tocamos com o Iron Maiden para 18000 pessoas ou quando fazemos algo em uma casa pequena. Também sempre acreditamos em seguir os caminhos que a maioria das pessoas acredita que é impossível. Sempre nos falaram que bandas brasileiras nunca teriam espaço nos Estados Unidos e que americanos não gostam do tipo de Metal que nós fazemos, porém fomos muito bem aceitos por lá, sendo atração principal do Indianapolis Metal Fest junto com bandas completamente diferentes de nós e muito importantes por lá, que são Divine Heresy e Kittie. Conquistamos uma base de fãs forte em pouco tempo, fizemos sucesso em territórios considerados difíceis para as bandas do Brasil e isso chama a atenção. Acredito que muitas bandas ainda não sabem que existe espaço para Metal na mídia mainstream. Basta você construir sua história, cair na estrada, espalhar sua música de forma underground, nunca duvidar da sua própria capacidade e trabalhar para melhorar mesmo quando as pessoas já considerem que você é bom o suficiente. Quando você finalmente parar para analisar o que fez, você verá que a banda tem muita coisa para contar e os espaços se abrirão. Tudo que a mídia mainstream quer é publicar o que as pessoas estão interessadas em ler, escutar e ver.

MR – A banda após o lançamento do álbum disponibilizou algumas faixas do mesmo na internet para download. Como vocês vêm a pirataria e a facilidade de compartilhamento de faixas em mp3 que temos hoje em dia?

Dani: Eu sou completamente a favor do compartilhamento de arquivos. Antigamente, as pessoas compravam vinis por causa de uma música, muitas vezes para se decepcionarem com o restante do álbum. CD não é exatamente um produto que vem com garantia de troca. Se ele não está com defeito, você não pode devolver apenas porque achou a música ruim. Todo mundo tem o direito de ter uma “amostra” do trabalho antes de decidir se vale a pena gastar seu dinheiro naquilo. Porém, eu acho que falta respeito com o trabalho do músico. Os fãs devem baixar ou escutar antes, sim. Porém devem pagar pelo que baixam, se gostarem e se tiverem as condições financeiras para isso, além de ser direito do músico decidir quando e onde essa música vai ser oferecida de forma gratuita. Não importa se é a gravadora ganhando dinheiro com isso ou o músico. Muitas vezes, o músico depende dessa gravadora, que está investindo na carreira dele. E sem vendas, essa gravadora não vai dar apoio para uma turnê, por exemplo. É uma simples questão de respeito da parte de quem tem dinheiro suficiente para pagar por isso. Não peço a ninguém que tire da comida ou das contas para comprar meu disco. Apenas que comprem quando e se puderem. Adolescentes que ainda não trabalham e crianças dependem dos pais. Se os pais das crianças e dos adolescentes não quiserem dar um CD da Shadowside a eles, eu quero que eles escutem mesmo assim. Não devemos combater o compartilhamento de música, devemos apenas ensinar às pessoas a importância das vendas para a carreira de um artista, e às pessoas que compartilham em blogs e torrents que eles devem pedir autorização ao artista. Se o artista disser não, respeite isso. Nós na Shadowside muitas vezes fizemos promoções com os nossos fãs, damos música de graça como forma de agradecimento por ajuda em divulgação. Com o compartilhamento desenfreado, eles tiraram a graça desse tipo de coisa. Eu nem seria contra colocar a música em blogs, porém não entendo o motivo. Por que os blogueiros simplesmente não copiam o player de música do nosso site oficial? Estarão compartilhando a música da mesma forma, mas assim a banda será beneficiada, pois o número de plays vai aumentar e isso é bom para a carreira do artista. Mas isso, eles não querem fazer, então questiono os motivos de quem oferece o álbum para download. Acredito que eles querem fazer dinheiro com anúncios no blog, com o número de downloads nesses sites de compartilhamento ou simplesmente ficarem populares porque estão dando algo de graça. Quando muito, eles colocam um link para o site oficial da banda… muitas vezes, nem isso. O comportamento de todo mundo precisa mudar. Os músicos precisam perder o medo da internet e começar a permitir que os fãs baixem ou escutem o disco inteiro diretamente em seus sites oficiais. Os fãs precisam entender que cada venda é importantíssima, especialmente para bandas que não tocam em estádios. E os compartilhadores precisam aprender a respeitar o direito do músico de dizer não. Quando esses três grupos começarem a se entenderem, a internet vai ser uma ferramenta maravilhosa, quem fizer trabalhos bons terá seu retorno e os fãs sempre terão a certeza de que nunca vão comprar porcaria.

MR – A Shadowside está sempre envolvida em algumas causas sociais, no lançando de Inner Monster Out, uma parte do dinheiro arrecadado com a venda dos primeiros álbuns foi destinada as vitimas do terremoto no Japão. O guitarrista Raphael Mattos também participou recentemente de uma partida de futebol beneficente com músicos do metal nacional e internacional como Shaman e a banda sueca Evergrey entre outros. Esse envolvimento é uma preocupação da banda?

Dani: Não é uma preocupação, mas eu acho que é nosso dever doarmos o que pudermos, quando pudermos. Não apenas da banda Shadowside, mas de todo mundo. Nós não fazemos isso porque é bonitinho e porque soa bem, mas porque é certo. Não buscamos mídia com isso, nem queremos aparecer. Mas se “aparecendo” pudermos influenciar alguém a fazer o mesmo, então vamos aparecer. Todo mundo deve fazer algo pelo próximo. Se você não tem dinheiro, faça trabalho voluntário. Se você não tem tempo, doe roupas que você não usa mais. Se você usa tudo que tem no armário, não tem tempo, nem dinheiro, escolha uma causa e ajuda a divulgá-la postando em seu Facebook, em seu Twitter, em seu Orkut. Não se omita… todo mundo sempre pode fazer alguma coisa, que pode não parecer importante, mas quando somamos o esforço de todo mundo, se torna algo grandioso e que pode mudar a vida de alguém.

MR – Muito obrigada pela entrevista, e eu deixo esse espaço aberto para que vocês deixem um recado aos fãs da banda.

Dani: Muito obrigada pelo espaço e apoio! A todos os fãs, espero que escutem e curtam o Inner Monster Out, toquem bem alto, batam cabeça, divirtam-se e libertem todos os seus monstros interiores… Depois venham nos dizer que música vocês mais gostam, pois são vocês quem escolhem o que nós tocamos nos shows. Até mais!

Links relacionados:
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Comments

  1. “Inner Monster Out” é sem dúvidas o melhor album da banda tanto em qualidade de som quanto em qualidade nas composiões. Para mim, é o melhor album de metal em anos (ja escutei o novo album do Anthrax e achei um horror). Recentemente eu tive o prazer de assisti-los ao vivo aqui no Rio e fui surpreendido pela qualidade da performace. Sinceramente eu não esperava um show tão intenso do inicio ao fim. A Dani é uma cantora fantástica ao vivo inclusive. Virei fã “Dona”!!!